quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Jazz Rock explicado pela Rolling Stone em 1974

A música que se convencionou chamar jazz-rock, em 1974 não era das mais apelativas embora alguns músicos cujas obras gostava por lá andassem, muito por perto. Miles Davis, Chick Corea, Herbie Hancock ou mesmo Joe Zawinul pouco me diziam ao gosto musical, mas lia artigos nas revistas musicais sobre John Mclaughlin e Tony Williams e ficava com curiosidade em ouvir a sua música que era rara de passar no rádio da época, mesmo em programas de culto a altas horas da noite, como o Em Órbita ou o Espaço 3P, com a Boa Noite em FM orientado por Fernando Balsinha ou Jorge Lopes.
Só um par de anos mais tarde vim a descobrir a música de Stanley Clarke, Weather Report ou Keith Jarrett.

Em Agosto de 1974 a revista Rolling Stone publicou estas duas páginas que compendiavam esse género musical.

sábado, 1 de setembro de 2012

Posters, anos setenta

No início dos anos setenta tornaram-se moda os posters sobre quase tudo, mesmo política.
As revistas de música publicavam-nos para adolescentes comprarem e colocarem nas paredes de quartos e os jornais publicitavam-nos, como nesta contra capa do jornal inglês Disc, de 15 de Julho de 1972.
Já lá figurava um dos posters mais icónicos de sempre: o do guerrilheiro Che Guevara. Tive um, aliás ainda o tenho, com a foto a preto e fundo a vermelho que ocupou a parede durante o ano de 1975. 


Havia mesmo uma revista alemã- Pop- que fazia do poster o chamariz para vender.A dimensão muito generosa do artefacto, replicando oito vezes o tamanho da revista, equivalia por isso a oito folhas da mesma.
A POP teve o seu auge na primeira metade dos anos setenta, conforme se podem ver por estas capas e vendia-se por cá. O número com John Mayall na capa, de Novembro de 1971.


sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Pilote, Junho 1974

Assim, já no Verão de 1974, quando vi esta revista exposta na mesma montra da Bertrand onde costumava ir ver as novidades, nem hesitei porque era demasiado apelativa. A mão que aparece a desenhar na pedra da calçada poderia muito bem ser de Gir porque o desenho é do mesmo autor. 
E no interior aparecia uma página com imagens alusivas a livros de ficção científica, desenhada por Gir, mas sem assinatura explícita porque poderia muito bem ser Moebius. Curiosamente, a revista nunca mais publicou nenhuma história de Gir/Moebius, para além de ilustrações que aqui se mostram, designadamente no número seguinte, sempre em recensão crítica a obras de ficção científica e em conjunto com Druillet. Para tal seria preciso esperar mais uns meses, até ao início de 1975 para assistir ao aparecimento de Métal Hurlant. Curiosamente, os dois, Jean Giraud/Moebius e Druillet fariam parte do núcleo fundador da revista.
Contudo, a Pilote mensal, com uma arrumação gráfica excelente e  desenhos variados apenas fazia querer esperar pelo número seguinte.  O que aconteceu durante algum tempo.


Pilote e a bd fantástica


Em consequência destas experiências no início de 1974 reparei na revista Pilote em formato inesperado ( maior que uma folha A4) que estava afixada no escaparate da livraria Bertrand. Era a primeira vez que via a revista que já conhecia por causa do Tintin a referir.
O preço era bastante caro para a época- 27$50, quando o Tintin nacional custava  10$00 e o belga 15$00. Em breve, em Abril de 1974, o Tintin belga passaria a custar 22$50 e dali a uns meses, no final do ano de 1974 quando deixei de o comprar,  25$00.
Mesmo assim comprei o nº 745, de 14.2.1974 à espera de ver desenhos diferentes do Tintin e descobri Fred e J.C. Forest ( que já conhecia da Realidade de 71). Além disso, a revista trazia textos e imagens de outros assuntos, com ilustrações de caricaturistas e desenhadores como Gourmelin. Graficamente era mais apelativa e lá fui comprando durante algumas semanas, sempre que podia. Até Junho de 74 comprei meia dúzia de números, incluindo um especificamente devotado à S.F., ficção científica com uma ilustração de Moebius/Gir, a primeira vez que via tal coisa.

Falhei os nºs 746 e 747, mas quando vi esta imagem de Druillet, da historieta Yragael ou la fin des temps, não resisti e voltei a comprar. O que fiz novamente no número seguinte por causa do desenho de Gir/Moebius e assim sucessivamente os quatro números seguintes à espera de ver novamente os desenhos do mestre recentemente desaparecido ( Jean Giraud morreu este ano).


