quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Walkman da Sony

Publicidade americana ao primeiro Walkman, da Sony, em 1979.

Este pequeno aparelho electrónico, inventado pela Sony, de Akio Morita, em 1979, foi desenvolvido até chegar ao topo, em 1984, com o Walkman, pro d6c que figura abaixo.
Este pequeno aparelho de gravação e reprodução de cassetes, tem um som fenomenal.

Lembro-me de ouvir um dos modelos originais, no início dos anos oitenta, trazido do estrangeiro.
Com uns pequenos auscultadores de grande qualidade sonora, o estéreo nunca me pareceu tão perfeito na alta fidelidade. E foi certamente uma das experiências sonoras mais marcantes e relevantes, de todas as que fui experimentando ao longo dos anos.
Para além disso, o design e apresentação não fica atrás da qualidade sonora, sendo uma autêntica obra de arte industrial.

















segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Andrew Wyeth, 1917-2009

Andrew Wyeth morreu na semana que passou, em 16 de Janeiro, com 91 anos.

Ainda há dias publiquei uma ilustração de Wyeth, belíssima no expressionismo abstracto que era a sua marca artística.

Ainda sem o saber, o meu primeiro contacto com a obra de Wyeth, ocorreu no final do ano de 1975, quando comprei a Rolling Stone, de 24.10.1975, a primeira com uma capa assim:


A ilustração, da autoria de Jamie Putnam, era acompanhada da referência explícita: "with apologies to Andrew Wyeth".

E compreende-se perfeitamente, porque é um plágio da obra do mestre, Christinas´s World, pintada a têmpera, em 1948 e exposta no Museu de Arte Moderna em Nova Iorque.




Posters

No início dos anos setenta o costume de coleccionar posters de grupos e artistas da música popular, e não só, era aproveitado pelas revistas para potenciar vendas.

Uma revista alemã, a POP, fazia disso o assunto principal, com posters desdobráveis que atingiam dimensão de metro.



Nunca tive esse hábito de coleccionar posters avulsos,mas há dois que ficaram na porta do quarto durante uns anos. Um deles, o dos Rolling Stones, estragou-se e outro, o dos Chicago, não teve melhor sorte. Foram os únicos que adornaram o local ( para além do clássico Che Guevara com uma luz indirecta e avermelhada, que incidia no brilho do mesmo. Esse, sobreviveu).

O dos Rolling Stones, publicita o LP Exile on main St, de 1972 e foi conseguido numa loja de discos da Sonolar; o dos Chicago, dá conta do disco VI, de 1973 e foi publicado como suplemente a um jornal, segundo suponho.


domingo, 18 de janeiro de 2009

Beatniks e Albatroz

No número 18 do jornal Disco-música & moda, publicado em 15.10.1971, fazia-se uma referência breve, na página 3, a "um novo grupo português": os Albatroz; ao mesmo tempo, na página 4, outra brevíssima nota, mencionava os Beatniks e a sua nova formação.

No mesmo número dá-se conta da entrevista com os Albatroz, a publicar no número 19. Que não tenho em arquivo.


A cópia legível, desses artigos do nº 18, é a seguinte,bastando clicar para ampliar a imagem:




sábado, 17 de janeiro de 2009

Primavera de 1977

A propósito da capa de um disco de Minnie Riperton, publicada no ié-ié, saltaram memórias de ter vista tal capa, em anúncios antigos, em revistas.


As revistas são americanas e saíam por cá, com algumas semanas ou meses de atraso. Era um regalo, poder ver nessas revistas o que por cá nem aparecia, por vezes. Ler críticas de discos nunca ouvidos, ver imagens de artistas desconhecidos e poder acompanhar a evolução da cultura e música populares desses anos.

Cada passagem no quiosque ou nas livrarias que também vendiam revistas, como a Bertrand, no Chiado, na Portagem de Coimbra, na Stº António, no Porto, ou mesmo em Viana do Castelo onde está situada numa das zonas mais belas da cidade, era um momento de prazer espiritual, com a vista das novidades.
As revistas sempre despertaram em mim um fascínio digno de indagação psicanalítica. As capas apelativas, com os títulos e artigos anunciados, acompanhados das imagens criadoras de beleza estética, sempre foram motivo para interesse de coleccionador.
Raras vezes resisti a uma revista com assunto apelativo, por isto ou por aquilo. O único óbice, na altura, era a disponibilidade de cobres ou papel-moeda nos bolsos. Em tendo, era chapa gasta no objecto de desejo. E coleccionado, porque valia sempre uma leitura posterior.
Há revistas que li dezenas ou centenas de vezes, ao longo de décadas. Quando revisito algumas delas, sinto uma espécie de máquina do tempo em funcionamento, que me transporta imediatamente para as sensações da época ou para a beleza de certas situações ou imagens ou ainda para a categoria da escrita de certos autores.
Os discos, livros ou assuntos à roda, liam-se primeiro, antes de serem ouvidos e viam-se antes de serem lidos.
Há imagens e textos nessas revistas que me colocam no tempo, como se o tempo não tivesse decorrido, numa impressão que ficou, duradoura e virtual, sempre à espera de ser retomada.
Daí que sempre que surge a oportunidade de retomar o fio do tempo, não perco um segundo.
Tal como agora, com a imagem do ié-ié.
O disco em causa, nunca o ouvi. A capa em causa, nunca a vi, na realidade. O que vi e lembro bem, é o contexto em que tal disco foi publicitado. Apenas isso e basta para fazer uma pequena incursão na Primavera de 1977, ano de grandes recordações musicais e não só.

