sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Discos de Dezembro de 1974

No final do ano de 1974 ouvia muito rádio, particularmente o programa Página Um, conduzido então por Luís Filipe Martins. O apontamento supra respeita à última emissão desse ano, dedicada a uma espécie de apanhado do ano inteiro.
Nessa altura, o rádio era a melhor maneira de ouvir a música popular que me interessava porque os discos nem sempre chegavam às lojas e quando chegavam era com atraso de alguns meses. No mês de Dezembro de 1974, andava muito interessado na música dos Crosby Stills Nash & Young, cuja tournée, esse ano, em Londres dera muito que falar e escrever. Foi por causa disso que comecei a comprar a Rock & Folk, em Novembro, comprando também a do mês anterior e folheava as revistas várias vezes, lendo e descobrindo coisas da música que me determinaram o gosto. Dos Grateful Dead, capa de Outubro não conhecia quase nada porque os discos não passavam no rádio e nunca os vira nos escaparates. De Frank Zappa, com várias páginas nesse número tinha ouvido já alguns temas que achava fantásticos, eventualmente do disco ´Apostrophe. De Robert Wyatt, um inglês que passara pelos Soft Machine e já estava em cadeira de rodas depois de ter caído de uma janela alta, apresentava-se então o disco Rock Bottom, que não tinha ouvido mas já sabia ser um portento. E de um disco que então passava no rádio reunindo Kevin Ayers, John Cale, Brian Eno e Nico, June,1 1974. O grupo Refugee que também passava no rádio ( no programa de Fernando Balsinha, acho) e que integrava Patrick Moraz era então motivo de interesse em leitura.
Foi nessa altura que tomei conhecimento com os Sparks através de uma entrevista de Paul Alessandrini que deu a ouvir a Russell Mael temas musicais variados, em "blind test" para o mesmo comentar. Nunca tinha lido nada assim.
As imagens do concerto dos CSN&Y em Londres, da autoria de Jean Pierre Leloir ( qui d´autre?) eram fantásticas e a cor da madeira das guitarras acústicas dava vontade de ter uma, debruada a madrepérola. Na crónica dos discos havia Rory Gallagher e Irish Tour´74 que ouviria muitas vezes no Página Um, nos meses a seguir e que se tornou então um dos melhores discos ao vivo de sempre. Só nos anos 2000 arranjei o LP original. E John Lennon, de Walls & Bridges, cujo tema Whatever gets you thru the night é um dos que me lembra o Natal de 74 a par de #9 dream e de War Child dos Jethro Tull.
Pelo contrário do disco dos Steely Dan, Pretzel logic nada conhecia. Só muito mais tarde, lá para o início dos anos oitenta vim a descobrir tal preciosidade. Quanto ao Red dos King Crimson, esse foi dos que me despertou logo curiosidade porque gostava de ouvir Providence e outras. Era então um dos meus discos preferidos. A par do June, 1 1974.
Um disco de Joe Cocker, I can stand a litttle rain, tinha uma canção que passava no Página Um- You are so beautiful.
Foi a partir daqui, em finais de 1974 que a música popular se expandiu, para mim. Até então, os motivos de interesse eram relativamente estreitos e cingidos a certos músicos e a algumas músicas. Desde essa altura, porém, os horizontes alargaram-se sempre em expansão até meados dos anos oitenta em que esse mundo cósmico entrou em recessão e começou a contrair poupando a maior parte dos grupos e artistas que me interessavam em 1974 e nos anos a seguir e relegando para o esquecimento ou desinteresse todos os demais.
Simultaneamente, descobria a música popular brasileira- Milton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso, mais Gilberto Gil ( saiu nesse ano o disco fabuloso Temporada de Verão que tem "Felicidade", um tema fantástico) e a francesa com Serge Reggiani ( Tes Gestes) ou Georges Moustaki ( Portugal e Danse, por exemplo).
O ano de 1974 representou assim uma revolução no meu particular gosto musical e cedo se manifestou a tendência progressista ( ahahaha!) através de um gosto pronunciado pelo rock sinfónico, como se dizia então. Os Yes de Relayer e os Emmerson Lake and Palmer, também. Os Gentle Giant viriam dois anos depois, com a descoberta de Interview, mas os Van der Graaf Generator foi logo a seguir, com Godbluff e tornou-se o principal grupo de culto.