Como não vi depois disso mais nenhum desenho, e a revista era relativamente cara, deixei de comprar no nº 753, sendo certo que a periodicidade semanal terminou com o nº760 de 30 de Maio de 1974.
Com data de 1 de Junho saiu a nova Pilote, renovada, mensal e de formato mais pequeno. O primeiro número desta nova série era uma pequena maravilha, apesar de custar quase o dobro ( 45$00). A suivre, portanto.

Brasil 73 e outras músicas

Em 1973 a música popular brasileira passava no rádio com força de moda. Em Abril desse ano publicou-se o disco dos Secos & Molhados, com o mesmo nome e as músicas do lp passavam no rádio com frequência, destacando-se Rosa de Hiroshima e Patrão nosso de cada dia.


Imagens do Cinéfilo de 7.4.74

A par desse grupo, cujo componente João Ricardo era português de Ponte de Lima, o rádio passava então uma canção fenomenal pelo ritmo compassado de viola acústica e variação simples em contraponto de instrumento de sopro, com uma voz que fazia acompanhar a história contada: Ouro de Tolo, de Raul Seixas.

 Em matéria de audições de música estrangeira,  no rádio, o tema da altura era dos Chicago, com Feeling Stronger everyday, do lp VI e que meses mais tarde se complementaria com o VII. O poster do VI, na imagem, em fundo, tinha saído no jornal  Novo Musicalíssimo de 9.Novembro 1973 ( dirigido por Vítor Direito e com redacção de Bernardo de Brito e Cunha) e reproduz o interior da capa do LP.
Mais que os temas dos Procol Harum, de Grande Hotel, ou de Elton John, de Goodbye yellow brick road. Ou então do single dos Led Zeppelin, Over the hills and far away. 1973, musicalmente foi um ano de transição no gosto sobre a música rock. Um ano de descoberta a que se seguiu o de 1974, verdadeiramente de fascínio.


Porém, um dos temas que mais me ficou no ouvido nessa época nem sequer  o identificara. Só muitos anos mais tarde, ao ouvir o LP Holland dos Beach Boys me dei conta de que se tratava de California Saga.


Ficção fantástica em banda desenhada

A bd de ficção fantástica em Fevereiro de 1972 quando comecei a ler o Tintin na edição portuguesa já era conhecida por outra via. A revista brasileira Realidade, uma espécie de Life com fotos e reportagens variadas sobre os temas mais diversos tinha já mostrado algo que nunca tinha visto antes.
Em Dezembro de 1971 essa revista que então comprei por 15$00,  trazia algumas páginas sobre a banda desenhada americana ( os comics), francesa e até brasileira a propósito de uma reportagem sobre a VII exposição de banda desenhada de Lucca, realizada em Novembro desse ano.

Foi aí que vi os desenhos de Druillet, na história de Lone Sloane e também de Forest, com Barbarella, de Hugo Pratt e Corto Maltese e os de Burne Hogarth que me marcaram pela perfeição de desenho da sére Tarzan que costumava ler em livrinhos de banda desenhada mais foleiros como o Falcão ou o Condor Popular.



quarta-feira, 29 de agosto de 2012

Para além do real- a ficção científica


A imagem acima, da autoria de Giger, publicada na revista francesa de cinema Première, de Abril de 1983, em publicidade ao Le Livre de Poche, mostra o fascínio do real ficcionado na banda desenhada, literatura e cinema que começou a atingir-me em 1974 e que tinha raízes provavelmente neste livro: Le Matin des Magiciens, de Louis Pawels e Jacques Bergier, comprado à cobrança, à Bertrand, em 7.12.1973 ( com factura e tudo). O desenho da capa do livro de bolso da Folio é de Gourmelin, também colaborador na Pilote. E como é que em 1973 descobri Bergier? Ainda estou à procura de saber...as referências. A revista Planète de que terei visto uma referência noutro sítio é uma pista,  mas não tenho a certeza. Talvez nos catálogos da própria Bertrand que nessa altura traziam muitas referências a livros de fantástico, com capas pretas e letras douradas, de Robert Charroux e outros. O livro, esse devorei-o, como se costuma dizer porque ia realmente para além do real.


 Giger tinha sido o autor da capa de um disco dos Emerson Lake and Palmer, Brain Salad Surgery, de 1973 e inspirou depois, com as suas ilustrações, cenários de filmes como por exemplo a série Alien, cujo último produto estreou este ano- Prometheus. La boucle bouclée.



