domingo, 24 de outubro de 2010

Auscultadores Sennheiser


Auscultadores. Sempre foram o modo de ouvir música mais intimista e de forma mais envolvente do que as colunas de som normais.
Como o ambiente se reduz ao pavilhão auricular, não há interferências das dimensões e decoração das salas, o que normalmente modifica o som que se ouve através das colunas.
E no entanto nem todos são iguais, como se percebe...ouvindo.

Desde cedo que ouvia no silêncio da noite, o rádio que passava álbuns inteiros. Lembro-me de ouvir em transe quase religioso o disco dos Van der Graaf Generator, Still Life, em 1976, um dos meus discos preferidos de sempre. Experiência única com uns auscultadores mono e de fraca qualidade, mas ainda assim reveladores de pormenores sonoros que de outra forma escapam ao ouvido.
Nos anos oitenta, experimentei a sonoridade de uns Sennheiser, alemães e com uma qualidade sonora espantosa.
Não me lembro do porquê da preferência, mas a cor amarela da espuma de protecção talvez tenha algo a ver e a estética do produto, sempre interessante.

Os primeiros que experimentei julgo terem sido os HD 414 , na foto, os do meio do lado direito. Mas já tinha ouvido falar dos HD 40, (atrás daqueles e com foto da respectiva caixa) como tendo um som fantástico. E confirma-se completamente porque arranjei uns há uns meses. E eram os mais simples e mais baratos da firma alemã, nos anos 80.
Depois dos HD 414, experimentei uns HD 430 ( foto de baixo, a meio) e realmente eram bem melhores.
Não satisfeito, tentei depois disso os HD 58o Ovation que comprei em Braga, na Valentim de Carvalho ( atrás do lado esquerdo), já no dealbar dos anos noventa e que me acompanharam muitos anos até ficarem subitamente silenciosos e sem arranjo possível.
Para os substituir, há uns anos dei uma conta calada pelos melhores da firma, com excepção de uns esotéricos com preço proibitivo. Os HD 600 com imagem à esquerda restituem a fidelidade sonora em altíssima qualidade se a fonte lhes fizer justiça.
Ultimamente, com curiosidade arranjei o modelo HD 424, ( na foto de cima, do lado direito, em baixo) ainda dos anos setenta, mas não me convenceram muito. São bastante inferiores aos Hd40 que são realmente espantosos e quase pedem meças aos HD 600, que custam várias vezes o preço deles. A mim, custaram-me qualquer coisa como 10 euros, ou coisa que o valha. E andei meses à procura de uns, na ebay.


sábado, 16 de outubro de 2010

Mais cassetes e leitores

Antes do advento dos aparelhos de gravar digitais, baratos, o modo mais prático de conservar e ouvir música de discos LP eram as gravações da música em casssetes.

Nos anos oitenta, surgiu um boom na produção de cassetes para aparelhos portáteis e não só, após o aparecimento do primeiro Walkman da Sony, em 1979 ( o primeiro da esquerda na imagem abaixo)
Em finais da década de oitenta, no entanto, o aperfeiçoamento técnico das cassetes e respetivos leitores permitiam pequenas maravilhas, cujo monumento máximo é este: o gravador/leitor Dragon, da Nakamichi.

Não obstante, nas cassetes propriamente ditas, o aparecimento das fitas com cobertura de partículas metálicas para melhor fixar o sinal sonoro, permitiu que gravasse LP´s como os dos Steely Dan, numa Maxell Metaxial, ( atrás junto ao Sony) cujo sinal sonoro ainda hoje é uma maravilha e que pouco deixa a desejar ao som original dos LP´s. Eram cassetes caras e por isso utilizadas uma única vez, para gravar em primeira mão os discos que assim ficavam ouvidos e depois eram reproduzidos na cassete.
Nessa altura apareceu também um pequeno leitor da Aiwa, marca japonesa que competia com a Sony nesse mercado. Pode ver-se acima e por cima das cassetes porque serviu durante alguns anos para ouvir em trânsito as cassetes gravadas em casa.
No entanto deitado e no meio das ditas cassetes de muita estimação, jaz um gravador/leitor da Sony que é um portento sonoro: o Walkman Pro, com possibilidade de gravação com redução de ruído Dolby C ( o Aiwa também tem mas só em modo de leitura).
Foi comprado há poucos anos porque na altura em que saiu o preço era proibitivo e semelhante ao que custava um bom aparelho de mesa.
No entanto, é uma delícia ouvir cassetes, ainda hoje nesse pequeno aparelho da Sony. Principalmente através dos pequenos auscultadores da Sennheiser modelo HD 40, da mesma época ( na imagem atrás do Sony).

Este tempo das cassetes reporta-me logo a uma música dos Steely Dan, gravada na dita cassete e do álbum Gaucho: Third World Man. Perdi a conta a quantas vezes já ouvi esta música. Provavelmente centenas. E esta é mais uma porque enquanto escrevo a estou a ouvir. Na dita cassete.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cassetes


Nos anos setenta, oitenta e até ao advento das técnicas digitais de gravação de sons, o modo mais prático de gravar e guardar música era este: cassetes. Baratas ( relativamente porque algumas em metal eram bem caras), práticas e que podiam ser reproduzidas no carro, com a ajuda de um bom aparelho de auto-rádio, o que resultava por vezes em sonoridades surpreendentes por causa do ambiente acústico, fechado e concentrado.
As primeiras gravações que fiz, seriam para aquém de meados da década de setenta. A cassete Basf de cor verde que se apresenta na imagem foi gravada em 79 e contém Comuniqué dos Dire Straits, gravado inteiramente do rádio que então passava álbuns inteiros sem interrupção durante os cerca de 40 minutos de duração.
A cassete cinza serviu para gravar inicialmente o Quadrophenia dos The Who, pelo mesmo métoco e posteriormente foi apagada e regravada com os Nitty Gritty Dirt Band e outros grupos.
A maior parte das cassetes expostas foi gravada já no final dos anos oitenta e à medida que os discos apareciam eram imediatamente gravados com a preocupação da maior qualidade sonora possível. Ainda hoje, passados mais de vinte anos, se ouvem todas com a qualidade original.
As marcas das cassetes variavam mas não muito. A melhor provavelmente, era a TDK em crómio ou metal.
Ainda hoje gravo cassetes para ouvir no Sony Walkman Pro. Uma pequena maravilha técnica. E um som fantástico que nenhum aparelho iPod logrará alguma vez imitar ou sequer assemelhar-se em qualidade pura.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Milton Nascimento

