sexta-feira, 22 de novembro de 2013

Outra vez a história da Rolling Stone

Na Primavera de 1975 a revista Rolling Stone estava à venda na livraria Bertrand. Nessa altura já comprava a Rock & Folk, desde Outubro do ano anterior e lá via as referências à revista, numa secção  ( Boogie Woogie) dedicada à recensão de textos publicados noutros jornais e revistas, geralmente ingleses ( Melody Maker e New Musical Express, Sounds) e americanos ( Creem, Crawdaddy e Rolling Stone) . Foi aí que vi e li pela primeira vez a referência a tais revistas e jornais de música e por isso de vez em quando terei reparado na Rolling Stone durante os primeiros meses de 1975. Não muito porque as capas desses primeiros meses de 1975 não mostravam grande interesse para mim, na época. Suzy Quatro, Greg Allman, Loggins& Messina, Led Zeppelin ( esse, sim, com interesse mas uma capa com foto de um concerto), Linda Rondstadt que nem conhecia bem na altura e Roger Daltrey dos The Who. Nada de especialmente apelativo para a época e os gostos musicais da altura. Physical Grafitti, o disco dos Zeppelin,  começou a passar na Página Um no início de Abril de 1975 ( 8 de Abril, eventualmente devido à greve na Rádio Renascença que durava desde meados de Fevereiro e só retomou as emissões em 5 de Abril, para grande desespero meu que todos os dias sintonizava a estação ás 7 e meia da noite para tentar ouvir o programa e só ouvia o ruído típico do rádio dessintonizado...). Porém, relativamente ao disco já lera a recensão magistral de Nick Kent na Rock & Folk de Fevereiro de 1975, copiada do New Musical Express, cujo número também comprei na altura. Isso bastava-me e a Rolling Stone ainda não atingira o estatuto mítico de revista de culto, para mim, por causa do grafismo, das publicidades, dos artigos, etc etc.
A revista em Outubro desse ano, custava então 37$50, quinzenalmente, o que somando aos 50$00 mensais da Rock & Folk ( começara em 45$00 e já aumentara)  dava uma importância mensal substancial para um estudante que ainda por cima fumava e o preço do maço aumentava de vez em quando por mor da inflação galopante.Nessa altura iria, sei lá, pelos 10$00, cada um. Em 1979 chegaria aos 20$00.
Portanto, o número saído com a data de 24 de Abril de 1975 e aparecido por cá cerca de mês e meio depois, suscitou-me a atenção por dois motivos: na capa trazia um actor, Peter Falk, personagem da série de televisão Columbo que tinha passado em anos anteriores na tv portuguesa e cujos episódios não perdia. E por isso folheei, do que me lembro de ter feito e com a curiosidade em apreciar a revista.
Para além da reportagem sobre Columbo/Peter Falk chamou-me a atenção um outro assunto: a investigação do assassinato de Kennedy , então retomada por causa da ausência de explicações cabais da anterior comissão de inquériro ( Warren) a pormenores que ainda não estavam explicados.
Não sei se já tinha ouvido falar no "filme Zapruder" mas lembro-me de ler algumas passagens desse número da revista e observado as fotos e fotogramas do filme. Ainda assim pousei a revista no escaparate e deixei-a ficar, provavelmente porque o orçamento para esse mês estaria esgotado. Foi nessa mesma altura que apareceram alguns volumes de recolha da Pilote e a banda desenhada da Métal Hurlant suscitava-me maior atenção, embora a revista nem aparecesse por cá.

A efeméride que hoje se comemora dos 50 anos da morte de Kennedy trouxe-me estas recordações porque o assunto Kennedy foi sempre interessante, até agora que se conclui praticamente pela ausência de conspiração na origem da morte do mesmo.
Quanto à Rolling Stone foi apenas uma questão de alguns meses até ficar preso aos textos e fotos da revista sobre assuntos musicais e não só. Em Outubro desse ano passei a frequentar a cidade de Coimbra para onde fui estudar Direito e foi lá que comprei o primeiro número da revista que durante esse ano passei a comprar, como verdadeira obsessão. A história já foi contada aqui.
E episódio mais caricato prende-se com procura aturada que fiz, em Setembro de 1975, em todas as livrarias e quiosques de Lisboa, susceptíveis de a terem à venda, ficando com a frustração de a não encontrar em lado nenhum. Acabei por encontrar um número avulso, amarrotado e apenas com a capa e contra-capa num depósito de lixo num parque de campismo, por trás do estádio universitário de Lisboa, onde ficara então, alguns dias, numa época em que tal parque era usado pelos turistas que vinham ver o PREC e pelos  retornados que vinham das províncias ultramarinas, prestes a passarem a independentes.
A capa é de antologia e uma das melhores da revista, com uma foto de Mick Jagger da autoria de Annie Leibovitz, a fotógrada que fez muitas reportagens memoráveis para a revista ao longo dos meses e alguns anos que se seguiram.


Esse número da Rolling Stone só muitos anos mais tarde dei conta de que era a edição inglesa da revista porque a imagem da contracapa tem um anúncio publicitário a um álbum dos Manfred Mann ( Nightingales &  Bombers, saído esse ano) e a edição original americana, tem outro anúncio diversos, a uma marca de Tequila- Sauza com uma imagem de uma modelo loira a segurar a garrafa branca.
 Ao folhear virtualmente a edição americana em cd, dei ainda conta que não seria essa apenas a diferença- a edição inglesa tem menos publicidade e a preto e branco e o grafismo apesar de idêntico parece um pouco diferente, inferior porque igualmente a preto e branco. Por exemplo a ilustração da secção de recensão de discos, com uma foto do disco de Dylan,  Basement Tapes, a preto e branco enquanto na americana aparece a cores sépia, próprias da foto e o lettering "Records", a cor ocre. Por isso comprei mais tarde esse número mítico da edição inglesa. Tal como acontece frequentemente, o mito desfez-se no minuto seguinte em que folheei a revista de que tinha visto apenas a capa e contra-capa. Uma edição a preto e branco e inferior à original americana...

