domingo, 21 de abril de 2013

Frank Zappa e as revistas de música


A seguir ao álbum The man from Utopia o meu interesse na música de Zappa esmoreceu de tal modo que apenas no início dos 90 dei atenção às reedições em cd da obra do mesmo.
Durante esses quase dez anos sairam no entanto artigos em revistas de música que me foram lembrando os discos entretanto saídos, como Them or us, saído em finais 1984 ou mesmo Thing-Fish, do mesmo ano. Lembro-me o entanto de ver tais álbuns, particularmente Thing-Fish em exposição numa discoteca de Lisboa, no piso inferior do Apollo 70. O disco triplo apresentava-se numa caixa graficamente bem cuidada e que tinha uma figura estranha de um ser híbrido cujo significado só muitos anos depois entendi, ao ouvir o disco, em cd.
As revistas que fui comprando, para além da Rock & Folk que sempre deu atenção especial ao músico foram a Musician, logo em Abril de 1982, com uma entrevista extensa e interessante.


Em Janeiro de 1987 a revista Guitar Player fez 20 anos e publicou este número excepcional que entre outras coisas trazia um artigo e entrevista com Zappa, já com o filho Dweezil em duo num tema-Sharleena- que o flexi-disco que a revista trazia, no meio, deixava ouvir.


Em Setembro de 1988 a mesma Musician reincidia noutro artigo sobre a música de Zappa em final dos oitenta.

Nos anos noventa seguiram-se outras como um número excepcional da Guitar Player em conjunto com a Keyboard magazine e que em mais de cem páginas faz uma resenha importante de toda a carreira do músico, com a mais importante entrevista de sempre com o mesmo. Em determinada passagem Zappa fala sobre o cd que acha ser superior, em som, ao vinil. 


Em 4 de Dezembro de 1993 Zappa morreu na sequência de um cancro na próstata  e as revistas da especialidade publicaram extensos artigos sobre a obra e a "continuidade conceptual" da mesma.

A primeira a fazê-lo foi a Musician com uma capa de antologia.

 A Guitar Player também o fez com um artigo que resumia em poucas páginas a carreira do músico.

Em Outubro de 1995 a mesma revista publicou uma resenha dos cd´s que a Rykodisc iria então publicar de novo, com rematrizações dos discos originais de Zappa, previamente autorizadas por este. Foi nesta altura que reganhei interesse na música de Zappa, particularmente por causa dessas reedições que me pareciam uma ocasião para ouvir de outro modo os discos antigos que aliás nem tinha.


Em 1999 a revista Guitar World publicou uma resenha bem mais alargada e compreensiva da obra de Zappa.
 http://www.afka.net/images/Magazines/1999/1999-02-xx%20Guitar%20World%20v19n2%2000.jpg



terça-feira, 9 de abril de 2013

Frank Zappa nos oitentas

Desde o início da década de oitenta que a música de Zappa fazia outro sentido para mim, diverso do que me tinha agradado com a trilogia Overnite Sensation-Apostrophe(´)- One size fits all.