Em Dezembro de 74 a revista alemã Pop publicava esta publicidade aos discos então surgidos no mercado:

Os verdadeiros lp´s só mais tarde os arranjei, como aí estão, mas fazem-me sempre lembrar essa imagem da Pop, tal como esta imagem abaixo, da Rock & Folk de Outubro de 1974 me faz lembrar como gostaria então de ter uma aparelhagem de som como esta. Tudo num! Gira-discos, rádio, gravador de cassetes. E muitos botões a prometer regulações no som e equalizações fabulosamente imaginadas. Não sabia ainda que havia graduações na qualidade do som, em conformidade com os componentes e aparelhagens, mas este modelo servir-me-ia então às mil maravilhas- se o pudesse ter. E não podia...daí a fantasia que perdurava naquelas páginas da Rock & Folk, tal como se produzia ao ler os textos de recensão crítica dos discos com imagens da capa e que eram já de alguma forma ouvidos, só de os ler...
Esse tempo de alguma fantasia e encantamento sonoros, ficaram para sempre na memória e de um modo tão marcante que nunca mais houve outro assim.
Tal como Milton Nascimento cantava no álbum Minas, na canção Saudades dos aviões da Pan-Air, "cerveja que tomo hoje, é apenas em memória dos tempos da PanAir", assim a música dos Roxy Music, do disco Country Life é apenas a que tenho em memória desse tempo. Já ouvi os cd´s rematrizados e sem o ser; já ouvi várias prensagens do LP e não é a mesma coisa. O som que hoje ouço, com a qualidade toda de uma aparelhagem de alta-fidelidade não é o mesmo que ouvia num rádio Grundig em monofonia e a escutar os últimos compassos de The Thrill of it all ou All i wat is you.
O mesmo se passa com o lp dos Led Zeppelin, Physical Grafitti, de 75. O som de hoje não me repõe o que tenho em memória dessa época e não é truque do tempo. É mesmo um truque do som, porque há outros discos que ouço como se fosse então e ainda outros ( Bob Dylan e Blood on the tracks, por exemplo; ou I´ll play for you dos Seals & Crofts) ) que ouço muitíssimo melhor agora. Melhor, em qualidade intrínseca do som. Portanto, algum fenómeno ocorreu: ou os lp´s que tenho não são tão bons como os que passavam no rádio de então ou o efeito sonoro desses lp´s era mais eficaz em monofonia. É caso estranho para resolver com tempo. Isso já me conduziu a arranjar várias versões do mesmo disco e por vezes fico satisfeito. Outras, ainda não. O último disco que me preencheu todo o espectro sonoro da minha memória foi o X dos Chicago em prensagem americana. E o Venus and Mars dos Wings. Acrescento que tal experiência, de reprodução de um som antigo, reconhecível imediatamente, é algo inefável e dado a iniciados, penso.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Bob Dylan 1972



Este single de Bob Dylan foi publicado em Portugal em 1972, apesar de ter saído originalmente em finais de 1971 e não fazer parte de nenhum LP.
Foi com este single que descobri um novo interesse na música de Dylan, para além das canções dos anos sessenta que passavam no rádio da época e que eram poucas. Blowing in the wind, talvez. The times they are a changin´, possivelmente. Mas nada me lembra Blonde on Blonde ou mesmo de Highway 51 Revisited, que tivesse ouvido e registado, só para mencionar dois dos mais importantes discos de Bob Dylan da década de sessenta. É possível que outras canções de Dylan despertassem interesse, mas em 1971 e 1972 não houve registo de LP por parte do cantor. O anterior LP, de 1970, era New Morning e a canção que me lembro desse disco é If not for you, mas não me recordo de a escutar no rádio da época. E do anterior a esse, Self-Portrait, também de 1970, ainda menos lembro.
Foi portanto com a audição de uma "canção de protesto" de Dylan que comecei a interessar-me pela obra do cantor americano.
Este single tem a particularidade de ser edição diferente das demais que se publicaram na época. A cor da capa, a sugerir o Lp Greatest Hits vol. II, saído na mesma altura, variava do azul para o rosáceo.
O desenho da contra-capa, apócrifo, remonta a 1976 e à época de Blood on the tracks. O single, com outros discos aqui mencionados, pertence ao meu amigo José Gomes, o titular das novidades discográficas dessa época e que ontem me emprestou o disco para aqui reproduzir. A par desses lá estava o dos Santana, Abraxas, uma referência da época.

domingo, 27 de novembro de 2011

O mundo fascinante dos....catálogos

No início dos anos setenta dei conta de que havia mais livros nas livrarias do que aqueles que poderia ler e muito menos comprar, embora muitos me fascinassem pelo aspecto gráfico e pelo conteúdo que prometiam. As montras das livrarias de Braga ( a Livraria Cruz e uma outra na rua do Souto) eram um fascínio para mim.
Como não podia ter muitos livros arranjei um sucedâneo: ter os catálogos das livrarias para verificar o que havia e me interessava. Por isso mesmo comecei a escrever às lvrarias conhecidas de então e pedia-lhes para me enviarem catálogos. E a maioria não se fez rogada e lá foi mandando, ao longo dos anos.
A Europa-América e a Bertrand eram relógios suíços a publicar catálogos e lá os fui coleccionando. A Bertrand, além dos catálogos, enviava aquilo que hoje em dia se chama newsletter- folhetos mensais ou trimestrais com as novidades a assinalar. Alguns desses exemplares de início dos anos setenta aí ficam na imagem.
Julgo que o primeiro catálogo que pedi foi à União Gráfica (segunda imagem à direita, com cor verde alface e preto) que pertencia ao grupo da Renascença, ou seja ao Apostolado. E o da editorial Aster, na imagem acima foi obtido em Junho de 1969. Tinha então 12 anos. Um dos livros da Aster que me interessavam, vá-se lá saber porquê ( e que nunca tive, aliás) era Paideia de Werner Jaeger, um helenista que provavelmente era ensinado na Universidade portuguesa. Ainda será?

