sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Ficção fantástica em banda desenhada

A bd de ficção fantástica em Fevereiro de 1972 quando comecei a ler o Tintin na edição portuguesa já era conhecida por outra via. A revista brasileira Realidade, uma espécie de Life com fotos e reportagens variadas sobre os temas mais diversos tinha já mostrado algo que nunca tinha visto antes.
Em Dezembro de 1971 essa revista que então comprei por 15$00,  trazia algumas páginas sobre a banda desenhada americana ( os comics), francesa e até brasileira a propósito de uma reportagem sobre a VII exposição de banda desenhada de Lucca, realizada em Novembro desse ano.

Foi aí que vi os desenhos de Druillet, na história de Lone Sloane e também de Forest, com Barbarella, de Hugo Pratt e Corto Maltese e os de Burne Hogarth que me marcaram pela perfeição de desenho da sére Tarzan que costumava ler em livrinhos de banda desenhada mais foleiros como o Falcão ou o Condor Popular.



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Para além do real- a ficção científica


A imagem acima, da autoria de Giger, publicada na revista francesa de cinema Première, de Abril de 1983, em publicidade ao Le Livre de Poche, mostra o fascínio do real ficcionado na banda desenhada, literatura e cinema que começou a atingir-me em 1974 e que tinha raízes provavelmente neste livro: Le Matin des Magiciens, de Louis Pawels e Jacques Bergier, comprado à cobrança, à Bertrand, em 7.12.1973 ( com factura e tudo). O desenho da capa do livro de bolso da Folio é de Gourmelin, também colaborador na Pilote. E como é que em 1973 descobri Bergier? Ainda estou à procura de saber...as referências. A revista Planète de que terei visto uma referência noutro sítio é uma pista,  mas não tenho a certeza. Talvez nos catálogos da própria Bertrand que nessa altura traziam muitas referências a livros de fantástico, com capas pretas e letras douradas, de Robert Charroux e outros. O livro, esse devorei-o, como se costuma dizer porque ia realmente para além do real.


 Giger tinha sido o autor da capa de um disco dos Emerson Lake and Palmer, Brain Salad Surgery, de 1973 e inspirou depois, com as suas ilustrações, cenários de filmes como por exemplo a série Alien, cujo último produto estreou este ano- Prometheus. La boucle bouclée.



A referência ao livro de Louis Pawels e Jacques Bergier , Le Matin des Magiciens, vinha no catálogo dos livros de bolso da Folio da Primavera de 1973.
Porém, antes disso, em 1972, a Bertrand tinha enviado o catálogo desse ano e lá vinha a referência a dois livros daqueles autores, incluindo o Despertar dos Mágicos. Deve ter sido por aqui que decidi comprar o livro, pedindo-o à cobrança.
No entanto permanece por esclarecer na minha memória como é que os nomes e essa obra surgiram como motivo de interesse. Ou foi pela leitura de jornais ou revistas ou pela consulta do livro em português, na própria Bertrand,  que aliás custava mais que a edição francesa da obra, em livro de bolso ( mais de 100 escudos contra 60 da edição francesa).




Tintin- o original e a edição portuguesa

Estas duas imagens idênticas e relativas à aventura de Bernard Prince,  resultam da edição portuguesa de 10.2.1973 e a edição original da revista, publicada em França, em 18.2.1971.

Caricaturas e imagens de bd 73-74

Estas caricaturas de Brigitte Bardot e de Georges Pompidou vi-as pela primeira vez na revista brasileira Realidade,de Junho de 1973,  num artigo consagrado à "Nova arte da caricatura", que a revista apresentava com o retrato de "três novos artistas franceses definem os caminhos do seu novo traço". Os artistas eram Claude Morchoisne, Patrice Ricord e Jean Mulatier, (na altura ambos com 26 anos) e as imagens eram extraordinárias de nuance e detalhe, como se pode ver. A de Pompidou é de 1970, segundo informa o livro Les Grandes Gueules, das edições du Pont Neuf, de 1980 ( cujas reproduções são graficamente inferiores a estas da revista Realidade).