Não me lembro bem de quando ouvi pela primeira vez a música de Milton Nascimento. Talvez logo a seguir ao 25 de Abril de 74, por causa de um álbum ao vivo, publicado nesse ano e chamado Milagre dos Peixes ao vivo, para se distinguir do disco em estúdio com o mesmo nome e do ano anterior. Lembro-me porém de considerar desde essa altura Milton Nascimento como um dos maiores músicos e cantores que conheço e admiro. Com uma voz única e de timbre fabuloso.

Não obstante, durante a década de setenta tomei conhecimento com alguns temas dispersos dos discos que foram saindo e eram divulgados no rádio, tal como aconteceu com o Milagre dos Peixes, cujo tema San Vicente ( aqui numa versão impressionante) sempre me encantou.
Tal como aconteceu com outras músicas de outros autores, antes de as escutar tinha-as lido e relido na revista Rock & Folk.
Numa recensão de discos do número de Junho de 1976, aparecia o disco Minas e o que o crítico dizia do mesmo era simplesmente fantástico para se perder a audição. "Cette voix qui est- je pèse mes mots-la plus fantastique voix d´homme que l´on peut entendre aujourd´hui." E "Minas como Minas Geraes d´où est issue le plus grand génie de la musique du Brésil ( seul Egberto Gismonti saurait lui être comparé). Au point de vue chant pur, Nascimento ne saurait trouver de concurrents que chez les plus parfaits vocalistes indiens."
E mais: " Pas besoin de vous dire que les textes- pour ceux qui ont la chance de comprendre la plus belle langue du monde, chance que je leur envie- ont la réputation d´être des sommets de poésie contemporaine."
Com estas críticas, fervia sempre de impaciência durante anos, sempre que me lembrava e ouvia no rádio, para encontrar os discos onde vinham estas maravilhas que lia. Por cá, na altura não havia importação que me lembre e só mais tarde, já em finais dos oitenta passou a ser possível ver e ouvir os discos,

Nessa altura, em 1976 saiu também o LP Geraes que tinha várias pérolas musicais, incluindo uma canção religiosa fantástica- Cálix Bento- que ouvi provavelmente num programa de José Nuno Martins, sobre música brasileira, Os cantores do rádio, segundo julgo e que foi um espaço radiofónico de grande divulgação da mpb, passando todos os géneros e discos da altura. Quem os ouviu nunca mais esqueceu, pela certa, tal como nunca mais esqueceu certas músicas e discos.
Por isso, em Janeiro de 1978, foi com grande curiosidade que li a crónica de duas páginas da revista R&F e que fazia o apanhado da discografia do músico brasileiro até essa data, com considerações sempre ditirâmbicas a propósito da qualidade dos discos, com destaque particular para Clube da Esquina e Milagre dos Peixes. Discos que só alguns anos mais tarde ouvi integralmente ( na verdade, Milagre dos Peixes, só ouvi em cd há pouco tempo).
Mas do LP Minas que comprei ainda na discoteca Tubitek no Porto, nos anos noventa, depois de ter conseguido anteriormente a gravação em cassete vinda do Brasil. Desse LP, em prensagem brasileira de 1985 ( a versão original segundo aquela revista conserva um encarte em papel de luxo, com as letras) saiu a canção emblemática de Milton: Saudade dos aviões da Pan Air. E do LP Clube da Esquina nº 2 que saiu em 1978, foi com grande satisfação que ouvi pela primeira vez, no rádio, o tema Cancion por la unidade latino-americana, com a participação de Chico Buarque, a cantar em espanhol. É uma canção fabulosa, tocada num ritmo misturado de percussão brasileira e que confere uma beleza que sempre me impressionou.
Foi assim que em 1980 apareceu Sentinela, talvez o melhor disco de Milton Nascimento e em LP que já comprei na devida altura, numa prensagem excelente, portuguesa, da Polygram. Mais recentemente comprei o primeiro disco de Milton, Travessia, um original de 1967 e que foi publicado em Portugal, pela mão de José Nuno Martins que escreveu a apresentação na contra-capa, em 1979.




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Rory Gallagher

Um dos álbuns que em 1975 faziam parte da lista dos mais desejáveis, era este Irish Tour´74 de Rory Gallagher.

É um dos melhores discos ao vivo que conheço, com uma energia em dose dupla, nas quatro faixas dos LP. Blues, country-blues, guitarra acústica, dobro e um domínio do fraseado bluesesco na guitarra Gibson...ehh...Fender Stratocaster. E também na Telecaster.

O Página Um dos primeiros meses de 1975 passava este disco vezes sem conta e habituei-me de tal modo ao som da guitarra em consonância com os teclados de Lou Martin que o som do LP ainda hoje é a referência que guardo na memória.

O dvd com o título do concerto saiu em 2000, sendo uma mostra do espectáculo e dos bastidores do concerto em modo de documentário, com a sonoridade excelente e com o bónus de se poder ver Rory Gallagher a dedilhar a Martin acústica como poucos que conheço, mostrando como se toca em pickin e slide, na dobro National, o tema As the crow flies baby.

Rock & Folk, 14, rue Chaptal

Em Maio de 1975, com maior probabilidade já em Junho, comprei a Rock & Folk com capa que abaixo se mostra. Era o nº 100 da revista que comprava desde o Outono do ano anterior e na capa aparecia uma figura menor do rock, Alice Cooper que então ( e agora) pouco me interessava musicalmente.