Em primeiro lugar, na revista Rolling Stone, de Março de 1977, onde foi publicado pela primeira vez o anúncio do tal disco. Nem sequer é o disco, mas apenas a pose da cantora no sofa, com lettering country, a lembrar a do disco Harvest, de Neil Young. O facto de ser publicado logo na página de abertura da revista, em destaque isolado e ao lado da ficha técnica, dá conta do valor que a etiqueta dava a essa publicidade que se revelou eficaz para fixar na memória.





















A publicidade da RS, revela-se mais interessante do que a da Crawdaddy do mês de Março de 77, inserida numa página ímpar e com acompanhamento de cartas ao director. A imagem da capa da revista de Abril de 77, essa, é um must do surrealismo fantástico que naqueles tempos era normal ver nas capas de revista.





















Nas páginas interiores da Crawdaddy de Abril 77, , surge uma imagem de Steve Miller, o joker que foi motivo de cópia para desenho, no ano seguinte.




















Ainda nas publicidades de Abril, a Crawdaddy, relevava estes dois discos:






















segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Dylan 1976-79

Imagem da Rolling Stone de 23.10.1975.

Uma das coisas que me agrada, nestes escritos particulares, é a rememoração de datas e factos, alguns deles esquecidos e repescados para a ribalta da memória activa.
A descoberta da música de Bob Dylan, ocorreu mais ou menos como descrito antes. O single George Jackson, acompanhado pela sonoridade do Concerto para o Bangla Desh, deu corpo ao interesse já mediatizado na figura mítica de Dylan. Michel Delpech, cantava Wight is Wight, Dylan is Dylan e este verso, resumia a mitologia que rodeava a figura do cantor americano.

Em Outubro de 1975, depois de ter ouvido bem Blood on the tracks, sentia-me completamente conquistado pela música e imaginário de Dylan, reparando no que se publicava a seu respeito, mesmo sem conhecer discos anteriores, bem mais importantes do que os da época e futuros.

No final do ano, comprei pela primeira vez a revista Rolling Stone, que trazia na capa, a imagem de Patty Hearst, herdeira do império jornalístico e ao mesmo tempo, seguidora de um grupelho revolucionário, depois de ter sido raptada e integrada no seio do mesmo.
A revista foi comprada em Coimbra, na livraria Bertrand, do largo da Pportagem, onde se vendia acompanhada de outras revistas americanas e francesas que me despertavam a atenção.

Logo nas primeiras páginas, uma foto que me pareceu fantástica, dava conta, no texto que a acompanhava, de um espectáculo de Bob Dylan, em homenagem a John Hammond o publicista que o deu a conhecer à editora Columbia e o contratou. Numa época em que as fotos de Dylan eram raras e as mesmo as revistas estrangeiras não eram generosas na mostra iconográfica, qualquer informação visual sobre o artista, era uma pequena maravilha.

A foto, publicada acima, pode ser vista e agora com o You Tube até pode ser vista e ouvida a música que então tocava, por ocasião dessa reunião. No caso, Hurricane, do disco Desire ( aqui numa versão superior à do disco, mesmo com o violino irritante de Scarlett O Hara), saído em 76 e que foi uma desilusão em relação a Blood on the tracks.

Mesmo assim, só em Março de 1976, com a Rock & Folk, descobri a imagem dos discos anteriores de Bob Dylan, particularmente de Blonde on Blonde de que já lera maravilhas e ouvira eventualmente uma ou outra cançãoo ( Just like a woman ). O disco, esse e os outros, só nos anos oitenta, vim a ouvi-los com toda a atenção e a reconhecer que Bob Dylan é um artista grande da música popular que disse tudo nos anos sessenta. Porque esses primeiros discos, são verdadeiros clássicos.





















Imagens da Rock & Folk de Março de 1976.