sábado, 26 de novembro de 2011

1970


Em 1970 a Flama publicou uma série de "cromos" com fotos de grupos de música popular. Uma delas fica acima, com os Pop Five Music Incorporated, um dos mais progressivos conjuntos musicais da época, cujo principal mentor, Miguel Graça Moura compôs o Page One que dava o indicativo do programa Página Um, na R.R.

Abaixo, uma imagem do Diário Popular de 6.11.1970, com o hit parade de então, em várias capitais europeias. Destaque para os Tremeloes, com Me and my life, Song of Joy de Waldo de los Rios e Wild World, de Cat Stevens, na versão de Jimmy Cliff. Eram músicas que me lembro bem de ouvir.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mais imagens de 1971

Este pequeno apanhado de imprensa e referências do tempo, no início dos anos setenta ( o desenho é de 1971) resumia o interesse que me despertavam os jornais e acontecimentos mundiais da época, particularmente na sociedade norte-americana.
O caso de George Jackson tinha importância na época porque foi cantado num single de Bob Dylan publicado nesse ano e que ouvi regularmente na casa do meu amigo Zé Gomes. Foi por esse disco que de algum modo comecei a despertar interesse na música de Dylan que até então não conhecia a não ser um Blowin in the wind que até fora adaptado para música de igreja ( tal como algumas de Paul Simon). O caso Ângela Davies inseria-se no mesmo contexto social das lutas pelos direitos cívicos nos EUA e que aqui eram noticiadas por jornais como o Diário Popular de onde foram copiadas as caricaturas de algumas figuras que aparecem no desenho e que são originalmente da autoria de José Lemos, um desenhador de jornal injustamente esquecido.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Diário Popular 15.1.1971


Esta imagem com caricaturas de músicos pop foi publicada no Diário Popular de 15.1.1971. Foi nessa altura que comecei a descobrir a música popular de expressão anglo-americana e os nomes dos músicos caricaturados tornaram-se uma charada que fui descobrindo aos poucos.
Faltava um ou outro. Por exemplo, John Peel, um apresentador da Radio One e que só descobri em 1975, passando a ouvir o Top Gear em onda curta. É um dos que não foi devidamente assinalado.

sábado, 12 de novembro de 2011

Discos de 1975


Em Setembro de 1975 a revista Rock & Folk publicou este anúncio na contra-capa. Era do novo disco dos Pink Floyd, Wish you Were Here, um disco que marcou esse fim de ano e que ouvi muitas vezes no rádio, ao ponto de tentar tocar a canção-tema, que me oferecia dificuldades por causa da vocalização muito própria de David Gilmour. Saiu recentemente o cd rematrizado e que contém uma versão alternativa dessa canção. A original cheguei a gravá-la em 1977, depois de ter passado alguns meses a criar calos nos dedos por causa das cordas metálicas da vila acústica que tinha comprado meses antes, em Outubro de 1976.
No Outono-Inverno daquel ano de 1975, a música que ouvia com interesse, era essencialmente esta que ainda ouço hoje, gravando-a para ouvir em viagem, etc.:

O disco de Frank Zappa, One Size fits all era e é uma pequena maravilha que Fernando Balsinha ou Jaime Lopes passavam no rádio, à noite no Espaço 3P. Ou nos programas Boa noite em FM; Banda Sonora; Perspectiva e em Órbita.

O disco de Roy Harper, HQ foi passado pela primeira vez por Jaime Fernandes que afeiçoava particularmente este tipo de música para gáudio de quem gostava, como eu. Além de HQ passou os restantes discos de Roy Harper e em 1977 até contribuiu para a sua vinda a Portugal por causa das vendas do disco Bullinamingvase, outro portento.
O disco dos Jethro Tull, Minstrel in the gallery, era para mim, na altura , um hino, uma maravilha que me soava constantemente nos ouvidos. Por causa desse disco e do que se seguiu, Too old for rock n´roll too young to die, passei uma viagem de combóio do Porto a Coimbra a conversar com uns italianos que também gostavam da música dos Jethro Tull e tinham visto uns dias antes um grupo funky, na Bélgica ou Holanda e contaram uma anedota que aqui não se pode reproduzir.
Venus and Mars dos Wings foi um disco que me cativou porque todas as faixas, quase sem excepção, são interessantes e incitam à escuta. Ainda hoje. É um disco fantástico de Paul McCartney.
O disco de Neil Young, Tonight´s the night é um dos melhores do músico canadiano e tem várias faixas de antologia que ao longo dos anos foram sempre ouvidas como se da primeira vez.

