domingo, 3 de junho de 2012

Manoeuvre e Moebius

Moebius, ( Jean Giraud)  o artista francês de Banda desenhada que por aqui tenho mencionado muitas vezes, morreu em meados de Março deste ano.
As revistas francesas da especialidade dedicaram números especiais ao artista, destacando-se este artigo de Philippe Manoeuvre, na revista dBD nº 63 de Maio deste ano.

Manouvre que então era redactor na revista Rock & Folk recorda os tempos de meados da década de setenta, tempo da criação da revista Métal Hurlant. As duas publicavam desenhos dessa banda desenhada que em França nunca esmoreceu ao longo dos anos porque tem um público fiel que não consome apenas Astérix ou Tintin.

As pequenas histórias que Manoeuvre conta são alusões a coisas que então também vivi. A descoberta da Déviation, desenhada a preto e branco na revista Pilote que descobri em 1974. O aparecimento da Métal Hurlant anunciado em primeira mão na Rock & Folk e cujas capas aí vi antes de arranjar o primeiro número no Verão de 1976 ( o nº 7). As imagens posteriores da Garage Hérmetique,já nos anos oitenta, particularmente a menção ao desenho que figurava Patti Smith como Major Grubert e que teve um efeito de esfuziante curiosidade e fascínio sobre a técnica elaborada do desenho a traço fino e pontos entrecruzados que Moebius praticava de vez em quando com uma mestria e talento assinaláveis.

A menção a Fellini que terá ido visitar o artista, com um desenho para autografar e que terá regressado sem autógrafo mas prefaciou depois um dos álbuns ( o célebre 30x30 que tanto cobicei na altura e agora é demasiado caro) etc. etc.

Para além destas memórias em tempo real, Manoeuvre escreve como ninguém, com uma categoria que me parece a perfeição escrita no estilo.
Não é a primeira vez que cito um escrito de Manoeuvre para o colocar nos píncaros da escritura deste tipo. Já o fiz com uma crítica que publicou em 1980, precisamente na Rock & Folk, sobre o disco Gaucho dos Steely Dan e que me dava um gozo danado ler.





quinta-feira, 5 de abril de 2012

Corrigan, agente secreto X-9 desenhado por Al Williamson




No início dos anos setenta, uma das leituras preferidas, no Jornal de Notícias que todos os dias lia na casa do meu avô paterno, numa mercearia de aldeia, eram as aventuras de Corrigan, o agente secreto X-9.
O jornal tinha o belíssimo hábito de trazer todos os dias umas "tiras" de banda desenhada de proveniência americana, via King Features Syndicate Inc. Uma delas está aposta no livro, na imagem do meio e respeita à aventura que se mostra na imagem mais abaixo, desenhada em 1973.
As tiras diárias ( menos ao fim de semana) desenvolviam as aventuras policiais de um g-man ( agente do FBI) que eram então desenhadas por Al Williamson, com argumento de Archie Goodwin. Os desenhos eram um must, a preto e branco e com sugestão de ambientes exóticos ( lamastérios nos Andes, por exemplo) ou na selva, mesmo urbana. Williamson esmerava-se a desenhar carros desportivos, como Porsches ou Jaguares e...mulheres, geralmente a entrar na meia idade e com silhuetas muito bem contornadas pelos vestidos.
Recentemente, uma editora americana publicou em série todas as aventuras desenhadas por Al Williamson. Já vai no volume III que abrange as tiras publicadas originalmente entre 1972 e 1974 e anuncia-se para breve um quarto.
As imagens mostradas são desse terceiro volume.

Os Byrds e os Eagles em lp

Estes três lp´s originais, de prensagem americana, mostram em termos sonoros tudo o que as gravações americanas da música popular oferecem de melhor.
As versões em cd sairam em 2000 ( dos Byrds, em edição rematrizada em 20 bits e também a dos Eagles do Lp Desperado).
Os Lp´s dos Eagles, do álbum Desperado de 1973, têm a referência AS 53008 ou K 53 008, de prensagem inglesa e de 1973 ( imagem em baixo à esquerda) e a versão original americana SD 5068 ( imagem à direita).
O som destes discos é diferente. O melhor é o lp original americano, sem margem para dúvida. Mais equilibrado e suave, com melhor recorte sonoro e definição espacial.

Quanto aos Byrds é a mesma coisa. Ouvir a versão rematrizada em cd, de Untitled é uma coisa. Ouvir o lp original é voltar a ouvir o disco de um modo diferente e com relevo sonoro.
Para além disso as capas são de uma consistência no material de cartão e na definição gráfica que não encontra paralelo noutras edições. A edição original de Desperado apresenta-se em cartão rugoso e a europeia em cartão lustroso.
O álbum Untitled, mítico durante uns anos para mim ( antes da saída em cd nunca o ouvira a não ser nos programas de Jaime Fernandes na rádio Comercial ou no programa 4, ainda nos anos setenta, com o título Country, música da América, em que passava os melhores expoentes desse género musical. Aliás, um indicativo de um dos programas de Jaime Fernandes foi em tempos o tema Nashville West que integra o lp Dr. Byrds & Mr. Hide) é uma maravilha ouvido no lp original, revelando todas as subtilezas sonoras de uma gravação impecável. É um prazer ouvir este disco.

