terça-feira, 16 de setembro de 2008

José Almada- os concertos de Cerveira





(Clicar na foto, para observar toda a beleza natural do local)

José Almada, tocou novamente para as pessoas que o quiseram ouvir, em Vila Nova de Cerveira, nos dias 13 e 14 deste mês que passa. No fim de semana passado, depois de no anterior, ter passado na Passarola de Lisboa, apresentou-se em Cerveira, no cimo de um monte sobranceiro à vila, onde um antigo convento franciscano, do séc. XIV, se aninha, recuperado das ruínas de séculos, pelo escultor José Rodrigues. O local, só por si, vale a visita e a deslocação propositada. José Rodrigues, o escultor e pintor, recuperou com grande qualidade e bom gosto, todo um edifício que transformou em museu e local de recolhimento para quem entender. Refugiado também nesse local, o escritor Luandino Vieira, responsável interessado por eventos culturais que aí decorrem, apoiou a iniciativa, esteve presente e bateu palmas. Tal como o dono do local.


O cantor José Almada, tal como um trovador, apresentou-se perante uma audiência de quase uma centena de pessoas, interessadas em ouvi-lo e que para aí se deslocaram propositadamente. Num ambiente de sala pequena, em fim de tarde, as canções de José Almada, soaram como têm soado nos seus concertos, nestes últimos seis meses: boa voz, bem colocada, com músicas que para quem conhece, ultrapassam por vezes a versão em disco, o que é dizer muito sobre um intérprete. O elenco do concerto do Convento, incluía um número alargado de canções já conhecidas, dos seus dois discos e uma ou outra inédita.

O alinhamento, logo desalinhado, incluía Em multidão; Cala os olhos vagabundo; Não, não me estendas a mão; Ah como odeio; Caracol; Ah como te invejo; Olhas as ovelhas como são; E a ovelha bale bale; Hóspede; Homenagem; Vento Suão; Anda madraço; Os anjos cantam; As aves choram; Pedro Louco; Mendigo e Perdigão perdeu a pena.


O trovador José Almada, foi cantando, no seu estilo particular, num ambiente sonoro de qualidade, acabando a actuação, com pedidos de "mais uma".
O concerto teve um ainda intervalo em modo de entremez que incluiu uma breve apresentação do poeta José Gomes Ferreira e alguma da sua poesia, pela professora de Português, Maria José, de Viana do Castelo.


No dia seguinte, à tarde e já na vila, em pleno "terreiro", perante o público das esplanadas e de quem se encontrava a passar e se deslocou de propósito, para a audição, aconteceu a surpresa destes dias: José Almada em concerto, em lugar aberto, resulta maravilhosamente. O que parecia à partida uma música intimista e de recorte trovadoresco, próprio de salão, transforma-se, no palco grande, numa música de auditório, com força suficiente para aguentar um espectáculo prolongado e de multidão.
Uma autêntica surpresa, em Vila Nova de Cerveira.
As canções soltam-se de outra forma, o cantor descontrai de modo visível e a música adquire autonomia diferenciada daquela dos espectáculos para algumas dezenas de pessoas.

José Almada, em Vila Nova de Cerveira, no dia 14 de Setembro de 2008, provou a quem precisaria de provas, que é um artista capaz de encher um auditório e encantar com a sua música quem se disponha a ouvi-lo, para além dos seus apreciadores indefectíveis e que conhecem o valor intrínseco das suas canções. Como eu. E outros.
Por exemplo o Eduardo F. que pode testemunhar isto que por aqui fica escrito, porque esteve presente, viu e ouviu.

3 comentários:

Eduardo F. disse...

Estou cá, para garantir - com a palavra que possuo - que o concerto de domingo foi superior ao de sábado.

Superior porque José Almada estava muito mais à vontade, sem o "peso" dos olhos do público atento (que infelizmente não foi tão numeroso), com uma colocação de voz mais solta, e com uma interpretação menos nervosa.

Apesar do lugar belíssimo do primeiro dia, o segundo, na praça da vila, foi digno de um registo sonoro, que acabou por não haver...

E talvez por isso tenha surgido a ideia de pedir ao José para gravar um disco, tal como ele é capaz de o fazer - e bem, constatámos uma vez mais - nos dias de hoje. Mesmo que seja para gravar canções de outrora. Um registo assim valeria muito.

Ou então apenas nos resta esperar por que o primeiro álbum - e já agora o segundo, que nunca vi em lado algum, e que, sendo da EMI, bem podia ser reeditado - reveja a luz do dia em formato digital.
Para reaprender a pureza da voz de José Almada, que conserva plenamente, a poesia simples de José Gomes Ferreira, Fausto José e outros.

Para pararmos para pensar um bocadinho. Porque canções assim, hoje em dia, é um anacronismo que dá vida.

Amigo José, o meu contacto está fixado no Mostrai-vos. A partir daí contactá-lo-ei através do meu endereço pessoalíssimo, que não preciso de mencionar aqui, publicamente e à mercê dos produtores de lixo informático.

Abraço.
;)

zazie disse...

O que eu andei a perder...

jose almada disse...

Tenho alguns CDs para oferecer (homenagem)