Mas o recheio da revista prometia, com artigos sobre o "rock alemão", Nova Iorque e Deep Purple e as recensões críticas de discos- ChicagoVIII, Rick Wakeman ou Bad Company. E uma reportagem fotográfica sobre os bastidores da redacção da revista.
Ao longo dos meses, habituara-me já a ler alguns dos melhores críticos de rock que conhecia e foi com curiosidade que descobri o aspecto de um François Ducray, ou os directores Philippe Paringaux e Philippe Koechlin, para além do enfant-terrible Philippe Manoeuvre, num autêntico reinado filipino porque este já dava cartas na escrita da revista e actualmente a dirige.

Na página de apresentação, uma foto com a legenda 14, rue Chaptal, em Paris. Uma rua mítica conforme se pode ler agora.

Na página 43, uma lista de discos que se vendiam por correspondência. Alguns dos melhores discos de sempre, da música rock aí figuram, porque o rock, no dizer de um dos directores da revista ( Paringaux) teve a sua idade de ouro, entre 1965 e 1975.

Na altura passava longas horas a reler estas revistas e a sublinhar os discos que gostaria de ouvir repetidamente, em LP´s que gostaria de ter. Nesse mês, qualquer coisa como 309 francos já me tornaria um ouvinte satisfeito. Com o franco a cerca de 5$00, daria 1 545$00...mais portes. No ano seguinte, no Outono, compraria uma guitarra acústica, parecida com as que via na revista, por 3 600 pesetas. Qualquer coisa como 1 500$00...




Estas férias tive oportunidade de visitar a cidade e fui à descoberta da Rue Chaptal e do seu número 14. Não existe já, o número enquanto morada. Porque era um pequeno pavilhão interior ao edifício que se vê do lado direito a meio da rua, antes do arvoredo. No mesmo local, no nº 16, funciona ainda uma dependência administrativa, segundo julgo, da firma Gibson. De guitarras, claro.

domingo, 15 de agosto de 2010

Maxime Le Forestier

Estes dois primeiros discos de Maxime le Forestier têm uma história, para mim. O primeiro, saído em 1973, ouvi-o numa edição toda riscada, no final dos anos setenta. Mesmo assim, ainda o gravei numa cassete que ouvia regularmente, com todo o ruído de fundo que um disco riscado conserva.
Em 1998 sairam as edições em cd, muito cuidadas, em digipak reproduzindo fielmente as capas originais dos LP´s e numa gravação digital rematrizada da original, a 20 bits.
Os dois discos têm uma vintena de canções, todas imprescindíveis para quem gosta de música francesa.
Recentemente adquiri os dois Lp´s originais, para concluir, mais uma vez, que o som analógico suplanta do digital mesmo em rematrização a 20 bits. Os baixos mais pronunciados, convivem alegremente com a subtileza da sonoridade acústica dos temas Le Steak ou Entre 14 et 40 ans.
No You Tube não há muito Le Forestier. E é pena porque é um artista fundamental da música popular francesa.
Mas há uma versão bem interessante de Entre 14 et 40 ans, gravada ao vivo em 1973, num espectáculo no Olympia e publicada em disco ( cd editado em 2004 e Lp original publicado em 1974)

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Guitar Player

Por ocasião do seu 20º aniversário, em Janeiro de 1987, a revista Guitar Player, publicou este desdobrável consagrado aos 20 que importam, na música popular e na guitarra em particular.


Na contra-página uma legenda ( clicar para ler) dava conta dos artefactos apresentados e o seu significado. Entre todos, a guitarra em estilhas era de Pete Townshend, destruida por ocasião da tournée de Quadrophenia, oferecida ao editor da revista, Don Menn.

Desenhos soltos


Este desenho de 1974 junta uma imagem desenhada de uma foto de Eduardo Gageiro, no dia 25 de Abril de 1974, de um soldado a guardar as instalações ocupadas da RTP e uma imagem de uma publicidade de uma revista francesa.

sábado, 19 de junho de 2010

Maria Muldaur


Este disco de Maria Muldaur, saído em 1973, é uma pérola musical. Quase todas as composições merecem uma audição, particularmente o título que foi um hit na altura- Midnight at the oasis- que passava na Página Um.

A composição, para além da beleza formal e vocal, tem um solo espantoso de guitarra, de Amos Garrett que tem vivido desse solo, conforme atesta o You Tube, aliás com numerosos seguidores.

Mesmo assim, o disco passa muito bem com outras composições country, como Any old time que abre o disco ou My Tennessee Montain Home que conta com a participação de músicos tão notáveis como Jim Keltner, na bateria; Chris Ethridge no baixo; David Grisman, no bandolim; ou Clarence White (a estrela dos Byrds) na guitarra acústica. Outras músicas contam ainda com Ry Cooder e David Lindley ( Any old Time), sendo esse um dos segredos do disco- a instrumentação impecável e de grande profissionalismo dos músicos acompanhantes.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Os trilhos da imaginação

Há coisas curiosas e uma delas é a imaginação e os truques que nos prega, apadrinhados pela memória.


No início dos anos setenta, costumava ler o Jornal de Notícias, do Porto e que na época publicava várias tiras desenhadas, em sequência diária, com historietas diversas. A maior parte dessas tiras, provinha da agência americana King Features Syndicate, Inc. e uma delas narrava em desenhos as aventuras do agente secreto Corrigan, também conhecido por X-9.

Os desenhos, em 1971, eram da responsabilidade de Al Williamson, embora tal facto, na época me fosse relativamente indiferente, tal como era a circunstância de a série ter já longos anos e o autor original se chamar Alex Raymond. O que a mim interessava mesmo, na altura, era ler a sequência diária e ficar de um dia para o outro à espera do desenvolvimento da história, nem sequer muito elaborada mas de efeito seguro, tal como qualquer filme de série b.
E os desenhos impressionavam-me pela qualidade intrínseca ao traço fino e preciso com que se mostravam carros, máquinas e...mulheres, geralmente modelos de beleza.
Entre 1 de Fevereiro e 1 de Maio de 1971 o Jornal de Noticias publicou as 78 tiras da história do Prisioneiro do Mosteiro e provavelmente a primeira tira da história que vi, foi esta, porque estava de férias de Páscoa, desde 1 de Abril de 1971.

