quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Sparks e Roxy Music



















O disco Kimono My House, dos Sparks, saiu em Maio de 1974, e durante o ano, foi divulgado extensivamente, pela Página Um.

O tema de abertura, This town ain´t big enough for both of us, enérgico e de originalidade vocal e instrumental, na sequência de um certo glamour-rock, atinava o ouvinte para o tema seguinte, precisamente Amateur Hour, do mesmo género. E a seguinte, idem. O resto ia todo de embalada.

A experiência sonora, pela originalidade vocal e instrumental, só encontraria paralelo num dos primeiros singles dos Queen, Seven seas of rhye.

Na altura, um amigo meu, arranjara o disco e ouvíamo-lo vezes sem conta, do princípio ao fim.

Ainda mal digeriamos o som deste LP, quando, logo em Janeiro de 1975, a mesma Página Um, começa a passar os acordes de teclado de Never turn your back on mother earth, do LP seguinte, Propaganda. Este, em competição com o LP Country Life dos Roxy Music.


Na minha classificação pessoal desse mês de 1974, figurava o Roxy Music em primeiro lugar, certamente por causa de Prairie Rose ou The Thrill of it all que ainda hoje ouço com o mesmo gosto. A seguir, os Sparks, depois os Man ( Slow Motion) os Barclay James Harvest e os Splinter e Rolling Stones, de It´s only rock n´roll.

Quanto aos Sparks, ficava por vezes todo o programa à coca, para ouvir o tema, nas primeiras vezes. Na emissão de 13.1.1975, passou em último lugar...

A capa do disco dos Roxy, entretanto, sofria adaptações, conforme o país onde saía. A imagem da direita é do disco do...Canadá.



















Músicas de 74

Em 31 de Dezembro de 1974, às 7 e 30 da tarde, como habitualmente, o indicativo da Página Um, na Rádio Renascença, tocava a música dos Pop Five, com o mesmo nome e composto de propósito para o programa.

O locutor, de voz sóbria, era Luís Filipe Martins que nesse dia dedicou a emissão a uma retrospectiva do ano que passava.

Como habitualmente, o meu rádio estava sintonizado para a frequência devida e com papel quadriculado e lápis ( Staedtler nº2), ia anotando, música a música, tema a tema, o alinhamento do programa desse dia, à semelhança do que iria fazer ao longo do ano seguinte.

O papel é este. O rádio é o da imagem ao lado e que ainda toca, nos transistores aquecidos na minha cozinha, todos os dias.





















Entre os diversos temas que não perderam nada com o passar do tempo, destaco o dos Sparks - Amateur Hour, do LP Kimono my House; Sandy Denny, do album Like an old Fashion Waltz, o tema Solo; Rory Gallagher e o tema ao vivo Tatto, de um Lp do Reading Festival; Graham Nash e Prison Song, do LP Wild Tales; o francês Maxime Le Forestier, com Si tu étais né en Mai; A Banda do Casaco, apresentado pela primeira vez no mês de Outubro desse ano, com Lavados, lavados sim, Gary Shearston, ( ainda identificado como Chesterton, como o escritor)com I get a kick out of you; Clifford T. Ward ( que esteve em Lisboa) com Jane.

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

Lisboa, 1974


No final do mês de Junho de 1974, estive em Lisboa. Fui a uma RGA na Aula Magna e fartei-me de ver cinema em meia dúzia de dias. Um dos filmes, em matinée, no cinema Royal, na Graça, era com o Christopher Lee, mas já nem lembro qual.

Os bilhetes ainda estão aqui. Incluindo um, de uma máquina de pesar: 54 Kg. Bom tempo. Apesar da sina, um tanto ou quanto perigosa...

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Raul Seixas


Durante o ano de 1973, no rádio de FM, na mesma altura em que passava música dos Secos & Molhados, um grupo brasileiro, inovador na pop/rock, com nome crismado por um português de Ponte de Lima: João Ricardo, começou a ouvir-se a sonoridade de outro brasileiro, de nome Raul Seixas.
O single evidente, Ouro de Tolo, era uma récita de um encontro improvável de segundo grau, com um fenómeno de então, o dos discos voadores, e de um leve surrealismo na linguagem poética, a lembrar o português O´Neill.

