sábado, 17 de janeiro de 2009

Primavera de 1977

A propósito da capa de um disco de Minnie Riperton, publicada no ié-ié, saltaram memórias de ter vista tal capa, em anúncios antigos, em revistas.


As revistas são americanas e saíam por cá, com algumas semanas ou meses de atraso. Era um regalo, poder ver nessas revistas o que por cá nem aparecia, por vezes. Ler críticas de discos nunca ouvidos, ver imagens de artistas desconhecidos e poder acompanhar a evolução da cultura e música populares desses anos.

Cada passagem no quiosque ou nas livrarias que também vendiam revistas, como a Bertrand, no Chiado, na Portagem de Coimbra, na Stº António, no Porto, ou mesmo em Viana do Castelo onde está situada numa das zonas mais belas da cidade, era um momento de prazer espiritual, com a vista das novidades.
As revistas sempre despertaram em mim um fascínio digno de indagação psicanalítica. As capas apelativas, com os títulos e artigos anunciados, acompanhados das imagens criadoras de beleza estética, sempre foram motivo para interesse de coleccionador.
Raras vezes resisti a uma revista com assunto apelativo, por isto ou por aquilo. O único óbice, na altura, era a disponibilidade de cobres ou papel-moeda nos bolsos. Em tendo, era chapa gasta no objecto de desejo. E coleccionado, porque valia sempre uma leitura posterior.
Há revistas que li dezenas ou centenas de vezes, ao longo de décadas. Quando revisito algumas delas, sinto uma espécie de máquina do tempo em funcionamento, que me transporta imediatamente para as sensações da época ou para a beleza de certas situações ou imagens ou ainda para a categoria da escrita de certos autores.
Os discos, livros ou assuntos à roda, liam-se primeiro, antes de serem ouvidos e viam-se antes de serem lidos.
Há imagens e textos nessas revistas que me colocam no tempo, como se o tempo não tivesse decorrido, numa impressão que ficou, duradoura e virtual, sempre à espera de ser retomada.
Daí que sempre que surge a oportunidade de retomar o fio do tempo, não perco um segundo.
Tal como agora, com a imagem do ié-ié.
O disco em causa, nunca o ouvi. A capa em causa, nunca a vi, na realidade. O que vi e lembro bem, é o contexto em que tal disco foi publicitado. Apenas isso e basta para fazer uma pequena incursão na Primavera de 1977, ano de grandes recordações musicais e não só.

Em primeiro lugar, na revista Rolling Stone, de Março de 1977, onde foi publicado pela primeira vez o anúncio do tal disco. Nem sequer é o disco, mas apenas a pose da cantora no sofa, com lettering country, a lembrar a do disco Harvest, de Neil Young. O facto de ser publicado logo na página de abertura da revista, em destaque isolado e ao lado da ficha técnica, dá conta do valor que a etiqueta dava a essa publicidade que se revelou eficaz para fixar na memória.





















A publicidade da RS, revela-se mais interessante do que a da Crawdaddy do mês de Março de 77, inserida numa página ímpar e com acompanhamento de cartas ao director. A imagem da capa da revista de Abril de 77, essa, é um must do surrealismo fantástico que naqueles tempos era normal ver nas capas de revista.





















Nas páginas interiores da Crawdaddy de Abril 77, , surge uma imagem de Steve Miller, o joker que foi motivo de cópia para desenho, no ano seguinte.




















Ainda nas publicidades de Abril, a Crawdaddy, relevava estes dois discos:






















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