quarta-feira, 14 de março de 2012

Frank Zappa

Descobri a música de Frank Zappa em meados dos anos setenta, provavelmente em 1975 em programas de rádio. Antes disso tinha visto imagens e pósters do artista iconoclasta e lido um ou outro artigo em revistas de especialidade ( Rock & Folk).
Não me lembro qual foi o primeiro disco que ouvi mas poderá ter sido um dos quatro apontados na imagem, mais precisamente o do lado esquerdo ao alto, One Size fits all, saído no Verão de 1975. Ou então, o do ano anterior, Apostrophe, à direita ao alto. Ou mesmo Overnite Sensation, de 1973 e ao centro em baixo, espalmado para mostrar o desenho da capa.
Esses três discos de Zappa eram passados várias vezes nos programas Espaço 3P ( Boa noite em FM, Banda Sonora e Perspectiva), à noite. Lembro-me de um deles, provavelmente One size fits all ser da preferência de um magnífico apresentador de rádio que já morreu, Jorge Lopes e que fazia também locução em provas desportivas de atletismo.
A parte final do álbum, com o som grandioso de Sofa nº2, depois de ouvir Florentine Pogen, Evelyn a modified dog e outras era o culminar da experiência sonora da noite.
Desde então não mais esqueci os discos de Frank Zappa que procuro ter na versão original que soa bem melhor que as edições em cd, da Rykodisc, publicadas já depois da morte do artista em Dezembro de 1993.
Em 1976, o disco Zoot Allures, em baixo à esquerda foi o seguinte e depois desse, em 1978 Studio Tan e depois um disco instrumental, em 1979, Sleep Dirt que me lembro de ter ouvido a primeira vez na discoteca Vadeca, em Coimbra, possivelmente através de uma aparelhagem Quad, gira-discos Sansui e colunas de som da Wharfdale. Um som que ainda hoje lembro e que associo a outra música que aí ouvi na mesma altura: Driftwood do álbum Octave dos Moody Blues.
Por muita aparelhagem maravilhosa que me seja dado ouvir, esses sons nunca serão ultrapassados.
Depois desses discos de Zappa apareceram os dos anos oitenta, numa sequência infernal e prolífica que agora sabe bem ouvir mas na altura era demais. O tríptico Joe´s Garage e You are what you is, um dos primeiros discos que comprei, em 1982.
A discografia de Zappa é extensa e contém várias dezenas de originais. Todos de grande qualidade e variedade.
Os primeiros discos, dos anos sessenta, só os ouvi na década de 2000, em cd´s da Rykodisc.
Ultimamente ouvi novamente e muitas vezes os discos antigos dos setenta, na versão original em lp. Studio Tan e o tema Greggary Peccary é uma pequena maravilha, ouvida repetidas vezes assim como o são os três discos da sequência Joe´s Garage. Ou Sheikyerbouti. Ou Ship arriving too late; ou Them or us.

domingo, 11 de março de 2012

Blonde on Blonde outra vez

Estas três imagens, mais uma, do mesmo disco de Bob Dylan, Blonde on Blonde significam três sonoridades distintas. O disco já por aqui foi comentado em tempos. Porém, só agora me foi dado ouvir o LP original, na versão mono e com imagem à direita, em prensagem americana.
Os Lps alinhados são de origem espanhola, dos anos setenta ( referência S 66012 de 1971); checa ( referência 21 0065 6 1302, de 1991) e a original ( referência C2L 41, de 1966) e o cd da Columbia/Legacy, rematrizado em super bit mapping, com 20-bit digital, colecção Mastersound, de 1994.

Tal como a capa dos Lp´s. com tonalidades diferentes entre si, a cor que prefiro é a original, da direita. As cores estão mais suaves e calorosas. E o som também, embora reconheça que a versão em cd é de muito boa qualidade e a prensagem checa melhor que a espanhola. Contudo, a versão mono ouve-se melhor em auscultadores porque mais relaxante e equilibrada. E no interior da capa desdobrável, aparece uma foto de Claudia Cardinale que depois, em edições posteriores, desapareceu.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Neil Young: 40 anos de Harvest

Faz hoje 40 anos que foi lançado o álbum Harvest, de Neil Young nos Estados Unidos.
Na época, meados de 1972, a revista Mundo da Canção, de Julho desse ano, publicou uma recensão crítica que li várias vezes, para reconhecer as canções que passavam no rádio e na página anotei algumas músicas que passavam no programa Página Um de 5.7.1972. Destacava-se uma dos Manassas de Stephen Stills, "what do you do", na verdade intitulada "what to do", do lado quatro do disco também saído nessa altura.
4o anos já lá vão e Neil Young continua a compor e a tocar. Para este ano anunciava-se a segunda recolha dos seus Archives, precisamente para além de 1972 e do disco Harvest, escutado vezes sem conta ao longo destes anos e recolhido em vários formatos: primeiro em lp, depois em cd normal e por fim em dvd-audio e finalmente em blu-ray, na caixa publicada há tempos.




domingo, 12 de fevereiro de 2012

JBL L100

Estas colunas de som, numa publicidade de uma revista americana ( National Lampoon, de Abril de 1973) são as celebradas JBL, modelo Century ou L100, produzidas para reproduzir em casa, em preço mais apelativo, o som dos monitores de estúdio com modelo 4310 e sucedâneos ( 4311 e 4312).