O que me impressionou na imagem foi o desenho do convento budista.

Não sei porquê, nem sequer o motivo pelo qual nunca perdi essa imagem da memória, entre os milhões de coisas e objectos que entretanto passaram pela consciência e inconsciência. No entanto, a nitidez dessa imagem esquemática e quase em esquisso, ao longo do tempo desapareceu, paradoxalmente, para se fixar numa imagem mais nítida e precisa que se associou ao verdadeiro convento budista no Tibete que aparece nesta imagem. Uma imagem falsa, portanto, uma vez que a verdadeira, original, não era sequer do convento do Tibete e apenas uma alusão ficcionada ( o país da historieta é um inexistente Kalipur) e que no entanto se trasmudou por efeito ilusório ao longo dos anos.

E como descobri isto tudo?

No outro dia, no Porto, num alfarrabista, perguntei por aventuras de Corrigan, precisamente por andar à procura desta historieta. O livreiro mencionou um nome- José Matos-Cruz- como grande conhecedor da matéria e que até tinha escrito nos anos oitenta, vários textos a propósito precisamente, da publicação dessas tiras diárias no Jornal de Notícias. E mostrou-me algumas, de suplementos no Jornal de Notícias e Capital ( o relativo a estas imagens, sei-o agora, foi publicado em 26.10.1986 e 5.3.1987, respectivamente).
Uma busca rápida pela Rede apontou-me o nome do autor, como tendo um blog -Imaginário. E um endereço de email que logo utilizei para lhe expor o meu interesse particular nesta coisa pouco comum. E passados dias recebi a resposta amabilíssima não só com a menção à história em causa, como a data em que foi publicada e onde poderia encontrar tal coisa. Da leitura à ebay foram alguns segundos e na Itália havia precisamente para venda um desses volumes em que tal história aparecia.
São desse volume- Eureka Bum, suplemento ao nº 124, de 15 de Maio de 1974- as imagens a preto e branco e com a dimensão das tiras que o JN publicava que aqui ficam.
E obviamente o agradecimento, mais uma vez, ao especialista José Matos-Cruz.

Aditamento em 15.6.2010:

Al Williamson morreu no Domingo, 13 de Junho, com 79 anos, na sua cidade natal, Nova Iorque. Lido aqui.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Crosby Stills Nash & Young- Déja Vu

Este Lp fotografado saiu em 14.3.1970, nos EUA. Os Crosby Stills Nash & Young, lançaram Déja Vu depois de já terem alcançado notoriedade com o primeiro Lp e em trabalhos dos membros do grupo noutras bandas, como os Buffalo Springfield ou mesmo os Byrds.

Déja Vu, em 1970, valia pelo virtuosismo vocal e instrumental dos músicos e para mim valia pela canção Teach Your Children, cuja toada nunca me cansei de ouvir, sendo uma das músicas que me levou a tentar aprender a tocar guitarra acústica.
No entanto, o som característico dessa música é a pedal steel guitar que aqui é tocada por Jerry Garcia, dos Grateful Dead, segundo se conta em estreia porque o instrumento country por excelência seria novidade para o músico. Diga-se por isso mesmo que o acompanhamento é primoroso de sobriedade e categoria e foi exactamente esse som, nesta canção que me chamou a atenção para o country rock.
Para além disso, o LP original ( na foto) tem um acabamento gráfico excepcional. A capa é rugosa no cartão prensado ( ampliar com um clique para perceber) e a foto é colada, sendo a letra decorada em tom dourado que torna o objecto um verdadeiro álbum.
Uma das capas mais belas da música popular.

domingo, 30 de maio de 2010

Before the flood- Bob Dylan


Este disco ao vivo de Bob Dylan saiu em Junho de 1974 e provavelmente chegou cá a Portugal, dois ou três meses depois. Lembro-me de o ouvir na Página Um da Rádio Renascença e com essa audição, retomei o interesse em ouvir Bob Dylan, cujas canções antigas tinham já ficado para trás no tempo, com um intervalo para Knocking on Heavens ´s door e George Jackson, singles dos anos anteriores.
O disco seguinte, Blood on the tracks, saído em Janeiro de 1975, foi ouvido ( com a canção Idiot wind) pela primeira vez na mesma Página Um, em 18.2.1975, num serviço de correspondência musical com algum residente em Londres que enviava para cá os discos novos.

Com Before the Flood, as antigas canções como Like a Rolling Stone, Blowin in the wind ( que se lhe segue no disco) e Don´t think twice it´s allright ganharam novo fôlego e durante muitos anos lembrei-me desse som que ouvira no rádio, incluindo alguns temas pelo grupo The Band ( Up on cripple creek tem aí uma das melhores versões e que é referência para mim, na clareza de instrumentação) que acompanhou Dylan nessa tournée americana, muito falada na época, como atestam as reportagens das revistas estrangeiras da especialidade ( Rolling Stone e Rock & Folk, por exemplo e na imagem).

O som do LP, de prensagem americana, original, naturalmente restitui toda a magia do som de época, suplantando em muito o som algo abafado do cd duplo que saiu em 1990. Apesar de ter saído uma edição rematrizada, recentemente, ainda não ouvi e por isso fico-me com o som do LP como referência.


segunda-feira, 24 de maio de 2010

José Fortes


Este conjunto de discos de música popular portuguesa, o que têm em comum?

A figura de José Fortes, a sua sensibilidade de técnico de som e a sua perícia na arte de misturar as sonoridades para a gravação. José Fortes é um dos técnicos de som que aparece em quase todos os discos de música popular portuguesa, particularmente nos retratados acima.

Em 2006, a propósito da reedição de um disco da Banda do Casaco, Hoje há conquilhas, amanhã não sabemos, ( na imagem, em tom amarelo de ovos estrelados) LP original de 1977, cuja gravação master, original, desapareceu, José Fortes, dedicou-se à recuperação do som do LP, para regravação em formato digital, o que aconteceu em Outubro desse ano e com uma nota de José Fortes a dizer assim:

"Quem decide deixa desaparecer o original.
Quem aprecia recupera-o dos escombros.
Podemos continuar a ouvir a Banda do Casaco."