Em 1978, na sequência destes textos e imagens, quando saiu o disco Street Legal, a penúltima tentativa de Dylan., em fazer um disco minimamente interessante ( a última foi com Slow Train Coming, do ano seguinte), apareceu uma entrevista na Rolling Stone, a Jonathan Cott, o intelectual de serviço.
Nessa época, já a Rolling Stone deixara de aparecer nos locais de venda habituais, e a portuguesa Música & Som, no número de Abril de 1978, publicava a primeira parte da entrevista, num exclusivo que me sabia a caçar com gato, em vez do cão original.
Também nessa altura, Dylan já tinha lançado o disco ao vivo Hard Rain, que pouco tem a ver com Before the Flood. Tinha ainda lançado em finais de 1975, o duplo Basement tapes, recolha de velhos temas pirateados nos White Wonders, míticos, dos anos sessenta. Viria ainda a publicar, em 1979, outro disco ao vivo, At Budokan, também de relativo interesse.
Dylan, musicalmente, para mim, ficou aí, faz agora trinta anos.

Só tempo depois, descobri a capa original da revista Rolling Stone que sempre quis coleccionar, por causa disso mesmo. A Rock & Folk francesa, até lhe copiou o motivo, num desenho de Solé, na edição de Julho de 1978.


domingo, 11 de janeiro de 2009

Bob Dylan- 1975




















Imagens de capa de cassete e foto da digressão de 1974 ( Uncut- Janeiro 2005)

Em 18.2.1975, o Página Um, da Rádio Renascença, passava pela primeira vez os acordes de Idiot Wind, do lp Blood on the tracks. Anunciado como o novo disco de Bob Dylan, vindo de Londres para o programa, trazido por mão amiga.
Nos dias e semanas que seguiram, o disco passou sempre no programa, com destaque para Lily Rosemary and the jack of hearts, You´re make me lonesome when you go, Tangled up in blue e Idiot Wind.

Durante os anos que seguiram, este disco de Bob Dylan, passou a ser a referência da sua música.
Além do mais, porque só mais tarde vim a conhecer integralmente a obra-prima Blonde on Blonde, de 1966; e principalmente, os primeiros discos do cantor, com destaque para Highway 61 Revisited, que contém o clássico Like a Rolling Stone, com uma versão notável no Before the Flood. Sempre que a ouvia no Página Um, ou noutros programas que depois passavam discos integrais, nos anos setenta, era uma festa auditiva.

Mais tarde vim a saber outros pormenores sobre Blood on the tracks. O disco foi gravado em Nova Iorque e já em Dezembro de 1974, pronto a seguir para os escaparates, foi regravado por Dylan na versão final que acabou por aparecer.
Algumas canções da primitiva versão podem ser ouvidas na colectânea Bootleg series vol I-3. Uma ou outra, até será preferível à versão defintiva. Por exemplo, Idiot Wind.





















Imagens da Uncut de Janeiro 2005 e Rock & Folk de Fevereiro 1975


Por outro lado, o Lp original, trazia na contra-capa, um texto de Pete Hamill, crítico musical americano e que em edições posteriores foi suprimida, substituida por um desenho. a toda a largura. Ainda fui a tempo de ver a edição original, francesa, com o texto de Pete Hamill. que aliás, pode também ser lido, na versão em sacd do disco, saída em 2003 e de grande qualidade artística e técnica.

A versão original do disco, aparece nestas imagens tiradas da Rede, de um disco canadiano.

Bob Dylan 72-74























Entre 72 e 74, a música de Bob Dylan, não teve qualquer impacto especial, na minha atenção da altura. Em finais de 1973, o filme Pat Garrett & Billy the Kid, produziu apenas uma canção que aliás passava no rádio: Knocking on Heavens door.
O disco do ano seguinte, Planet Waves, também passou no Página Um, mas sem grande relevãncia auditiva, porque em finais desse ano, o estouro era Before the Flood.
Um disco ao vivo, duplo, de Bob Dylan, com os seus grandes êxitos e acompanhado dos The Band, o melhor grupo que o acompanhou alguma vez.

O disco, é um refresco musical, na música de Dylan, dando conta dos vibrantes concertos por toda a América do Norte, durante o ano de 1974, relatados na imprensa da época ( Rolling Stone e Rock & Folk) como acontecimentos musicais de relevo.

A minha atenção particular, nesse aspecto da escrítica, não chegou a tempo de ler as crónicas ditirâmbicas sobre os concertos, publicadas nessas revistas ao longo do ano de 1974. Só em Outubro desse ano, comecei a ler a Rock & Folk, com regularidade e a crítica detalhada ao Lp Before the Flood, aparecera no número de Agosto de 1974, com capa dedicada a David Bowie e uma menção aos Sparks que verdadeiramente só começara a ouvir no fim do ano, no Página Um. Quanto à Rolling Stone, só no ano seguinte comecei a dar atenção ao conteúdo da revista que aparecia regularmente nos escaparates da Livraria Bertrand local. O primeiro número que folheei a contar com o dinheiro no bolso, foi o de 24 de Abril de 1975, aparecido por cá uns dois meses depois...e num tempo em que já ouvira o disco seguinte de Bob Dylan, uma pequena maravilha sonora: Blood on the tracks.