Essa música, de ascendência pop anglo-saxónica, como aliás todas as músicas do disco onde saiu originariamente - Krig-ha, bandolo!- era um lenitivo rítimico, com letra surreal e apelativa. E marcou durante décadas, nesse ano de 1973, com o baixo compassado e a rítmica ao sabor das palavras e secção de cordas, como um dos melhores singles de sempre, para o meu gosto.

O disco, já conhecido em mp3, comprei-o hoje em cd. Na mesma rima da estante da FNAC, outros discos do mesmo autor, todos de qualidade idêntica. As músicas do disco, são todas para ouvir, particularmente a que abre o lado um: Mosca na sopa, que também passava na rádio de então e de ritmo afro-brasileiro. E o rock Al Capone, também merece audição.
A imagem esotérica de Raul Seixas, encontrou eco num outro autor brasileiro de sucesso na escrita: Paulo Coelho. Ainda assim, a música suplanta em muito a temática, por vezes obnóxia do cantor falecido, há uns anos.

Dylan the illustrated record

Este livro em forma de disco LP, publicado nos USA, em 1978, era uma imagem a preto e branco, numa revista Rolling Stone. Felizmente que a ebay, permite estas recuperações do tempo.



Há igualmente um outro sobre os Beatles. Este, no entanto, tem a ver com Bob Dylan, recolhendo várias imagens da discografia do artista, com as capas em tamanho real, até 1978 ( Street legal). As duas imagens que seguem, são do início e de um poster de Martin Sharp, de meados dos sixties, publicado pela Oz.





domingo, 23 de novembro de 2008

Camarada ié-ié: So, this the real thing. Estes, são os verdadeiros plesidentes da junta de connoisseurs do fenómeno Beatle, em Portugal...






















Imagens da revista Domingo, do Correio da Manhã, de hoje.

sábado, 22 de novembro de 2008

O Álbum Branco dos Beatles



















Estas duas imagens, acima, são do disco original, versão mono, número 5 da série de vários milhares, em leilão agora mesmo e até amanhã, na ebay inglesa. As licitações já ultrapassam as 15 mil libras ( !) e com tendência para subir até amanhã. Segundo conta o vendedor ( de Linz, na Áustria), o disco foi recolhido por alguém que apareceu num quarto de uma habitação de Ringo, na altura ocupada por John Lennon. Após ter visto os discos empilhados, pediu um deles, ao que John Lennon não pôs obstáculos, a não ser para não lhe levarem o nº 1. Este é o nº 5...e a revista Mojo de Setembro de 2008, publicava um extenso artigo dedicado ao disco, com imagem do nº 6.

O Álbum Branco dos Beatles, faz hoje 40 anos, da sua publicação na Inglaterra. Por cá, demorou algum tempo mais.

A comemoração destas efemérides, da música popular, particularmente a dos Beatles, só começou há dez anos a esta parte.
Em 1978 ou em 1988, é em vão que se procurará nas revistas de especialidade ( Rock & Folk, Crawdaddy ou Rolling Stone), alguma referência às datas redondas da publicação do álbum branco. E nem sequer a do Sgt Peppers, dará muito que ler.
Portanto, desde há dez anos que a recordação, geralmente acompanhada de discos comemorativos, aparece em tom de nostalgia. A revista francesa Les Inrockuptibles, de 18 a 24 de Novembro de 1998, dedicava a sua capa branca e oito páginas ao disco.

Sobre o Álbum Branco, a sua republicação em cd, ocorreu já há muitos anos e em 1996, foi publicado também, pela Apple, etiqueta dos Beatles, uma compilação num cd duplo, ( The Beatles Anthology, 3) em que aparecem vários temas do disco em versões ainda de estúdio e de experimentação. Essas versões, no entanto, dão um retrato do processo de composição e uma dimensão da arte dos Beatles, em execução. Essa compilação que nunca saiu em Lp, na época ( a não ser em bootleg e sobre isso parece que até ainda existem outros), merece toda a atenção por isso: é o retrato vivo do work in progress que depois daria no Álbum Branco.