Imagem da revista Única do Expresso de 22.5.2010. Clicar para ler

sábado, 8 de maio de 2010

40 anos a deixar rolar os Beatles

Faz hoje 4o anos que o LP Let it be dos Beatles foi lançado.

Em Maio de 1970, a música dos Beatles, para mim, ainda era novidade na sua maior parte. E continuaria a ser uma vez que a audição dos LP´s era coisa de discoteca, de passagem e no rádio só passavam singles. Por isso mesmo, só muito mais tarde ouvi alguns dos temas de Let it be que me deixaram surpreendido, como por exemplo Two of us, o tema de abertura e como já contei por aqui.

Não sei exactamente quando saiu o LP por cá e quando ouvi as suas músicas pela primeira vez, mas julgo que teria sido alguns meses depois do lançamento em Inglaterra, porque assim costumava ser.
Por isso, em Agosto de 1970, a revista Mundo da Canção mostrava a capa do LP em tonalidade bi-cromática de amarelo e azul celeste e no interior as letras de The long and winding road e Two of us, precisamente.
No entanto, o tema já era redundante, nessa altura, porque os Beatles eram apenas mais um grupo na explosão da música popular de expressão anglo-americana. Havia outras coisas para ouvir, incluindo a pop mais comercial dos Christie ( Yellow River) ou de Michel Delpech ( Wight is Wight), Shocking Blue ( Venus) ou mesmo Marmalade ( Reflections of my life), para além do rock dos Led Zeppelin e o disco II que continha o incontornável Whole Lotta Love, saído em finais do ano anterior e nessa altura de Maio já a estourar nos rádios em onda média. E também os Crosby Stills Nash & Young, cujo tema Teach Your Children do Lp Déjà Vu, saiu na mesma altura. Ou Cecilia, dos Simon & Garfunkel de Bridge Over Troubled Water.
O mais provavel seria o tema da Eurovisão, All kinds of Everything, de Dana. Muito bonito, por sinal.

Quando Let it Be chegou por cá, apareceu também em versão de luxo- uma caixa preta com as fotos dos membros do grupo e sem dizeres na parte da frente. Lembro-me de ver essa caixa e o livro que a acompanhava que era de luxo e que nunca vi. Mas como quem não tem cão, caça com gato, há imagens na Rede, do precioso artefacto que custa actualmente uma pequena fortuna de algumas centenas de euros, em alguns casos.

Recordo ainda a discussão entre amigos, na altura, sobre a tradução do tema, Let it be. Ainda hoje não sei exactamente qual a mais acertada. Por isso, deixa rolar.



segunda-feira, 26 de abril de 2010

Plágios assumidos

Na entrevista que Donald Fagen e Walter Becker deram à revista americana Musician, de Março de 1981, em oito páginas, em determinada altura o entrevistador David Breskin refere aos dois músicos de Steely Dan se eram familiares com um tema chamado Long as you know you´re living yours, do disco Belonging de Keith Jarrett. Becker responde logo que sim. E acrescenta depois, a uma pergunta da Musician sobre a circunstância de a ter comparado com o tema Gaucho que...não.
E o repórter insiste em referir que em termos de tempo e da linha de baixo e a melodia do saxofone tal se torna interessante.
Becker responde-lhe, encavacado que " Parenthetically it is, yeah". E o reporter escreve que naquela altura deveria passar ao off the record, mas os artistas autorizam o off em modo de escrita on e Fagen refere explicitamente que " we were heavily influenced by that particular piece of music" e ainda acrescentou: " we steal. We´re the robber barons of rock n´roll", indicando que a outra composição no disco que apresenta uma óbvia semelhança com outras músicas é "Glamour Profession" com a música do grupo Dr. Buzzard´s original Savannah band.

Ora aqui estão os corpos de delito. Primeiro o original de Keith Jarrett:



E a seguir, a versão de Gaucho, notoriamente inspirada naquela:



E a sonoridade do Dr. Buzzard original savannah band:



Comparada com o tema Glamour Profession dos Steely Dan:

domingo, 25 de abril de 2010

Steely Dan e Gaucho

O disco em análise na Hi.Fi News com data de Maio de 2010 é o Gaucho dos Steely Dan, um disco originalmente publicado em finais de 1980 e que a revista, como habitualmente, analisa na suas várias versões gravadas, em LP e cd e mesmo, no caso os formatos japoneses, em prensagens de meia-velocidade.
A conclusão da revista é a de que as primeiras prensagens do LP original, são as melhores em termos sonoros, comparáveis inclusivé, às prensagens posteriores em modo audiófilo ( em 1981) pela MCA.
Em cd, cuja primeira edição surgiu em 1984, a melhor versão será a do SACD de 2003 ou a do cd misturado por Elliot Schneider para a DTS, em 1997.


Por causa destas dúvidas sonoras, ao longo dos anos fui procurando o nirvana sonoro que sabia existir no disco Gaucho, gravado com produção de Gary Katz.
Já dei conta neste blog da apreciação crítica a este disco particular dos Steely Dan e do tema particular que me chamou então a atenção quando o disco saiu e era reproduzido no rádio Popular de Vigo, em emissões consagradas ao novo formato digital do cd: Third World Man. Por causa desse tema vim a conhecer todos os demais discos dos Steely Dan e alguns melhores que Gaucho ( Pretzel Logic, de 1974, por exemplo).
Assim, o primeiro LP que arranjei foi no El Corte Inglès de Vigo, em prensagem espanhola, tal como os outros Lp´s do grupo. O som não é mau, mas é menos que perfeito e não tinha as letras das canções na capa interior, o que não acontecia com o LP original, como vim a saber depois. Para descobrir os músicos que tocavam, entre os quais Mark Knopfler num tema ( Time out of mind) foi preciso aguardar meses de pesquisa avulsa.
Anos mais tarde, já nos anos noventa, apareceu a versão do disco em importação da Valentim de Carvalho da prensagem alemã da Warner, à semelhança de muitos outros discos então importados a preços mais baixos que os habituais. A capa desse disco era de qualidade gráfica superior à espanhola ( o que nem era preciso muito porque era algo descolorida e anémica) e além disso tinha as letras das canções impressas na capa interior fina, mas com os músicos todos em evidência. Para este grupo é sempre importante conhecer os músicos que tocam nos discos.
Durante anos foi com estes dois LP´s que referenciei o som dos cd´s que entretanto também arranjei. Primeiro, o cd original de 1984 e depois um outro da Mobile Fidelity, em original Master Recording que se fazia pagar mais do dobro do cd normal. O som melhorado em relação ao primeiro cd, ainda não satisfazia inteiramente e por isso logo que saiu a versão em cd, em 2003, experimentei também, quase me convencendo que estava aí a versão definitiva. Mas não.