Em 13.4.1974 a revista Tintin iniciava uma nova aventura de Bernard Prince ( a chama verde dos aventureiros) com esta imagem, também ela extraordinária.
Não obstante a grande qualidade desta historieta o Tintin, para mim, estava quase a findar. Durou até ao fim de 1974 e a partir daí só voltei a comprar um ou outro número em 1976 ( por causa de Tintin e os Pícaros, iniciada em 7.4.1976 e Lucky Luke e Psicanálise para os Dalton) e 1977 ( por causa de Bernard Prince e O Porto dos loucos).  O Tintin foi o veículo de introdução para a banda desenhada de ficção científica e aventuras mais adultas, do Pilote que descobri nesse mesmo ano e outras como a Métal Hurlant. !974 e 1975 foram por isso anos fantásticos nessas descobertas da arte da banda desenhada.
Além disso, como vim depois a descobrir também, mesmo com a informação da Realidade de 1972, aqueles caricaturistas trabalhavam para a Pilote e apareciam várias caricaturas dos mesmos em diversos números dessa altura, como por exemplo de Charlot ou Mao Tse Tung.


A imagem da caricatura de Brigitte Bardot publicada em Junho de 1973 pela Realidade foi publicada na capa da revista francesa de banda desenhada alternativa, Mormoil, em Dezembro de 1974.
A revista tinha colaboração regular de Morchoisne e Mulatier, entre outros e a fórmula da revista aparentava-se muito à MAD americana, embora com um conteúdo sexualmente explícito que a tornava "reservé aux majeurs penaux" e de circulação mais restrita, o que aliás se tornou quase moda em 74-75, mesmo entre nós, com a súbita abertura aos costumes mais liberais que se faziam sentir e tinham já dado em filmes como Último Tango em Paris ou mesmo abertamente pornográficos.
A revista francesa Ciné Revue por essa altura e eventualmente por esse motivo, era das mais requisitadas no escaparate da livraria Bertrand. 
Moschoisne desenhava historietas com personagens caricaturadas à moda da MAD, por um Angelo Torres ou o genial Mort Drucker que neste número de Dezembro de 1973 desenha uma paródia de The Summer of ´42.





terça-feira, 10 de julho de 2012

Hermann, Bernard Prince e Comanche

As aventuras de Comanche e Bernard Prince, desenhadas por Hermann foram das primeiras que me encantaram no Tintin, em 1972, tanto na edição portuguesa como na original, belga. Comanche descobri-a logo na edição belga com a saga dos Dobbs e o episódio Os lobos do Wyoming.

A historieta intitulada A Fornalha dos condenados, da série Bernard Prince,  publicada no Tintin nacional em 1973 tinha um conteúdo temático que ainda hoje é interessante: um incêndio gigantesco, numa ilha e as aventuras para de lá sair. As imagens, nas duas páginas semanais, sucediam-se com interesse renovado todos os Sábados. 
Tinha apanhado a historieta A passageira, da mesma série, logo no primeiro número do Tintin que comprei- em19.2.1972, a meio e tinha sido uma revelação gráfica.
No mesmo ano de 1973, em Março,  o Tintin belga começou a publicar uma das melhores historietas da série, se não a melhor- Guerrilha para um fantasma. O número da revista de 13.3.1973 tinha esta capa e contra-capa- uma pequena maravilha.









sexta-feira, 6 de julho de 2012

Banda desenhada, há 40 anos: essencialmente, o Tintin

Há quarenta anos, a par da música do rádio que ouvia religiosamente, havia a leitura de banda desenhada do Tintin que tinha descoberto no início desse ano de 1972, com o nº 42 de 11.3.1972, a par do jornal do Cuto, que já ia no nº 31 em 2.2.1972.
As diferenças entre as duas revistas eram de vulto. O Tintin baseava-se na banda desenhada franco-belga, publicando as historietas que apareciam originalmente no título homónimo originalmente belga e ainda a Pilote francesa. O jornal do Cuto publicava-se a preto e branco ( com excepção da capa e contra-capa) e trazia banda desenhada de expressão mais americana, mesmo do Sul ( A. Salinas, Arturo Castillo e Jesus Blasco, por exemplo) e ainda Alex Raymond ( Flash Gordon) ou Russ Manning ( Tarzan).