Sendo um disco Lp duplo, mesmo dos Beatles, em finais de 1968, teria um preço relativamente proibitivo para a maioria dos interessados. Restavam por isso, os singles.
Do álbum Branco, o single evidente e que mereceria a atenção, seria ob la di ob la da. ou While my guitar gently weeps. Mas nem esse saiu nesse formato, porque em Agosto de 1968, tinha saido Hey Jude, tendo no lado b, Revolution.
E no início de 1969, saiu outro LP, banda sonora de Yellow Submarine, este sim, um single evidente e que me lembro de cantarolar na época. Portanto, para estes esclarecimentos cronológicos, nada melhor do perguntar a especialistas...sendo certo que em finais de 1968, a música While my guitar gently weeps, figurava num hit-parade ad hoc, organizado pela revista Cine-Disco, com recolha de informação, nas principais discotecas de Lisboa e Porto.

Portugal, em finais de 1968, apresentava-se como um país em transição acelerada para uma Primavera que se chamou marcelista. Marcello Caetano, tomara posse como presidente do Conselho, nesse ano e fizera um discurso de posse em que mencionou expressamente " o surto de anarquia na juventude, contestadora de toda a autoridade e de toda a disciplina e que movimentos subversivos aproveitam para a obra de demolição de estruturas sociais." ( Vida Mundial, 6.XII.1968). Na mesma revista, numa extensa entrevista de Von Karajan, à Der Spiegel, o já celebrado maestro austríaco, mencionava também os Beatles, dizendo que "os ouvira e conhecia como ninguém". "Isto é, precisamente no que se refere a ritmo, pode aprender-se muito nesse aspecto, e queremos saber o que torna essa música tão atractiva para os jovens".

Por cá, em Portugal de finais de 1968, apareceu uma revista, quinzenal, esquecida de muitos e que se chamava Cine-Disco. O primeiro número, de Dezembro de 1968, ainda não mencionava o disco dos Beatles, mas no número 5 da revista, saído no início de 1969 ( Fevereiro) , a capa era-lhes dedicada, assim como uma tradução de Lady Madonna, por Dórdio Guimarães ( poeta então casado com Natália Correia).
Num hit-parade, do programa de rádio Em Órbita, dos melhores LP´s de 1968, o Álbum Branco, surge em...segundo lugar, atrás dos Moody Blues de In Search of the lost Chord.
Na última página da revista, surgem letras de canções desse disco, como Back in USSR, Piggies, Goodnight e Ob la di ob la da.




















Na revista Século Ilustrado da mesma época, o ambiente cultural e de costumes, com o afastamento de Salazar, começava a mudar e tal pode ver-se neste cartoon, publicado naquela revista em 17.8.1968, num canto da revista consagrado habitualmente ao "rock pop folk bossa soul jazz..." . Ao lado, uma página de outro número da Cine-Disco, com referência expressa aos cabelos compridos...

segunda-feira, 10 de novembro de 2008

Cat Stevens


No início de 1971, havia uma canção que me lembro bem de cantarolar e querer cantar. Mal sabia a letra e nem sequer sabia o autor, verdadeiro, porque a conhecia na versão de Jimmy Cliff.
Wild World, era a canção de ritmo ainda desconhecido, vindo da Jamaica, já fixado como reggae. Eventualmente, acabei a cantá-la num grupo de música ad hoc, em festa de escola, enquanto procurava manejar as baquetas da bateria. A letra, tirada da revista Mundo da Canção, de Outubro de 1970, escrita num papel, tinha sido colada a um dos tontons, para facilitar a leitura num inglês ainda incipiente e de cópia na pronúncia de Jimmy Cliff.

Ainda nem sabia que Cat Stevens a tinha escrito, porque não ouvira o disco onde fora publicada, Tea for the Tillerman, de finais de 1970. A versão de Jimmy Cliff, curiosamente, é anterior.