Por ler a crítica da HI-Fi news, arranjei agora no ebay, o LP original, em prensagem USA. E de facto é outra coisa e o melhor de todos, cd´s incluidos.

É este o som de Gaucho que prefiro e que admiro e que não me canso de escutar. E esta é uma das experiências mais satisfatórias que pode haver: descobrir realmente esse nirvana sonoro que sabemos existir.



LP original, seguido da prensagem espanhola e da alemã.


Cd original de 1984, seguido da versão da Mobile Fidelity de 1991 e da versão em SACD de 2003, com o anúncio ao LP publicado na Rolling Stone de Janeiro de 1981, na capa que traz John Lennon e Yoko Ono abraçados, numa fotografia célebre de Annie Leibowitz e publicada já depois da morte daquele. Ainda a revista Musician de Março de 1981 com uma entrevista extensa aos dois mentores do grupo, Donald Fagen e Walter Becker, na qual confessam vários plágios na música que fizeram.
A seguir, a comprovação de um deles...

domingo, 18 de abril de 2010

Fora de Órbita



Duas páginas de programação de rádio, da revista R&T de Agosto de 1970 e Janeiro de 1974.

O programa de rádio Em Órbita, começou a transmitir-se em 1.4.1965 e no seu formato inicial, com passagem de música popular de vanguarda ( na época, a de expressão anglo-saxónica, o pop/rock) e com a apresentação de Cândido Mota e a realização, entre outros, de Pedro Soares Albergaria, João Manuel Alexandre e Jorge Gil.

Como se pode ver clicando na imagem acima da revista R&T de época, em Agosto de 1970, o programa transmitia-se das 19h às 21h. Em finais de 1973, havia um Em Órbita dois, a passar às 24 h, no mesmo rádio: o RCP em FM. Anunciava-se nessa altura o aparecimento do Em Órbita que em Junho de 1974 passava já às 19 horas e até às 21h, como anteriormente.
Em Maio de 1971, o programa terminou esse percurso pela música popular e passou a outra forma mais erudita.
Nos anos oitenta, o programa apresentado nessa altura por João David Nunes, passou a focar a sonoridade radiofónica na música antiga erudita e em meados da década, patrocinou inclusivamente a realização de concertos. No caso do tricentenário do nascimento de J.S.Bach ( 1685-1985), a Erato e a Dacapo, produziram um disco duplo, com os Concertos brandeburgueses, de J.S.Bach, pela Orquestra Barroca de Amsterdão, dirigida por Ton Koopman.

Foi nessa altura que o Em Órbita, ( cujo indicativo era o tema último da Deutsche Messe, Schlussgesang) , despertou a minha atenção para esse tipo de música barroca e particularmente Ton Koopman, levando-me a comprar o LP comemorativo ( acima e que se amplica com um clique), com os seis concertos tocados em instrumentos antigos que emprestam à sonoridade uma característica própria e algo anacrónica.

O mesmo Ton Koopman que hoje se terá apresentado no Auditório da Gulbenkian. Provavelmente com a presença de Jorge Gil...e que poderia ser entrevistado agora para falar do seu programa e principalmente do rumor que anda por aí, no sentido de o mesmo guardar religiosamente as gravações em fita, do programa Em Órbita daqueles anos todos.
Se isso fosse verdade e Jorge Gil se disponibilizasse talvez que um mecenas pudesse ajudar à concretização de um sonho: retomar as memórias desse programa ímpar na nossa rádio. Talvez um Teixeira Pinto que agora se dedica a coisas da cultura tivesse memória de Em Órbita. Talvez outros.



segunda-feira, 12 de abril de 2010

Die wahre sache




É este o disco da versão da Deutsche Messe , d872, de Schubert, que procurava. Um pequeno LP ( de dimensão inferior aos demais), com pouco mais de 30 minutos de duração, gravado em 1959, pela Orquestra Filarmónica de Berlim, sob a direcção de Karl Forster ( 1904-1963).

O disco é uma pequena maravilha sonora, mesmo que a fidelidade não seja da mais elevada que é possível escutar ( a gravação stereo é de 1959). E foi um suíço quem mo vendeu, a quem além do mais fico obrigado porque me permite agora escutar, em cassete, porque a gravação analógica é outra coisa bem mais equilibrada que a digital.
A versão actualizada poderá ser esta.


sexta-feira, 2 de abril de 2010

Schubert- Missas

Nos anos setenta e oitenta costumava ouvir o Em Órbita, programa de rádio de Jorge Gil que nessa altura já passava exclusivamente música erudita.
O indicativo desse programa que começava às sete da tarde era uma peça coral, que vim a saber mais tarde tratar-se de uma parte de uma missa alemã de Schubert.
Devido ao tom majestoso e cerimonioso da prestação coral, de grande beleza estética e que suscita uma inclinação espiritual na escuta, procurei durante anos, o disco que a apresentasse do modo como a ouvira nesse tempo.
A busca demorou anos e incursões frequentes em discotecas, à procura do verbete Schubert-Missas.
Em primeiro lugar foi o LP, ainda nos anos oitenta, em prensagem alemã da Acanta, com a versão da Deutsche Messe D. 872 pelo Tölzer Knabenchor, dirigido por Gerhard Schmidt-Gaden, gravação de 1975. A aquisição terá ocorrido na célebre discoteca Santo António, no cimo da rua 31 de Janeiro no Porto e onde ouvi talvez a melhor aparelhagem sonora de sempre, com uma colunas Bowers & Wilkins série 801.( imagem tirada da Rede)