Um dos primeiros discos que comprei, em 1982, foi precisamente o disco de Zappa, duplo, You are what you is que é uma continuação musical do estilo anterior, de Joe´s Garage e Sheik Yer bouti.
Durante o ano de 1981, em Maio,  tinha saído Tinsel Town Rebellion, lp duplo,  na etiqueta Barking Pumpkin Records, recém formada e em alusão à cabacinha de Halloween americano, a fumar e tossicar ( pelos vistos a mulher de Zappa tossicava por causa disso e Zappa era assim que lhe chamava) e um gato assustado em logotipo.
De Tinsel town lembro-me de ouvir o título tema no rádio e pouco mais. Evidentemente, com o passar dos anos tornou-se um disco mais importante, com o tema For the young Sophisticated, Fine girl e o lado 4, mais jazzístico.
No mesmo mês e ano sairam ainda discos de Zappa em edição especial, vendidos primeiro por via postal e anunciados nos media. Shut up ´n play  yer guitar, apresentou-se como um disco triplo e ao título seguinte, Shut up n´play yer guitar some more , juntava-se o terceiro, The return of the son of shut up n´play yer guitar, reunidos numa caixa com foto de Zappa com guitarra ao colo e numa foto apelativa pela commbinação cromática. Nunca ouvi tais discos, principalmente por saber que são exclusivamente instrumentais e apenas com solos de guitarra, retirados de espectáculos ao vivo.
Portanto, logo que saiu You are what you is, em finais de 1981 aprontei os ouvidos para escutar com atenção. O disco, duplo, o primeiro de Zappa que comprei, da etiqueta CBS que então passou a distribuir o produto em Portugal ( o disco de Simon & Garfunkel, The concert in Centrak Park, saído na mesma altura também era distribuído pela CBS Portugal) trazia um tema imperdível, Harder than your husband, do mesmo estilo que Bobby Brown uns anos antes. Mas trazia ainda uma sequência de temas dedicados à "society" americana e Any Downers, Goblin girl, Charlie´s enormous mouth, Conehead ou dumb all over, Doreen. O primeiro, Teen-age wind, fora composto em poucos minutos depois de um músico ter dito a Zappa que conhecia o músico Christopher Cross que nessa altura estava nos "tops" com "ride like the wind". Zappa terá dito na altura que "ah! dêem-me aí um lápis e papel e escrevo uma coisa dessas em cinco minutos". E se bem o disse melhor o fez.


O disco foi o que se aguentou até 1983, com a saída de The man from Utopia que também comprei quando saiu, igualmente da CBS Portugal e que custou 475$00.
Antes, em 1982 tinha saído Ship arriving too late to save a drowning witch que pouco ouvi porque não me interessava por aí álém a música que ouvia. Porém, erro meu, má fortuna. A música de Drowning witch é também impecável e só dei por isso há pouco tempo. Porém, o single Valley Girl, com a filha de Zappa, Moon, a cantar desencorajava-me a ouvir mais.


No entanto, esse disco tinha uma particularidade: a recomendação de Zappa na capa interior para o disco ser preferencialmente ouvido em colunas  JBL 4311 ou equivalentes e com os controlos de loudness desligado e os do preamplificador em posição "flat".
Nunca ouvi o disco numas JBL ou equivalentes mas é um disco gravado digitalmente e com uma equalização interessante, tal como os anteriores, aliás.



O seguinte, The man from Utopia, saído em Março de 1983 ainda tinha uma gravação e equalização mais marcante nos baixos, particularmente Tink walks amok ou Stick together ou mesmo Sex. O tema The radio is broken, uma espécie de rap, tem uma passagem rítmica algo complexa com o baixo de Scott Thunes a ronronar um riff dos The Knack, em My Sharona, um hit da altura.
O disco servia para testar a aparelhagem nas frequências baixas e é dos discos que menos aprecio de Zappa e cujo material menos me interessa. A capa é de um ilustrador italiano, Liberatore, que na época desenhava na revista Frigidaire ( uma espécie de Actuel transalpina ou uma el Vibora espanhola ou mesmo uma Face inglesa).

terça-feira, 2 de abril de 2013

Zappa- Joe´s Garage Acts I II & III

Em finais de 1979 sairam mais dois lp´s de Zappa, um deles duplo, possivelmente só ouvidos no ano seguinte e que gravei provavelmente em 1981.
Joe´s Garage, act I, em Setembro desse ano  e passados meses, o Acts II & III, foram também originalmente publicados na etiqueta Zappa Records, como Sheik Yerbouti e continuam o estilo temático e agora um pouco mais conceptual, com a música na senda daqueloutro.