Depois disso, lembra-me perfeitamente de ver na tv da época, no início dos anos setenta, num programa, apresentado por Nuno Martins, num jeito de dj de televisão, com pratos de discos à frente e auscultadores nos ouvidos, a menção a Cat Stevens, possivelmente no disco Teaser and the firecat, saído nesse ano.

Em 1971, Cat Stevens já tinha publicado vários discos, dois deles, os clássicos Tea for the Tillerman e Teaser and the firecat. São esses os dois principais discos de Cat Stevens. Depois disso, Catch Bull at four, de 1972, Foreigner, de 1973; Buddha and the Chocolate box, de 1974 e Izitso, em 1977, trazem algumas canções de interesse, cada um, mas nada de significativo, se comparado com aqueles dois.

A imagem é retirada do ebay e respeita ao disco Greatest Hits, de 1975. A publicidade a esse disco, com uma cor verde, num estilismo realçada em aerógrafo, é notável.

domingo, 26 de outubro de 2008

Johnny Cash

A Flama, revista semanal de actualidades, era uma das mais visíveis nos quiosques dos anos sessenta e setenta.
Em Maio de 1970, por qualquer motivo, comprei o primeiro número, com capa em close up de uma princesa, Ana de Inglaterra.
Nas páginas do meio, uma reportagem sobre uma cantora francesa, Sylvie Vartan, que "refazia a beleza", depois de um acidente de carro. E fazia-o em Nova Iorque.
Numa das imagens, da revista, aparece com um disco sobraçado, com uma capa em que aparece a figura de Johnny Cash, num disco que não conseguia determinar na altura, mas sempre me impressionou pelo aspecto.
Durante muito tempo, procurei saber algo sobre esse disco, que contém, por exemplo, If i were a carpenter.
A Rede, permite hoje o que há uns anos, seria tarefa de arquivista arqueólogo. Na loja da ebay, apanham-se estas coisas desaparecidas de circulação e isso é uma maravilha para quem as julgava perdidas para sempre.

O disco cuja capa se apresenta, aparece em crónica, na revista Rock & Folk de Maio de 1970 e chama-se Hello, I´m Johnny Cash.
Nessa altura, provavelmente já teria ouvido o Folsom Prison Blues, saído em 1968, no álbum do mesmo nome e provavelmente A boy named sue, saído no ano seguinte, no álbum At S. Quentin, para além de antigas como I Walk the line.

Em 1970, Johnny Cash, encontrava-se no pico da fama, sendo alvo de atenção geral dos apreciadores de música popular, pelo que em Portugal, também se ouvia.

Em Outubro de 1971, o jornal de música Disco, música e moda, para inaugurar a sua primeira edição a cores, colocava Johnny Cash, na capa, incluindo um poster, como era moda na época.

Porém, a figura da capa segurada pela Sylvie, era apenas a contra-capa. Como se vê, pela imagem tirada da rede.
























sábado, 25 de outubro de 2008

Let it be

Caro rato: o cronista da Tempo, leu na época, a Rock & Folk, de Junho 1970 e traduziu o texto de Philippe Paringaux, o "secretário de redacção" dessa revista francesa. Na capa, Mike Shrieve, dos Santana, em Woodstock, no célebre solo de bateria de que toda a gente falava na época.




domingo, 12 de outubro de 2008

Ó pastor que choras


Outro single, da mesma época, esquecido por nunca ter sido reeditado, também se pode ouvir no You Tube: Ó pastor que choras, por Fausto.





Amor Novo


Um dos singles mais interessantes do início dos setenta, um clássico esquecido da música popular portuguesa, é Amor Novo de Luis Rego. Um original de 1970, publicado em França, na disques Vogue, a etiqueta dos anos sessenta, em França.
Até há uns dias, pensava que era um dos poucos que ainda se lembrava de tal música e tinha tal single original, ainda na memória actual e de escuta.
Uma consulta ao You Tube, não só permitiu ouvir de novo, o single, mas ainda descobrir o destino actual do antigo actor-cantor com os Charlots
Em França, na Esquerda e a recitar anedotas e petites histoires em modo de revista.