Uma historieta que me cativava há quarenta anos, nesta mesma altura, era a que abria a revista de 1.7.1972: "A missão do major Redstone" de Laudy e Duval. Mas também me interessava muito a história das aventuras de Lefranc, um repórter investigador, desenhado por Jacques Martin, com argumento de Bob de Moor.

Por essa mesma altura- Julho de 1972- comecei a reparar que a revista original, Tintin belga, também se vendia no mesmo local onde comprava a edição portuguesa, geralmente aos Sábados no final de manhã, antes das 12:30, altura em que a livraria Bertrand fechava.

Assim, em Agosto desse mesmo ano deixei-me tentar pelo primeiro número da revista, datado de 1.8.1972 e que trazia na capa uma ilustração de Dany sobre Olivier Rameau.
Porém, o prato forte da minha satisfação artística vinha nas páginas interiores: Comanche, de Hermann. Fantástica aventura e desenho fabuloso. Este:
Assim, quando vi na montra da livraria esta capa da edição de 15.8.1972 fiquei fascinado e rendido ao génio artístico de Hermann que comparava a Jean Giraud, autor de Blueberry.


O interesse nos Tintins durou cerca de dois anos. Em finais de 1974, a beleza e o fascínio dessas imagens impressas e as historietas que lhes davam forma, esmoreceu porque durante o Verão desse anos descobri a revista Pilote e o mundo desenhado ainda mais fascinante da fantasia heróica e da ficção científica, para além das historietas um pouco mais elaboradas da autoria de um Tardi, de um Fred ou de um Moebius. Pode dizer-se por isso mesmo que a adolescência ficou algures para trás e sem remissão, nesse período de tempo.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

40 anos, hoje

A inscrição na página da revista Mundo da Canção de Abril de 1972 faz hoje 40 anos. Por esta altura preparava-me para ouvir a Página Um, na Rádio Renascença, prestes a começar, às 19:30. Previsivelmente estava calor, como hoje não está e estava de férias como hoje não estou.
Ainda assim, belíssimas memórias me deixam estas coisas. O mês de Julho, a mim, cheira-me a palha e água de maré.
Na época o álbum Manassas de Stephen Stills e particularmente a canção What to do,  faziam as delícias da audição, tal como um tema de  dos Pink Floyd, Fearless, do Lp Meddle.






 

Em seguida ouvia-se Pedro Só, cantado por Manuel Freire. 1972 era assim e era muito bem.


domingo, 3 de junho de 2012

Manoeuvre e Moebius

Moebius, ( Jean Giraud)  o artista francês de Banda desenhada que por aqui tenho mencionado muitas vezes, morreu em meados de Março deste ano.
As revistas francesas da especialidade dedicaram números especiais ao artista, destacando-se este artigo de Philippe Manoeuvre, na revista dBD nº 63 de Maio deste ano.

Manouvre que então era redactor na revista Rock & Folk recorda os tempos de meados da década de setenta, tempo da criação da revista Métal Hurlant. As duas publicavam desenhos dessa banda desenhada que em França nunca esmoreceu ao longo dos anos porque tem um público fiel que não consome apenas Astérix ou Tintin.

As pequenas histórias que Manoeuvre conta são alusões a coisas que então também vivi. A descoberta da Déviation, desenhada a preto e branco na revista Pilote que descobri em 1974. O aparecimento da Métal Hurlant anunciado em primeira mão na Rock & Folk e cujas capas aí vi antes de arranjar o primeiro número no Verão de 1976 ( o nº 7). As imagens posteriores da Garage Hérmetique,já nos anos oitenta, particularmente a menção ao desenho que figurava Patti Smith como Major Grubert e que teve um efeito de esfuziante curiosidade e fascínio sobre a técnica elaborada do desenho a traço fino e pontos entrecruzados que Moebius praticava de vez em quando com uma mestria e talento assinaláveis.