São discos cuja gravação acompanha a qualidade daquele e o primeiro tema do Act I dava a tonalidade aos discos: uma apresentação em voz abafada electronicamente de uma ficção em que um fantasmático "central scrutinizer" se encarrega de proibir a música por se ter tornado fonte de crise económica e social.
O tema dá asas a Zappa para se alargar nas sátiras habituais à organização política e social, com destaque para a televisão embrutecedora e cretinizante.
A música do tema ginga bem e com suficiente balanço para fazer esquecer o assunto porque o que fica no ouvido é a expressão Joe´s Garage e a guitarra pontilhante, acompanhado de coros e saxofone dissonante., para além da restante instrumentação, excelente e do melhor que Zappa produziu em música popular.
É aqui que aparece outro conceito idiossincrático de Zappa: "informação não é conhecimento; conhecimento não é sabedoria; sabedoria não é verdade; verdade não é beleza; beleza não é amor; amor não é música. Música é o melhor".
No primeiro disco surge ainda uma contraposição ao tema "Jewish princess" de Sheik Yerbouti, com "Catholic Girls", um dos temas fortes do disco, embora mais suave que o outro.
Os discos têm uma particularidade técnica: todos os solos de guitarra, com excepção de um no tema Watermelon in Easter Hay, são "xenócronos, ou seja enxertados nas gravações das canções e vindos de outras gravações ao vivo anteriores, designadamente de espectáculos de 1979.
As capas dos discos são fotografias de Norman Seef com um close-up da cara do músico pintada de preto e com uma esfregona no primeiro e no segundo a ser maquilhado de preto.
Os temas variados e as melodias infiltravam-se facilmente no ouvido e por isso gravei uma parte do Acts II & III, precisamente os primeiros temas, com Token of my extreme e os outros a seguir numa cassete que julgo terá sido já em 1981ou mesmo 82. Daí que estes discos e música sejam verdadeiramente a introdução musical de Zappa aos anos oitenta. E a gravação será das primeiras efectuadas com música ouvida no rádio da altura, na aparelhagem Grundig que foi a primeira que comprei com dinheiro que ganhei do meu trabalho.A gravação aparece em mono/stereo porque a captação via rádio não era das melhores, por vezes, o que fazia perder o sinal. Mas continua a ser uma boa gravação de Token of my extreme.
No outro lado da cassete aparece a gravação de um outro disco excelente e dos que mais aprecio da música popular: Jorma Kaukonen, num disco de 1974 que só nessa altura conheci.

Em 13 de Dezembro de 1979 a Rolling Stone publicava este anúncio aos discos entretanto reunidos em caixa, embora saídos em separado naqueles meses anteriores, ao mesmo tempo que fazia uma recensão aos discos em artigo dedicado e muito favorável.


Os discos originais aqui mostrados já foram arranjados há pouco tempo, porque inicialmente comprei a caixa de cd´s que continha os mesmos e ainda publicada em 1990 pela etiqueta de Zappa records ( antes do negócio com a Ryko) embora sejam fruto de rematrização digital operada em 1989 por Bob Stone, com a participação de Zappa. A gravação dos discos é toda de estúdio com a maior parte dos soloes de guitarra xenócronos.



sábado, 30 de março de 2013

Zappa nos oitenta- Sheik Yerbouti

Este disco de Frank Zappa marca, a meu ver, o início dos anos oitenta na produção discográfica do artista, apesar de ter saído em Março de 1979. Sheik Yerbouti, um jogo de palavras com o conceito "disco" e a música do mesmo género que andava no ar dos rádios da época.

Em Abril de 1979 a revista Rolling Stone publicou este anúncio ao disco, numa imagem de página inteira que não deixava de intrigar pela aparência de um Zappa em djelaba árabe.


O disco em conteúdo musical nada refere a esse propósito apesar de uma canção polémica, entre outras: Jewish princess que foi sucesso melódico e um dos temas mais apelativos do disco.