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Rita Coolidge


Outra cantora dos setenta, na área transitória da country para a pop, na América, é Rita Coolidge.

Em meados dos setenta, lançou Anytime...Anywhere, em 1977 e que passava no rádio, por exemplo We´re all alone ( Boz Scaggs) , Words ( Bee Gees), I don´t want to talk about it ( Danny Whitten e também bem interpretada por Rod Stewart).

Esse disco vale por todos, sendo ainda importante, a descoberta, no dvd do programa inglês Old Grey Whistle test ( vol I), nesta interpretação de Help me make it through the night. com o marido Kris Kristofferson.


Imagens: R. S. e Crawdaddy.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Lynn Anderson



E em trilogia, acrescento Lynn Anderson, cuja Rose Garden, me encantou em 1971.

Lynn Anderson é puro Nashville. Mainstream. Americano médio. Pimba. Mas é um gosto ouvir Rose Garden.

Anne Murray


Outra voz feminina, americana, que muito aprecio e que ouvi pela primeira vez nos anos oitenta, foi Anne Murray. You needed me de 1978 e Snowbird de 1974, chegam para merecer um postal destacado. Esta versão é deliciosa.

domingo, 5 de outubro de 2008

Carpenters




Depois de Paul Williams, a lógica inclina-se para outro duo de americanos, cantores e autores, nos anos setenta, de uma série de êxitos musicais, em cançonetas pop que venderam milhões e conquistaram a atenção de ouvintes distraídos do rádio de então: os Carpenters, dos irmãos Karen e Richard.

Uma canção como Top of the world, catchy como poucas, é demasiado perfeita, para passar despercebida e por isso tornou-se um êxito em 1973 depois de ter passado despercebida no disco original, A song for you, saído em 1972. A perfeitíssima Goodbye to love, é do mesmo disco, .

Outra, como Close to you, demasiado evidente, para deixar de passar constantemente no rádio e constituir um hit instantâneo, mesmo em 1970, quando saiu.
Tal como a beleza simples e genial de Sing, do Lp Now and Then, de 1973. Ou a repetição de ritmo de There´s a kind of Hush, de 1976. Ou ainda a inesquecível For all we know, de 1971.
Os Carpenters, são assim a modos de uns Abba americanos, ( e isso mostra-se aqui,com uma das mais belas canções do grupo sueco, Thank you the music) mas com êxitos musicais de raiz diversa. Mas diferentes, como se comprova nesta interpretação de um êxito alheio- o fantástico Reason to believe, de Tim Hardin ( também interpretado por Rod Stewart, em 1971, num single de sucesso ).

Em 1973, na sequência dos quatro ou cinco discos anteriores, publicaram um Lp de recolha de êxitos que naturalmente foi um estrondo comercial.
Carpenters- The singles 1969-1973, foi um LP que ouvi integralmente
, porque continha essas preciosidades musicais, juntas, particularmente Top of the world, um dos singles que mais aprecio na música popular, todos os géneros confundidos.

Nos anos oitenta, na sequência de uma longa luta contra a anorexia nervosa, Karen Carpenter, morria em casa dos pais, com 32 anos.
Uma lindíssima voz, das mais belas da música popular, desaparecia. Ficaram os seus discos.

Nessa altura, um tema passava muitas vezes no rádio Popular de Vigo e tomei conta: Calling occupants , sobre extra-terrestres, de um Lp de 1977.




quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Paul Williams



No rádio dos anos setenta, havia sempre surpresas nas audições nocturnas, dos programas de Fernando Balsinha ou do Espaço 3p, de Jorge Lopes.
Uma das surpresas dessas noites de escuta deliciosa, de novidade da música popular, era a sonoridade de um cantor a solo que se fazia acompanhar em modo suave e acústico , progredindo até aos metais e orquestra, por exemplo Like an old fashioned love song, uma cançoneta do início dos setenta, já ouvida numa versão mais batida, pelos Three Dog Night.