O som que ouvi não me devolveu o que a memória guardava do tempo do rádio Comercial, nos breves segundos do início do Em Órbita.
A parte escutada respeitava sem dúvida ao final Schlussgesang. Um coro em "chave de canto" que terminava a "missa alemã", tal como conhecida mas com a designação D. 872.
Mas não era aquilo. Era demasiado rápido para a versão que conhecia do Em Órbita. Demasiado apressado para a majestuosidade do Schlussegesang que ouvira antes, apesar das entoações dos sopros se lhe assemelharem.
Como não era bem aquilo, procurei outras versões da "missa alemã".

Conforme se vê pela imagem acima, apareceu outra versão em cd, da Ophelia Records e com data de 1988, mas com gravação de 1980, o que manifestamente não poderia ser, porque a versão que ouvira vinha já dos anos setenta. E o som do Final, da Schlusse, da chave, não era bem aquele, porque também demasiado apressado no compasso e diverso no som coral.

Em seguida experimentei a versão em cd da Capriccio, gravação de 1988 e com o Rias Kamerchor , RSO de Berlim, com direcção de Marcus Creed. O Schluss final quase me convenceu porque a versão é muito próxima da que ouvira. Durante algum tempo tive a ilusão de que era aquilo, mas uma audição atenta, levou-me à desapontadora conclusão de que ainda não era.
E procurei em vários sítios, em diversas discotecas em todo o lado onde fui. Em Viena achei que encontraria porque é um sítio onde se comercializa muita música erudita à sombra de festivais e de uma ópera que se manteve idêntica durante os decénios que a sustentam. Mas não encontrei.

E um dia, do ano passado, na FNAC de cá, reparei numa caixinha da EMI Classics, uma compilação de 1988/2007, com gravações antigas.
Uma delas respeita à gravação de uma "missa alemã", de 1960, da Orquestra Filarmónica de Berlim, dirigida por Karl Forster, com o coro da Catedral de Santa Edwige de Berlim.
É esta a versão que sempre ouvi na minha memória e agora canta em CD, neste dia de Sexta-Feira Santa.
A paixão de Cristo numa "missa alemã" que afinal não tem o número de série D. 872 mas sim o D. 621. E por causa disso, andei anos à procura de um som. De um coro. De uma versão musical de uma missa, um requiem, cuja primeira apresentação ocorreu em Viena, em Setembro de 1818.
Uma peça musical sublime.

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Genesis- A trick of the tail


Em 1974 os Genesis publicaram The Lamb lies down on Broadway, considerado o disco de referência do grupo, na altura e merecedor de encómios como o de necessitar de várias audições para lhe extrair o sumo sonoro e temático. Foi assim que o disco passou no rádio Comercial de então, apresentado por um divulgador- convidado, salvo o erro João Filipe Barbosa ( que é feito dele?) e que em finais do ano desse ano ou início do ano seguinte ( o disco foi lançado em Novembro de 1974 e por cá demorava mais um pouco a chegar) o apresentou como um disco de importância fundamental, com a sua introdução em arpejos de piano.

Durante mais de um ano foi esse o disco dos Genesis que se ouvia até que em 1976, ( Fevereiro) já depois da saída do cantro compositor Peter Gabriel, o grupo lançou o disco A Trick of the Tail, vocalizado pelo baterista Phil Collins.
Esse LP acompanhou o meu primeiro ano em Coimbra e é de memória relevante nas melodias que o compõem como Entangled ou Ripples.
A versão em LP, na imagem acima, foi fabricada e lançada em Portugal pela Polygram e não tem uma qualidade sonora por aí além, por ter uma prensagem pouco nítida nos sons e que os cd´s lançados posteriormente quase ultrapassam com facilidade.
O primeiro cd ( na imagem por cima do outro) foi lançado em 1984 e tem um som razoável por comparação com o do LP.
O outro cd, lançado em 2007 e que fazia parte de uma caixa com todos os discos, então rematrizados e remisturados, dos Genesis a partir de 1976 ( outra existe até essa data) é uma junção de três formatos e aparece em dois discos. Um deles junta o cd simples em 16 bits/44,01 kHz com a versão em SACD. Noutro disco aparece uma versão em dvd-audio e ainda extras em filme dvd, com gravações de concertos dos Genesis em 1976 e 1977, o que por sí vale a compra.
Para além disso, a versão em dvd-audio é superior à do SACD e à do LP em prensagem portuguesa.

segunda-feira, 29 de março de 2010

Pat Metheny na Páscoa

Nas semanas santas dos anos oitenta, a Rádio Renascença costumava passar música instrumental, depois de alguns anos antes, passar música sacra, erudita.

Era nessa altura, uma semana de pequenas maravilhas instrumentais em que se ouvia coisas que não passavam noutras alturas e se descobriam sons diferentes do mainstream da pop/rock.

Foi assim que descobri alguns álbuns e artistas diversos como os Weather Report, Spyrogira, Eddie Daniels, etc. E Pat Metheny que já era conhecido, passava em muitas horas, com os diversos discos que já tinha publicado.
Por outro lado, em todas as épocas de Páscoa, costumava comprar um disco diferente e com melhor qualidade. Num desses anos, em meados da década de oitenta, a escolha recaiu em First Circle, em LP.
Esse disco fantástico é um dos poucos cuja versão em cd, também da etiqueta ECM, alemã, equivale em som ao LP publicado originalmente em 1984.