A referência ao livro de Louis Pawels e Jacques Bergier , Le Matin des Magiciens, vinha no catálogo dos livros de bolso da Folio da Primavera de 1973.
Porém, antes disso, em 1972, a Bertrand tinha enviado o catálogo desse ano e lá vinha a referência a dois livros daqueles autores, incluindo o Despertar dos Mágicos. Deve ter sido por aqui que decidi comprar o livro, pedindo-o à cobrança.
No entanto permanece por esclarecer na minha memória como é que os nomes e essa obra surgiram como motivo de interesse. Ou foi pela leitura de jornais ou revistas ou pela consulta do livro em português, na própria Bertrand,  que aliás custava mais que a edição francesa da obra, em livro de bolso ( mais de 100 escudos contra 60 da edição francesa).




Tintin- o original e a edição portuguesa

Estas duas imagens idênticas e relativas à aventura de Bernard Prince,  resultam da edição portuguesa de 10.2.1973 e a edição original da revista, publicada em França, em 18.2.1971.

Caricaturas e imagens de bd 73-74

Estas caricaturas de Brigitte Bardot e de Georges Pompidou vi-as pela primeira vez na revista brasileira Realidade,de Junho de 1973,  num artigo consagrado à "Nova arte da caricatura", que a revista apresentava com o retrato de "três novos artistas franceses definem os caminhos do seu novo traço". Os artistas eram Claude Morchoisne, Patrice Ricord e Jean Mulatier, (na altura ambos com 26 anos) e as imagens eram extraordinárias de nuance e detalhe, como se pode ver. A de Pompidou é de 1970, segundo informa o livro Les Grandes Gueules, das edições du Pont Neuf, de 1980 ( cujas reproduções são graficamente inferiores a estas da revista Realidade).

Em 13.4.1974 a revista Tintin iniciava uma nova aventura de Bernard Prince ( a chama verde dos aventureiros) com esta imagem, também ela extraordinária.
Não obstante a grande qualidade desta historieta o Tintin, para mim, estava quase a findar. Durou até ao fim de 1974 e a partir daí só voltei a comprar um ou outro número em 1976 ( por causa de Tintin e os Pícaros, iniciada em 7.4.1976 e Lucky Luke e Psicanálise para os Dalton) e 1977 ( por causa de Bernard Prince e O Porto dos loucos).  O Tintin foi o veículo de introdução para a banda desenhada de ficção científica e aventuras mais adultas, do Pilote que descobri nesse mesmo ano e outras como a Métal Hurlant. !974 e 1975 foram por isso anos fantásticos nessas descobertas da arte da banda desenhada.
Além disso, como vim depois a descobrir também, mesmo com a informação da Realidade de 1972, aqueles caricaturistas trabalhavam para a Pilote e apareciam várias caricaturas dos mesmos em diversos números dessa altura, como por exemplo de Charlot ou Mao Tse Tung.


A imagem da caricatura de Brigitte Bardot publicada em Junho de 1973 pela Realidade foi publicada na capa da revista francesa de banda desenhada alternativa, Mormoil, em Dezembro de 1974.
A revista tinha colaboração regular de Morchoisne e Mulatier, entre outros e a fórmula da revista aparentava-se muito à MAD americana, embora com um conteúdo sexualmente explícito que a tornava "reservé aux majeurs penaux" e de circulação mais restrita, o que aliás se tornou quase moda em 74-75, mesmo entre nós, com a súbita abertura aos costumes mais liberais que se faziam sentir e tinham já dado em filmes como Último Tango em Paris ou mesmo abertamente pornográficos.
A revista francesa Ciné Revue por essa altura e eventualmente por esse motivo, era das mais requisitadas no escaparate da livraria Bertrand. 
Moschoisne desenhava historietas com personagens caricaturadas à moda da MAD, por um Angelo Torres ou o genial Mort Drucker que neste número de Dezembro de 1973 desenha uma paródia de The Summer of ´42.





terça-feira, 10 de julho de 2012

Hermann, Bernard Prince e Comanche

As aventuras de Comanche e Bernard Prince, desenhadas por Hermann foram das primeiras que me encantaram no Tintin, em 1972, tanto na edição portuguesa como na original, belga. Comanche descobri-a logo na edição belga com a saga dos Dobbs e o episódio Os lobos do Wyoming.