Outro que me lembro de ouvir na época é o pastiche ao estilo de cantar de Dylan, por um Adrian Belew que arpegeou uns acordes de harmónica dylanesca enquanto soletrava as palavras da canção que termina num crescendo musical estilo  Before the Flood, de 1974.
O primeiro tema, esse é claro no pastiche: I have been in you refere-se ao disco de Peter Frampton, I´m in you, para o satirizar na letra sobre o "estou em ti e tu em mim..." .
Na época, tal disco de Frampton, saído em meados de 1977, na sequência do mega hit Frampton comes alive que vendeu provavelmente mais discos que Frank Zappa na vida toda,  agradou-me ao ouvido pela melodia do tema inicial e a revista Rock & Folk de Agosto de 1977 fez uma boa recensão crítica.


Sheik yerbouti, provavelmente ouvi-o no rádio da época e agradava-me ouvir essas duas músicas, mais Broken hearts are for assholes e Yo´mama e principalmente Bobby Brown, na sequência de um longo solo de guitarra e um intermezzo com bocados de conversas.
Bobby Brown tornou-se um hit em alguns países europeus do Norte ( Noruega e Alemanha) que tiveram a sorte na altura de ver ao vivo  e por cá foi uma das canções de 1979, para mim e durante muito tempo um dos paradigmas da música de Zappa como a gostava de ouvir. Felizmente que havia outros que haveria de descobrir anos mais tarde e muito mais interessantes, como a música contemporânea que Zappa compunha e inspirada em músicos como Varese, Webern ou Stravinsky.
A gravação, de qualidade excepcional, é da etiqueta de Zappa, aliás o primeiro a ser publicado na mesma, depois dos desaguisados judiciais com a firma Warner Brothers que se recusou a publicar Läther e foi publicando às pinguinhas os quatro discos que o deveriam compor. O disco, com excepção de três temas ( Rubber shirt é um deles)  é composto integralmente de temas gravados ao vivo mas com partes instrumentais em overdubbing.
Um ou outro dos temas de Sheik Yerbouti deveriam igualmente fazer parte de Läther, como Broken Hearts ou Tryin ti grow a chin e What ever happened to all the fun in the world, , um pequeno trecho de meio minuto.

À medida que o tempo vai passando e ouço a música de Zappa, Sheik Yerbouti assume uma característica de disco que não cansa ouvir, apesar de um ou outro tema esticado nos solos de guitarra, com algum fastídio depois de passar um minuto de audição.
O disco no entanto, parece um pequeno compêndio da música popular dos setenta, com o punk, Dylan, Frampton ou os Tubes ( a sequência Baby Snakes e Tryin to grow a chin tem um desempenho musical muito parecido com o disco dos Tubes ao vivo, saído em 1978 e um dos meus preferidos de sempre) e os temas encadeiam bem uns nos outros, como provavelmente poucos discos de Zappa o conseguem. Tem um tema jazzístico com baixo acústico em Rubber shirt e tem um solo de guitarra em The sheik yerbouti tango que parece interminável e é.
A qualidade de gravação é excepcional e merece a audição só por isso uma vez que a versão em vinil é excelente de dinâmica sonora mesmo transposta para gravação digital em 24 bits 192kHz, como agora aprecio ouvir.

quarta-feira, 20 de março de 2013

Frank Zappa, os discos do final dos setenta

A música de Frank Zappa durante o ano de 1976 tornou-se motivo de interesse e resultou no desenho em que representava além do mais, a discografia publicada até então, na sua maior parte completamente desconhecida para mim, porque além do mais não havia disponibilidade de discos ou reedições ou ainda passagem no rádio desses discos antigos.
A música de Zappa, anterior a Overnite Sensation, era um completo mistério, para mim. Ainda assim alimentava esperanças de a vir a conhecer, o que só ocorreu alguns anos depois.
Na verdade, alguns dos discos ainda nem os conheço integralmente e na versão original, como acontece com Cruisin with Ruben & the Jets ou Fillmore East 71. E a maioria dos primeiros conheço a versão em cd, saída já no início dos anos noventa, editada pela Ryko Records com autorização e rematrização dos originais por Frank Zappa himself. Alguns lp´s foram entretanto publicados com a rematrização digital tornada possível no final dos anos setenta, particularmente os que sairam em caixas intituladas Old Masters e que abrangeram a totalidade da produção discográfica até Zoot Allures e que foram publicados em três recolhas, entre 1985 e 1987. 
Porém, em 1976, saídos já os três discos fundamentais, na época, para mim ( Overnite Sensation, Apostrophe (´) e One size fits all) nem me dei ao cuidado de ouvir os restantes, como Bongo Fury, saído em 1975 e cuja crítica não me pareceu positiva. O disco, porém, para além de ser o preferido de Vaclav Havel, o presidente checo já falecido e grande fã de Zappa, só o conheci recentemente na versão original e vale a pena ouvir, claro está, porque é um bom disco de Zappa.