A par desses discos afeiçoados, nos respectivos programas de rádio passavam ainda os Armageddon, Camel e o LP Snow Goose, muito interessante e sem dúvida um dos discos dessa altura; Ritchie Blackmore e os Rainbow; King Crimson e Lark´s Tongue in aspic; Lindisfarne ao vivo; Magna Carta e Lord of the ages e muitos mais.

domingo, 6 de novembro de 2011

Porsche 911S Targa 1972-73


Estas imagens são da mesma época- 1972 e 1973. A primeira saiu de uma revista alemã de carros- Auto Motor und Sport- que se vendia por cá e um amigo de escola de então, o Vladimiro, comprava, recortando as imagens e colocando-as em álbuns manufacturados. O que sobrava cedia e esta fiquei com ela por causa do modelo do carro, um Porsche 911S Targa que então era o must nos carros desportivos que se poderiam ver a circular. Tinha linhas elegantes e bem desenhadas e ainda hoje é um carro digno desse nome.
No Natal de 1973 a revista Tintin publicou uma historieta de Bruno Brazil, com imagens bem desenhadas desse carro, até na cor.
A imagem de baixo respeita ao modelo Carrera, branco e uma beleza estética. E por causa desses estímulos estéticos e visuais, em 1974 passei algum tempo a tentar transpor para desenho essas sensações mecânicas...inacabadas.

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Cat Stevens e a capa do Greatest Hits

Esta imagem, de publicidade a um disco de Cat Stevens, apareceu na Rolling Stone em 1975. A imagem do disco e da publicidade sempre me atraíram a atenção por causa da ilustração e do conjunto de cores usado. A técnica deve muito ao aerógrafo, o que na altura era moda mas tal como a pedal steel guitar, sempre me fascinaram.

domingo, 18 de setembro de 2011

Hi-Fi portátil


O modo de reproduzir som em alta fidelidade sempre me interessou. Em 1976 comprei o número especial da revista Science & Vie que trazia um artigo desenvolvido sobre as noções básicas sobre o som e que ainda hoje me serve de referência.
Gravar música em boas condições e em alta fidelidade tornou-se um hobby que perdura ao longo dos anos.
Desde o gravador de cassetes, em monofonia, ( mas que pouco importava porque o som do rádio também o era) da Phillips, que me serviu durante todos os anos setenta até aos exemplares acima mostrados passaram os anos mas não a música gravada e o interesse em reproduzi-la de um modo aperfeiçoado e a preço razoável.
Assim, na imagem, à esquerda está o leitor-gravador portátil de cassetesda Sony, um Walkman que pode ser considerado o Rolls Royce do produto que saiu nos anos oitenta e acabou há pouco de ser fabricado. É um pequeno gravador extraordinário, com um som incomparável, no género. Quase não se diferencia dos gravadores de mesa, mas também custava o mesmo que eles...

Ao seu lado reproduz- se a imagem de outra pequena maravilha da era digital em que nos encontramos. O pequeno gravador digital da Roland saiu o ano passado, nesta versão, e consegue gravar em frequências que superam a do cd: 24bits a 96000 Hz, ou seja, a qualidade do dvd-audio. É neste momento o que uso para gravar digitalmente os meus LP´s de preferência e o som que de lá sai quase nem se distingue do dos LP´s originais, o que perfaz o meu interesse em alcançar esse nirvano sonoro que só conhece quem já o experimentou.
O pequeno gravador portátil da Roland é complementado com outra pequena maravilha, o Fiio, um conversor digital-analógico portátil que se acopla ( até tem uma pequena borracha para o efeito) e destinado à ligação a auscultadores, funcionando como um pequeno amplificador que assegura uma reprodução mais perfeita daquelas frequências sonoras mais elevadas.
Finalmente, na era digital consegui encontrar o equivalente ao Lp e ao som que lá fica gravado.
Maravilha!

terça-feira, 6 de setembro de 2011

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Van der Graaf Generator- Still Life