A menção a Fellini que terá ido visitar o artista, com um desenho para autografar e que terá regressado sem autógrafo mas prefaciou depois um dos álbuns ( o célebre 30x30 que tanto cobicei na altura e agora é demasiado caro) etc. etc.

Para além destas memórias em tempo real, Manoeuvre escreve como ninguém, com uma categoria que me parece a perfeição escrita no estilo.
Não é a primeira vez que cito um escrito de Manoeuvre para o colocar nos píncaros da escritura deste tipo. Já o fiz com uma crítica que publicou em 1980, precisamente na Rock & Folk, sobre o disco Gaucho dos Steely Dan e que me dava um gozo danado ler.





quinta-feira, 5 de abril de 2012

Corrigan, agente secreto X-9 desenhado por Al Williamson




No início dos anos setenta, uma das leituras preferidas, no Jornal de Notícias que todos os dias lia na casa do meu avô paterno, numa mercearia de aldeia, eram as aventuras de Corrigan, o agente secreto X-9.
O jornal tinha o belíssimo hábito de trazer todos os dias umas "tiras" de banda desenhada de proveniência americana, via King Features Syndicate Inc. Uma delas está aposta no livro, na imagem do meio e respeita à aventura que se mostra na imagem mais abaixo, desenhada em 1973.
As tiras diárias ( menos ao fim de semana) desenvolviam as aventuras policiais de um g-man ( agente do FBI) que eram então desenhadas por Al Williamson, com argumento de Archie Goodwin. Os desenhos eram um must, a preto e branco e com sugestão de ambientes exóticos ( lamastérios nos Andes, por exemplo) ou na selva, mesmo urbana. Williamson esmerava-se a desenhar carros desportivos, como Porsches ou Jaguares e...mulheres, geralmente a entrar na meia idade e com silhuetas muito bem contornadas pelos vestidos.
Recentemente, uma editora americana publicou em série todas as aventuras desenhadas por Al Williamson. Já vai no volume III que abrange as tiras publicadas originalmente entre 1972 e 1974 e anuncia-se para breve um quarto.
As imagens mostradas são desse terceiro volume.

Os Byrds e os Eagles em lp

Estes três lp´s originais, de prensagem americana, mostram em termos sonoros tudo o que as gravações americanas da música popular oferecem de melhor.
As versões em cd sairam em 2000 ( dos Byrds, em edição rematrizada em 20 bits e também a dos Eagles do Lp Desperado).
Os Lp´s dos Eagles, do álbum Desperado de 1973, têm a referência AS 53008 ou K 53 008, de prensagem inglesa e de 1973 ( imagem em baixo à esquerda) e a versão original americana SD 5068 ( imagem à direita).
O som destes discos é diferente. O melhor é o lp original americano, sem margem para dúvida. Mais equilibrado e suave, com melhor recorte sonoro e definição espacial.

Quanto aos Byrds é a mesma coisa. Ouvir a versão rematrizada em cd, de Untitled é uma coisa. Ouvir o lp original é voltar a ouvir o disco de um modo diferente e com relevo sonoro.
Para além disso as capas são de uma consistência no material de cartão e na definição gráfica que não encontra paralelo noutras edições. A edição original de Desperado apresenta-se em cartão rugoso e a europeia em cartão lustroso.
O álbum Untitled, mítico durante uns anos para mim ( antes da saída em cd nunca o ouvira a não ser nos programas de Jaime Fernandes na rádio Comercial ou no programa 4, ainda nos anos setenta, com o título Country, música da América, em que passava os melhores expoentes desse género musical. Aliás, um indicativo de um dos programas de Jaime Fernandes foi em tempos o tema Nashville West que integra o lp Dr. Byrds & Mr. Hide) é uma maravilha ouvido no lp original, revelando todas as subtilezas sonoras de uma gravação impecável. É um prazer ouvir este disco.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Frank Zappa