A música de Zappa, deste modo, fui-a conhecendo lendo artigos das revistas francesas que periodicamente consagravam algumas páginas ao compositor, geralmente por ocasião de visitas do mesmo para concertos em França e na Europa.
A edição de Fevereiro de 1978 da revista Best consagrava várias páginas ao artista, tendo um repórter da mesma se deslocado a Laurel Canyon em visita à casa de Zappa, fotografando ensaios, locais e tendo-o entrevistado em conversa longa. Na altura impressionou-me o modo de vestir do mesmo, com roupa que só anos mais tarde chegou à Europa.


O jornal NME de 22 Abril 1978 publicou este anúncio a um disco de Zappa, ao vivo em Nova Iorque. Só ouvi o disco, integralmente, em lp e cd, recentemente, tendo sido um disco com uma história particular. Foi gravado ao vivo em finais de 1976 e publicado em princípios de 1978. A versão primitiva continha uma canção- Punky´s Whips- considerada demasiado ousada em termos de costumes e foi censurada levando à retirada dos discos do mercado, tendo sido vendido alguns milhares que agora se trocam no ebay, de vez em quando, por quantias relativamente elevadas, por serem de coleccionador. A versão em cd, porém, tem toda a versão original do lp que por outro lado serviu para outro projecto de Zappa, intitulado Läther, de 1977, um álbum que seria composto por quatro lp´s  e que não  chegou a ser publicado em vida do compositor, mas apenas em 1996, em três cd´s e que é a recolha máxima, o melhor best of de Zappa, apenas com recurso a composições da primeira metade da década de setenta e que viriam a figurar em álbuns posteriores do final dos setenta ( Studio Tan, Sleep Dirt, Orchestral Favourites e Zappa in New York). A história de Läther foi contada por Zappa diversas vezes e resultou de um desentendimento grave com a editora Warner Brothers a quem entregou no início de 1977 os quatro discos que seriam para publicar em álbum com esse título e a editora recusou, levando a um longo conflito profissional entre o compositor e essa editora e a publicação dispersa e sem autorização expressa de Zappa dos discos Zappa in New York, Studio Tan, Orchestral Favourites e Sleep Dirt, cujas capas também não tiveram a supervisão do artista.
Quanto à qualidade sonora dos mesmos, comparando-a com a versão em cd agora publicada ( em 1996 e apenas em cd, embora também em vinil, mas apenas no Japão) há algumas diferenças de vulto, quanto às misturas  de certos instrumentos e a inclusão de temas que provieram de outras fontes, como de uma cassete publicada por Zappa com a colaboração da revista Guitar World ( o título é precisamenre The guitar world according to Frank Zappa) em 1987. A música desta cassete, possível de recolher no you tube, é simplesmente excelente. Os lp´s igualmente excelentes, com destaque para Orchestral Favourites que alguns porém, consideram ter um som mais fraco que o cd publidade posteriormente. Não comparei ainda, sendo certo que o lp me parece excelente.

Em Fevereiro de 1978 a revista Rock & Folk dava-lhe algumas páginas.