Ainda assim, com o tempo conseguir recuperar o número com a capa consagrada a Columbo que é um número mítico e que por isso reproduzo aqui, com parte do artigo sobre Kennedy.
Ainda hoje, ao folhear o papel com cheiro a velho, sinto essa sensação de então ao ver a revista no escaparate, num fenómeno que nunca mais se repetiu porque os mitos são assim mesmo: estão condenados a esfumarem-se com o tempo. Permanece no entanto como uma sensação tão agradável como experimentar uma novidade rara e propiciadora de descobertas intelectuais e artísticas.


quinta-feira, 29 de agosto de 2013

Kevin Ayers

 Kevin Ayers morreu em Fevereiro deste ano, aos 68 anos.
Os primeiros discos do músico foram os que a imagem mostra, recolhidos no caso num album duplo posterior, de meados dos setenta ( 1975, mas esta edição que guardei, de prensagem espanhola, será porventura de 1976) )  e que me deram a conhecer a integralidade dessas duas obras-primas, já nos oitenta, em disco.
Esses primeiros discos passavam no rádio e programas da autoria de Jaime Fernandes e outros, nos idos de 1974 e eram imprescindíveis para o meu panorama sonoro e musical. May i, Lady Rachel, Girl on a swing, all this crazy gift of time, etc. etc. porque é difícil escolher uma canção de um lote impressionante de muitas outras de qualidade musical superior.
O disco que me conquistou depois a audição repetida ao longo dos anos é de 1978: Rainbow takeaway, com todas mas mesmos todas as composições a merecerem audição, mas com destaque para Waltz for you.
Antes desse tinha aparecido Whatevershebringswesing, disco que não possuo em lp e que foi publicado em 1972.
Não obstante, o primeiro disco que comprei de Kevin Ayers foi That´s what you get babe, de 1980, aliás um dos primeiros discos que comprei, no início dos anos oitenta.

Se durante muito tempo os dois primeiros constituiam a referência máxima do artista, por os ter ouvido no rádio, depois de conhecer os demais, fui aprimorando o gosto pela música de Kevin Ayers até entender todos os discos como merecedores da melhor audição.
Depois daquele de 1980 comprei o disco Bananamour, de 1973 em prensagem inglesa original, ainda sem conhecer os demais originais e à procura daquela composição Waltz for you que afinal estava noutro disco...
Em 1975 o conhecimento escrito sobre Kevin Ayers apareceu pela Rock & Folk que no número 99 de Abril de 1975 publicou um pequeno artigo sobre o músico.

E em Setembro de 1976 mais um pequeno artigo com uma imagem a cores que me ficou na memória, também pela imagem de Tardi que nessa altura despertava também a atenção pelos desenhos que fazia na Pilote.


Em Abril de 1975 comprei o "recueil" da revista Pilote nº 70 que abrangia dez números do primeiro trimestre de 1974. No nº 742, de 24 de Janeiro de 1974 aparecia esta imagem da capa interior de Bananamour, juntamente com discos dos Soft Machine. Nessa altura, a revista trazia em todos os números meia dúzia de páginas sobre actualidades culturais, com pequenas ilustrações e fotos e um arranjo gráfico que me encantava e continua a ter esse efeito porque nunca mais vi melhor em grafismo de revista.



E os discos...
Os três primeiros em cd, ao lado da colectânea e do quarto.

Os seguintes, quinto e sexto
Sétimo e oitavo

Mais outra colectânea de inéditos e singles, saída em 1976 e o disco de 1980.


Há outros discos de Kevin Ayers, saídos depois destes e que tenho em cd, incluindo o último, The Unfairground, saído em 2007. Mas estes são os mais importantes.

domingo, 23 de junho de 2013

Frank Zappa- as primeiras composições, strictly genteel

Para além de The Adventures of Greggery Peccary, ouvido em repetição e provavelmente o mais ouvido de sempre, tema conhecido de Studio Tan, apareciam em Läther outros temas que viram o vinil anteriormente, particularmente no disco com gravações ao vivo,  Zappa in New York, lançado em 1979.
Uma delas suscitou atenção - Titties ´n beer. Por isso o primeiro lp que tentei encontrar depois de voltar a ouvir Läther, foi Zappa in New York, na prensagem original americana, da Discreet. Descobri então que o alinhamento dos temas nesse duplo álbum diferia da versão original, existente e rara que incluía pelo menos dois ou três temas que não aparecem depois na segunda prensagem dos lp´s: Punky´s Whips, I´m the Slime e Pound for a brown, para além de misturas diferentes das canções.  A versão original, final, acabou por sair com a reedição do cd em 2012, pela Zappa Records.
A disparidade de versões açulou a curiosidade em procurar outras versões de temas antigos repetidos em discos posteriores, sob o lema da famosa "continuidade conceptual".

