terça-feira, 9 de abril de 2013

Frank Zappa nos oitentas

Desde o início da década de oitenta que a música de Zappa fazia outro sentido para mim, diverso do que me tinha agradado com a trilogia Overnite Sensation-Apostrophe(´)- One size fits all.

Um dos primeiros discos que comprei, em 1982, foi precisamente o disco de Zappa, duplo, You are what you is que é uma continuação musical do estilo anterior, de Joe´s Garage e Sheik Yer bouti.
Durante o ano de 1981, em Maio,  tinha saído Tinsel Town Rebellion, lp duplo,  na etiqueta Barking Pumpkin Records, recém formada e em alusão à cabacinha de Halloween americano, a fumar e tossicar ( pelos vistos a mulher de Zappa tossicava por causa disso e Zappa era assim que lhe chamava) e um gato assustado em logotipo.
De Tinsel town lembro-me de ouvir o título tema no rádio e pouco mais. Evidentemente, com o passar dos anos tornou-se um disco mais importante, com o tema For the young Sophisticated, Fine girl e o lado 4, mais jazzístico.
No mesmo mês e ano sairam ainda discos de Zappa em edição especial, vendidos primeiro por via postal e anunciados nos media. Shut up ´n play  yer guitar, apresentou-se como um disco triplo e ao título seguinte, Shut up n´play yer guitar some more , juntava-se o terceiro, The return of the son of shut up n´play yer guitar, reunidos numa caixa com foto de Zappa com guitarra ao colo e numa foto apelativa pela commbinação cromática. Nunca ouvi tais discos, principalmente por saber que são exclusivamente instrumentais e apenas com solos de guitarra, retirados de espectáculos ao vivo.
Portanto, logo que saiu You are what you is, em finais de 1981 aprontei os ouvidos para escutar com atenção. O disco, duplo, o primeiro de Zappa que comprei, da etiqueta CBS que então passou a distribuir o produto em Portugal ( o disco de Simon & Garfunkel, The concert in Centrak Park, saído na mesma altura também era distribuído pela CBS Portugal) trazia um tema imperdível, Harder than your husband, do mesmo estilo que Bobby Brown uns anos antes. Mas trazia ainda uma sequência de temas dedicados à "society" americana e Any Downers, Goblin girl, Charlie´s enormous mouth, Conehead ou dumb all over, Doreen. O primeiro, Teen-age wind, fora composto em poucos minutos depois de um músico ter dito a Zappa que conhecia o músico Christopher Cross que nessa altura estava nos "tops" com "ride like the wind". Zappa terá dito na altura que "ah! dêem-me aí um lápis e papel e escrevo uma coisa dessas em cinco minutos". E se bem o disse melhor o fez.


O disco foi o que se aguentou até 1983, com a saída de The man from Utopia que também comprei quando saiu, igualmente da CBS Portugal e que custou 475$00.
Antes, em 1982 tinha saído Ship arriving too late to save a drowning witch que pouco ouvi porque não me interessava por aí álém a música que ouvia. Porém, erro meu, má fortuna. A música de Drowning witch é também impecável e só dei por isso há pouco tempo. Porém, o single Valley Girl, com a filha de Zappa, Moon, a cantar desencorajava-me a ouvir mais.


No entanto, esse disco tinha uma particularidade: a recomendação de Zappa na capa interior para o disco ser preferencialmente ouvido em colunas  JBL 4311 ou equivalentes e com os controlos de loudness desligado e os do preamplificador em posição "flat".
Nunca ouvi o disco numas JBL ou equivalentes mas é um disco gravado digitalmente e com uma equalização interessante, tal como os anteriores, aliás.



O seguinte, The man from Utopia, saído em Março de 1983 ainda tinha uma gravação e equalização mais marcante nos baixos, particularmente Tink walks amok ou Stick together ou mesmo Sex. O tema The radio is broken, uma espécie de rap, tem uma passagem rítmica algo complexa com o baixo de Scott Thunes a ronronar um riff dos The Knack, em My Sharona, um hit da altura.
O disco servia para testar a aparelhagem nas frequências baixas e é dos discos que menos aprecio de Zappa e cujo material menos me interessa. A capa é de um ilustrador italiano, Liberatore, que na época desenhava na revista Frigidaire ( uma espécie de Actuel transalpina ou uma el Vibora espanhola ou mesmo uma Face inglesa).

2 comentários:

Luciano Craveiro disse...

Sou fã incondicional do Zappa. :)

josé disse...

Então tente ouvir os discos em lp versão original e ouvirá de novo o que era a música genial dessa época.