A historieta intitulada A Fornalha dos condenados, da série Bernard Prince,  publicada no Tintin nacional em 1973 tinha um conteúdo temático que ainda hoje é interessante: um incêndio gigantesco, numa ilha e as aventuras para de lá sair. As imagens, nas duas páginas semanais, sucediam-se com interesse renovado todos os Sábados. 
Tinha apanhado a historieta A passageira, da mesma série, logo no primeiro número do Tintin que comprei- em19.2.1972, a meio e tinha sido uma revelação gráfica.
No mesmo ano de 1973, em Março,  o Tintin belga começou a publicar uma das melhores historietas da série, se não a melhor- Guerrilha para um fantasma. O número da revista de 13.3.1973 tinha esta capa e contra-capa- uma pequena maravilha.









sexta-feira, 6 de julho de 2012

Banda desenhada, há 40 anos: essencialmente, o Tintin

Há quarenta anos, a par da música do rádio que ouvia religiosamente, havia a leitura de banda desenhada do Tintin que tinha descoberto no início desse ano de 1972, com o nº 42 de 11.3.1972, a par do jornal do Cuto, que já ia no nº 31 em 2.2.1972.
As diferenças entre as duas revistas eram de vulto. O Tintin baseava-se na banda desenhada franco-belga, publicando as historietas que apareciam originalmente no título homónimo originalmente belga e ainda a Pilote francesa. O jornal do Cuto publicava-se a preto e branco ( com excepção da capa e contra-capa) e trazia banda desenhada de expressão mais americana, mesmo do Sul ( A. Salinas, Arturo Castillo e Jesus Blasco, por exemplo) e ainda Alex Raymond ( Flash Gordon) ou Russ Manning ( Tarzan).

Uma historieta que me cativava há quarenta anos, nesta mesma altura, era a que abria a revista de 1.7.1972: "A missão do major Redstone" de Laudy e Duval. Mas também me interessava muito a história das aventuras de Lefranc, um repórter investigador, desenhado por Jacques Martin, com argumento de Bob de Moor.

Por essa mesma altura- Julho de 1972- comecei a reparar que a revista original, Tintin belga, também se vendia no mesmo local onde comprava a edição portuguesa, geralmente aos Sábados no final de manhã, antes das 12:30, altura em que a livraria Bertrand fechava.

Assim, em Agosto desse mesmo ano deixei-me tentar pelo primeiro número da revista, datado de 1.8.1972 e que trazia na capa uma ilustração de Dany sobre Olivier Rameau.
Porém, o prato forte da minha satisfação artística vinha nas páginas interiores: Comanche, de Hermann. Fantástica aventura e desenho fabuloso. Este:
Assim, quando vi na montra da livraria esta capa da edição de 15.8.1972 fiquei fascinado e rendido ao génio artístico de Hermann que comparava a Jean Giraud, autor de Blueberry.


O interesse nos Tintins durou cerca de dois anos. Em finais de 1974, a beleza e o fascínio dessas imagens impressas e as historietas que lhes davam forma, esmoreceu porque durante o Verão desse anos descobri a revista Pilote e o mundo desenhado ainda mais fascinante da fantasia heróica e da ficção científica, para além das historietas um pouco mais elaboradas da autoria de um Tardi, de um Fred ou de um Moebius. Pode dizer-se por isso mesmo que a adolescência ficou algures para trás e sem remissão, nesse período de tempo.

quinta-feira, 5 de julho de 2012

40 anos, hoje

A inscrição na página da revista Mundo da Canção de Abril de 1972 faz hoje 40 anos. Por esta altura preparava-me para ouvir a Página Um, na Rádio Renascença, prestes a começar, às 19:30. Previsivelmente estava calor, como hoje não está e estava de férias como hoje não estou.
Ainda assim, belíssimas memórias me deixam estas coisas. O mês de Julho, a mim, cheira-me a palha e água de maré.
Na época o álbum Manassas de Stephen Stills e particularmente a canção What to do,  faziam as delícias da audição, tal como um tema de  dos Pink Floyd, Fearless, do Lp Meddle.






 

Em seguida ouvia-se Pedro Só, cantado por Manuel Freire. 1972 era assim e era muito bem.


domingo, 3 de junho de 2012

Manoeuvre e Moebius

Moebius, ( Jean Giraud)  o artista francês de Banda desenhada que por aqui tenho mencionado muitas vezes, morreu em meados de Março deste ano.
As revistas francesas da especialidade dedicaram números especiais ao artista, destacando-se este artigo de Philippe Manoeuvre, na revista dBD nº 63 de Maio deste ano.

