quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Os estrangeiros da música

No final dos anos sessenta, início dos setenta, em Portugal a música ouvida não se resumia a playlists de sonoridades anglo-saxónicas.

Havia música de diversas proveniências na rádio e em discos à venda.

Para além da brasileira que cantava na mesma língua, vinham sons de outros lugares distantes.

Cantores franceses e francófonos, para além dos reis do disco da época, Adamo, Christophe ( Aline muito antiga, mas presente na memória como se fosse hoje ), o incontornável Je t´aime, moi non plus, de Jane Birkin e Serge Gainsbourg (que foi proibida de divulgação na rádio, mas não na venda do single), Sylvie Vartan, Charles Aznavour, Michel Delpech ( um Wight is Wight memorável e que fixou a minha atenção em Dylan is Dylan), Serge Lama, mas também Françoise Hardy ( fantástica voz sumida e feminina até mais não que cativava todos os interessados da época, como se mostra exuberantemente neste Ce Petit Coeur ou o ainda mais perturbador A quoi ça sert), Gilbert Bécaud, Georges Moustaki (o Meteco com a companhia já conhecida e Avec ma solitude ou mesmo Joseph) , Serge Regianni ( La femme qui est dans mon lit...uma das mais belas canções que conheço... sobre o tempo que passou), Georges Brassens, Leo Ferré e Jacques Brel, ( ne me quitte pas)ouviam-se regularmente. Italianos também, para além das Gigliolas Cinquetis e outros Cláudio Villa, como Sérgio Endrigo. E espanhóis também, sendo as figuras maiores, o catalão Patxi Andión ( Uno dos e tres) e os espanhóis Aguaviva:

Joan Manuel Serrat, Paço Ibañez, Patxi Andión, Waldo de Los Rios ( um Hino à Alegria memorável e que me transporta imediatamente até a essa época, principalmente aqui), até Los Bravos ( black is black) ou Mocedades ( eres tu, na Eurovisão) e principalmente…Aguaviva.

A música dos Aguaviva, hoje em dia muito esquecida, vem de final dos anos sessenta, e sumiu-se bem cedo do interesse público. O primeiro disco, Cada ves mas cerca, é de Janeiro de 1970 e tem dois êxitos certos: Cantaré e Poetas andaluces, tema repetido em 1975 e que dá o título ao disco Poetas andaluces de ahora.

O grupo espanhol de música representada em palco, numa abordagem tipo music-hall, chegou a apresentar-se em Portugal, no início de 1971, no Teatro Villaret.

Em Junho de 1971, a revista Mundo da Canção, publicou Me queda la palabra, do álbum Apocalipsis, segundo do grupo.

Em Setembro de 1972, a mesma revista publicou novo texto sobre o grupo, a propósito do álbum La casa de san jamas, um disco conceptual.

A música de Aguaviva, de Manolo Diaz e José António Muñoz, no início era servida pelos poemas esquerdistas de Rafael Alberti, com pendor geral para esse lado, embora a música estivesse por cima.
A sonoridade do LP de 1975, Poetas andaluces de ahora, é um clássico da música espanhola. Um álbum conceptual e de música classicamente perdurável, de Dos Cuchillos a Pon tu cuerpo a tierra, é um dos discos maiores da música popular espanhola.
























































Do mesmo tempo, estes portugueses, publicavam assim:


















O single de Duarte & Ciríaco e a capa do primeiro LP de Fausto, cortesia de Luís Pinheiro de Almeida.


2 comentários:

ié-ié disse...

o "mundo da canção" nº 11 (OUT70) tem uma mini-entrevista com os aguaviva

Luís

Eduardo F. disse...

Olá, no RYM, falei com um amigo holandês - que fiz por ele ter votado em quase todos os álbuns do Fausto - e eis o que ele me disse:

"We should petition the LP owner to make mp3, well honestly that would be up to Fausto."

Luís, se me / nos lês, faz isso!
Ou então, que mais pormenores tens sobre essa já tão famosa edição em formato cd?

Força nisso!
Vamos furar o esquema.
Ou tirar este pauzinho da engrenagem...