No início dos anos setenta estas eram as colunas que serviam de referência para ouvir em estúdio, com qualidade profissional, o som gravado. Em 1982, Frank Zappa, no disco Ship arriving too late to save a drowning witch, recomendava:
"This album has been engineered to sound correct on JBL 4311 speaker or an equivalent. Best results will be achieved if you set your pre-amp tone controls to the flat position with the loudness control in the off position. Before adding any treble or bass to the sound of the album, it would be advisable to check it out this way first. F.Z."

O assunto ainda suscita debates em fora, na Rede, mas o que me interessava então, para além do som de que não me lembro, era o aspecto exterior, o design industrial do produto.
Lembro-me de ver este tipo de colunas expostas em montras de aparelhagens e ficar perdido de amores platónicos por elas. Para mim, eram demasiado caras e portanto, ficaram sempre nesse patamar de admiração: ao longe e mitificado.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Hi-Fi 1974


Em finais de 1974 a revista Oui americana, publicou estas quatro páginas sobre a Hi-Fi da altura, com um produtor discográfico não identificado e que aparece nas imagens a fazer de guia dos aparelhos mostrados.
As imagens eram e continuam a ser demasiado apelativas daquilo que a indústria do som tinha então para oferecer de melhor. Eram aparelhagens que colocavam no ambiente caseiro o que de melhor havia nos estúdios de gravação. Previa então o dia em que " a home stereo system can be a home stereo and recording system. In a sense that day is already here."
Ainda não estava porque só com o advento da tecnologia digital se concretizou tal desiderato.
Mas o que então havia, em modo analógico é ainda uma pequena maravilha tecnológica.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Banda desenhada-"livrinhos de cóbóis" e primeiras histórias desenhadas

O filme de Clint Eastwood que agora estreou sobre John Edgar Hoover, trata da biografia do antigo director do FBI durante quase 50 anos ( de 1924 a 1972, altura da morte daquele). Numa das cenas refere-se a propaganda à agência de informação em "comic books".
Não tinha dado atenção a tal facto até agora, mas quando era criança, uma das leituras que preferia era esta revistinha que trazia as "aventuras do FBI", lógica sequência daquelas publicações de origem norte-americana que as agências de revistas de cá traziam à estampa.

Como se pode ver por esta capa de revista de época, a figura de Edgar Hoover fazia mesmo a capa...com o relato de supostas aventuras baseadas em casos reais.

Ainda sobre o filme de Eastwood sobre J.Edgar Hoover, um dos casos relatados que o FBI resolveu através do recurso a métodos de polícia científica, foi o do "bebé Lindbergh". A primeira vez que li algo sobre o assunto, muito falado nos EUA, nos anos 30, foi na revista Selecções do Reader´s Digest, versão brasileira e que por cá se vendia.
Por volta de 1970, comprei esta revista numa banca de revistas usadas nas arcadas do café Arcádia em Braga. Relatava a segunda parte do artigo em que se descrevia o rapto do filho de Charles Lindbergh e a história da descoberta da autoria do crime. Fantástico.


No meio editorial da época ( anos sessenta e setenta) estas revistinhas de "cobóis" eram o must de leitura. A fantasia das historietas desenhadas durou enquanto não descobri o Tintin, o Jornal do Cuto e outras revistas, de expressão francófona, como a Pilote e depois a Métal Hurlant.

Porém, tudo começou com estas historietas dos anos sessenta publicadas ao Domingo, num suplemento ilustrado do Primeiro de Janeiro que se publicava no Porto e o meu pai comprava. O Coração de Julieta ainda não era o item preferido, mas com o tempo passou a ser...

Antes havia o Príncipe Valente e as aventuras dos cavaleiros da távola redonda...no mesmo jornal todos os domingos de manhã, lançado de um combóio em andamento por um "jornalista" que vinha do Porto e arremessava literalmente o jornal do combóio e para o meu pai ler. O jornal era lançado, dobrado várias vezes e de um modo que hoje não sei fazer porque ficava do tamanho de um livro, com as folhas entrançadas. Muitas vezes fui buscar o jornal e desembrulhava o pequeno pacote espesso para tentar ver as imagens porque ainda nem sabia ler. Fantástico outra vez.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Ainda os primeiros discos

Estes seis discos são também dos primeiros que comprei, em 1982 e 1983. São todos de prensagem nacional, com capas graficamente fracas.
O de Stanley Clark, Journey to Love, foi uma surpresa porque conhecia um tema- Silly Putty- mas os restantes são de uma qualidade fora de série e para além do típico jazz-rock. O de James Taylor, Sweet Baby James, igualmente me surpreendeu no som de Steamroller e principalmente Blossom.
O disco ao vivo de Simon and Garfunkel, do concerto no Central Park saiu no início de 1982 e foi dos primeiros discos que comprei porque na altura era um must. O disco está muito bem gravado e é uma espécie de best of do grupo.
O dos ABC, The Lexicon of Love, é uma maravilha sonora que me surpreendeu na época e é dos raros discos dos anos oitenta que me despertaram atenção de novo para a música que se produziu na década. Esse e o dos Scritti Politti, Provision.
Randy Newman com Trouble in paradise, de 1983 surpreendeu-me com o magnífico som de The Blues e I´m different, para além de I love LA que ouvi vezes sem conta.
Tom Waits, neste disco, Small Change, de 1976, soava um pouco diferente do disco que então procurava, Closing Time de 1973, mas convenceu-me então a ouvir repetidas vezes I wish i was in New Orleans.