Manouvre que então era redactor na revista Rock & Folk recorda os tempos de meados da década de setenta, tempo da criação da revista Métal Hurlant. As duas publicavam desenhos dessa banda desenhada que em França nunca esmoreceu ao longo dos anos porque tem um público fiel que não consome apenas Astérix ou Tintin.

As pequenas histórias que Manoeuvre conta são alusões a coisas que então também vivi. A descoberta da Déviation, desenhada a preto e branco na revista Pilote que descobri em 1974. O aparecimento da Métal Hurlant anunciado em primeira mão na Rock & Folk e cujas capas aí vi antes de arranjar o primeiro número no Verão de 1976 ( o nº 7). As imagens posteriores da Garage Hérmetique,já nos anos oitenta, particularmente a menção ao desenho que figurava Patti Smith como Major Grubert e que teve um efeito de esfuziante curiosidade e fascínio sobre a técnica elaborada do desenho a traço fino e pontos entrecruzados que Moebius praticava de vez em quando com uma mestria e talento assinaláveis.

A menção a Fellini que terá ido visitar o artista, com um desenho para autografar e que terá regressado sem autógrafo mas prefaciou depois um dos álbuns ( o célebre 30x30 que tanto cobicei na altura e agora é demasiado caro) etc. etc.

Para além destas memórias em tempo real, Manoeuvre escreve como ninguém, com uma categoria que me parece a perfeição escrita no estilo.
Não é a primeira vez que cito um escrito de Manoeuvre para o colocar nos píncaros da escritura deste tipo. Já o fiz com uma crítica que publicou em 1980, precisamente na Rock & Folk, sobre o disco Gaucho dos Steely Dan e que me dava um gozo danado ler.





quinta-feira, 5 de abril de 2012

Corrigan, agente secreto X-9 desenhado por Al Williamson




No início dos anos setenta, uma das leituras preferidas, no Jornal de Notícias que todos os dias lia na casa do meu avô paterno, numa mercearia de aldeia, eram as aventuras de Corrigan, o agente secreto X-9.
O jornal tinha o belíssimo hábito de trazer todos os dias umas "tiras" de banda desenhada de proveniência americana, via King Features Syndicate Inc. Uma delas está aposta no livro, na imagem do meio e respeita à aventura que se mostra na imagem mais abaixo, desenhada em 1973.
As tiras diárias ( menos ao fim de semana) desenvolviam as aventuras policiais de um g-man ( agente do FBI) que eram então desenhadas por Al Williamson, com argumento de Archie Goodwin. Os desenhos eram um must, a preto e branco e com sugestão de ambientes exóticos ( lamastérios nos Andes, por exemplo) ou na selva, mesmo urbana. Williamson esmerava-se a desenhar carros desportivos, como Porsches ou Jaguares e...mulheres, geralmente a entrar na meia idade e com silhuetas muito bem contornadas pelos vestidos.
Recentemente, uma editora americana publicou em série todas as aventuras desenhadas por Al Williamson. Já vai no volume III que abrange as tiras publicadas originalmente entre 1972 e 1974 e anuncia-se para breve um quarto.
As imagens mostradas são desse terceiro volume.

Os Byrds e os Eagles em lp

Estes três lp´s originais, de prensagem americana, mostram em termos sonoros tudo o que as gravações americanas da música popular oferecem de melhor.
As versões em cd sairam em 2000 ( dos Byrds, em edição rematrizada em 20 bits e também a dos Eagles do Lp Desperado).
Os Lp´s dos Eagles, do álbum Desperado de 1973, têm a referência AS 53008 ou K 53 008, de prensagem inglesa e de 1973 ( imagem em baixo à esquerda) e a versão original americana SD 5068 ( imagem à direita).
O som destes discos é diferente. O melhor é o lp original americano, sem margem para dúvida. Mais equilibrado e suave, com melhor recorte sonoro e definição espacial.