Em Läther aparecem alguns temas que foram repetidos noutros discos, como por exemplo For the young Sophisticated, originalmente aparecido em Tinsel Town Rebellion, lp que procurei a seguir, para comparar e em boa hora porque o disco trazia outras surpresas como os temas The Blue Light que Zappa tinha dito em entrevistas ser um dos mais difíceis de executar, ou Brown shoes don´t make it que aparece originalmente no disco Absolutely Free, de 1967 de que tinha um cd mas não o lp que arranjei posteriormente e que vale bem a comparação.
Também o tema Big Leg Ema aparece em Zappa in New York e originalmente aparecera em Absolutely free, mas apenas na versão em cd, de 1995, da Rykodisc. E aparecera pela primeira vez num lp fora do catálogo "normal" do músico porque apenas editado em Inglaterra em 1975 num disco em mono dos Mothers of Invention conhecido como "transparency" por causa do diapositivo da capa. Porém, a versão de Läther é diferente da versão de Zappa in New York.
Ora foi esta diversidade de versões do mesmo tema que fez com que  me interessasse na comparação.
 E outra composição que aparece em Läther e é do disco Orchestral Favourites, de 1979,  permitiu essa comparação aprimorada- Pedro´s Dowry que em Läther tem a mistura stereo em reverso e aparece igualmente num outro disco que ainda não ouvi- London Symphony Orchestra I.
Outro tema que suscita a comparação é Duke of Orchestral Prunes cuja composição aparece originariamente no lp Absolutely Free em três variações e com o título abreviado de Duke of prunes, uma das melhores composições desse disco, um dos melhores também, de Zappa. Aparece igualmente em Orchestral Favourites e no cd Strictly Genteel, saído em 1997 e que então comprei e depois fiquei pasmado com a composição com o mesmo nome.

Strictly Genteel foi a primeira composição de Zappa, orchestral e sinfónica a obrigar-me a ouvir as demais versões porque há várias.

A primeira versão, original aparece no lp 200 Motels, de 1971 e que comprei em França há uns anos. Não tinha reparado no tema porque o disco é de difícil audição para quem não goste de toda a música de Zappa e na altura era esse o meu caso. Mas já não agora porque esse tema é muito interessante nessa versão e a que aparece a seguir é no lp Orchestral Favourites, de muito boa qualidade acústica, melhor que no 200 Motels. Depois aparece igualmente uma magnífica versão ao vivo, no cd You can´t do that onstage anymore, vol. VI publicado pela Zappa Records e derivado de gravação ao vivo em Nova York no dia 31 de Outubro de 1981, o célebre concerto de Halloween que está registado em video e pode ver-se no  The Dub room special.
Também aparece numa magnífica versão no lp Zappa London Symphony Orchestra II, gravada em 1983 e no cd Make a jazz noise here, em versão idêntica à do cd Strictly Genteel.
Portanto todas essas versões se ouvem com agrado, tendo-as por isso gravado em sequência porque é uma das melhores composições de Frank Zappa.

Outra que merece igual atenção e tratamento é Dog Breath (variations) que aparece originalmente em Uncle Meat, de 1969 e depois é aproveitada em Just Another Band from LA de 1972, no cd YCDTOSA nº 2, ao vivo no célebre concerto de Helsínquia de 1974 e no último disco de Zappa em vida, o cd The Yellow shark, de 1993 e gravado em 1992. Tal versão aparece igualmente no video The Dub room special.

Por causa dessas comparações acabei por arranjar os primeiros lp´s , com excepção do primeiro que não suscita tanta atenção como os seguintes, e com particular ênfase para o disco We´re only in it for the money que se escuta como uma sequência de pequenas composições geniais, capazes de fazerem do lp um dos melhores do músico.
Por outro lado, as edições originais da Verve ou da Bizarre/Reprise ( a partir de Uncle Meat, de 1969) e depois da Discreet, a partir de Overnite Sensation, são as que melhor soam, para além de terem capas quase todas duplas ( com excepção de Weasels ripped my flesh, Waka Jawaka e Apostrophe (´) )e dignas de apreciação.

Strictly Genteel, a composição que originou esta revisitação à música de Frank Zappa e à descoberta dos primeiros discos do músico é um tema original que se assemelha de algum modo a Sofa, de One size fits all. Começa pela introdução falada de um dos actores do filme ( e que no video se vê a pronunciar essa introdução "at the end of the movie"), o actor Theodore Bikel, suposto mefistófeles e que enquanto vai falando se ouve em fundo  os primeiros compassos sinfónicos de uma música reminiscente em andamento quase adaggio, com as quatro notas fundamentais, em crescendo, um do mi sol...si, ou variação noutro tom, compassadas e em marcha solene, adequado ao finale do "movie".
A peça está documentada no filme 200 Motels e apesar da fidelidade musical não ser das mais elevadas ( gravação de 1971, mas ainda assim inferior ao resultado técnico e sonoro de outros discos anteriores, como Hot Rats), a música é majestosa em função da intervenção orquestral, no caso a Royal Philarmonic Orchestra dirigida por Elgar Howarth e com gravação datada de Janeiro e Fevereiro de 1971.
O tema foi posteriormente repescado em actuações ao vivo sendo de salientar as dos anos oitenta, particularmente a de 1981, no concerto de Haloween e não desmerecendo nada do original, a versão gravada pela banda Zappa plays Zappa, orientada pelo filho do compositor, Dweezil, em anos recentes e com concerto documentado em dvd em que se reunem antigos colaboradores de Frank Zappa como Napoleon Murphy Brock e Terry Bozzio, o baterista que canta Punky´s Whips no disco Zappa in New York, na versão original de 1977, mais tarde censurada e que só aparece agora em cd ou em lp´s raros que se vendem na ebay a preços proibitivos.



sábado, 22 de junho de 2013

Frank Zappa- os primeiros discos e Läther

Frank Zappa terá escrito cerca de 600 canções, ao longo da sua vida e segundo declarou na sua biografia The Real Frank Zappa, escrita com a colaboração de Peter Occhiogrosso, em 1990.