A curiosidade em Pat Metheny começou igualmente com o título de um disco. Este, em parceria com Lyle Mays, de 1980.




domingo, 28 de março de 2010

Van der Graaf Generator- capas de discos

Os discos de Van der Graaf Generator, grupo inglês dos anos setenta, fizeram parte da minha companhia musical desde Godbluff, de 1975. O tema The undercover man, escutado vezes sem conta, começava lentamente e em sussurro..."here at the glass".
Logo que os primeiros compassos surgiam do éter no rádio, várias vezes corri para o gravador de cassetes para gravar o disco todo que então passava em programas do rádio... Comercial, ainda da rede pública.
No ano seguinte saíram dois discos- primeiro Still life cuja capa admirava no escaparate da discoteca e por isso é das capas que mais aprecio na música popular. A música, essa, continuava na veia do disco anterior, com o destaque para os saxofones de David Jackson.
O disco saiu nos primeiros meses de 1976, ( em Abril) e faz agora 34 anos.
Entre as várias versões em LP e cd, o Lp original suplanta em qualidade de gravação sonora, a do primeiro cd, de 1988, com um som demasiado anémico e mesmo a rematrização de 2005, apesar disso, com muito melhor qualidade que o anterior cd.

Alguns meses depois, em Outubro de 1976, saiu World Record. Quando o disco começou a passar no rádio ( perto do Natal? Já em 1977?) nem queria acreditar que um novo disco dos VDGG surgisse tão cedo e com uma qualidade idêntica à dos anteriores. Ainda nem tinha digerido todo a matéria sonora de Still Life e eis que surge a composição Wonderin´ a passar no rádio, com uma beleza que foi ficando durante o ano de 1977, a par do primeiro Peter Gabriel a solo, dos Kinks de Sleepwalker e dos discos de Roy Harper, mais a música brasileira.

No mês de Abril 1977, a revista Música & Som publicou um artigo sobre o disco , com análise musical ( João David Nunes ) gráfica e técnica ( Manuel Bravo e Filipe Costa), para além das letras ( João de Menezes Ferreira).

Sandy Denny-Like an old fashioned love song

O disco Like an old fashioned love song de Sandy Denny gravado em 1973 e publicado em Junho de 1974 é um dos grandes discos da cantora falecida em 1978.
É um disco que se escuta da primeira à última faixa, sempre com canções memoráveis. Perdi já as vezes que o escutei desde que comprei o LP no final dos oitenta e por causa da primeira música, Solo, que ouvira no tempo, na Página Um.

O LP na imagem, à esquerda, prensagem de 1986, da Carthage Records tem uma sonoridade que os sucedâneos da direita não alcançam.

O cd mais à direita e com um verde mais claro é da Rykodisc/Hannibal Records , dos primeiros anos da década de noventa do século que passou e é o que soa pior. Como se a música que lá contém se ouvisse através de uma cortina de veludo que filtra o som e o torna algo espesso e sem relevo nos pormenores instrumentais que lá estão.

O cd do meio, rematrizado em 2005 pela Island Records, tira essa cortina, mas o impacto sonoro é maior do que no LP que soa um pouco mais laid-back e melhor, com maior definição de detalhe sonoro.

Sobre a etiqueta Hannibal, uma informação recolhida na Rede permite entender como se formou e evoluiu:

"Hannibal/Carthage were labels run by Joe Boyd, who was the American ex pat (or, at least living abroad) who ran London's famous UFO club. He was also a very influential record producer, responsible for discovering Pink Floyd.

As friends with Chris Blackwell, he produced Fairport Convention and Nick Drake (among others) for Island and, I believe, the Incredible String Band for Electra.

At some point, in the late 70s I believe, he started his own labels, which specialized in Brit Folk, including reissuing several Fairport and Richard and Linda Thompson albums. Richard also signed with him to release his new material, as well.

I forget if there was a distinction between what was released on Carthage, and what on Hannibal, but, ultimately, Boyd sold out to Rykodisc, who folded the Carthage imprint."


sábado, 20 de março de 2010

Blonde on Blonde- Dylan

A revista inglesa Hi-Fi news datada de Abril de 2010, consagra a sua recensão crítica do mês, ao LP de Bob Dylan, Blonde on Blonde, editado nos EUA no mesmo dia que Pet Sounds dos Beach Boys-16 Maio 1966.

Blonde on Blonde é um dos discos de rock que mais aprecio colocando-o no patamar dos cinco maiores que conheço. No entanto, só ouvi o disco mais de meia dúzia de anos depois de ter saído. Em primeiro lugar ouvi Just Like a Woman, na versão que Dylan apresentou no Concerto para o Bangla Desh, em 1971.Durante anos a fio não soube sequer como era o disco e que aspecto tinha. Duplo, com uma faixa- Sad Eyed lady of the Lowlands- que escuto neste preciso momento e que se prolonga por quase 12 minutos, ocupando uma faixa inteira do LP original.
Em Março de 1976 a revista Rock & Folk publicou duas páginas de recensão crítica aos discos de Bob Dylan, por ocasião da publicação de Desire, nessa altura, para mim, já sem interesse por aí além e depois do último disco grande de Bob Dylan, Blood on the tracks.
O crítico da revista menciona " as míticas pensagens US, tão difíceis de desencatar, belas e robustas no seu cartão" referindo-se às capas dos Lp´s americanos, com um cartão muito diferente do europeu, mais espesso e com melhor impressão gráfica das imagens por causa disso.

Ainda assim, foi nessa altura que pude ver a capa, mas nem sequer a cor da mesma, dos primeiros discos de Dylan e procurei saber qual seria Blonde on Blonde, descobrindo por exclusão de partes uma vez que o disco apenas tem uma foto do cantor, desfocada.

A cor verdadeira do LP só a vi em meados dos anos oitenta quando comprei um exemplar, de prensagem espanhola, do ano de 1980.
A revista Hi-Fi news destaca a versão em cd da Mastersound-Cloumbia Legacy que também arranjei posteriormente e que provavelmente será um dos poucos exemplos em que o som do cd ultrapassa de modo implacável e indiscutível o do LP, nesta prensagem espanhola de fraca qualidade. Não conheço a qualidade do LP original mas pelos comentários do articulista da revista, o cd poderá bem ser superior, o que é de admirar.