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Os primeiros lp´s

Logo que comprei a Grundig tratei de arranjar e comprar uns discos que lhe fizessem alguma justiça sonora. O primeiro lp que comprei, julgo que terá sido Mirage, dos Fleetwood Mac, saído no Verão de 1982.
A prensagem é portuguesa, da Radio Triunfo e tem um bom som ( ainda não comparei com a versão americana, original, mas tenho o anterior do grupo, um megaseller, em prensagem americana e não noto diferença significativa). Mirage é um disco em que todas as músicas se ouvem muito bem. Em cassete, no carro, era um must.
O som dos Steely Dan, da colectânea Gold, foi outro lp porque era então um dos grupos cuja música ia descobrindo, mesmo sem conhecer todos os lp´s anteriores. E o de Kevin Ayers, That´s what you get babe tornou-se um dos discos mais interessantes de ouvir. J J Cale começou com Shades, de 1981 mas depressa evoluiu para o seguinte Grasshopper, saído em 1982. Ambos com prensagem portuguesa, aliás como o de Kevin Ayers.
Algum tempo depois, esse, mais o dos Cars e ainda o Ry Cooder, Bop Till you drop, sofreram um acidente: um cunhado meu pediu-mos emprestados para gravar ( tinha uma excelente aparelhagem Onkyo, ainda hoje muito boa) e quando mos ia devolver esqueceu-se dos mesmos na mala do carro. Era Verão e os discos sofreram um efeito do calor: entortaram ligeiramente. Com o passar dos anos regressaram mais ou menos a um estado primitivo, com a pressão sofrida. Ainda assim, comprei dois deles em Espanha ( o dos Cars e o de Ry Cooder). A prensagem não é diferente.

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Os primeiros cd´s


Os primeiros sons de cd´s que ouvi, eventualmente em 1983 ou já em 1984, foram no Rádio Popular de Vigo que consagrava uma hora ao "som digital", quase diariamente.
Gravei uma cassete ( da marca portuguesa Sonovox, em dióxido de crómio e que ainda funciona muito bem passados estes anos) com esses sons, na aparelhagem Grundig mostrada abaixo: Ry Cooder, do disco Bop Till you drop, publicado em cd logo em 1983; Led Zeppelin e Going to California; Joni Mitchell e Twisted, do disco Court and Spark; Foreigner e Urgent e ainda Boston do primeiro disco.
Nessa altura, também em Vigo, no El Corte Inglès, vi e ouvi pela primeira vez, ao vivo, uma aparelhagem da Sony, com o aparelho de leitura de cd´s. Provavelmente semelhante ao da imagem e que se encontrava num rack fechado, de vidro, quase em redoma.
As colunas de som, essas também eram diferentes, como se mostra neste anúncio da revista High Fidelity de Maio de 1984. A Sony tomava a dianteira no mercado com estes truques de marketing. Numa recente Hi-Fi News, escrevia-se que o aparelho da Philipps de leitura de cd´s, da mesma altura porque o cd foi uma invenção conjunta Sony- Philipps, era tecnicamente superior. Mas o que se vendeu mais foi o Sony. O melhor design era irresistível e as publicidades mostravam-no.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Led Zeppelin e o som recortado de Physical Graffiti

Este disco dos Led Zeppelin, saído nos primeiros meses de 1975 passou pela primeira vez nos meus ouvidos, no rádio do programa Página Um, em Abril de 1975 ( o programa esteve interrompido por causa do PREC, desde meados de Fevereiro desse ano, até 5 de Abril). Nesse mês e seguintes, o disco passou com regularidade diária e a audição de Boogie with Stew, Kashmir, Down by the seaside, In the Light e In my time of dying tornou-o um dos discos que então mais apreciava.
Foi um dos discos que pedi para me gravarem em cassete ( os outros foram Bullinamingvase, de Roy Harper e Sometimes you eat the beer, de Ian Matthews) e ouvia-o num rádio da Grundig ainda em mono e depois no carro de um amigo que tinha leitor de cassetes.
Seja como for, o som que então ouvia marcou-me de tal modo que ainda hoje com a audição do lp em aparelho hi-fi e na presagem alemã, da época ( imagem acima e muito procurada) não consigo retirar o sumo sonoro que então era vertido nessas audições.
O disco tinha sido reportado por Nick Kent ( de quem anda aí uma autobiografia muito interessante-Apathy for the Devil) que tinha uma relação privilegiada de proximidade com os membros do grupo, no jornal semanário inglês New Musical Express que comprei em Dezembro de 1974 ( imagem abaixo) e que trazia uma recensão crítica muito pormenorizada do disco, com a indicação dos tempos de duração das faixas e apreciação do valor de cada uma por um Nick Kent que então já se entregara às drogas, como confessa no seu livro, mas que era incapaz de escrever sob a sua influência. E escrevia bem.
Passados dois meses, na edição de Fevereiro de 75, a revista Rock & Folk publicava a mesma recensão crítica deste disco dos Led Zeppelin que cheguei a ouvir em cassete, no ano seguinte e nos passeios de domingo no carro de um amigo que nos levava para aldeias vizinhas para ver as raparigas que estavam disponíveis ( para namorar, claro, e foi assim que o Luís casou com uma delas). Esse disco e o dos Queen, A night at the opera, também de 1975, era um must desses preâmbulos...quando ainda nem tinha 20 anos.