Dessas centenas de canções terei ouvido meia dúzia, reconhecíveis,  até meados dos anos setenta e quase todas de dois lp´s, Overnite Sensation e Apostrophe, seguido depois de One size fits all, de 1975. Com a saída de Zoot Allures em 1976 e Studio Tan em finais de 1978, o leque alargou-se um pouco mais, eventualmente para o dobro e ainda assim os discos seguintes,, Sheik Yerbouti e Joe´s garage, de 1979 acrescentaram pouco mais.

Foi apenas na primeira metade dos anos noventa, com o lançamento dos cd´s pela Rykodisc, rematrizados pelo próprio Zappa e cujas matrizes também tinham servido para o lançamento das caixas de recolha da discografia publicada de Zappa, intituladas The Old Masters, Box nº 1 , 2 e 3, publicadas entre  1985 e 87 ( que me lembro de ver numa discoteca do Apollo 70 em Lisboa), que passei a ouvir as outras músicas de Zappa, mais antigas e ao mesmo tempo as versões alternativas e ao vivo de canções já publicadas noutros discos.

Ainda assim, os primeiros discos de Zappa, publicados entre 1967 e 1972, nas etiquetas Verve e Bizarre/Reprise, não os ouvi senão muito mais tarde, em cd e nem todos. Até há pouco tempo desconhecia integralmente os discos Uncle Meat ( Bizarre/Reprise, de 1969); Lumpy Gravy ( Verve, de 1968); Burnt Weeny Sandwitch ( Bizarre/Reprise, de 1970); Hot Rats ( Bizarre/Reprise, de 1969); Justa another band from LA ( Bizarre/Reprise, de 1972); The Grand Wazoo ( Bizarre/ Reprise, de 1972);  Bongo Fury ( Discreet, de 1975); Tinseltown Rebellion ( Barking Pumpkin, de 1981); Orchestral Favourites ( Discreet, de 1979) Francesco Zappa ( Barking Pumpkin, de 1984); Frank Zappa meets the mothers of prevention ( Barking Pumpkin de 1985); Jazz from Hell ( Barking Pumpkin, de 1986); Zappa London Symphony Orchestra ( Barking Pumpkin, 1987); Broadway the hard way ( Barking Pumpkin, 1988) para além de outros que saíram em cd.

Os três primeiros- Freak out, Absolutly Free e We´re only in it for the money- só os ouvi em cd e incluidos numa caixa de recolha, tendo na altura prestado pouca atenção, considerando-os pouco mais que um documento histórico. Recentemente ouvi todos esses discos em vinil e na versão original dos lp´s em prensagem americana. Fantásticos, todos os discos é o que se pode dizer. Passei já meses a ouvir repetidamente e nunca me canso de ouvir, principalmente esses primeiros lp´s, particularmente Absolutely Free, de 1967 e We´re only in it for the money, de 1968 e que reproduz ao contrário o estilo da capa de Sergeant Pepper´s dos Beatles, do ano anterior.

Nos anos noventa, aquando da saída dos cd´s da Ryko disc comprei uma colectânea chamada Läther, publicada originalmente em três cd´s em 1996. Na época ouvi algumas vezes, poucas e fixei um ou outro tema, sem repetição. Ao ler as notas de capa do cd, num pequeno livreto tomei atenção à história da colectânea: originalmente gravados para lançamento como album quádruplo em 1977, era tido como o Great Lost Frank Zappa album, à semelhança de um Smile dos Beach Boys.

Há uns meses, dei mais atenção à audição dos discos e foi como que uma pequena revelação, o que ouvia. Para além da repetição de temas conhecidos, como o fantástico  Greggery Peccary, publicado originalmente no disco Studio Tan ( saído sem autorização expressa de Zappa, por causa do conflito com a Warner Brothers que durou vários anos) é um dos temas-chave da genialidade de Zappa.

Posso contabilizar já dezenas e dezenas de audições desse tema que dura mais de vinte minutos de pequenas maravilhas sonoras e que me surpreende sempre que o ouço, com pequenos apontamentos musicais.

Daí à exploração dos restantes temas de Läther e à comparação com as versões originais ou  publicadas depois em modo disperso por vários lp´s- Sleep Dirt, Joe´s Garage act II & III; Tinsel Town Rebellion, Studio Tan e Zappa in New York e Orchestral Favourites, ou até Sheik Yerbouti- foi o tempo de arranjar os lp´s originais.

A repetição de temas em vários lp´s bem como a colagem de sonoridades obtidas por xenocronia, ou seja, por junção de partes de temas do vivo, geralmente solos de guitarra a temas de estúdio, provocou a curiosidade em saber o que era o quê na obra de Zappa e assim se passaram meses a ouvir tudo o que foi possível ouvir até hoje, em repetição e com bastante tempo para perceber o essencial da música de Zappa: genial e única.