Há trinta e cinco anos, por esta altura, ouvia o disco Still Life dos Van Der Graaf Generator, lançado na Primavera de 1976. Os VDGG eram então o grupo que me fazia correr para o rádio e colocava os auscultadores para ouvir em recolhimento todo o disco que passava ininterruptamente num dos programas da noite da Rádio Comercial, normalmente apresentado por Jorge Lopes.
Era quase uma experiência mística, ouvir o Still Life e quando chegava a vez de My Room, a abrir o lado dois do LP, o nirvana sonoro era alcançado numa fusão com uma letra imaginária que me recolhia no meu quarto. A melodia simples, fraseada no saxofone tenor, acompanhada pela secção rítmica e vocalizada por Peter Hammill tornam esta composição uma das que me ficou sempre no ouvido. A composição final, Childlike faith in childhood´s end, então era o culminar absoluto da experiência sonora que este disco representa.
O disco apareceu nos escaparates das discotecas e rapidamente se tornou um dos que gostaria de ter como disco de culto.
A capa tinha aparecido antes na Rock & Folk de Junho de 76, a preto e branco, juntamente com a crítica de Jean-Marc Bailleux e apontei os temas que apanhei posteriormente em qualquer referência avulsa, eventualmente no próprio disco, bem como a cor da capa ( "tom acastanhado").
Nos anos oitenta comprei finalmente o LP em prensagem alemã, ligeiramente diferente da original, pois contém a indicação da duração das faixas e o disco é da Charisma e da Virgin. A original ainda tem o lettering da capa em tonalidade e recorte diferentes. Não obstante, em termos de qualidade sonora, parece que essa prensagem alemã é a melhor de todas.

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Disco, música & moda,


Imagem do jornal Disco, Música & Moda de 1 Setembro de 1971, na qual se pode ver o top 20 do momento. Enquanto os ecos de Vilar de Mouros, cerca de um mês antes, ainda se faziam sentir em que viveu o acontecimento, a música que se ouvia no rádio, na onda média e fm era a usual, comercial e sem interesse por aí além.
Demis Roussos, na época e depois de Spring Summer Winter and Fall, era presença assídua nos tops, o que ainda duraria mais alguns anos, reflectindo-se no primeiro lugar no Top, com We shall dance.
Os discos eram esses, a música era esta e a moda eram as calças de ganga da Lois, de marca espanhola, porque as Levi´s de ganga eram produto raro, por cá. Havia de bombazina, de muito boa qualidade e que apreciava como produto de moda desejada. Em cores escuras como azul e o verde ou mesmo preto, eram ainda de perneira estreita, antes da "boca-de-sino" que apareceriam dali a uns tempos.
Esta moda, tal como as demais, vinham sempre do estrangeiro e os primeiros a mostrá-la eram os emigrantes que regressavam ao país por ocasião do Natal ou das férias de Verão. Alguns meses depois lá apareciam essas roupas por cá, generalizando-se o consumo.
As calças Levi´s de bombazine duravam que se fartavam e aguentavam lavagens em água , sucessivas e sem se estragarem muito. A etiqueta que segue é das primeiras Levi´s e até tem o preço da altura: 275$00, um balúrdio para a época porque as Lois custavam quase metade disso, numa época em que a inflação a valer só se sentiria uns poucos anos mais tarde.

( a imagem das calças é tirada da rede e não é de época, mas a qualidade visível do tecido aproxima-se à do original que me lembro e nunca mais encontrei. A etiqueta, branca, também confere com a desse tempo ).
Seja por efeito do tempo ( a minha adolescência) seja pelo valor real da mercadoria, essas calças de antanho ainda hoje me fascinam como produto industrial, pelo design, pela qualidade do tecido e pelo valor de uso derivado da moda de então.

As Lois eram mais baratas e vinham com o algodão por coçar, pelo que exigiam várias lavagens, no tanque, para desbotarem e ficarem como deviam num tempo em que ainda não tinha sido comercializado em Portugal o jean desbotado de fábrica.
Esta etiqueta com foto abaixo poderá ser das primeiras Lois que tive. E que foi precisamente nesta altura, há quarenta anos. A imagem abaixo, tirada da rede, mostra um exemplar dos anos oitenta, ainda muito parecido ao de dez anos antes.
O valor iconográfico desta simples peça de roupa, de ganga, liga-se a um fenómeno que os soviéticos conheciam muito bem: o desejo de pertencer a um mundo cuja civilização invejavam de alguma forma e por isso mesmo a quem visitasse o país era oferecido um valor exagerado pelo simples par de calças jeans que o turista trouxesse.
Por cá, em Portugal e nessa época, o cerco civilizacional não era tão largo, pelo que se podia quase imitar o que lá fora se passava nos grandes centros da Europa e do mundo ocidental. As modas vindas quase exclusivamente do exterior, como ainda hoje, demoravam uns poucos meses a cá chegar mas chegavam. Hoje em dia o fenómeno está esbatido e duvido que alguém que não tenha vivido esse tempo se aperceba do fenómeno e seu significado.
Ainda assim lembro-me de ler um artigo sobre este assunto em que um francês dizia que era difícil encontrar calças de ganga Levi´s em Paris, no final dos sessenta.