terça-feira, 17 de janeiro de 2012

As primeiras gravações digitais

Estes três lp´s são aparentemente três dos primeiros discos gravados digitalmente. O primeiro, Bop Till you Drop, de Ry Cooder, é de 1979 e terá sido o primeiro disco a ser gravado em formato totalmente digital, numa máquina da 3M- DDS-in 1377, aqui mostrada e que gravava em 32 pistas.
Serviu para gravar Bop Till You drop e ainda o disco de Donald Fagen, The Nightfly, de 1982 e eventualmente o disco Gaucho de 1980, dos Steely Dan, embora a gravação final seja analógica essencialmente. Os Steely Dan não apreciam o som digital, segundo consta. Mesmo em altas resoluções ( 24/96 ou 192).
A gravação de The Nightfly foi da responsabilidade de um engenheiro de som chamado Roger Nichols, responsável por outras gravações dos Steely Dan e que morreu em Abril de 2011. O disco de Stevie Wonder, Hotter than July, de 1980, tem uma menção expressa a um sistema de gravação digital da Sony a que chama Professional Digital Audio System, com publicidade neste anúncio da revista americana High-Fidelity de 1985.

segunda-feira, 16 de janeiro de 2012

1982: a primeira aparelhagem hi-fi

Faz este ano 30 anos que comprei esta aparelhagem da Grundig. Numa altura em que o cd era apenas um projecto que se concretizaria no ano seguinte ( os primeiros cd´s produzidos em massa são já de 1983) o disco lp, de vinil era o meio preferido de audição e gravação em cassete para ouvir no carro ou em modo mais prático, permitindo selecções musicais ao gosto do ouvinte. Fartei-me de fazer compilações em cassete de músicas de lp´s e que ainda guardo, mantendo a qualidade relativa dessas gravações.
A aparelhagem Grundig custou na altura um pouco mais de trinta contos, com colunas que eram adquiridas à parte. Para compensar a qualidade sonora podia sempre arranjar-se uns auscultadores que davam um ambiente sonoro mais intimista e preciso.
O gira-discos acoplado na aparelhagem era da Dual, americana com representação na Alemanha e a cabeça de leitura foi eventualmente trocada por uma Audio-Technica ainda em modo magnético. As moving coil viriam algum tempo mais tarde, em meados da década e com outra aparelhagem.
Ainda assim esta aparelhagem produzida em Portugal, pela Grundig de Braga, era uma novidade apetecida porque era indubitavelmente hifi, respeitando as normas DIN e foi nela que ouvi os primeiros discos a sério e com qualidade sonora já elevada. O gravador de cassetes incluído tinha já sistema de redução de ruído Dolby ( B) e permitia a gravação e leitura em cassetes de dióxido de crómio ou mesmo metal.

O sintonizador de rádio era uma beleza que permitia a gravação de temas avulsos ou discos inteiros quando passavam, o que acontecia cada vez menos depois de nos anos setenta ser coisa comum. Uma boa parte dos discos que me interessava então ouvir, escutava-os a horas mortas nos programas de rádio em FM, na Rádio Comercial, com o Espaço 3P ( Boa noite em FM, Banda Sonora, Perspectiva, por exemplo) e Em Órbita.
O disco que mais me marcou então foi o Still Life dos Van Der Graaf Generator, de 1976, mas nos anos seguintes a emissora que marcou os meus dias de rádio foi a Rádio Popular de Vigo que se apanhava muito bem em FM, na região onde vivia.
Muitas músicas que nunca ouvira em Portugal passaram a ter hora marcada de audição, por volta das 7 da tarde, num programa cujo indicativo era um instrumental de Jean-Luc Ponty. Jackson Browne, por exemplo, no disco Running on empty e a canção Stay. A primeira vez que ouvi Comes a Time de Neil Young, em 1978, foi nessa emissora galega. Idem para um tema de Kenny Rogers, Ruby don´t take your love to town, de 1969 mas regravado então e que passava muitas vezes, em 1978. Gerry Rafferty e City to city; Wings e London Town; Tubes ao vivo; Take it to the limit dos Eagles, cantado por Jimmy Buffet; os Eagles, porque saíra em 1976 o Greatest Hits, etc etc.
Foi nessa emissora e nesta aparelhagem que ouvi pela primeira vez o som digital do cd e até havia um programa especial em que passavam apenas discos em cd. Julgo que se chamava "digital em fm" e passava por aí em 82-83. Gravei algumas músicas: Rosana e Africa, dos Toto do álbum IV, de 1982 e que soa espectacular numa boa aparelhagem. Ainda hoje ao ouvir o sacd desse disco, me lembro da qualidade virtual que se adivinhava na emissão da Rádio Popular de Vigo. Simon & Garfunkel, do álbum Bridge over troubled water, um dos primeiros discos de cd que apareceram no mercado; os Dire Staits de Love over gold, saído em 1982 e principalmente Gaucho, dos Steely Dan.
Foi nessa Grundig que aprendi a gostar de hifi e ainda hoje busco o nirvana sonoro com memórias desse tempo.
Foi nessa aparelhagem que ouvi pela primeira vez, em 1982, os discos dos Beatles reeditados então em Portugal, gravando o álbum Branco pela primeira vez. No entanto, foi na Rádio Popular de Vigo que ouvi pela primeira vez Two of us, na mesma altura. Mais de dez anos depois de sair em Let it be.