Assim como em Novembro desse ano recenseava o disco Studio Tan, um dos que deveria compor Läther e que foi tomado pela revista como um regresso ao passado glorioso dos discos excelentes de Frank Zappa.
Foi este disco que me entusiasmou na altura por causa de uma peça musical  que ocupa todo o lado um do disco: Greggery Peccary, uma excelente composição zappiana e provavelmente a sua melhor peça, tudo conjugado. É uma peça musical que tenho ouvido dezenas de vezes sem me cansar e sempre com algo de novo que aparece aqui e ali, instrumentalmente.

Em Março de 1979 a mesma revista dedicou algumas páginas à recensão crítica de todos os discos de Zappa publicados até então, cerca de 24 sem contar com os "piratas".
Na altura, a leitura concentrou-se obviamente nos discos que já conhecia e num ou noutro aspecto de críticas menos favoráveis a discos que agora entendo são igualmente bons e imprescindíveis para audição cuidada e repetida, como Bongo Fury ou Orchestral Favourites, ou mesmo Sleep Dirt.

Relativamente a este disco, lembro-me de o ouvir em Coimbra, em 1979, altura em que saiu por cá, na discoteca Vadeca perto do largo da Portagem e com uma qualidade que nunca mais esqueci a referência sonora.

Em Junho de 1980 nova capa da revista.

E em Fevereiro de 1982 idem, a propósito da visita de Zappa a França, com  artigo sobre os novos projectos do compositor, nomeadamente um álbum triplo instrumental e com solos de guitarra que se vendeu por via postal, apenas, nos EUA: Shut up and play your guitar, título genérico do álbum 3 record set.
O artigo da revista era de Jean-Marc Bailleux, um dos críticos cujo gosto musical mais apreciava.


Assim começaram os eighties...e estas são as capas dos discos que os precederam. Os últimos quatro deveriam integrar o projecto do álbum Lather. Bongo Fury saiu em Outubro de 1975; Zoot Allures, em Outubro de 1976; Zappa in New York em Março de 1978; Studio Tan, em Setembro de 1978; Sleep Dirt, em Janeiro de 1979 e Orchestral Favourites em Maio de 1979.  Estes quatro discos foram todos publicados à revelia de Zappa e não tiveram a intervenção do músico na concepção da capa, motivo porque à excepção de Zappa in New York, não têm letras ou referências aos músicos intervenientes.
Em Março desse ano tinha saído também Sheik Yerbouti, porém, sendo um disco publicado por Zappa, na nova etiqueta Zappa Records ( a que actualmente tem republicado em cd a discografia) é já um disco das década seguinte e terá atenção devida porque é um dos melhores do compositor.



sábado, 9 de março de 2013

Frank Zappa, segunda metade dos setenta

Em 1975 saiu esta crónica no Melody Maker, a propósito de One size fits all, o disco que ouvia no rádio, à noite, por vezes integralmente e que incluía um tema- Sofa- repartido em duas versões, a primeira cantada e a última instrumentalizada, apenas.
O disco, para além desse tema, incluía pequenas maravilhas musicais como Inca roads, com alusões a veículos alienígenas, perdidos nos altos andinos, imaginados em marimbas e vibrafones tocados por Ruth Underwood em modo singular e fantástico. A percussão nesses discos de Zappa é qualquer coisa de fenomenal. Incluia ainda Po Jama people, além de Evelyn, A modified dog e Florentine Pogen, tudo temas em que a bizarria das letras combinava com o maravilhoso do imaginário musical de Zappa e uma instrumentação perfeita e que me seduziu. O disco tornou-se então o must auditivo que ficara no ouvido e, a par daqueles dois anteriores o sumo da obra de Zappa, para mim que nunca ouvira os anteriores, designadamente o instrumental Strictly Genteel, semelhante a Sofa e que aparecera inicialmente na parte final de 200 Motels e que se repetiria como tema conceptual por alguns outros discos de Zappa, nos anos vindouros, incluindo em alguns com espectáculos ao vivo.