Descobri a música de Frank Zappa em meados dos anos setenta, provavelmente em 1975 em programas de rádio. Antes disso tinha visto imagens e pósters do artista iconoclasta e lido um ou outro artigo em revistas de especialidade ( Rock & Folk).
Não me lembro qual foi o primeiro disco que ouvi mas poderá ter sido um dos quatro apontados na imagem, mais precisamente o do lado esquerdo ao alto, One Size fits all, saído no Verão de 1975. Ou então, o do ano anterior, Apostrophe, à direita ao alto. Ou mesmo Overnite Sensation, de 1973 e ao centro em baixo, espalmado para mostrar o desenho da capa.
Esses três discos de Zappa eram passados várias vezes nos programas Espaço 3P ( Boa noite em FM, Banda Sonora e Perspectiva), à noite. Lembro-me de um deles, provavelmente One size fits all ser da preferência de um magnífico apresentador de rádio que já morreu, Jorge Lopes e que fazia também locução em provas desportivas de atletismo.
A parte final do álbum, com o som grandioso de Sofa nº2, depois de ouvir Florentine Pogen, Evelyn a modified dog e outras era o culminar da experiência sonora da noite.
Desde então não mais esqueci os discos de Frank Zappa que procuro ter na versão original que soa bem melhor que as edições em cd, da Rykodisc, publicadas já depois da morte do artista em Dezembro de 1993.
Em 1976, o disco Zoot Allures, em baixo à esquerda foi o seguinte e depois desse, em 1978 Studio Tan e depois um disco instrumental, em 1979, Sleep Dirt que me lembro de ter ouvido a primeira vez na discoteca Vadeca, em Coimbra, possivelmente através de uma aparelhagem Quad, gira-discos Sansui e colunas de som da Wharfdale. Um som que ainda hoje lembro e que associo a outra música que aí ouvi na mesma altura: Driftwood do álbum Octave dos Moody Blues.
Por muita aparelhagem maravilhosa que me seja dado ouvir, esses sons nunca serão ultrapassados.
Depois desses discos de Zappa apareceram os dos anos oitenta, numa sequência infernal e prolífica que agora sabe bem ouvir mas na altura era demais. O tríptico Joe´s Garage e You are what you is, um dos primeiros discos que comprei, em 1982.
A discografia de Zappa é extensa e contém várias dezenas de originais. Todos de grande qualidade e variedade.
Os primeiros discos, dos anos sessenta, só os ouvi na década de 2000, em cd´s da Rykodisc.
Ultimamente ouvi novamente e muitas vezes os discos antigos dos setenta, na versão original em lp. Studio Tan e o tema Greggary Peccary é uma pequena maravilha, ouvida repetidas vezes assim como o são os três discos da sequência Joe´s Garage. Ou Sheikyerbouti. Ou Ship arriving too late; ou Them or us.

domingo, 11 de março de 2012

Blonde on Blonde outra vez

Estas três imagens, mais uma, do mesmo disco de Bob Dylan, Blonde on Blonde significam três sonoridades distintas. O disco já por aqui foi comentado em tempos. Porém, só agora me foi dado ouvir o LP original, na versão mono e com imagem à direita, em prensagem americana.
Os Lps alinhados são de origem espanhola, dos anos setenta ( referência S 66012 de 1971); checa ( referência 21 0065 6 1302, de 1991) e a original ( referência C2L 41, de 1966) e o cd da Columbia/Legacy, rematrizado em super bit mapping, com 20-bit digital, colecção Mastersound, de 1994.