Discos de 1981

Durante o ano de 1981 sairam poucos discos interessantes. Poderia dizer que foi já nesse ano de início de década que comecei a desinteressar-me das novidades da música pop/rock e comecei a descobrir alguns discos saídos em décadas anteriores.
Ainda assim, em 1981 ouvia os Moody Blues, de Long Distance Voyager bem como New Order, com o lp Movement o primeiro disco que comprei com dinheiro que ganhei. Foi uma escolha consciente e a edição do LP é portuguesa da Vimúsica.
Outros discos saídos em 1981 e que não figuram na imagem são os Styx, com Paradise Theater; Smokey Robinson e Being with you; David Lindley e El Rayo X; Kid Creole e Fresh Fruit; John Lennon e Double Fantasy e ainda Milton Nascimento, Eu caçador de mim. E ainda um grande disco que só descobri mais tarde- Pat Metheny com As falls Wichita so falls Wichita falls. Grande título!
Foi em 1981 que comecei a trabalhar e foi já em 1982, faz agora trinta anos que pensei em comprar a primeira aparelhagem de som verdadeiramente hi-fi.

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Revistas de 1981

O ano de 1981 foi relativamente fraco em revistas coleccionadas. Algumas, como certas Time ou Newsweek desapareceram. Ficaram as de música- Rolling Stone, ano completo e Rock & Folk, também ano completo e desenhos- Métal Hurlant também completo.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

Amazing Blondel

Estes três discos do grupo Amazing Blondel são os essenciais para escutar a música deste excelente trio tipicamente inglês. O primeiro, Evensong de 1970, introduz o estilo musical de marca, tendo como cenário alegórico, os claustros de um mosteiro algures.
Fantasia Lindum de 1971 é uma variação sobre o primeiro disco com dois temas de ouvir e chorar por mais: Celestial Light e Safety in God alone, este ligeiramente ritmado e com um coro a trio de ouvir em recolhimento espiritual como um hino.
O terceiro, England, de 1972 é o culminar das sequências acústicas de flauta, guitarras e orquestra, com as vozes dos músicos em coro e é uma perfeita delícia musical. É um disco que ouvia nos anos setenta, a horas mortas da madrugada do FM Estéreo. Uma suite completa de sons delicados e acústicos, com ressonâncias de madrigais que encantam o ouvinte de um tema para o outro, num encadeamento raro de invenção e variação sobre um tema.
Três dos melhores discos da folk britânica.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

