sábado, 25 de março de 2017

This was Jethro Tull. Memórias



 Lembro-me de começar a dar alguma atenção à música de Jethro Tull aí pelo ano de 1973 ou 74, altura em que o grupo publicou o lp War Child.
Não porque esse disco fosse especialmente preferido mas porque permitiu descobrir músicas anteriores, de discos passados e de que tinha ouvido alguns temas, como Life is a long song  ou Bourrée e provavelmente a versão curta de Thick as a brick.
Jethro Tull era assim, para mim e nessa altura, um grupo de culto com uma imagem que ultrapassava a de outros grupos mais pesados na música rock. Tal se devia às poucas fotos que tinha visto do grupo, todas com indivíduos de cabelos mais que hippies e roupas a condizer com a moda desse tempo.
O grupo era conhecido em Portugal e o programa Em Órbita, muito popular entre quem se interessava por este género de música na época, em finais de 1970 apresentava o tema With you there to help me, do LP Benefit,  como uma das 15 melhores canções desse ano ( em número 9, sendo a primeira Bridge over troubled water de Simon&Garfunkel e a última Nothing that i din´t know dos Procol Harum) .
Em Março de 1971 o grupo era capa da revista Mundo da Canção e em 1 de Outubro desse mesmo ano fazia a primeira página do jornal Disco, música & moda, com uma entrevista de Grover Lewis, da Rolling Stone, embora na época tal não viesse sequer mencionado porque a bem dizer o artigo era uma súmula do original, publicado em 22 de Julho desse ano na revista americana de São Francisco. Provavelmente para fugir ao pagamento de direitos uma vez que não aparece qualquer menção da origem, a não ser o nome do autor, nem se refere qualquer acordo de colaboração com a Rolling Stone, ao contrário do que acontecia com o Melody Maker, New Musical Express e Disc and music echo, ingleses.


O jornal Disco, música & moda, então no seu 17 número, quinzenal, era propriedade de Jorge Beckman, dirigido por A. de Carvalho e editado por Eduardo Teixeira e era na época e a par do Mundo da Canção, a referência para quem queria saber algo da música que passava em alguns programas de rádio e não lia as publicações originais, como a Rolling Stone, Crawdaddy, aqueles jornais e outras Rock&Folk.  
A súmula que aparece no jornal é tradução do original em estilo Reader´s Digeste, condensado e merece a pena uma comparação entre ambos…tanto mais que o autor Grover Lewis foi um dos expoentes da nova escrita americana que despontava em revistas como a Rolling Stone ou a Esquire.







E a súmula do Disco, música & moda de 1 de Outubro de 1971, com chamada na capa e sem identificação da origem:



Em finais de 1975 apareceu o disco Minstrel in the Gallery e o rádio passava então, em certos programas, os lp´s completos. Foi o caso e lembro-me de começar a apreciar esse disco ao mesmo tempo que ouvia outros, também passados no rádio, geralmente à noite em programas como Boa Noite em FM, Banda Sonora ou Espaço 3p ou mesmo o dois pontos de Jaime Fernandes.



Foi assim que os lps Stand Up. Living in the past, Thick as a brick ou Aqualung e mesmo A Passion Play, passaram a ser muito lá da minha casa sonora.
Ao ouvir A Passion Play edit#8 anotei "any date"...mas skating away ficou bem escrito e inscrito no ouvido.

Houve um, porém, que não me lembro de ter ouvido nessa altura: o primeiro. This Was, de 1968.  E no entanto é dos mais interessantes em termos sonoros. 
A primeira prensagem da Island é esta:


Em 1976 a descoberta dessa música dos Jethro Tull continuou e nesse ano foi publicado o disco Too old to rock n roll too young to die que foi o último que verdadeiramente apreciei do grupo e cujas músicas já tinha ouvido antes de ver o disco com capa publicada na Rock&Folk de Junho de 1976.


Muitos anos depois disso vieram os discos, todos originais, de primeira prensagem inglesa, de preferência. E ultimamente o que mais gosto de ouvir é Benefit e a canção Inside. O disco começa com With you there to help me, que foi a escolha nº 9 do Em Órbita no final do ano de 1970. La boucle est bouclée.


quarta-feira, 1 de junho de 2016

Bob Dylan, Blonde on Blonde faz 50 anos

O disco de Bob Dylan,  Blonde on Blonde faz agora 50 anos por estes dias. É um dos discos mais importantes da música popular e quando saiu, em finais de Maio de 1966, não tinha idade para ouvir tal música e perceber o significado.