Quanto aos Byrds é a mesma coisa. Ouvir a versão rematrizada em cd, de Untitled é uma coisa. Ouvir o lp original é voltar a ouvir o disco de um modo diferente e com relevo sonoro.
Para além disso as capas são de uma consistência no material de cartão e na definição gráfica que não encontra paralelo noutras edições. A edição original de Desperado apresenta-se em cartão rugoso e a europeia em cartão lustroso.
O álbum Untitled, mítico durante uns anos para mim ( antes da saída em cd nunca o ouvira a não ser nos programas de Jaime Fernandes na rádio Comercial ou no programa 4, ainda nos anos setenta, com o título Country, música da América, em que passava os melhores expoentes desse género musical. Aliás, um indicativo de um dos programas de Jaime Fernandes foi em tempos o tema Nashville West que integra o lp Dr. Byrds & Mr. Hide) é uma maravilha ouvido no lp original, revelando todas as subtilezas sonoras de uma gravação impecável. É um prazer ouvir este disco.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Frank Zappa

Descobri a música de Frank Zappa em meados dos anos setenta, provavelmente em 1975 em programas de rádio. Antes disso tinha visto imagens e pósters do artista iconoclasta e lido um ou outro artigo em revistas de especialidade ( Rock & Folk).
Não me lembro qual foi o primeiro disco que ouvi mas poderá ter sido um dos quatro apontados na imagem, mais precisamente o do lado esquerdo ao alto, One Size fits all, saído no Verão de 1975. Ou então, o do ano anterior, Apostrophe, à direita ao alto. Ou mesmo Overnite Sensation, de 1973 e ao centro em baixo, espalmado para mostrar o desenho da capa.
Esses três discos de Zappa eram passados várias vezes nos programas Espaço 3P ( Boa noite em FM, Banda Sonora e Perspectiva), à noite. Lembro-me de um deles, provavelmente One size fits all ser da preferência de um magnífico apresentador de rádio que já morreu, Jorge Lopes e que fazia também locução em provas desportivas de atletismo.
A parte final do álbum, com o som grandioso de Sofa nº2, depois de ouvir Florentine Pogen, Evelyn a modified dog e outras era o culminar da experiência sonora da noite.
Desde então não mais esqueci os discos de Frank Zappa que procuro ter na versão original que soa bem melhor que as edições em cd, da Rykodisc, publicadas já depois da morte do artista em Dezembro de 1993.
Em 1976, o disco Zoot Allures, em baixo à esquerda foi o seguinte e depois desse, em 1978 Studio Tan e depois um disco instrumental, em 1979, Sleep Dirt que me lembro de ter ouvido a primeira vez na discoteca Vadeca, em Coimbra, possivelmente através de uma aparelhagem Quad, gira-discos Sansui e colunas de som da Wharfdale. Um som que ainda hoje lembro e que associo a outra música que aí ouvi na mesma altura: Driftwood do álbum Octave dos Moody Blues.
Por muita aparelhagem maravilhosa que me seja dado ouvir, esses sons nunca serão ultrapassados.
Depois desses discos de Zappa apareceram os dos anos oitenta, numa sequência infernal e prolífica que agora sabe bem ouvir mas na altura era demais. O tríptico Joe´s Garage e You are what you is, um dos primeiros discos que comprei, em 1982.
A discografia de Zappa é extensa e contém várias dezenas de originais. Todos de grande qualidade e variedade.
Os primeiros discos, dos anos sessenta, só os ouvi na década de 2000, em cd´s da Rykodisc.
Ultimamente ouvi novamente e muitas vezes os discos antigos dos setenta, na versão original em lp. Studio Tan e o tema Greggary Peccary é uma pequena maravilha, ouvida repetidas vezes assim como o são os três discos da sequência Joe´s Garage. Ou Sheikyerbouti. Ou Ship arriving too late; ou Them or us.

domingo, 11 de março de 2012

Blonde on Blonde outra vez

Estas três imagens, mais uma, do mesmo disco de Bob Dylan, Blonde on Blonde significam três sonoridades distintas. O disco já por aqui foi comentado em tempos. Porém, só agora me foi dado ouvir o LP original, na versão mono e com imagem à direita, em prensagem americana.
Os Lps alinhados são de origem espanhola, dos anos setenta ( referência S 66012 de 1971); checa ( referência 21 0065 6 1302, de 1991) e a original ( referência C2L 41, de 1966) e o cd da Columbia/Legacy, rematrizado em super bit mapping, com 20-bit digital, colecção Mastersound, de 1994.

Tal como a capa dos Lp´s. com tonalidades diferentes entre si, a cor que prefiro é a original, da direita. As cores estão mais suaves e calorosas. E o som também, embora reconheça que a versão em cd é de muito boa qualidade e a prensagem checa melhor que a espanhola. Contudo, a versão mono ouve-se melhor em auscultadores porque mais relaxante e equilibrada. E no interior da capa desdobrável, aparece uma foto de Claudia Cardinale que depois, em edições posteriores, desapareceu.