sábado, 6 de agosto de 2011

Chicago- os 4 primeiros





Estas são as imagens das capas dos quatro primeiros lp´s originais dos Chicago, saídos em Abril de 1969, Janeiro de 1970, Janeiro de 1971 e Outubro de 1971, nos EUA. São todos da primeira prensagem americana, ordenados de cima para baixo, com uma imagem de conjunto que engloba o Lp quádruplo IV, ao vivo no Carnegie Hall.
Como se pode verificar, as capas dos três primeiros são duplas tal como os discos, mostrando uma consistência gráfica que outras edições não têm.
Durante muito tempo intrigou-me a capa do primeiro LP por causa da imagem idêntica na capa e contra-capa, com tamanho diverso. Muitas vezes fiquei a pensar que a capa era a contracapa e vice-versa, antes de ter visto o original. Tal acontece com a versão em cd, mesmo a rematrizada em 2002 pela Rhino que tem uma imagem de capa que no LP aparece na contra-capa.
Quanto à música e som respectivo nem vale a pena repisar o que penso: estas versões originais são melhores que as dos cd´s. E mesmo a versão do Chicago II em dvd-audio, parece-me ficar a dever algo ao Lp, uma vez que a evidente riqueza sonora, mais limpa de impurezas do vinilo e mais recheada de dinâmica, não alcança a pureza simbólica e serena do som do LP. Este, mais relaxado e menos amplo em sonoridade dinâmica pode parecer anémico em relação ao dvd-audio, mas em longa audição parece-me preferível. Subjectivamente, claro.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

Manassas - Stephen Stills

Continuando nas memórias da música ouvida pelo rádio, surgiu-me o registo de uma audição da Página Um, anterior à que julgava ter sido a primeira. Apontei numa página da revista Mundo da Canção saída em 20.4.1972 algumas canções que passaram no dia 5.7.1972 no programa. Uma delas é "What do you do" como então escrevi e afinal será What to do, do álbum Manassas de Stephen Stills, saído nesse ano, precisamente em Abril. No apontamento também consta José Jorge Letria com Páre, escute e olhe...e ainda uma canção inexistente de Elton John- Convention- que afinal é Salvation, do LP Honky Chateau, desse ano de 1972.

Nesta imagem abaixo, do livro de Geografia do 5º ano de então e que frequentei entre 1971-1972, aparece o nome de Stephen Stills, o que remete para essa altura o interesse na música de Manassas. E em cima aparece o nome de Tony Joe White...o que se torna ainda mais interessante, para descobrir que música é que ouvia desse músico, nessa altura para me suscitar interesse em escrever o nome.


O disco Manassas é o melhor disco da carreira de Stephen Stills. Na altura, para além de What to do adorava ouvir Colorado e outras mais que só mais tarde descobri com a compra do disco, em 1986. Uma edição espanhola, com os títulos das letras traduzidos. Recentemente arranjei o original em prensagem americana que se destaca pela maior consistência do cartão da capa e melhor apresentação gráfica sem cores desbotadas como na edição espanhola ( à esquerda na imagem). A edição original ainda traz um poster com as figuras dos músicos e as letras integrais e créditos escritos "à mão", à maneira dos discos de Neil Young.
Como se pode ver na imagem acima, foi nessa mesma altura que saiu Harvest, o LP de Neil Young que me fez ficar apanhado pela música do cantor canadiano durante estes anos todos. Recentemente saiu um disco novo com canções antigas, de 1984. O título é Treasure e a versão em blu-ray é uma maravilha.
Manassas no entanto, continua a ser um disco de referência e de audição continuada. Há um dvd com a gravação das canções em estúdio e que é absolutamente fantástico pela qualidade sonora e pelo que revela desse grupo de músicos de excepção, na música popular.

sábado, 16 de julho de 2011

E.L.O.

Este disco dos Electric Light Orchestra é de 1974 e chama-se Eldorado. A música dos ELO entrou nos meus ouvidos algures no início de 1975 e com este disco, editado primeiro nos EUA, no final do Verão e na Inglaterra em finais do ano.

A música que ouvi pela primeira vez no rádio começava com o tema introdutório, uma peça de abertura com voz de banda sonora e som orquestral rápido e pouco usual porque logo a seguir, misturado com a sonoridade de orquestra juntava-se uma secção rítmica de bateria e baixo que nunca tinha ouvido. E então aparecia a voz no tema I can´t get out of my head, de uma melodia inconfundível e que me captou a atenção em modo singular porque nem fazia a mínima ideia de quem se trataria. O grupo, ELO era-me completamente desconhecido e o artista principal Jeff Lynne ainda mais. O tema seguinte, Boy Blue, bem ritmado e em tom pop, alternava em pizzicatos de violoncelo absolutamente inovadores para mim, na música rock. Fiquei logo rendido àquele som, sem saber de quem era e que agradavelmente recendia a Beatles que tresandava ( por exemplo Mr. Kingdom que é um pastiche de Across the Universe), com orquestra misturada em tonalidade própria e inconfundível. Semelhante experiência tive outra já nos anos 2000 com o som de John Prine, um country inesperado que me remetia para um Dylan do início dos anos sessenta.