Só duas décadas mais tarde vi a capa do disco de que entretanto ouvira falar e se tornara mítico por isso mesmo e do qual ouvira apenas  algumas canções, como Just like a woman, por essa altura uma das músicas que mais gostava.
Devo ter escutado pela primeira vez tal tema em 1974 quando saiu o disco ao vivo Before the Flood que imediatamente me seduziu e conquistou para a música de Bob Dylan que conhecia apenas episodicamente e talvez por causa do tema Knocking on heavens door, da banda sonora do filme Pat Garret & Billy the kid, de 1973.
Por essa altura também passou na RTP a preto e branco um filme de Bob Dylan dirigido por D.A. Pennebaker , eventualmente Don´t look back e que me impressionou.
As canções Like a Rolling Stone e It ain´t me babe tornaram-se míticas por causa das letras que conseguia ler na Mundo da Canção  e da música que terei ouvido ocasionalmente e me parecia quase recitada mas com sonoridade intensa que se repete em Blonde on Blonde no órgão de um improvável Mike Bloomfield. 

Durante esse tempo lembro-me de ter escutado partes da canção Sad Eyed Lady of the Lowlands, em emissões de rádio em que se falava da estranheza em ocupar toda uma faixa de um do discos ( a última).

A capa de tal disco mítico apareceu pela primeira vez, para mim, nas páginas da revista Rock & Folk, do mês de Março de 1976, a par das outras capas de discos anteriores. Foi essa a primeira vez que a vi, a preto e branco e suscitou-me curiosidade em conhecer o disco, bem como os demais, precisamente por causa de nessa altura já ter saído aquele Before the Flood e o grande disco de 1975 Blood on the tracks que definitivamente me tornou um fã incondicional de Bob Dylan.



O disco  só o ouvi integralmente dez anos depois, em 1986, na edição espanhola, aliás bem prensada, mas uma reedição em stereo do original, em mono.

Esta versão original só a ouvi há alguns anos em prensagem de origem e com uma sonoridade que carece de habituação porque as versões em stereo são aparentemente melhores.

Antes disso, porém, ouvi a versão em cd simples da Columbia-Legacy na série Mastersound Collector´s Edition ( em SBM, 20- bit digital transfer) de 1994 que me pareceu excelente e ainda a versão em sacd duplo saída em  2003 que também é excepcional.






Porém, prefiro as versões em vinil do disco que aliás são díspares e soam diferentes. A prensagem espanhola difere de uma prensagem jugoslava, também em stereo que comprei há alguns anos, com vantagem para esta última ( imagenms mais pequenas, sendo a de cima a espanhola).


A versão original, americana e com referência C2L41 XLP113761-2B, na parte morta da primeira face do disco um, é em mono e soa muito bem, sendo a que se aproxima do som original gravado em Nashville, há 50 anos, com músicos de estúdio como Charlie McCoy.


domingo, 15 de maio de 2016

Harvest, Neil Young.

O disco Harvest de Neil Young saiu em Fevereiro de 1972 nos EUA e por cá deverá ter sido publicado meses mais tarde. Os singles Old Man e Heart of gold deverão tê-lo precedido, mas não me recordo de o ouvir a primeira vez, o que terá acontecido com certeza no rádio da época.
Porém, em Maio de 1972 a revista Mundo da Canção publicou as letras do disco.



Em 1977 o disco era um dos preferidos para ouvir as primeiras batidas de Out on the weekend, e tal sucedeu precisamente nesta altura, nos primeiros dias  de Maio desse ano, porque de tal me recordo bem.
O disco que em 1972 e por esses anos fora tinha sido apenas mais uma referência da música popular assumiu nessa altura um significado especial por razões que não são alheias à descoberta da sonoridade dos CSN&Y, particularmente do álbum ao vivo Four way Street , de 1971 e que por qualquer motivo voltou a suscitar atenção por causa das primeiras canções do lado dois, Right between the eyes e Cowgirl in the sand que então passariam no rádio.