Tal como a capa dos Lp´s. com tonalidades diferentes entre si, a cor que prefiro é a original, da direita. As cores estão mais suaves e calorosas. E o som também, embora reconheça que a versão em cd é de muito boa qualidade e a prensagem checa melhor que a espanhola. Contudo, a versão mono ouve-se melhor em auscultadores porque mais relaxante e equilibrada. E no interior da capa desdobrável, aparece uma foto de Claudia Cardinale que depois, em edições posteriores, desapareceu.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Neil Young: 40 anos de Harvest

Faz hoje 40 anos que foi lançado o álbum Harvest, de Neil Young nos Estados Unidos.
Na época, meados de 1972, a revista Mundo da Canção, de Julho desse ano, publicou uma recensão crítica que li várias vezes, para reconhecer as canções que passavam no rádio e na página anotei algumas músicas que passavam no programa Página Um de 5.7.1972. Destacava-se uma dos Manassas de Stephen Stills, "what do you do", na verdade intitulada "what to do", do lado quatro do disco também saído nessa altura.
4o anos já lá vão e Neil Young continua a compor e a tocar. Para este ano anunciava-se a segunda recolha dos seus Archives, precisamente para além de 1972 e do disco Harvest, escutado vezes sem conta ao longo destes anos e recolhido em vários formatos: primeiro em lp, depois em cd normal e por fim em dvd-audio e finalmente em blu-ray, na caixa publicada há tempos.




domingo, 12 de fevereiro de 2012

JBL L100

Estas colunas de som, numa publicidade de uma revista americana ( National Lampoon, de Abril de 1973) são as celebradas JBL, modelo Century ou L100, produzidas para reproduzir em casa, em preço mais apelativo, o som dos monitores de estúdio com modelo 4310 e sucedâneos ( 4311 e 4312).

No início dos anos setenta estas eram as colunas que serviam de referência para ouvir em estúdio, com qualidade profissional, o som gravado. Em 1982, Frank Zappa, no disco Ship arriving too late to save a drowning witch, recomendava:
"This album has been engineered to sound correct on JBL 4311 speaker or an equivalent. Best results will be achieved if you set your pre-amp tone controls to the flat position with the loudness control in the off position. Before adding any treble or bass to the sound of the album, it would be advisable to check it out this way first. F.Z."

O assunto ainda suscita debates em fora, na Rede, mas o que me interessava então, para além do som de que não me lembro, era o aspecto exterior, o design industrial do produto.
Lembro-me de ver este tipo de colunas expostas em montras de aparelhagens e ficar perdido de amores platónicos por elas. Para mim, eram demasiado caras e portanto, ficaram sempre nesse patamar de admiração: ao longe e mitificado.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Hi-Fi 1974


Em finais de 1974 a revista Oui americana, publicou estas quatro páginas sobre a Hi-Fi da altura, com um produtor discográfico não identificado e que aparece nas imagens a fazer de guia dos aparelhos mostrados.
As imagens eram e continuam a ser demasiado apelativas daquilo que a indústria do som tinha então para oferecer de melhor. Eram aparelhagens que colocavam no ambiente caseiro o que de melhor havia nos estúdios de gravação. Previa então o dia em que " a home stereo system can be a home stereo and recording system. In a sense that day is already here."
Ainda não estava porque só com o advento da tecnologia digital se concretizou tal desiderato.
Mas o que então havia, em modo analógico é ainda uma pequena maravilha tecnológica.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Banda desenhada-"livrinhos de cóbóis" e primeiras histórias desenhadas

O filme de Clint Eastwood que agora estreou sobre John Edgar Hoover, trata da biografia do antigo director do FBI durante quase 50 anos ( de 1924 a 1972, altura da morte daquele). Numa das cenas refere-se a propaganda à agência de informação em "comic books".
Não tinha dado atenção a tal facto até agora, mas quando era criança, uma das leituras que preferia era esta revistinha que trazia as "aventuras do FBI", lógica sequência daquelas publicações de origem norte-americana que as agências de revistas de cá traziam à estampa.

Como se pode ver por esta capa de revista de época, a figura de Edgar Hoover fazia mesmo a capa...com o relato de supostas aventuras baseadas em casos reais.

Ainda sobre o filme de Eastwood sobre J.Edgar Hoover, um dos casos relatados que o FBI resolveu através do recurso a métodos de polícia científica, foi o do "bebé Lindbergh". A primeira vez que li algo sobre o assunto, muito falado nos EUA, nos anos 30, foi na revista Selecções do Reader´s Digest, versão brasileira e que por cá se vendia.
Por volta de 1970, comprei esta revista numa banca de revistas usadas nas arcadas do café Arcádia em Braga. Relatava a segunda parte do artigo em que se descrevia o rapto do filho de Charles Lindbergh e a história da descoberta da autoria do crime. Fantástico.