A primeira vez que terei visto a capa do disco foi numa revista alemã da altura, Pop, de Dezembro de 1974, numa pequena vinheta a preto e branco e numa crítica em língua que não entendia e cujo disco estrela nesse mês, era o Relayer dos Yes.
A Rock & Folk ignorou completamente o disco e talvez por isso nem me tenha apercebido do nome e de uma gravação que para mim se tornou importante ao longo dos anos, a ponto de ser um dos meus discos preferidos. Nos anos seguintes, particularmente em 1977 saiu outro monumento a este tipo de música: Out of the Blue, duplo Lp do mesmo grupo e que merece um postal exclusivo.

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Página Um- 1975


Entre todos os programas de rádio que ouvi durante os mais de quarenta anos que me lembro de os ouvir, há um que sobressai pela importância que revestiu na época em que descobria a música popular e numa altura em que todos os meses havia novidades que perduraram no teste do tempo.
O programa Página Um, só com o título dava um programa de discussão temática. Tirado de um nome em inglês- Page One- da autoria de um grupo de rock portuense, Pop Five Music Incorporated que incluía um Miguel Graça Moura que terá sido o autor do tema, o programa começara ainda nos anos sessenta, perdurando durante a primavera marcelista e comecei a ouvi-lo em 1974, salvo erro na altura em que passou Midnight at the oasis, de Maria Muldaur. Este tema lembra-me inapelavelmente o Página Um de 1974.
Com o 25 de Abril e o PREC, o programa alinhou moderadamente na propaganda comunista e de extrema-esquerda, com a passagem de temas musicais de feição abertamente esquerdista, mesmo comunista, da América do Sul ( Victor Jara, assassinado no ano anterior no Chile; Pablo Milanez, cubano; Carachu, chileno; Intillimani, chileno; Claudina e Alberto Gambino; Mercedes Soza; G.C.R. franceses; Quilapaion, Judite Reis; Carlos Andreu, da Expression Spontanée, entre outros, além dos portugueses do costume- GAC, V.L., José Afonso, Sérgio Godinho, etc.).
A par dessa agenda política o programa tinha um alinhamento fantástico que se pode ler neste pequeno apontamento acima transcrito com o programa de 15.1.1975.
Nesse dia começou " com o som reggae de Jimmy Cliff em Don´t let it die, um single" ( tal e qual como o locutor apresentou), depois de ter terminado o tema e após as batidas da bateria e do baixo do indicativo do programa que começava sempre às 7 e meia da tarde. Continuou depois com os Sparks do álbum Propaganda, Never turn your back ( nunca mais ouvi esse tema do mesmo modo que no rádio) e prosseguiu nesse dia com "Supertramp considerado como uma das maiores revelações da música rock e o álbum Crime of the Century".
No fim do tema, publicidade ( não apontei a quê) e logo a seguir um instrumental. O Página Um tinha quase sempre um tema instrumental em todos os programas. Neste caso, não identifiquei, mas podia ser de Deodato, por exemplo. Depois, a música de "intervenção". Eficaz. Depois do rock, a música de mensagem e logo depois um grupo brasileiro, o Quinteto Violado. E assim passava a primeira meia hora. Depois das oito da noite, recomeçava com Michal Murphy, um americano de country-rock e logo depois outro instrumental. Publicidade e "começo da divulgação mais ampla do 3º Lp dos Supertramp". E por aí fora até às 9 da noite.
Um regalo de programa que enchia as medidas de qualquer ouvinte exigente. Um alinhamento perfeito na mistura de géneros e temas e uma locução sóbria e apenas indicativa dos temas, músicos e informação mais pertinente e a propósito. Os locutores foram vários, mas em 75 era Luís Filipe Martins. Antes tinha sido Adelino Gomes ou José Manuel Nunes. E depois, durante o Verão quente de 75 chegou a aparecer Artur Albarran com uma voz um pouco irritante e cretina, mas a música sobrepunha-se a tal efeito .
Evidentemente, às 7 e meia da noite, quase na hora de jantar, o rádio era todo para o programa. Muitas vezes disse à minha mãe o habitual "já vou!", que chamava por mim ( Zé! Está na mesa...) por causa do jantar na mesa em baixo à espera e a arrefecer enquanto ouvia os acordes do órgão dos Sparks em Never turn your back on mother earth...ou o Standing in the rain de Johnny Nash. Ou I´ll play for you, dos Seals and Crofts que adorava ouvir. Ou até Maxime Le Forestier que cantava Mourir pour une nuit de um modo que me ficou no ouvido para os anos seguintes e para a cantar eu mesmo...porque é de um romantismo abissal.

Mais além com...