Em apontamentos de 1977 há uma menção explícita a tal disco e lembro-me de ouvir essas duas músicas em conjunto com outras obras musicais do género, country rock, em discos de Stephen Stills ( Change Partners, do disco Stephen Stills 2, de 1971), Graham Nash ( Wild Tales, de 1973), Nitty Gritty Dirt Band ( Mr. Bojangles, particularmente e que foi durante muito tempo um modelo do som da guitarra acústica, logo no começo da canção) Tom Waits e o disco Closing Time, de 1973, etc. etc. no qual se incluem as músicas da época ( Lou Reed e Vicious Circle, Stevie Wonder e Songs in the key of life, Supertramp e Even in the quietest moments, Eugenio Finardi e Sugo, Pink Floyd e Animals, e mesmo os King Crimson, com Starless and bible black, então coligida no duplo LP A Young Persons´s guide do King Crimson e que durante anos foi um disco desejado.
Para além desses e nesse ano de 1977 havia ainda como audição obrigatória, Roy Harper e canções de uma colectânea Harper 1970-1975, George Harrison e 33&13, Van der Graaf Generator e World Record, com o tema grandioso Wondering, Jethro Tull e Living in the past, Thick as a brick, Minstrel in the gallery ou o seguinte, Too old to rock n´roll. E os Kinks de Sleeepwalker. 
  Ou o primeiro de Peter Gabriel. Ou ainda Frank Zappa e o então One size fits all que sendo de 1975 continuava a ouvir com atenção, na sequência dos anteriores, Overnite sensation e Apostrophe. Também os Eagles marcavam essa sonoridade porque em 1976 tinham publicado o Greatest Hits, um dos discos de música popular mais vendidos de sempre.


Numa classificação pessoal da época Roy Harper ganhava a todos, talvez por causa de canções de Bullinamingvase, precisamente desse ano de 1977 e do tema One of these days in England, mas também de outros temas mais antigos como o anterior HQ ou The same old rock, do álbum Stormcock de 1971 e que o rádio, dos programas de Jaime Fernandes e João David Nunes passavam com regularidade.

Portanto o tom dolente do início de Harvest de Neil Young insere-se neste contexto.

O disco propriamente dito comprei-o muito mais tarde, na década de noventa e aproveitando as promoções Nice Price ou similares da WEA alemã.

Durante alguns anos mais foi esse som que ouvi, do disco reeditado pela etiqueta alemã, subsidiária da Reprise americana e com a referência REP 44131 ( MS 2032) em prensagem Alsdorf.

O disco não tem sonoridade muito criticável, sendo mesmo aceitável, mas não se compara à edição original, americana.
Para tal concluir foi preciso ouvir o disco em prensagem inglesa da época, com a referência K54005 e depois, finalmente o original MS 2032 com a prensagem sterling LH ( Lee Hulko).

Foi esse exemplar que me deu a dimensão sonora exacta do que esperava ouvir nesse disco e a batida dos primeiros compassos de Out on a weekend se não me transporta ao tempo referido de 1972 a 1977 por causa da deficiência natural da audição via rádio em FM, pelo menos permite-me agora ouvir o que na altura não era possível e desfrutar das maravilhas sonoras de tal gravação.

Em 2002 tal disco foi alvo de uma rematrização em dvd-audio com várias opções, incluindo a reprodução multi-canal. O stereo em advanced resolution, porém, está gravado em 192kHz/24bit e naturalmente é muito superior à versão cd. Pode haver mesmo quem prefira tal versão, limpa de qualquer ruído espúrios dos discos de vinil e com equilíbrio tonal impressionante, mas demasiado asséptico e que no meu entender acaba por cansar um pouco em audição prolongada. Talvez esse efeito se esbata num audição em reprodutor de qualidade elevada ( da dCs, por exemplo) , mas em termos médios e comparativos, ouvindo-o nessa resolução digital a qualidade, sendo superior não supera a do vinil.
Existe ainda a versão em blu-ray, de algumas canções, inserida na caixa de dez discos, Neil Young Archives Vol. I de 2009 ( Harvest, Old man, Heart of gold, the needle and the damage done, Alabama, Are you ready for the country e com as demais canções desse disco apresentadas em versões inéditas ou ao vivo, reproduzindo por isso integralmente tal disco, no disco oito de tal colecção) . A sonoridade de tal versão é impressionante e conjugada com as imagens que se podem ver enquanto se escutam os temas, torna-se difícil a comparação e mais difícil estabelecer a preferência, tal a perfeição da obra assim apresentada.





A versão em vinil original, porém,  confere ao som a sua justeza e grandiosidade natural e perfeita.