No meio editorial da época ( anos sessenta e setenta) estas revistinhas de "cobóis" eram o must de leitura. A fantasia das historietas desenhadas durou enquanto não descobri o Tintin, o Jornal do Cuto e outras revistas, de expressão francófona, como a Pilote e depois a Métal Hurlant.

Porém, tudo começou com estas historietas dos anos sessenta publicadas ao Domingo, num suplemento ilustrado do Primeiro de Janeiro que se publicava no Porto e o meu pai comprava. O Coração de Julieta ainda não era o item preferido, mas com o tempo passou a ser...

Antes havia o Príncipe Valente e as aventuras dos cavaleiros da távola redonda...no mesmo jornal todos os domingos de manhã, lançado de um combóio em andamento por um "jornalista" que vinha do Porto e arremessava literalmente o jornal do combóio e para o meu pai ler. O jornal era lançado, dobrado várias vezes e de um modo que hoje não sei fazer porque ficava do tamanho de um livro, com as folhas entrançadas. Muitas vezes fui buscar o jornal e desembrulhava o pequeno pacote espesso para tentar ver as imagens porque ainda nem sabia ler. Fantástico outra vez.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ainda os primeiros discos

Estes seis discos são também dos primeiros que comprei, em 1982 e 1983. São todos de prensagem nacional, com capas graficamente fracas.
O de Stanley Clark, Journey to Love, foi uma surpresa porque conhecia um tema- Silly Putty- mas os restantes são de uma qualidade fora de série e para além do típico jazz-rock. O de James Taylor, Sweet Baby James, igualmente me surpreendeu no som de Steamroller e principalmente Blossom.
O disco ao vivo de Simon and Garfunkel, do concerto no Central Park saiu no início de 1982 e foi dos primeiros discos que comprei porque na altura era um must. O disco está muito bem gravado e é uma espécie de best of do grupo.
O dos ABC, The Lexicon of Love, é uma maravilha sonora que me surpreendeu na época e é dos raros discos dos anos oitenta que me despertaram atenção de novo para a música que se produziu na década. Esse e o dos Scritti Politti, Provision.
Randy Newman com Trouble in paradise, de 1983 surpreendeu-me com o magnífico som de The Blues e I´m different, para além de I love LA que ouvi vezes sem conta.
Tom Waits, neste disco, Small Change, de 1976, soava um pouco diferente do disco que então procurava, Closing Time de 1973, mas convenceu-me então a ouvir repetidas vezes I wish i was in New Orleans.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os primeiros lp´s

Logo que comprei a Grundig tratei de arranjar e comprar uns discos que lhe fizessem alguma justiça sonora. O primeiro lp que comprei, julgo que terá sido Mirage, dos Fleetwood Mac, saído no Verão de 1982.
A prensagem é portuguesa, da Radio Triunfo e tem um bom som ( ainda não comparei com a versão americana, original, mas tenho o anterior do grupo, um megaseller, em prensagem americana e não noto diferença significativa). Mirage é um disco em que todas as músicas se ouvem muito bem. Em cassete, no carro, era um must.
O som dos Steely Dan, da colectânea Gold, foi outro lp porque era então um dos grupos cuja música ia descobrindo, mesmo sem conhecer todos os lp´s anteriores. E o de Kevin Ayers, That´s what you get babe tornou-se um dos discos mais interessantes de ouvir. J J Cale começou com Shades, de 1981 mas depressa evoluiu para o seguinte Grasshopper, saído em 1982. Ambos com prensagem portuguesa, aliás como o de Kevin Ayers.
Algum tempo depois, esse, mais o dos Cars e ainda o Ry Cooder, Bop Till you drop, sofreram um acidente: um cunhado meu pediu-mos emprestados para gravar ( tinha uma excelente aparelhagem Onkyo, ainda hoje muito boa) e quando mos ia devolver esqueceu-se dos mesmos na mala do carro. Era Verão e os discos sofreram um efeito do calor: entortaram ligeiramente. Com o passar dos anos regressaram mais ou menos a um estado primitivo, com a pressão sofrida. Ainda assim, comprei dois deles em Espanha ( o dos Cars e o de Ry Cooder). A prensagem não é diferente.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Os primeiros cd´s