O cantor era Paul Williams e o disco que a continha, com o mesmo nome, saira em 1972 e continha outras preciosidades singelas de música de cantor a solo, como We´ve only just begun, retomada depois pelos Carpenters ou A perfect love, num crescendo de romantismo.

O êxito dessa primeira canção, tinha já sido precedido pela audição no programa Página Um, de um tema da banda sonora de Phantom of Paradise, Old Souls, na interpretação de Jessica Harper que ficava no ouvido, no final de 1974, época de ouro do rádio da Página Um, programa das 19h e 30m até às 21 h que ouvia religiosamente, ao ponto de apontar o alinhamento das músicas, incluindo os anúncios e pausas. O apresentador, era o actual Luis Filipe Martins, da LPM, com o blog Lugares comuns.

Em 1975, foi sem surpresa que apareceu o tema Flash, do álbum Ordinary Fool, que por si justifica o LP que contém ainda uma versão de Old Souls.

Esse tema , Flash, atravessou os anos setenta até ao novo milénio, intacto, na sua pureza acústica, porque só o voltei a ouvir há alguns anos, depois de encontrar o Lp, perdido num qualquer coleccionador de discos antigos, nessa Europa ( julgo que em Pisa ou Lucca). Por 20 euros, voltei a ouvir Flash que já tinha quase esquecido ,como acontece com algumas cançonetas que de vez em quando vou recuperando a memória auditiva. Uma das últimas, foi um tema dos Pink Floyd, do disco Obscured by clouds, o tema Free Four soava-me muito em 73 e durante décadas desapareceu do ouvido. Mas ficou na memória como se sempre lá estivesse. Coisa estranha, já repetida.
Portanto, o mesmo sucedeu com Flash, de Ordinary Fool, de Paul Williams, num disco anódino que pouco mais recomenda.





The Who


E esta publicidade, tirada do mesmo número da National Lampoon, merece um postal destacado.

O disco Quadrophenia dos The Who, em 1973, tinha um encanto musical especial. Um disco duplo, apresentado nos programas de rádio como uma obra-prima, vinha tocado por um single como 5.15 que no final do ano, passava constantemente na onda média da Renascença ou do Rádio Clube, entre dois episódios dos Parodiantes.

Quadrophenia , merecia crónicas de fundo, tal como nos anos a seguir, o duplo dos Genesis, The Lamb lies down on Broadway, ou o duplo dos Pink Floyd, The Wall.

O single 5.15 , por seu lado, é um mergulho na memória de 73. O baterista Keith Moon, esse, é um espectáculo dentro do show dos Who. Aqui, em Relay

Muito haveria a dizer sobre este grupo britânico e do seu guitarrista extraordinário que combinava a técnica de lead com a rítmica acelerada das canções que compunha.
Em 1975, a saída do filme Tommy, de Ken Russell, relançou o interesse nesse disco de 1969, também um duplo e eventualmente o melhor do grupo.

Em 1994, a caixa Thirty Years of Maximum R&B permitia ouvir um apanhado extenso da obra dos The Who e algumas canções inéditas.
Durante muito tempo, andei com esta no ouvido: Squeeze box

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

National Lampoon e a música popular

Nos anos setenta, com particular destaque para a segunda metade, uma das revistas americanas com mais páginas de publicidade a discos de música popular, ainda mais que nas revistas dedicadas especificamente ao assunto ( como a Crawdaddy e a Rolling Stone) , era a National Lampoon, uma revista dirigida a estudantes e orientada editorialmente por Doug Kenney, já falecido e onde escrevia habitualmente P.J. O´Rourke.

Em 1973, as publicidades a discos e grupos, incluía as que seguem, tiradas do número de Dezembro de 1973





Here´s looking at you, kid


Uma ilustração de autor desconhecido, tirada da revista Oui de Julho 1973 ( na altura nem todas as publicações indicavam os nomes dos artistas da ilustração), acerca do filme de Sam Peckinpah, Pat Garret and Billy the Kid, saído esse mesmo ano e que tinha a colaboração de artistas como Bob Dylan e Kris Kristoferson.