Não obstante, a música de Zappa, designadamente este disco, ouvido certamente em 1976 não constava da minha lista pessoal de músicas preferidas em 1976. Só no ano seguinte arranjei lugar para Zappa, provavelmente após a audição de Zoot Allures, saído naquela altura mas editado em Portugal em 1977, conforme dá conta a Música & Som de Setembro.  A lista de 1977 incluía Roy Harper em primeiro lugar ( Bullinamingvase, saído nessa altura, era um disco que me encantava sempre- ainda hoje); Van Der Graaf Generator, a seguir com os dois discos Still Life e World Record; Peter Gabriel e o seu primeiro a solo; Jethro Tull, nessa altura com Too old to rock n´roll too young to die; Kinks, com Sleepwalker; Eagles por causa do Best Of; Stevie Wonder e o opus Songs in the key of life; CSN&Y porque sim; Led Zeppelin por causa dos anteriores a Presence, designadamente o disco ao vivo e em filme The song remains the same, lançado em finais de 1976. E por fim...Zappa, em décimo lugar, quando hoje, comparado com esses mais, está em primeiríssimo lugar de onde não sairá.


Em 1976 a revista americana Crawdaddy, de Setembro, trazia um artigo ilustrado de modo interessante pela iconografia mostrada, numa foto intrigante de um disco antigo de Don & Dewey.

Era o tempo de Zoot Allures que a revista Rock & Folk, em Janeiro de 1977 recenseou e cuja imagem de Zappa com uma guitarra acústica  me encantava porque já tinha comprado a minha Kiso-Suzuki em Outubro do ano anterior e começava a ganhar alguns calos dos dedos. A de Zappa é uma Guild, cuja sonoridade é de facto espantosa. mesmo comparada com as Martins e Gibson do mesmo género. A foto povoava o meu imaginário musical porque a sonoridade daquela guitarra naquela posição de acorde quase  se ouve graficamente, o que é espantoso. Esta foto, para mim, traduz mais o ambiente zappiano, acústico e musical que qualquer outra, porque revela a concentração do músico no som que tira do instrumento, um som seco de guitarra acústica . Zoot Allures, não fora por mais e que afinal o  é porque tem músicas fantásticas, era disco para ser ouvido, apesar de não ter músicas com guitarra acústica evidenciada, como aconteceu com o disco Sleep Dirt, saído em 1979. Este tema, porém, fora gravado em 1974, porventura naquela guitarra. Contudo,  segundo o registo da Wiki, não o foi, uma vez que terá sido mesmo gravado com  uma Martin acústica. A beleza da internet reside também nisso, na possibilidade de se aceder a esse conhecimento instantâneo e que dantes só seria possível através de consultas a livros que não havia por cá ou nem isso:

 

quinta-feira, 7 de março de 2013

Frank Zappa -Overnite sensation

Ao ver o disco de Zappa, Overnite Sensation, na revista Cinéfilo de 1974 foi uma descoberta gráfica porque a capa do Lp é efectivamente uma das melhores de sempre da música popular, a par da do seguinte lp, One size fits all, que se mostra abaixo.

Verificando melhor a fotografia original da ilustração da revista, torna-se possível ver que as inscrições na lombada podem afinal ser as mesmas do lp original publicado nos USA, o que suscita uma curiosidade: como é que se obtinham lp´s originais dos EUA, em 1974, em Portugal, se os discos de Zappa só começaram a ser editados em Portugal em 1976, como relata um artigo na revista Música & Som, de Setembro de 1977, em recensão crítica ao disco saído em 1976, Zoot Allures? A resposta será simples: por via aérea, preferencialmente...mas quem poderia contar a história seria José Nuno Martins que assina o artigo da Cinéfilo, para ficarmos a saber isso e muito mais sobre as aventuras de um dj na tv a apresentar o Pop 25 e Disco &; Daquilo que então, no longínquo tempo do início da década de setenta, esperava para ver, à noite do serão televisivo a preto e branco, numa apresentação inovadora e que passava o que então se denominavam "telediscos". Lembra-me particularmente de um, com um tema de Cat Stevens do lp de 1971, Teaser and the firecat, salvo o erro.

