quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Ar comprimido de inspiração

As publicações periódicas, com anúncios e ilustrações, sempre foram para mim, a fonte de conhecimento imediato das artes correntes.

Em determinada altura dos anos setenta, dei conta de um modo de ilustrar que superava o realismo fotográfico, com cores mais vivas que o real e pormenores iluminados de modo hiperluzentes.

A luz de um pirilampo no escuro de um noite quente de Verão, apresenta um amarelo hiper-realista, que uma pintura ou foto normal não captam com naturalidade.

A melhor forma de dar luz a um pirilampo numa folha de papel, é com tinta soprada em spray, por um instrumento inventado no final do séc. XIX, na América, o aerógrafo.

Contudo, esta informação, só recentemente a obtive, porque antes disso, as ilustrações de revista e de anúncio em reclamo de produtos, apenas fascinavam pelo aspecto deslumbrante do brilho, sem curiosidade acrescida para saber de onde vinham.

Hoje em dia, a informação disponível na Rede acerca dessa técnica especial, para ilustrar imagens originais ou retocar fotos, é suficiente para se tornar conhecida toda a história da pistolinha de ar comprimido que na América se chama Airbrush ou Aerograph e tem marcas como Paasche, criadas no início do séc XX.

Com esse pequeno instrumento e a habilidade técnica necessária, em conjunto com a sensibilidade suficiente, produzem-se pequenas obras de arte, com efeito visual impressionante.

Foi através dessa impressão inicial que nos anos oitenta procurei saber mais sobre esse tipo de ilustração e quem seriam os seus cultores mais exponenciais.

Através dos anos, descobri que no início dos anos setenta, se verificou um renovado interesse no uso dessa técnica pictográfica para a ilustração de capas de revista, posters de concertos musicais, publicidades variadas e ilustrações diversas.

Os pionieiro nesse revivalismo, no campo musical foram, sem dúvida alguma, os Rolling Stones que nos posters das suas tournées do início dos anos setenta, usaram ilustrações a aerógrafo, bem impressionantes na qualidade técnica.

As capas de discos foram outro campo onde pousaram as sopradelas do ar dos pequenos instrumentos de pintura e durante essa década, há sobejos exemplos dessa arte de fazer capa de disco em LP.

As revistas, particularmente as americanas Rolling Stone, Playboy ( e Oui), National Lampoon, Crawdaddy e Creem, usaram largamente das potencialidades da técnica hiperrealista para apresentar as suas chamadas de capa e de artigos de fundo.

Como exemplos máximos, saídos de várias ilustrações nos anos oitenta, ficam aqui as seguintes:
A primeira imagem que provavelmente me chamou a atenção para a beleza plástica da ilustração em aerógrafo, foi esta capa de disco dos Pretty Things, o Silk Torpedo, de 1974.
Em sequência fotográfica apresentam-se, de cima para baixo e da esquerda para a direita, ilustrações de Vargas, o americano das pin-ups ( concorrente do francês Aslan) extraída de um livro de ilustração e desenho, em espanhol, da editora H. Blume Ediciones, de 1982 e a capa da revista americana Creem de 1974 ; duas imagens da revista Rolling Stone, dos anos setenta; duas capas de discos, dos Rolling Stones ( It´s only Rock n´Roll, de 1974) e Rod Stewart, (Atlantic Crossing de 1975); ainda duas capas de discos de Elton John ( Goodbye Yellow Brick Road, de 1973 e Captain Fantastic, de 1975. Todas as imagens, excepto a da revista Creem, são extraídas de publicações que guardo.
Por último, uma referência ao ilustrador Guy Peellaert, que além de autor da capa do disco dos Rolling Stones, It´s Only Rock n´Roll, publicou em 1973, um livro de recolha de ilustrações em que se destacava esta técnica especial: Rock Dreams.






3 comentários:

MARIA disse...

Ia já dormir, mas fiquei fascinada, não resisti a espreitar.
Que extraordinário. Também conhece esta matéria...
Não há tema sobre o qual não fale e sempre bem.
É tudo muito apelativo.
Imagens fabulosas.
Pergunto-me se ficaria zangado comigo se eu copiasse algumas. Claro que se as utilizar, desta vez, prometo não esquecer de referenciar a fonte...
Ainda volto, amanhã, para ver tudo com calma e procurar compreender a técnica.
Também para perceber bem como se fotografa um pirilampo. Sabe é que , por graça, há pessoas que me chamam assim.
Boa noite José.
Um beijinho.
Da sua amiga Maria

MARIA disse...

Olá José, eu de novo ...
Sabe , encontrei uma fotografia de um pirilampo. Fiquei felicíssima. Lembrei-me do seu texto a respeito da fotografia aos pirilampos.
Provavelmente a fotografia não é das mais felizes, mas juntei-a a um extracto pequenino do seu escrito e colei no meu blog.
Mas, citei-o, como mandam as normas.
Posso pedir-lhe uma coisa ? Passe por lá, só para espreitar muito rapidamente e conte-me por favor, porque eu não sustenho a curiosidade : é a mesma técnica a usada na foto que eu encontrei e aquela de que aqui fala ?
Posso contar que me diz só isso ?... Ficaria muito feliz, porque achei curioso.
Se eu estiver a ser insuportavelmente inconveniente, diga por favor. Com a sua distinção habitual saberá dizê-lo sem magoar e eu calar-me-ei um dia. Tentarei dois ...
Um beijinho
Maria

andre disse...

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