Em França, na mesma época, a revista Rock & Folk, mostrava assim, na capa, de Setembro de 73, a imagem típica do filme. Foi talvez esta revista que me motivou a dar atenção às francesas que escreviam sobre música. Mas só no ano seguinte as comecei a coleccionar, com grande vatagem e proveito intelectual.


terça-feira, 30 de setembro de 2008

Jim Croce




Ao mencionar Phil Ochs, veio à memória, outro grande trovador americano dos setentas: Jim Croce.
Aparecido na cena musical no final dos anos sessenta, só em 1972, alcançou o sucesso merecido e fê-lo logo com os êxitos que repetiu em três álbuns de originais, publicados até à sua morte, ( o último dos quais, I got a name, já póstumo) num acidente de aviação, em 1973.

Jim Croce, é um dos cantores que não vem mencionado nas revistas e jornais que então lia. A sua música, passava no rádio e várias canções, nesses três anos de vida útil para a música, foram suficientes para o colocar num patamar elevado entre os trovadores da poesia musicada em baladas. As músicas, na sua maior parte, saem bem apenas com uma guitarra acústica, ou duas ( a de Maury Muehleisen, em contraponto) como estas que seguem:
"Operator", "These Dreams", Time in a Bottle, ( aqui numa versão alternativa) , e a grande canção romântica, I´ll have to say i love you in a song, com muitas versões. mesmo sem voz.
E aqui, uma versão de I Got a name, por Jerry Reed, o celebrado autor de A thing callled Love.

Os irmãos Ochs

A propósito de uma menção, pelo Ié-Ié, a um dos trovadores revolucionários da América dos Sixties, Phil Ochs, sabia que tinha visto uma menção ao irmão, Michael Ochs, algures, já num ano distante. Depois de alguma busca, está aqui. Foi na revista Rolling Stone, de 3 de Maio de 1979, com capa de Richard Pryor, um cómico em voga, na época.



A música de Phil Ochs, no entanto, já tinha tocado no rádio, dos anos setenta, sob uma batuta hipotética de Jaime Fernandes ou assim.
O tema Outside of a small circle of friends ( sobre a anomia) tinha ficado no ouvido, assim como The war is over ( um panfleto antibelicista) , The Pleasures of the Harbour e outras, como Ain´t marching anymore.
Em 1997, saiu um cd duplo, com o título American Troubadour, recolhendo algumas das melhores canções do músico. Uma das que me impressionou, nesse disco, foi Half Century High, (de The war is over: TheBest of Phil Ochs 1974), com clavicórdio e voz sumida, de gravação filtrada simulando um som longínquo, como que provindo de um rádio transistor.

Por isso, o nome de Michael Ochs, tinha uma referência e logo que descobri que era um coleccionador reputado, de música popular, segui a pista. No número da revista Rolling Stone, de 3.5.1979, apareciam ambos em artigos, separados por algumas páginas.
O artigo sobre Phil Ochs, do grande Greil Marcus, diz tudo o que é preciso dizer, sobre o canto revolucionário dos artistas empenhados na luta política de extrema esquerda, em países de sistema de produção capitalista e liberal: puerilidades ideológicas, misturadas com generosidades e arte poética.



segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Capa censurada

A capa original deste disco dos Mamma´s and Papa´s, de 1966, não agradou aos industriais do disco, na época. Demasiado idiossincrática, foi modificada e teve três versões. Como se pode ver aqui, na imagem do livro da Taschen, 1000 Record Covers, de Michael Ochs ( irmão de Phil Ochs) e ler por ali.


terça-feira, 23 de setembro de 2008

GP e Flying Burrito Brothers

(imagem da Rock & Folk de Junho de 1976)


Flying Burrito Brothers e Gram Parsons
Em meados dos anos setenta, por cá, pouca gente ligava aos Flying Burrito Brothers.
Por isso, com enorme surpresa minha, um dia ( uma noite) num café de Coimbra, o Atenas, perto do liceu José Falcão, entra um castiço dos estudos gerais ( repetente crónico e com ar de boémio) e desata a falar dos Burrito Brothers, com ar de êxtase artificial.
A mim, cuja droga única que ingurgitei ou intrometi no organismo, fora o álcool com toda a moderação que uma cerveja ou outra contêm, fiquei deslumbrado por encontrar um tipo, uma única pessoa que se atrevia a falar dos Burrito, em público e para toda a gente apreciar. No caso, eu. E suspeito que mais ninguém.