Para se localizar a edição original com prensagem da sterling ( de Nova Iorque) é necessário observar a parte interior do vinil, junto ao rótulo e no fim da parte sonora.





Em baixo, na imagem e de acordo com o sentido dos ponteiros do relógio, em cima à esquerda o disco da WEA, depois uma edição EUA, Sterling LH, seguida de outra, em baixo da mesma série mas com ruído no disco. Estes dois exemplares têm a capa em cartão rugoso. Em baixo à esquerda a versão uk do disco, também em cartão embora menos rugoso que aquelas. Ao centro, o dvd-audio, em cartão simples e com reprodução do encarte com as letras do disco.



Em Abril de 2013 a revista Hi Fi News publicou um artigo acerca do disco mencionando as edições discográficas alternativas:



Imediatamente antes de Harvest, Neil Young publicou After the gold rush, outra obras-primas e no ano seguinte, saiu Times fades away que não desmerece as anteriores.Em versão original com prensagem americana merecem audição a par daquele Harvest:




sábado, 3 de outubro de 2015

ELO e o Eldorado, 40 anos de encanto

Em finais de 1974 surgiu nos rádios uma música então estranha, para mim. Numa toada de música de filme, com batida ritmada e voz recitada aparecia  uma sonoridade de orquestra sinfónica que mudava em segundos para uma cançoneta melodiosa interrompida logo por uma entrada de metais de marcha e que desenvolvia novamente um tema sinfónico até se misturar com a vocalização do primeiro tema, I can´t get ot out of my head.
Eldorado, dos Electric Light Orquestra, começava assim e nunca tinha ouvido nada semelhante. Nessa altura nem sequer tinha ouvido falar nesse grupo, quando já tinham publicado três discos antes desse. E com modo de composição semelhante, como é exemplo Roll over Beethoven, do disco ELO 2, de 1973.

A sonoridade de I can´t get it out of my head que abre o disco era a música que me ficou no ouvido durante alguns anos até perceber quem era o grupo e ouvir o disco por inteiro.
Durante os dez anos seguintes o grupo foi publicando álbuns com interesse auditivo, destacando-se em 1977 Out of the blue,  um duplo que contém vários títulos que merecem audição. Entre ambos publicaram-se Face the Music, em 1975 ( JET 546) e A New World Record, em 1976 (UAG 30017).
A seguir a Out of the blue publicaram-se, em 1979 Discovery ( JET LX 500) e Time, em 1981 ( JET 236 37371). O seguinte, Secret Messages, de 1983 ( JET 527 38490) é pouco mais que uma curiosidade.

Porém, em finais de 1974 o Eldorado era a música que me despertava curiosidade e durante cerca de dez anos assim foi..

Esse disco de finais de 1974, ouvido já em 1975,  só o arranjei nos anos oitenta, numa loja de Braga da antiga Sonolar, uma loja de electrodoméstivos que também vendia discos, em plena avenida da Liberdade, e que ainda tinha essa já raridade, em edição nacional da Rádio Triunfo. A capa é uma das mais memoráveis da música popular, com uma imagem do filme O Feiticeiro de Oz.
Já nos anos noventa, em 1993, comprei uma versão em cd desse disco, da DCC Compact Classics, ( discos manufacturados no Japão e comercializados nos EUA) rematrizado para digital por Steve Hoffman, uma edição especial com banho dourado supostamente garantia de melhor qualidade sonora.Segundo indicações na contracapa, as misturas originais, "masters" foram utilizadas na feitura do cd, sem equalização suplementar.
Em data mais recente, 2001, saiu uma versão em cd da etiqueta Legacy/Sony/Epic com dois temas suplementares e inéditos ( Eldorado Instrumental Medley e Dark City) e com qualidade sonora semelhante.
Apesar da versão nacional do lp ser de qualidade razoável, essas versões em cd apresentam uma dinâmica diferente e mais brilhante, com maior abertura das frequências altas e uma mistura sonora diferente que lhe confere maior clareza instrumental. Na altura pareciam-me superiores mas com o tempo revelam-se mais fatigantes para a audição.

Quanto ao lp em vinil, a edição original inglesa é da etiqueta Warner Brothers com a referência K56090 e nos EUA a United Artists, UA LA339 I  G-2 PiNo, inscrita no próprio vinil (USA) , na parte morta do mesmo. 
Para além dessas versões originais apareceram na Inglaterra em reedição de 1977 as referências Jet UAG 30092 e JETLP 203 e mais uma em 1986 com a referência JETLP 32397, inglesa também..