Em 2012 a colectânea Läther foi reeditada pela família de Zappa e retomada a intenção original do músico bem como as gravações de origem para esse disco quádruplo frustrado e que apenas saiu em formato de lp no Japão eventualmente em gravação apócrifa.


domingo, 21 de abril de 2013

Frank Zappa e as revistas de música


A seguir ao álbum The man from Utopia o meu interesse na música de Zappa esmoreceu de tal modo que apenas no início dos 90 dei atenção às reedições em cd da obra do mesmo.
Durante esses quase dez anos sairam no entanto artigos em revistas de música que me foram lembrando os discos entretanto saídos, como Them or us, saído em finais 1984 ou mesmo Thing-Fish, do mesmo ano. Lembro-me o entanto de ver tais álbuns, particularmente Thing-Fish em exposição numa discoteca de Lisboa, no piso inferior do Apollo 70. O disco triplo apresentava-se numa caixa graficamente bem cuidada e que tinha uma figura estranha de um ser híbrido cujo significado só muitos anos depois entendi, ao ouvir o disco, em cd.
As revistas que fui comprando, para além da Rock & Folk que sempre deu atenção especial ao músico foram a Musician, logo em Abril de 1982, com uma entrevista extensa e interessante.


Em Janeiro de 1987 a revista Guitar Player fez 20 anos e publicou este número excepcional que entre outras coisas trazia um artigo e entrevista com Zappa, já com o filho Dweezil em duo num tema-Sharleena- que o flexi-disco que a revista trazia, no meio, deixava ouvir.


Em Setembro de 1988 a mesma Musician reincidia noutro artigo sobre a música de Zappa em final dos oitenta.

Nos anos noventa seguiram-se outras como um número excepcional da Guitar Player em conjunto com a Keyboard magazine e que em mais de cem páginas faz uma resenha importante de toda a carreira do músico, com a mais importante entrevista de sempre com o mesmo. Em determinada passagem Zappa fala sobre o cd que acha ser superior, em som, ao vinil. 


Em 4 de Dezembro de 1993 Zappa morreu na sequência de um cancro na próstata  e as revistas da especialidade publicaram extensos artigos sobre a obra e a "continuidade conceptual" da mesma.

A primeira a fazê-lo foi a Musician com uma capa de antologia.

 A Guitar Player também o fez com um artigo que resumia em poucas páginas a carreira do músico.

Em Outubro de 1995 a mesma revista publicou uma resenha dos cd´s que a Rykodisc iria então publicar de novo, com rematrizações dos discos originais de Zappa, previamente autorizadas por este. Foi nesta altura que reganhei interesse na música de Zappa, particularmente por causa dessas reedições que me pareciam uma ocasião para ouvir de outro modo os discos antigos que aliás nem tinha.


Em 1999 a revista Guitar World publicou uma resenha bem mais alargada e compreensiva da obra de Zappa.
 http://www.afka.net/images/Magazines/1999/1999-02-xx%20Guitar%20World%20v19n2%2000.jpg



terça-feira, 9 de abril de 2013

Frank Zappa nos oitentas

Desde o início da década de oitenta que a música de Zappa fazia outro sentido para mim, diverso do que me tinha agradado com a trilogia Overnite Sensation-Apostrophe(´)- One size fits all.

Um dos primeiros discos que comprei, em 1982, foi precisamente o disco de Zappa, duplo, You are what you is que é uma continuação musical do estilo anterior, de Joe´s Garage e Sheik Yer bouti.
Durante o ano de 1981, em Maio,  tinha saído Tinsel Town Rebellion, lp duplo,  na etiqueta Barking Pumpkin Records, recém formada e em alusão à cabacinha de Halloween americano, a fumar e tossicar ( pelos vistos a mulher de Zappa tossicava por causa disso e Zappa era assim que lhe chamava) e um gato assustado em logotipo.
De Tinsel town lembro-me de ouvir o título tema no rádio e pouco mais. Evidentemente, com o passar dos anos tornou-se um disco mais importante, com o tema For the young Sophisticated, Fine girl e o lado 4, mais jazzístico.
No mesmo mês e ano sairam ainda discos de Zappa em edição especial, vendidos primeiro por via postal e anunciados nos media. Shut up ´n play  yer guitar, apresentou-se como um disco triplo e ao título seguinte, Shut up n´play yer guitar some more , juntava-se o terceiro, The return of the son of shut up n´play yer guitar, reunidos numa caixa com foto de Zappa com guitarra ao colo e numa foto apelativa pela commbinação cromática. Nunca ouvi tais discos, principalmente por saber que são exclusivamente instrumentais e apenas com solos de guitarra, retirados de espectáculos ao vivo.
Portanto, logo que saiu You are what you is, em finais de 1981 aprontei os ouvidos para escutar com atenção. O disco, duplo, o primeiro de Zappa que comprei, da etiqueta CBS que então passou a distribuir o produto em Portugal ( o disco de Simon & Garfunkel, The concert in Centrak Park, saído na mesma altura também era distribuído pela CBS Portugal) trazia um tema imperdível, Harder than your husband, do mesmo estilo que Bobby Brown uns anos antes. Mas trazia ainda uma sequência de temas dedicados à "society" americana e Any Downers, Goblin girl, Charlie´s enormous mouth, Conehead ou dumb all over, Doreen. O primeiro, Teen-age wind, fora composto em poucos minutos depois de um músico ter dito a Zappa que conhecia o músico Christopher Cross que nessa altura estava nos "tops" com "ride like the wind". Zappa terá dito na altura que "ah! dêem-me aí um lápis e papel e escrevo uma coisa dessas em cinco minutos". E se bem o disse melhor o fez.