Seja como for, o lp merece uma imagem integral em relativamente alta resolução:

Incluindo a capa interior, com as letras:


Este lp poderá ter sido reeditado em Portugal no final da década de setenta, sendo certo que me lembro de o ver num escaparate de discoteca, ainda que sem o acabamento gráfico da edição original.
Quanto às músicas, são todas para ouvir na sequência do disco e conjugam muito bem com o disco seguinte, Apostrophe (´).  Foi com estes discos que comecei a ouvir a música de Frank Zappa, mas a seguir a esses viria o que então considerava o melhor disco do compositor, One Size fits all, saído em 1975 e que merece um postal à parte.

segunda-feira, 4 de março de 2013

Frank Zappa nos anos setenta e seguintes

Não me lembro exactamente quando ouvi a música de Frank Zappa pela primeira vez, mas tenho uma vaga recordação de ter ouvido falar na personagem antes de ouvir a música. Tudo por causa de um célebre poster monocromático em que Zappa aparece sentado numa sanita com ar descontraído e a olhar para o observador.
Por volta de Abril de 1971 saiu esta revista alemã, Pop, que se vendia  por cá e aparecia nos quiosques. Provavelmente vi-a porque foi nessa altura que o meu interesse na música popular despertou com grande entusiasmo por tudo quanto era novidade.


 O poster que a mesma trazia- farb super poster, como era costume com essa revista e principal argumento de venda, por cá- era do tamanho de meia porta ( oito vezes o tamanho da revista- 57x 83 cm).

A figura de Zappa, de bigode e mosquinha era bizarra só por si. A música era outra coisa.
Foi talvez por volta de 1974 que ouvi pela primeira vez um disco de Zappa que me impressionou musicalmente e terá sido Overnite-Sensation, saído em finais de 1973.
Na altura, a crítica que li na revista Best, francesa e concorrente da Rock & Folk, dava pouco a entender sobre o género musical de Zappa, mas suscitava curiosidade.


 Em Março de 1974 a revista Cinéfilo dirigida por Fernando Lopes trazia um artigo desenvolvido sobre a história de Frank Zappa e os Mothers of Invention,  por ocasião da saída desse disco e assinado por José Nuno Martins.  A imagem da página dupla representava a capa e contra-capa do disco. Deve ser a edição inglesa do mesmo, uma vez que na lombada é perceptível ( na imagem original da revista e não aqui porque a resolução não é suficiente) a indicação à Warner Bros Records, mas com uma indicação prévia de letras indecifráveis e que a edição original, americana, não tem, uma vez que só refere "Warner Bros Records Printed in USA".
Sobre a  paginação do Cinéfilo deve dizer-se que era fabulosa, em Portugal, nessa época. De tal modo que não houve depois mais nenhuma publicação que lhe chegasse aos calcanhares gráficos e artísticos. Uma revista de culto, portanto e a que um dia destes dedicarei um postal inteiro.



Ainda em 1974, em Junho, a revista americana National Lampoon ( que comprava essencialmente por causa do aspecto gráfico, das publicidades e comics)  trazia um anúncio de página ao álbum seguinte, Apostrophe (´) e devo ter ouvido algumas músicas do disco no rádio da época.
Em Outubro desse ano quando comecei a comprar a Rock & Folk,  a revista trazia um artigo desenvolvido sobre Zappa, com entrevista, por ocasião de espectáculos que o mesmo dava em Paris.

A entrevista revelava coisas de Zappa que faziam jus à bizarria da imagem e tornava-se apelativo ouvir a música do excelente overnite-sensation, mais o entretanto saído Apostrophe (´) musicalmente do mesmo género, um rythm & blues bem esgalhado e de qualidade superior.
Não conhecia nada da música anterior de Zappa, apesar de ter lido em 1973 o artigo aparecido na revista Cinéfilo.
Estava por isso preparado para ouvir um dos melhores músicos de sempre da música popular e que hoje me encanta com quase todos os discos e são às dezenas, incluindo experiências em música dodecafónica e unicamente instrumental.