No entanto, em Setembro de 1973, uma capa da Rock & Folk, com uma imagem de Dylan, retirada do filme Pat Garrett, pusera-me a pulga atrás da orelha auditiva.



Por isso, em 1974, estava mais que preparado para voltar a ouvir o Dylan clássico, com Before the Flood. Acho que foi nessa altura que recortei a letra it ain´t me baby, que ficou colada num dos lados da estante, durante uns anos...tantos que o papel amareleceu.



Bob Dylan

Em finais de 1971, Bob Dylan publicou uma colectânea de Greatest Hits, vol II. Na sequência dos concertos para o Bangla Desh, na companhia de George Harrison, Bob Dylan, compunha um ano em que pouco produzira, de música original.
O triplo Lp, do Concerto, foi publicado também em finais de 1971. A participação de Dylan, com meia dúzia de canções, ficou registada em filme, editado em DVD, com extras, em 2005. Just Like a woman, desse espectáculo, vale a pena ver e ouvir.

No entanto, a música que no início de 1972, aparecia como verdadeiramente original, foi a de um single, também editado por Bob Dylan, no finald e 1971: George Jackson. O single, continha a versão cantada e no lado b, uma versão instrumental.
Lembro-me de ouvir o single, repetidamente, sem saber bem de que se tratava. Mais tarde, a informação obtida, dizia respeito à morte de um "irmão Soledad", um negro de esquerda revolucionária, dos Panteras Negras, preso e condenado por assalto a uma estaçãod e serviço, tendo sido morto, pouco tempo depois, em circunstâncias pouco claras e que suscitaram protestos das organizações de direitos civis, americanas, com destaque para Ângela Davis. As revoltas da prisão de Attica, algum tempo depois, terão sido influenciadas por estes acontecimentos da época.
A canção de Dylan, na altura, foi celebrada como um regresso aos temas de engajamento político, próprio do activista que Dylan, aliás, sempre recusou ser. Segundo a Rolling Stone da época, a sua condição judaica, impedia-o de certos compromissos mais esquerdistas.
Ainda assim, na época, deu brado e algumas estações de rádio AM, nos USA, recusaram-se a passar o single, com o pretexto de que a letra tinha a palavra...shit ( é o que conta a Rolling Stone de 6.1.1972, um número em que também se anuncia o disco de Elton John, Madman across the water que abre com Tiny Dancer e traz ainda um anúncio ao filme de Kubrik- Laranja Mecânica).
A canção disponível nesta versão do You Tube, é pirata. Não é a versão do single, mas é uma boa versão, eventualmente superior à orquestrada no single.
A capa do disco, é a que me lembro de ver na época e será de origem francesa. A imagem é dos concertos para o Bangla Desh ( tal como a do Greatest Hits Vol II) e é de um Dylan de 1971, em transição para a falta de inspiração que se seguiria e só viria a ser interrompida em 1975, com Blood on the Tracks.
Duranto o ano de 1974, no entanto, os concertos de Dylan com os The Band, foram uma das melhores coisas que apareceram em disco- o duplo Before the Flood que me reconciliou com o Dylan que gostava de ouvir e que passava muitas vezes no Página Um, de Luis Filipe Martins.



terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Cassetes de metal




segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

É só um quadro de Wyeth


Marsh hawk

domingo, 4 de janeiro de 2009

Pilote

Em 27.7.1972, a revista Pilote, originalmente publicada em França, dedicada à bd de expressão francófona, apresentava a sua história do rock em 9 páginas desenhadas por Solé. 3 delas, eram assim:






















sábado, 3 de janeiro de 2009

cópias

Por falar em cópias, uma das melhores, é uma destas que segue.
Qual delas, já agora?
Na verdade, a cópia, chegou a estar exposta em museus, como se fosse o original. E a história da cópia e motivos da mesma, vale a pena ler, no sítio do museu de Norman Rockwell.






















sexta-feira, 2 de janeiro de 2009

Tintin




















No final de 1972, a revista Tintin, na sua original edição belga, trazia todas as semanas, ao Sábado de manhã, o conduto artístico para os dias que seguiam, na expressão "à suivre" que prometia a continuação das historietas.
Uma dessas histórias desenhadas, com brio, era Michel Vaillant, o piloto-corredor de carros que saíam dos estúdios de Jean Graton, como bólides desenhados a compasso.

A história desenhada nessa altura, tinha uma vinheta que foi assim copiada.