O disco foi o que se aguentou até 1983, com a saída de The man from Utopia que também comprei quando saiu, igualmente da CBS Portugal e que custou 475$00.
Antes, em 1982 tinha saído Ship arriving too late to save a drowning witch que pouco ouvi porque não me interessava por aí álém a música que ouvia. Porém, erro meu, má fortuna. A música de Drowning witch é também impecável e só dei por isso há pouco tempo. Porém, o single Valley Girl, com a filha de Zappa, Moon, a cantar desencorajava-me a ouvir mais.


No entanto, esse disco tinha uma particularidade: a recomendação de Zappa na capa interior para o disco ser preferencialmente ouvido em colunas  JBL 4311 ou equivalentes e com os controlos de loudness desligado e os do preamplificador em posição "flat".
Nunca ouvi o disco numas JBL ou equivalentes mas é um disco gravado digitalmente e com uma equalização interessante, tal como os anteriores, aliás.



O seguinte, The man from Utopia, saído em Março de 1983 ainda tinha uma gravação e equalização mais marcante nos baixos, particularmente Tink walks amok ou Stick together ou mesmo Sex. O tema The radio is broken, uma espécie de rap, tem uma passagem rítmica algo complexa com o baixo de Scott Thunes a ronronar um riff dos The Knack, em My Sharona, um hit da altura.
O disco servia para testar a aparelhagem nas frequências baixas e é dos discos que menos aprecio de Zappa e cujo material menos me interessa. A capa é de um ilustrador italiano, Liberatore, que na época desenhava na revista Frigidaire ( uma espécie de Actuel transalpina ou uma el Vibora espanhola ou mesmo uma Face inglesa).

terça-feira, 2 de abril de 2013

Zappa- Joe´s Garage Acts I II & III

Em finais de 1979 sairam mais dois lp´s de Zappa, um deles duplo, possivelmente só ouvidos no ano seguinte e que gravei provavelmente em 1981.
Joe´s Garage, act I, em Setembro desse ano  e passados meses, o Acts II & III, foram também originalmente publicados na etiqueta Zappa Records, como Sheik Yerbouti e continuam o estilo temático e agora um pouco mais conceptual, com a música na senda daqueloutro.

São discos cuja gravação acompanha a qualidade daquele e o primeiro tema do Act I dava a tonalidade aos discos: uma apresentação em voz abafada electronicamente de uma ficção em que um fantasmático "central scrutinizer" se encarrega de proibir a música por se ter tornado fonte de crise económica e social.
O tema dá asas a Zappa para se alargar nas sátiras habituais à organização política e social, com destaque para a televisão embrutecedora e cretinizante.
A música do tema ginga bem e com suficiente balanço para fazer esquecer o assunto porque o que fica no ouvido é a expressão Joe´s Garage e a guitarra pontilhante, acompanhado de coros e saxofone dissonante., para além da restante instrumentação, excelente e do melhor que Zappa produziu em música popular.
É aqui que aparece outro conceito idiossincrático de Zappa: "informação não é conhecimento; conhecimento não é sabedoria; sabedoria não é verdade; verdade não é beleza; beleza não é amor; amor não é música. Música é o melhor".
No primeiro disco surge ainda uma contraposição ao tema "Jewish princess" de Sheik Yerbouti, com "Catholic Girls", um dos temas fortes do disco, embora mais suave que o outro.
Os discos têm uma particularidade técnica: todos os solos de guitarra, com excepção de um no tema Watermelon in Easter Hay, são "xenócronos, ou seja enxertados nas gravações das canções e vindos de outras gravações ao vivo anteriores, designadamente de espectáculos de 1979.
As capas dos discos são fotografias de Norman Seef com um close-up da cara do músico pintada de preto e com uma esfregona no primeiro e no segundo a ser maquilhado de preto.
Os temas variados e as melodias infiltravam-se facilmente no ouvido e por isso gravei uma parte do Acts II & III, precisamente os primeiros temas, com Token of my extreme e os outros a seguir numa cassete que julgo terá sido já em 1981ou mesmo 82. Daí que estes discos e música sejam verdadeiramente a introdução musical de Zappa aos anos oitenta. E a gravação será das primeiras efectuadas com música ouvida no rádio da altura, na aparelhagem Grundig que foi a primeira que comprei com dinheiro que ganhei do meu trabalho.A gravação aparece em mono/stereo porque a captação via rádio não era das melhores, por vezes, o que fazia perder o sinal. Mas continua a ser uma boa gravação de Token of my extreme.
No outro lado da cassete aparece a gravação de um outro disco excelente e dos que mais aprecio da música popular: Jorma Kaukonen, num disco de 1974 que só nessa altura conheci.

Em 13 de Dezembro de 1979 a Rolling Stone publicava este anúncio aos discos entretanto reunidos em caixa, embora saídos em separado naqueles meses anteriores, ao mesmo tempo que fazia uma recensão aos discos em artigo dedicado e muito favorável.


Os discos originais aqui mostrados já foram arranjados há pouco tempo, porque inicialmente comprei a caixa de cd´s que continha os mesmos e ainda publicada em 1990 pela etiqueta de Zappa records ( antes do negócio com a Ryko) embora sejam fruto de rematrização digital operada em 1989 por Bob Stone, com a participação de Zappa. A gravação dos discos é toda de estúdio com a maior parte dos soloes de guitarra xenócronos.



sábado, 30 de março de 2013

Zappa nos oitenta- Sheik Yerbouti

Este disco de Frank Zappa marca, a meu ver, o início dos anos oitenta na produção discográfica do artista, apesar de ter saído em Março de 1979. Sheik Yerbouti, um jogo de palavras com o conceito "disco" e a música do mesmo género que andava no ar dos rádios da época.