Assim, em data mais recente procurei obter a versão original de tal disco o que se revelou difícil porque desde logo se tornou  difícil descobrir qual seria essa edição: a versão americana ou a inglesa? E entre estas, qual a de melhor qualidade sonora e prensagem em vinil?
Socorrendo-me de ajuda em foruns da Internet ( precisamente o de Steve Hoffman) concluí que a versão original inglesa seria a preferível e quando a consegui encontrar ouvi todas as versões, com atenção a pormenores.
Tendo comparado as cinco versões em lp e ainda as duas versões em cd, a conclusão é só uma: a versão original inglesa, com referência K 56090 é sensivelmente a que soa melhor.

A contra-capa da edição portuguesa da Rádio Triunfo, eventualmente a seguir à reedição inglesa de 1977, com etiqueta da JET Records e com referência na parte morta do disco:  JET-LP -203 A-1 ALLEN 001040 


A versão original do disco, da WB, K56090, prensagem inglesa:





sábado, 25 de julho de 2015

Há 40 anos, a descoberta da música progressiva popular.

Quando a chamada música progressiva apareceu, nos finais dos anos sessenta nem sabia identificar o género. No entanto conhecia Whiter shade of pale dos Procol Harum, tal como conhecia os singles dos Creedence Clearwater Revival ou Daydream dos Wallace Collection. Pink Floyd, de The Piper at the gates of dawn? Nunca ouvira.

Esse subgénero da música popular só começou a interessar-me aí em finais de 1974 e muito por culpa da revista Rock&Folk e de certos discos que então passavam  em alguns programas de rádio, particularmente à noite no RCP.

Assim só ouvi um dos expoentes do género, In the court of the crimson dos King Crimson, muito mais tarde e integralmente apenas décadas depois. Por um acaso de circunstâncias acabei mesmo por arranjar a versão original desse disco editado em 1969 pela Island, o que tem o rótulo cor-de-rosa e referência ILPS 9111 e cujas diferenças na qualidade de som não têm comparação com outras versões. Sublime.




Antes de ouvir devidamente os King Crimson outras sonoridades tinham chamado à atenção, nesta área. Os Emmerson Lake and Palmer, cujas sonoridades pop de Lucky man não faziam esquecer os sons de 1973 e do disco Brain Salad Surgery.

Evidentemente que a sonoridade dos Pink Floyd desse ano foi o disco mais célebre do grupo, Dark side of the moon, um portento sonoro, cuja versão mais próxima do original que tenho é uma prensagem SHVL 804 de terceira ou quarta geração mas ainda assim muito aceitável.


Antes desse disco lembro-me de aparecer nos escaparates de uma discoteca local o disco Atom Heart Mother, de 1970, apresentado como um modelo sonoro da música de "qualidade", progressiva. O disco que tem uma vaquinha na capa e que por isso fugia, pelo insólito, aos cânones da pop, como alguns outros.

Tenho ainda umas reminiscências de ouvir Jethro Tull e particularmente o tema Bourrée, tocado em flauta, mas não me lembro de ouvir os Yes, nessa altura.
E claro os Moody Blues que em 1972 lançaram Seventh Sojourn que se tornou um dos discos desse ano, muito ouvido aliás, tal como os Procol Harum. 
Há cerca de 40 anos um dos discos que gostava mais de ouvir era de Rick Wakeman, Myths and legends of king Arthur e que o programa Página Um da R.R. divulgou nos primeiros meses do ano de 1975.
Assim foi apenas em 1974-75, há quarenta anos que verdadeiramente descobri a tal música progressiva, no seu esplendor de grupos mais representativos:

Para além daqueles já citados, Genesis, Soft Machine, Kevin Ayers, Camel, Gentle Giant, Renaissance,Strawbs, Traffic, Robert Wyatt e o maior de todos para mim, nessa época, Van der Graaf Generator. 

Em Maio de 1975 a Rock & Folk publicou algumas páginas que me pareceram então o supra-sumo do que se poderia escrever sobre essa música e a apresentação gráfica inultrapassável também.



Com esta informação visual estava habilitado a continuar os estudos sonoros sobre este tipo de música que me conquistou logo o gosto pela audição cuidada.