Os primeiros sons de cd´s que ouvi, eventualmente em 1983 ou já em 1984, foram no Rádio Popular de Vigo que consagrava uma hora ao "som digital", quase diariamente.
Gravei uma cassete ( da marca portuguesa Sonovox, em dióxido de crómio e que ainda funciona muito bem passados estes anos) com esses sons, na aparelhagem Grundig mostrada abaixo: Ry Cooder, do disco Bop Till you drop, publicado em cd logo em 1983; Led Zeppelin e Going to California; Joni Mitchell e Twisted, do disco Court and Spark; Foreigner e Urgent e ainda Boston do primeiro disco.
Nessa altura, também em Vigo, no El Corte Inglès, vi e ouvi pela primeira vez, ao vivo, uma aparelhagem da Sony, com o aparelho de leitura de cd´s. Provavelmente semelhante ao da imagem e que se encontrava num rack fechado, de vidro, quase em redoma.
As colunas de som, essas também eram diferentes, como se mostra neste anúncio da revista High Fidelity de Maio de 1984. A Sony tomava a dianteira no mercado com estes truques de marketing. Numa recente Hi-Fi News, escrevia-se que o aparelho da Philipps de leitura de cd´s, da mesma altura porque o cd foi uma invenção conjunta Sony- Philipps, era tecnicamente superior. Mas o que se vendeu mais foi o Sony. O melhor design era irresistível e as publicidades mostravam-no.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Led Zeppelin e o som recortado de Physical Graffiti

Este disco dos Led Zeppelin, saído nos primeiros meses de 1975 passou pela primeira vez nos meus ouvidos, no rádio do programa Página Um, em Abril de 1975 ( o programa esteve interrompido por causa do PREC, desde meados de Fevereiro desse ano, até 5 de Abril). Nesse mês e seguintes, o disco passou com regularidade diária e a audição de Boogie with Stew, Kashmir, Down by the seaside, In the Light e In my time of dying tornou-o um dos discos que então mais apreciava.
Foi um dos discos que pedi para me gravarem em cassete ( os outros foram Bullinamingvase, de Roy Harper e Sometimes you eat the beer, de Ian Matthews) e ouvia-o num rádio da Grundig ainda em mono e depois no carro de um amigo que tinha leitor de cassetes.
Seja como for, o som que então ouvia marcou-me de tal modo que ainda hoje com a audição do lp em aparelho hi-fi e na presagem alemã, da época ( imagem acima e muito procurada) não consigo retirar o sumo sonoro que então era vertido nessas audições.
O disco tinha sido reportado por Nick Kent ( de quem anda aí uma autobiografia muito interessante-Apathy for the Devil) que tinha uma relação privilegiada de proximidade com os membros do grupo, no jornal semanário inglês New Musical Express que comprei em Dezembro de 1974 ( imagem abaixo) e que trazia uma recensão crítica muito pormenorizada do disco, com a indicação dos tempos de duração das faixas e apreciação do valor de cada uma por um Nick Kent que então já se entregara às drogas, como confessa no seu livro, mas que era incapaz de escrever sob a sua influência. E escrevia bem.
Passados dois meses, na edição de Fevereiro de 75, a revista Rock & Folk publicava a mesma recensão crítica deste disco dos Led Zeppelin que cheguei a ouvir em cassete, no ano seguinte e nos passeios de domingo no carro de um amigo que nos levava para aldeias vizinhas para ver as raparigas que estavam disponíveis ( para namorar, claro, e foi assim que o Luís casou com uma delas). Esse disco e o dos Queen, A night at the opera, também de 1975, era um must desses preâmbulos...quando ainda nem tinha 20 anos.