Em Abril de 1979 a revista Rolling Stone publicou este anúncio ao disco, numa imagem de página inteira que não deixava de intrigar pela aparência de um Zappa em djelaba árabe.


O disco em conteúdo musical nada refere a esse propósito apesar de uma canção polémica, entre outras: Jewish princess que foi sucesso melódico e um dos temas mais apelativos do disco.

Outro que me lembro de ouvir na época é o pastiche ao estilo de cantar de Dylan, por um Adrian Belew que arpegeou uns acordes de harmónica dylanesca enquanto soletrava as palavras da canção que termina num crescendo musical estilo  Before the Flood, de 1974.
O primeiro tema, esse é claro no pastiche: I have been in you refere-se ao disco de Peter Frampton, I´m in you, para o satirizar na letra sobre o "estou em ti e tu em mim..." .
Na época, tal disco de Frampton, saído em meados de 1977, na sequência do mega hit Frampton comes alive que vendeu provavelmente mais discos que Frank Zappa na vida toda,  agradou-me ao ouvido pela melodia do tema inicial e a revista Rock & Folk de Agosto de 1977 fez uma boa recensão crítica.


Sheik yerbouti, provavelmente ouvi-o no rádio da época e agradava-me ouvir essas duas músicas, mais Broken hearts are for assholes e Yo´mama e principalmente Bobby Brown, na sequência de um longo solo de guitarra e um intermezzo com bocados de conversas.
Bobby Brown tornou-se um hit em alguns países europeus do Norte ( Noruega e Alemanha) que tiveram a sorte na altura de ver ao vivo  e por cá foi uma das canções de 1979, para mim e durante muito tempo um dos paradigmas da música de Zappa como a gostava de ouvir. Felizmente que havia outros que haveria de descobrir anos mais tarde e muito mais interessantes, como a música contemporânea que Zappa compunha e inspirada em músicos como Varese, Webern ou Stravinsky.
A gravação, de qualidade excepcional, é da etiqueta de Zappa, aliás o primeiro a ser publicado na mesma, depois dos desaguisados judiciais com a firma Warner Brothers que se recusou a publicar Läther e foi publicando às pinguinhas os quatro discos que o deveriam compor. O disco, com excepção de três temas ( Rubber shirt é um deles)  é composto integralmente de temas gravados ao vivo mas com partes instrumentais em overdubbing.
Um ou outro dos temas de Sheik Yerbouti deveriam igualmente fazer parte de Läther, como Broken Hearts ou Tryin ti grow a chin e What ever happened to all the fun in the world, , um pequeno trecho de meio minuto.

À medida que o tempo vai passando e ouço a música de Zappa, Sheik Yerbouti assume uma característica de disco que não cansa ouvir, apesar de um ou outro tema esticado nos solos de guitarra, com algum fastídio depois de passar um minuto de audição.
O disco no entanto, parece um pequeno compêndio da música popular dos setenta, com o punk, Dylan, Frampton ou os Tubes ( a sequência Baby Snakes e Tryin to grow a chin tem um desempenho musical muito parecido com o disco dos Tubes ao vivo, saído em 1978 e um dos meus preferidos de sempre) e os temas encadeiam bem uns nos outros, como provavelmente poucos discos de Zappa o conseguem. Tem um tema jazzístico com baixo acústico em Rubber shirt e tem um solo de guitarra em The sheik yerbouti tango que parece interminável e é.
A qualidade de gravação é excepcional e merece a audição só por isso uma vez que a versão em vinil é excelente de dinâmica sonora mesmo transposta para gravação digital em 24 bits 192kHz, como agora aprecio ouvir.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Frank Zappa, os discos do final dos setenta

A música de Frank Zappa durante o ano de 1976 tornou-se motivo de interesse e resultou no desenho em que representava além do mais, a discografia publicada até então, na sua maior parte completamente desconhecida para mim, porque além do mais não havia disponibilidade de discos ou reedições ou ainda passagem no rádio desses discos antigos.
A música de Zappa, anterior a Overnite Sensation, era um completo mistério, para mim. Ainda assim alimentava esperanças de a vir a conhecer, o que só ocorreu alguns anos depois.
Na verdade, alguns dos discos ainda nem os conheço integralmente e na versão original, como acontece com Cruisin with Ruben & the Jets ou Fillmore East 71. E a maioria dos primeiros conheço a versão em cd, saída já no início dos anos noventa, editada pela Ryko Records com autorização e rematrização dos originais por Frank Zappa himself. Alguns lp´s foram entretanto publicados com a rematrização digital tornada possível no final dos anos setenta, particularmente os que sairam em caixas intituladas Old Masters e que abrangeram a totalidade da produção discográfica até Zoot Allures e que foram publicados em três recolhas, entre 1985 e 1987. 
Porém, em 1976, saídos já os três discos fundamentais, na época, para mim ( Overnite Sensation, Apostrophe (´) e One size fits all) nem me dei ao cuidado de ouvir os restantes, como Bongo Fury, saído em 1975 e cuja crítica não me pareceu positiva. O disco, porém, para além de ser o preferido de Vaclav Havel, o presidente checo já falecido e grande fã de Zappa, só o conheci recentemente na versão original e vale a pena ouvir, claro está, porque é um bom disco de Zappa.