E inspiração para o desenho.




quarta-feira, 8 de julho de 2015

A memória dos sons de há 40 anos

No Verão de 1975 os sons que gostava de ouvir na música popular ainda são alguns dos que hoje me encantam.

O rádio era o veículo habitual para ouvir tais sonoridades,  geralmente à noitinha ou mesmo noite dentro, em programas como Em Órbita2, 2 Pontos, Espaço 3p, Boa noite em FM e outros.

Até Julho desse ano o disco maior foi Physical Grafitti dos Led Zeppelin, passado nos meses anteriores no programa Página Um da Rádio Renascença.
Blood on the tracks de Bob Dylan também.  E Rick Wakeman com The myths and legends of King Arthur, juntamente com Irish Tour´74 de Rory Gallagher.
Country Life dos Roxy Music, Crime of the Century dos Supertramp, Propaganda dos Sparks e os Barclay James Harvest, com Everyone is everybody else. 
Também contava para tal top a canção Slowth dos Fairport Convention ao vivo.

Em Junho o hit parade do jornal inglês New Musical Express era este, onde se evidencia o disco de Elton John, Captain Fantastic and the Brown dirt cowboy que estava no topo de vendas dos dois lados do Atlântico e ainda Venus and Mars dos Wings e Autobhan dos Kraftwerk.
Estes discos passavam nesses programas nocturnos do rádio então nacionalizado, no programa 4.
Nos singles,. Love will keep us together, de Captain and Tenille ouvia-se muitas vezes assim como I´m not in love dos 10cc.


A música portuguesa também passava nesses programas, particularmente a de Sérgio Godinho, com o disco À Queima-Roupa ou José Afonso e o Coro dos Tribunais.

Estas músicas tinham um acompanhamento regular nas revistas de música, como a Rock & Folk ou os jornais Melody Maker e New Musical Express, aqui numa crítica de 12 de Julho desse anos, ao disco de Frank Zappa One Size fits all que ouvia e de cada vez me interessava mais ouvir. Como hoje.



Porém, o disco que provavelmente terei ouvido mais nessa época não foi no rádio mas num gira-discos rudimentar de um amigo meu, o Zé Gomes que quando chegava lá a casa tinha sempre a rodar o Abraxas dos Santana. É um disco fantástico, ainda hoje, com uma capa que na versão original americana é um portento de ilustração.


Contudo, a beleza máxima, feminina, que me era dado ver em papel, nessa altura, era esta: uma imagem de Nico publicada na Rock & Folk de Fevereiro desse ano de 1975.


quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Outono de 1976

Este desenho de finais de Setembro de 1976 marca o tempo que então passava, de suave melancolia perfumada pelo fumo do combóio de locomotiva movida a carvão e que passava perto da casa onde vivia. Ainda lhe sinto o cheiro...


segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Decade de Neil Young em 1977-78

Em finais de 1977 apareceu este disco, triplo e de recolha de canções de Neil Young até à época. Nessa altura, Neil Young era para mim um dos maiores artistas da música popular e tinha colocado o disco Zuma, saído em 1976 no topo da minha classificação pessoal de álbuns desse ano. A seguir, vinham logo os arautos do prog, Van der Graaf Generator ( Still Life que escutei vezes sem conta, à noite, no rádio FM), Gentle Giant ( Interview), King Crimson ( o "greatest hits" Young Person´s guide to the music of King Crimson, com destaque para Starless e Epitaph) e Led Zeppelin ( Presence) a par de Genesis ( A trick of the tail), Nils Lofgren ( Cry Tough), Jethro Tull ( Too old to rock n roll, tto young to die) etc e neste Stanley Clark e Journey to love. E em português, a Banda do Casaco e Coisas do Arco da Velha.
Era principalmente à noite nos programas em FM do rádio Comercial que ouvia estas preciosidades discográficas que ainda hoje são a música popular que gosto de ouvir. Portanto, Neil Young era especial e nos anos seguintes, até 1979 ( com Rust Never Sleeps) os discos foram sempre os que mais gostava de ouvir. Por isso esta compilação era importante, porque não conhecia os discos anteriores a Harvest, de 1972.
Quanto ao triplo LP este é o original americano ( na prensagem da Capitol. Há uma outra da Monarch Records, contemporânea).




Em Janeiro de 1978 a Rock&Folk fez a recensão e li o artigo sublinhando as canções que faziam parte das seis faixas dos três discos. Muitas delas nem as conhecia e só anos mais tarde as ouvi.