Discos de Dezembro de 1974

No final do ano de 1974 ouvia muito rádio, particularmente o programa Página Um, conduzido então por Luís Filipe Martins. O apontamento supra respeita à última emissão desse ano, dedicada a uma espécie de apanhado do ano inteiro.
Nessa altura, o rádio era a melhor maneira de ouvir a música popular que me interessava porque os discos nem sempre chegavam às lojas e quando chegavam era com atraso de alguns meses. No mês de Dezembro de 1974, andava muito interessado na música dos Crosby Stills Nash & Young, cuja tournée, esse ano, em Londres dera muito que falar e escrever. Foi por causa disso que comecei a comprar a Rock & Folk, em Novembro, comprando também a do mês anterior e folheava as revistas várias vezes, lendo e descobrindo coisas da música que me determinaram o gosto. Dos Grateful Dead, capa de Outubro não conhecia quase nada porque os discos não passavam no rádio e nunca os vira nos escaparates. De Frank Zappa, com várias páginas nesse número tinha ouvido já alguns temas que achava fantásticos, eventualmente do disco ´Apostrophe. De Robert Wyatt, um inglês que passara pelos Soft Machine e já estava em cadeira de rodas depois de ter caído de uma janela alta, apresentava-se então o disco Rock Bottom, que não tinha ouvido mas já sabia ser um portento. E de um disco que então passava no rádio reunindo Kevin Ayers, John Cale, Brian Eno e Nico, June,1 1974. O grupo Refugee que também passava no rádio ( no programa de Fernando Balsinha, acho) e que integrava Patrick Moraz era então motivo de interesse em leitura.
Foi nessa altura que tomei conhecimento com os Sparks através de uma entrevista de Paul Alessandrini que deu a ouvir a Russell Mael temas musicais variados, em "blind test" para o mesmo comentar. Nunca tinha lido nada assim.
As imagens do concerto dos CSN&Y em Londres, da autoria de Jean Pierre Leloir ( qui d´autre?) eram fantásticas e a cor da madeira das guitarras acústicas dava vontade de ter uma, debruada a madrepérola. Na crónica dos discos havia Rory Gallagher e Irish Tour´74 que ouviria muitas vezes no Página Um, nos meses a seguir e que se tornou então um dos melhores discos ao vivo de sempre. Só nos anos 2000 arranjei o LP original. E John Lennon, de Walls & Bridges, cujo tema Whatever gets you thru the night é um dos que me lembra o Natal de 74 a par de #9 dream e de War Child dos Jethro Tull.
Pelo contrário do disco dos Steely Dan, Pretzel logic nada conhecia. Só muito mais tarde, lá para o início dos anos oitenta vim a descobrir tal preciosidade. Quanto ao Red dos King Crimson, esse foi dos que me despertou logo curiosidade porque gostava de ouvir Providence e outras. Era então um dos meus discos preferidos. A par do June, 1 1974.
Um disco de Joe Cocker, I can stand a litttle rain, tinha uma canção que passava no Página Um- You are so beautiful.
Foi a partir daqui, em finais de 1974 que a música popular se expandiu, para mim. Até então, os motivos de interesse eram relativamente estreitos e cingidos a certos músicos e a algumas músicas. Desde essa altura, porém, os horizontes alargaram-se sempre em expansão até meados dos anos oitenta em que esse mundo cósmico entrou em recessão e começou a contrair poupando a maior parte dos grupos e artistas que me interessavam em 1974 e nos anos a seguir e relegando para o esquecimento ou desinteresse todos os demais.
Simultaneamente, descobria a música popular brasileira- Milton Nascimento, Chico Buarque e Caetano Veloso, mais Gilberto Gil ( saiu nesse ano o disco fabuloso Temporada de Verão que tem "Felicidade", um tema fantástico) e a francesa com Serge Reggiani ( Tes Gestes) ou Georges Moustaki ( Portugal e Danse, por exemplo).
O ano de 1974 representou assim uma revolução no meu particular gosto musical e cedo se manifestou a tendência progressista ( ahahaha!) através de um gosto pronunciado pelo rock sinfónico, como se dizia então. Os Yes de Relayer e os Emmerson Lake and Palmer, também. Os Gentle Giant viriam dois anos depois, com a descoberta de Interview, mas os Van der Graaf Generator foi logo a seguir, com Godbluff e tornou-se o principal grupo de culto.

Em Dezembro de 74 a revista alemã Pop publicava esta publicidade aos discos então surgidos no mercado:

Os verdadeiros lp´s só mais tarde os arranjei, como aí estão, mas fazem-me sempre lembrar essa imagem da Pop, tal como esta imagem abaixo, da Rock & Folk de Outubro de 1974 me faz lembrar como gostaria então de ter uma aparelhagem de som como esta. Tudo num! Gira-discos, rádio, gravador de cassetes. E muitos botões a prometer regulações no som e equalizações fabulosamente imaginadas. Não sabia ainda que havia graduações na qualidade do som, em conformidade com os componentes e aparelhagens, mas este modelo servir-me-ia então às mil maravilhas- se o pudesse ter. E não podia...daí a fantasia que perdurava naquelas páginas da Rock & Folk, tal como se produzia ao ler os textos de recensão crítica dos discos com imagens da capa e que eram já de alguma forma ouvidos, só de os ler...
Esse tempo de alguma fantasia e encantamento sonoros, ficaram para sempre na memória e de um modo tão marcante que nunca mais houve outro assim.
Tal como Milton Nascimento cantava no álbum Minas, na canção Saudades dos aviões da Pan-Air, "cerveja que tomo hoje, é apenas em memória dos tempos da PanAir", assim a música dos Roxy Music, do disco Country Life é apenas a que tenho em memória desse tempo. Já ouvi os cd´s rematrizados e sem o ser; já ouvi várias prensagens do LP e não é a mesma coisa. O som que hoje ouço, com a qualidade toda de uma aparelhagem de alta-fidelidade não é o mesmo que ouvia num rádio Grundig em monofonia e a escutar os últimos compassos de The Thrill of it all ou All i wat is you.
O mesmo se passa com o lp dos Led Zeppelin, Physical Grafitti, de 75. O som de hoje não me repõe o que tenho em memória dessa época e não é truque do tempo. É mesmo um truque do som, porque há outros discos que ouço como se fosse então e ainda outros ( Bob Dylan e Blood on the tracks, por exemplo; ou I´ll play for you dos Seals & Crofts) ) que ouço muitíssimo melhor agora. Melhor, em qualidade intrínseca do som. Portanto, algum fenómeno ocorreu: ou os lp´s que tenho não são tão bons como os que passavam no rádio de então ou o efeito sonoro desses lp´s era mais eficaz em monofonia. É caso estranho para resolver com tempo. Isso já me conduziu a arranjar várias versões do mesmo disco e por vezes fico satisfeito. Outras, ainda não. O último disco que me preencheu todo o espectro sonoro da minha memória foi o X dos Chicago em prensagem americana. E o Venus and Mars dos Wings. Acrescento que tal experiência, de reprodução de um som antigo, reconhecível imediatamente, é algo inefável e dado a iniciados, penso.