A música de Zappa, deste modo, fui-a conhecendo lendo artigos das revistas francesas que periodicamente consagravam algumas páginas ao compositor, geralmente por ocasião de visitas do mesmo para concertos em França e na Europa.
A edição de Fevereiro de 1978 da revista Best consagrava várias páginas ao artista, tendo um repórter da mesma se deslocado a Laurel Canyon em visita à casa de Zappa, fotografando ensaios, locais e tendo-o entrevistado em conversa longa. Na altura impressionou-me o modo de vestir do mesmo, com roupa que só anos mais tarde chegou à Europa.


O jornal NME de 22 Abril 1978 publicou este anúncio a um disco de Zappa, ao vivo em Nova Iorque. Só ouvi o disco, integralmente, em lp e cd, recentemente, tendo sido um disco com uma história particular. Foi gravado ao vivo em finais de 1976 e publicado em princípios de 1978. A versão primitiva continha uma canção- Punky´s Whips- considerada demasiado ousada em termos de costumes e foi censurada levando à retirada dos discos do mercado, tendo sido vendido alguns milhares que agora se trocam no ebay, de vez em quando, por quantias relativamente elevadas, por serem de coleccionador. A versão em cd, porém, tem toda a versão original do lp que por outro lado serviu para outro projecto de Zappa, intitulado Läther, de 1977, um álbum que seria composto por quatro lp´s  e que não  chegou a ser publicado em vida do compositor, mas apenas em 1996, em três cd´s e que é a recolha máxima, o melhor best of de Zappa, apenas com recurso a composições da primeira metade da década de setenta e que viriam a figurar em álbuns posteriores do final dos setenta ( Studio Tan, Sleep Dirt, Orchestral Favourites e Zappa in New York). A história de Läther foi contada por Zappa diversas vezes e resultou de um desentendimento grave com a editora Warner Brothers a quem entregou no início de 1977 os quatro discos que seriam para publicar em álbum com esse título e a editora recusou, levando a um longo conflito profissional entre o compositor e essa editora e a publicação dispersa e sem autorização expressa de Zappa dos discos Zappa in New York, Studio Tan, Orchestral Favourites e Sleep Dirt, cujas capas também não tiveram a supervisão do artista.
Quanto à qualidade sonora dos mesmos, comparando-a com a versão em cd agora publicada ( em 1996 e apenas em cd, embora também em vinil, mas apenas no Japão) há algumas diferenças de vulto, quanto às misturas  de certos instrumentos e a inclusão de temas que provieram de outras fontes, como de uma cassete publicada por Zappa com a colaboração da revista Guitar World ( o título é precisamenre The guitar world according to Frank Zappa) em 1987. A música desta cassete, possível de recolher no you tube, é simplesmente excelente. Os lp´s igualmente excelentes, com destaque para Orchestral Favourites que alguns porém, consideram ter um som mais fraco que o cd publidade posteriormente. Não comparei ainda, sendo certo que o lp me parece excelente.

Em Fevereiro de 1978 a revista Rock & Folk dava-lhe algumas páginas.

Assim como em Novembro desse ano recenseava o disco Studio Tan, um dos que deveria compor Läther e que foi tomado pela revista como um regresso ao passado glorioso dos discos excelentes de Frank Zappa.
Foi este disco que me entusiasmou na altura por causa de uma peça musical  que ocupa todo o lado um do disco: Greggery Peccary, uma excelente composição zappiana e provavelmente a sua melhor peça, tudo conjugado. É uma peça musical que tenho ouvido dezenas de vezes sem me cansar e sempre com algo de novo que aparece aqui e ali, instrumentalmente.

Em Março de 1979 a mesma revista dedicou algumas páginas à recensão crítica de todos os discos de Zappa publicados até então, cerca de 24 sem contar com os "piratas".
Na altura, a leitura concentrou-se obviamente nos discos que já conhecia e num ou noutro aspecto de críticas menos favoráveis a discos que agora entendo são igualmente bons e imprescindíveis para audição cuidada e repetida, como Bongo Fury ou Orchestral Favourites, ou mesmo Sleep Dirt.

Relativamente a este disco, lembro-me de o ouvir em Coimbra, em 1979, altura em que saiu por cá, na discoteca Vadeca perto do largo da Portagem e com uma qualidade que nunca mais esqueci a referência sonora.

Em Junho de 1980 nova capa da revista.

E em Fevereiro de 1982 idem, a propósito da visita de Zappa a França, com  artigo sobre os novos projectos do compositor, nomeadamente um álbum triplo instrumental e com solos de guitarra que se vendeu por via postal, apenas, nos EUA: Shut up and play your guitar, título genérico do álbum 3 record set.
O artigo da revista era de Jean-Marc Bailleux, um dos críticos cujo gosto musical mais apreciava.


Assim começaram os eighties...e estas são as capas dos discos que os precederam. Os últimos quatro deveriam integrar o projecto do álbum Lather. Bongo Fury saiu em Outubro de 1975; Zoot Allures, em Outubro de 1976; Zappa in New York em Março de 1978; Studio Tan, em Setembro de 1978; Sleep Dirt, em Janeiro de 1979 e Orchestral Favourites em Maio de 1979.  Estes quatro discos foram todos publicados à revelia de Zappa e não tiveram a intervenção do músico na concepção da capa, motivo porque à excepção de Zappa in New York, não têm letras ou referências aos músicos intervenientes.
Em Março desse ano tinha saído também Sheik Yerbouti, porém, sendo um disco publicado por Zappa, na nova etiqueta Zappa Records ( a que actualmente tem republicado em cd a discografia) é já um disco das década seguinte e terá atenção devida porque é um dos melhores do compositor.