O café era e é pequeno, de estudantes e de conversas sobre matérias incógnitas, mas com toda a certeza afastadas da música country rock. E por isso, ficou-me a memória desse castiça, charrado ou batido no álcool que anunciava a beleza etérea da música dos Flying Burrito Brothers, como eu apreciava e nunca mais deixei de apreciar, à medida que fui conhecendo os discos, nessa altura raros ou desconhecidos do público português.

Em 1974, a revista Rock & Folk introduziu-me na música dos FBB, através da escrita, como muitas vezes sucedeu. Antes de ouvir os discos, já sabia o que iria ouvir e até gostar. E não falhava.
Era uma maravilha, ler as crónicas de Philippe Garnier, na Rock & Folk de Abril de 1975, a primeira vez que o nome escrito dos FBB, me chamou a atenção, na crónica ao disco apócrifo Honky Tonk Heaven, uma compilação holandesa diferenciada de Close up the Honky Tonks.

Foi nessa crónica que pela primeira vez li, a referência a GP, Sweetheart of the rodeo, Palace of sin, Burrito deluxe e Last of the red hot Burritos, todos eles discos míticos que só me foram dados ouvir, alguns anos depois.
Bastantes, porque já na década seguinte.

No mês seguinte, a revista dava conta da chegada do “grupo lendário” a França, para participar em concertos em Paris, Bordéus e Marselha e em Julho, contava como foi o concerto “sem Gram”. Mas com foto de Gene Parsons e uma crítica assim-assim.

Ainda assim, esses primeiros encontros imediatos com a música dos FBB, na escrita da Rock & Folk marcaram os anos seguintes.

Em Fevereiro de 1976, um outro artigo de Philippe Garnier sobre Emmylou Harris, permitia entrever um pouco mais da música de Gram Parsons, com referências a G.P., álbum em que a mesma participou.

Na edição da revista de Junho desse ano, consagrada aos Rolling Stones, lá aparece a foto de Gram Parsons e um dos Glimmer Twins, de Junho de 1971, por altura da gravação do Lp dos Stones, Exile on Main Street, embora sem qualquer participação directa do músico nesse disco.

Porém, só em datas posteriores consegui ouvir os dois discos de Gram Parsons, GP e Grievous Angel, publicados originalmente em 73 e 74, este último já a título póstumo, uma vez que Gram Parsons morreu em Setembro de 1973, portanto há trinta e cinco anos.

Um disco anterior, gravado com os Flying Burrito Brothers, Sleepless Nights, foi publicado por cá nos anos oitenta e era a única obra de Parsons que conhecia até essa altura.
Depois, veio o Lp The Gilded Palace of sin, em LP, de 1969 , com os Flying Burrito Brothers e publicado por cá em data incerta pela Valentim de Carvalho. Tal como o Lp seguinte, de 1970, Burrito Deluxe, os dois únicos ( a par de Sleepless nights) que tiveram a presença constante de Gram Parsons, com o grupo.

Já nos anos setenta ( Lp original) e oitenta (LP em versão abreviada e sem diálogos de estúdio)) e noventa (CD, em 1994, após descoberta dos master originais), saiu o disco que contém uma gravação ao vivo, num estúdio de rádio em Nova Iorque, intitulado Gram Parsons and The Fallen Angels, live 1973, com a participação de Emmylou Harris. Bom disco, com uma grande gravação ao vivo, em forma e que Gram Parsons considerava como de boa qualidade.

Um dvd entretanto saído, Fallen Angel, retrato o destino trágico do músico.