sexta-feira, 21 de março de 2008

Mais música inglesa

Barclay James Harvest é um dos grupos ingleses cuja primeira audição, em 1974, aconteceu no rádio e no programa Página Um da Rádio Renascença, para mim o programa farol, da divulgação das novidades da música popular, em 1974 e 1975.

O tema Child of the Universe, do LP Everyone is everybody else, passava constantemente, no início de 1975. Tal como Mill Boys e Poor boy blues ou Negative Earth.

A música dos BJH, assemelhava-se a uma versão mais singela e menos pomposa da dos Moody Blues. De tal modo que havia quem os considerasse os Moody Blues dos pobres...

Porém, em 1975, esses temas a que se juntavam os do disco ao vivo, Live, desse mesmo ano, eram um regalo auditivo para os apreciadores das melodias e harmonias simples.

Segundo o animador do programa, Luís Filipe Martins, o disco ao vivo, apareceu na altura, com uma versão em quadrifonia, numa percursão do actual surround sound em 5 ou sete canais.

Ao mesmo tempo que passavam temas de Everyone, repescavam-se outros de discos anteriores, como de Once Again, de 1971. Mocking Bird e Galadriel merecem um ouvido atento.

No final desse mesmo ano de 1975, saiu o LP, Time Honoured Ghosts. Um disco que se escuta do primeiro ao último tema, como alguns dos Moody Blues, não se escutam...

Em 1976, o disco seguinte, Octoberon, já não tinha grande interesse, tirando a última faixa.

Time Honoured Ghosts, foi o disco que recuperei agora, na sua versão original, numa das lojas de Londres.

Na época, o jornal Melody Maker, inglês até mais não poder, ( e já desaparecido de circulação) anunciava o disco do modo que segue.

O mesmo jornal, na contracapa publicava um anúncio que sujava as mãos, com a tinta do jornal, a um disco dos Man, Maximum Darkness. Nunca ouvi esse disco, mas só pelo anúncio, sempre tive vontade disso. Uma guitarra Gibson SG ( a mesma usada, por vezes, por Frank Zappa) e um lettering da capa, a fazer lembrar o ilustrador Rick Griffin, autor do logotipo da Rolling Stone. Para mim, costumava chegar para ouvir um disco. Mesmo que fosse apenas a ler...ou a ver, como é o caso.


1 comentário:

Eduardo F. disse...

(Quem escreve tem menos 7 anos que o disco laranja: )

AH!! Então é por isso que eles ficaram tão conhecidos por cá.

Tenho o exemplo de duas tias minhas que têm discos dos Barclay. E, antes de saber disso (quando nos faltam as referências é como se não víssemos o que está mesmo à nossa frente), eu já tinha ouvido os álbuns de 75 e 76. Foram aliás dos primeiros Lps que conheci e dos primeiros a tocar no único gira-discos que tive até agora (e que continuo a usar, quase todos os dias...)

O álbum de 74 apenas o conheci mais tarde. (Aliás, deixem-me dizer que foi dos BJH o primeiro cd que eu comprei! Mas eu até duvidava se eram os mesmos que eu tinha ouvido... O meu primeiro cd chama-se "Caught in the Light", e é de 1993. Não é mau o disco, mas o som é tão diferente...

Eu acho que o "Times ..." é o melhor álbum deles. O "Live Tapes" apresenta a força deles ao vivo, coisa que nunca se vislumbra nos discos de estúdio.

O "Octoberon" não é assim tão mau, amigo. Gosto da parte final da (algo bacoca, reconheço...) "Baby Believe in Me", e sobretudo da "Ra", que transmite mesmo um calor tórrido, como que "hipalagiando" (deixe-me criar este termo, eheh) a letra, relativa ao deus egípcio do sol.

E outra coisa que partilho convosco: os BJH foram tão importantes no meu gosto musical (foram a janela por onde comecei a conhecer a música pop e tudo à volta, até onde os meus ouvidos gostam de chegar) que uma das minhas bandas preferidas são os Moody Blues, banda para a qual passei de seguida.

Sim, os BJH eram uma espécie de segunda linha do sinfonismo pop dos Moodies, mas convém dizer que uma música como a "For no One" tem mais mellotron que qualquer do grupo de Birmingham.

Abraço!