domingo, 11 de dezembro de 2011

Bob Dylan 1972



Este single de Bob Dylan foi publicado em Portugal em 1972, apesar de ter saído originalmente em finais de 1971 e não fazer parte de nenhum LP.
Foi com este single que descobri um novo interesse na música de Dylan, para além das canções dos anos sessenta que passavam no rádio da época e que eram poucas. Blowing in the wind, talvez. The times they are a changin´, possivelmente. Mas nada me lembra Blonde on Blonde ou mesmo de Highway 51 Revisited, que tivesse ouvido e registado, só para mencionar dois dos mais importantes discos de Bob Dylan da década de sessenta. É possível que outras canções de Dylan despertassem interesse, mas em 1971 e 1972 não houve registo de LP por parte do cantor. O anterior LP, de 1970, era New Morning e a canção que me lembro desse disco é If not for you, mas não me recordo de a escutar no rádio da época. E do anterior a esse, Self-Portrait, também de 1970, ainda menos lembro.
Foi portanto com a audição de uma "canção de protesto" de Dylan que comecei a interessar-me pela obra do cantor americano.
Este single tem a particularidade de ser edição diferente das demais que se publicaram na época. A cor da capa, a sugerir o Lp Greatest Hits vol. II, saído na mesma altura, variava do azul para o rosáceo.
O desenho da contra-capa, apócrifo, remonta a 1976 e à época de Blood on the tracks. O single, com outros discos aqui mencionados, pertence ao meu amigo José Gomes, o titular das novidades discográficas dessa época e que ontem me emprestou o disco para aqui reproduzir. A par desses lá estava o dos Santana, Abraxas, uma referência da época.

domingo, 27 de novembro de 2011

O mundo fascinante dos....catálogos

No início dos anos setenta dei conta de que havia mais livros nas livrarias do que aqueles que poderia ler e muito menos comprar, embora muitos me fascinassem pelo aspecto gráfico e pelo conteúdo que prometiam. As montras das livrarias de Braga ( a Livraria Cruz e uma outra na rua do Souto) eram um fascínio para mim.
Como não podia ter muitos livros arranjei um sucedâneo: ter os catálogos das livrarias para verificar o que havia e me interessava. Por isso mesmo comecei a escrever às lvrarias conhecidas de então e pedia-lhes para me enviarem catálogos. E a maioria não se fez rogada e lá foi mandando, ao longo dos anos.
A Europa-América e a Bertrand eram relógios suíços a publicar catálogos e lá os fui coleccionando. A Bertrand, além dos catálogos, enviava aquilo que hoje em dia se chama newsletter- folhetos mensais ou trimestrais com as novidades a assinalar. Alguns desses exemplares de início dos anos setenta aí ficam na imagem.
Julgo que o primeiro catálogo que pedi foi à União Gráfica (segunda imagem à direita, com cor verde alface e preto) que pertencia ao grupo da Renascença, ou seja ao Apostolado. E o da editorial Aster, na imagem acima foi obtido em Junho de 1969. Tinha então 12 anos. Um dos livros da Aster que me interessavam, vá-se lá saber porquê ( e que nunca tive, aliás) era Paideia de Werner Jaeger, um helenista que provavelmente era ensinado na Universidade portuguesa. Ainda será?

sábado, 26 de novembro de 2011

1970


Em 1970 a Flama publicou uma série de "cromos" com fotos de grupos de música popular. Uma delas fica acima, com os Pop Five Music Incorporated, um dos mais progressivos conjuntos musicais da época, cujo principal mentor, Miguel Graça Moura compôs o Page One que dava o indicativo do programa Página Um, na R.R.

Abaixo, uma imagem do Diário Popular de 6.11.1970, com o hit parade de então, em várias capitais europeias. Destaque para os Tremeloes, com Me and my life, Song of Joy de Waldo de los Rios e Wild World, de Cat Stevens, na versão de Jimmy Cliff. Eram músicas que me lembro bem de ouvir.

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Mais imagens de 1971

Este pequeno apanhado de imprensa e referências do tempo, no início dos anos setenta ( o desenho é de 1971) resumia o interesse que me despertavam os jornais e acontecimentos mundiais da época, particularmente na sociedade norte-americana.
O caso de George Jackson tinha importância na época porque foi cantado num single de Bob Dylan publicado nesse ano e que ouvi regularmente na casa do meu amigo Zé Gomes. Foi por esse disco que de algum modo comecei a despertar interesse na música de Dylan que até então não conhecia a não ser um Blowin in the wind que até fora adaptado para música de igreja ( tal como algumas de Paul Simon). O caso Ângela Davies inseria-se no mesmo contexto social das lutas pelos direitos cívicos nos EUA e que aqui eram noticiadas por jornais como o Diário Popular de onde foram copiadas as caricaturas de algumas figuras que aparecem no desenho e que são originalmente da autoria de José Lemos, um desenhador de jornal injustamente esquecido.

segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Diário Popular 15.1.1971


Esta imagem com caricaturas de músicos pop foi publicada no Diário Popular de 15.1.1971. Foi nessa altura que comecei a descobrir a música popular de expressão anglo-americana e os nomes dos músicos caricaturados tornaram-se uma charada que fui descobrindo aos poucos.
Faltava um ou outro. Por exemplo, John Peel, um apresentador da Radio One e que só descobri em 1975, passando a ouvir o Top Gear em onda curta. É um dos que não foi devidamente assinalado.