Em Fevereiro de 1975, na mesma altura em que ouvia Dylan no rádio da Página Um, e outras músicas, lia um livro que me marcou e que desapareceu para lugar esquecido: Mais além com...editado pela Europa-América na época e que recolhia várias entrevistas que a revista francesa L´Express fazia com diversas personalidades e a que dava esse título.
No pequeno apontamento que sarrabisquei na altura, escrevia as razões por que o livro me interessava. Uma delas era a descoberta de Rolan Barthes. Tinha 18 anos. Ao reler, apanho-me com um sorriso porque menciono a...sociologia como algo que me fascinava. A esquerda não andava muito longe...

Bob Dylan- memórias de Blood on the tracks

Se há disco de Bob Dylan que mereça atenção é este, de finais de 1974 e o último que merece a pena ouvir integralmente com o espírito dos anteriores. Depois deste não houve mais e Bob Dylan, para mim acabou aqui, artisticamente. Durante o ano de 1974, em finais, saiu um duplo ao vivo, Before the Flood que me preparou para ouvir este, quando saiu.

O disco começou a passar na Página Um da Rádio Renascença em 18.2.1975 ( apontei a data) e possivelmente com a faixa Idiot Wind, mas também You´re gonna make me lonesome when you go, Lily Rosemary and the jack of hearts e Tangled up in blue. Lembro-me de ser anunciado como novidade vinda de Londres, ( Fernando Tenente?) e era disco esperado.
Não faço ideia porque é que Luís Filipe Martins escolheu essas faixas e não outras, bem mais interessantes, como You´re a big girl now ou a pérola do disco, If you see her say hello. Lembro-me porém que insistia muito em Idiot Wind e Lily Rosemary and...que ainda passou em 1.6.75.
Na altura lia a Rock & Folk e ouvia o disco pela leitura e por passagens avulsas no rádio da época.

O disco, verdadeiramente, só o ouvi integralmente, mais tarde, no Verão de 1976. O meu amigo Zé Gomes foi a França ( tinha lá os irmãos e passava lá temporadas, ao chegar o Verão) e trouxe de lá o LP que passava constantemente no velhinho gira-discos. O LP era a prensagem francesa do disco, semelhante à original americana na contra-capa. Logo que disse a um dono de uma discoteca local que tinha tal disco, o mesmo pediu-lho para apresentar na montra, porque ainda não tinha chegado a Portugal, mais de um ano depois de ter saído.
Este pequeno pormenor mostra até que ponto era difícil conseguir por cá discos originais que fugiam do mainstream comercial e com venda assegurada por causa dos tops.
A par do disco ( e talvez o dos Sparks, Kimono my house) trouxe pela primeira vez a Métal Hurlant, o número 7, embora o que eu pretendia fosse o número 6 com capa de Moebius/Gir. Já não havia nos quiosques...e por isso veio o nº 7 cuja capa viria a fazer furor anos mais tarde quando a etiqueta de roupa Fiorucci se lembrou de imitar o estilo gráfico de Robial, com setinhas a esvoaçar em imagens estilizadas.

Esse LP, provavelmente de prensagem francesa tinha a contra-capa original, ainda com o panegírico de Pete Hamill, um crítico americano e que em edições posteriores desapareceu para dar lugar à ilustração que se pode ver, alargada à capa inteira. Essa contra-capa, li-a vezes sem conta neste mesmo sítio enquanto escutava o disco, tentado dedilhar os acordes em consonância numa velha guitarra acústica desafinada ( só aprendi a afinar em Outubro de 1976, pouco de pois disso).

Nos anos oitenta arranjei a versão espanhola do disco, em "precio redondo", cuja capa pouco tem a ver com a original em termos cromáticos e de textura. Com ele gravei a cassete com temas avulsos. juntos com outros de vários artistas cujos Lp´s fui conseguindo arranjar.
Depois disso, aquando da reedição de alguns discos de Dylan em SACD, em 2003, arranjei o disco cuja edição é bem cuidada e com qualidade sonora apreciável.
No entanto, agora que arranjei o original em prensagem americana, tenho mais uma vez a declarar que o vinil ainda é o meio ideal para reprodução deste tipo de música.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Hi fi 1974


Em 1974 e anos seguintes os anúncios nas revistas americanas acerca de aparelhagens de som eram fantásticos e pouco depois, nos dois anos seguintes já não se encontravam essas pequenas maravilhas da técnica electrónica por causa da crise económica que se abatera sobre Portugal. O contrabando acabou por suprir as carências de alguns interessados e havia nichos dessa actividade nas principais cidades do país. Encontrar um par de colunas JBL, como as acima mostradas, era muito difícil. Tal como as aparelhagens japoneses que nessa época invadiam o mercado de consumo electrónico.
Mas os anúncios permitiam pelo menos ficar a conhecer o que havia no mercado.