sexta-feira, 15 de julho de 2011

Bob Dylan- memórias de Blood on the tracks

Se há disco de Bob Dylan que mereça atenção é este, de finais de 1974 e o último que merece a pena ouvir integralmente com o espírito dos anteriores. Depois deste não houve mais e Bob Dylan, para mim acabou aqui, artisticamente. Durante o ano de 1974, em finais, saiu um duplo ao vivo, Before the Flood que me preparou para ouvir este, quando saiu.

O disco começou a passar na Página Um da Rádio Renascença em 18.2.1975 ( apontei a data) e possivelmente com a faixa Idiot Wind, mas também You´re gonna make me lonesome when you go, Lily Rosemary and the jack of hearts e Tangled up in blue. Lembro-me de ser anunciado como novidade vinda de Londres, ( Fernando Tenente?) e era disco esperado.
Não faço ideia porque é que Luís Filipe Martins escolheu essas faixas e não outras, bem mais interessantes, como You´re a big girl now ou a pérola do disco, If you see her say hello. Lembro-me porém que insistia muito em Idiot Wind e Lily Rosemary and...que ainda passou em 1.6.75.
Na altura lia a Rock & Folk e ouvia o disco pela leitura e por passagens avulsas no rádio da época.

O disco, verdadeiramente, só o ouvi integralmente, mais tarde, no Verão de 1976. O meu amigo Zé Gomes foi a França ( tinha lá os irmãos e passava lá temporadas, ao chegar o Verão) e trouxe de lá o LP que passava constantemente no velhinho gira-discos. O LP era a prensagem francesa do disco, semelhante à original americana na contra-capa. Logo que disse a um dono de uma discoteca local que tinha tal disco, o mesmo pediu-lho para apresentar na montra, porque ainda não tinha chegado a Portugal, mais de um ano depois de ter saído.
Este pequeno pormenor mostra até que ponto era difícil conseguir por cá discos originais que fugiam do mainstream comercial e com venda assegurada por causa dos tops.
A par do disco ( e talvez o dos Sparks, Kimono my house) trouxe pela primeira vez a Métal Hurlant, o número 7, embora o que eu pretendia fosse o número 6 com capa de Moebius/Gir. Já não havia nos quiosques...e por isso veio o nº 7 cuja capa viria a fazer furor anos mais tarde quando a etiqueta de roupa Fiorucci se lembrou de imitar o estilo gráfico de Robial, com setinhas a esvoaçar em imagens estilizadas.

Esse LP, provavelmente de prensagem francesa tinha a contra-capa original, ainda com o panegírico de Pete Hamill, um crítico americano e que em edições posteriores desapareceu para dar lugar à ilustração que se pode ver, alargada à capa inteira. Essa contra-capa, li-a vezes sem conta neste mesmo sítio enquanto escutava o disco, tentado dedilhar os acordes em consonância numa velha guitarra acústica desafinada ( só aprendi a afinar em Outubro de 1976, pouco de pois disso).

Nos anos oitenta arranjei a versão espanhola do disco, em "precio redondo", cuja capa pouco tem a ver com a original em termos cromáticos e de textura. Com ele gravei a cassete com temas avulsos. juntos com outros de vários artistas cujos Lp´s fui conseguindo arranjar.
Depois disso, aquando da reedição de alguns discos de Dylan em SACD, em 2003, arranjei o disco cuja edição é bem cuidada e com qualidade sonora apreciável.
No entanto, agora que arranjei o original em prensagem americana, tenho mais uma vez a declarar que o vinil ainda é o meio ideal para reprodução deste tipo de música.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

Hi fi 1974


Em 1974 e anos seguintes os anúncios nas revistas americanas acerca de aparelhagens de som eram fantásticos e pouco depois, nos dois anos seguintes já não se encontravam essas pequenas maravilhas da técnica electrónica por causa da crise económica que se abatera sobre Portugal. O contrabando acabou por suprir as carências de alguns interessados e havia nichos dessa actividade nas principais cidades do país. Encontrar um par de colunas JBL, como as acima mostradas, era muito difícil. Tal como as aparelhagens japoneses que nessa época invadiam o mercado de consumo electrónico.
Mas os anúncios permitiam pelo menos ficar a conhecer o que havia no mercado.

Hi fi para pobres

Em 1974 a música que ouvia no rádio ainda era num parecido com este.


Os anúncios de jornal ( aqui, no Expresso) mostravam aparelhagens de alta fidelidade com componentes que incluíam gravadores de cassete. Na altura, o design e a imaginação acerca do som faziam-nas objectos apetecíveis.

Na revista Pilote desse ano de 1974, o anúncio à mesma aparelhagem Sony era mais aperfeiçoado e apelativo. Um must e que fazia sonhar.

Portanto, para juntar a música de rádio que então passava albuns completos e dava a conhecer as novidades do momento que eram e continuam a ser os clássicos do rock, com a possibilidade de os gravar, o melhor seria um combinado assim. Neste caso, da Philips. Havia um que era vendido num clube do livro e do disco, recém formado em Lisboa ( Av. Duque de Ávila) e com sucursal no Porto, na av. da Boavista, perto do Foco. Cheguei a ir até lá para o trazer, mas não tinham para entregar.


E como quem não tem cão caça com gato, arranjei este magnífico felino da tecnologia alemã, pronto para captar as melhores ondas sonoras em FM. E em AM também porque era nessa largura de banda que apanhava o programa de John Peel, Top Gear, na Radio One da BBC. Mais tarde juntei-lhe um pequeno gravador de cassetes da Philips. E durante anos foi assim que gravei a música que fui conhecendo e que agora recupero em LP´s originais.

quinta-feira, 23 de junho de 2011

Compaq anúncio


Outro anúncio ( da revista Wired dos primeiros meses de 1995) a um produto excelente é este do portátil da Compaq LTE 5000 que então comprei e ainda guardo. Um pequeno computador com um acabamento técnico excepcional e um design ainda melhor.
Logo que vi os anúncios nas revistas de informática, em 1995, não descansei enquanto não arranjei um. Serviu-me muito bem durante algum tempo e foi nesse portátil que acedi à internet pela primeira vez, pelo Sapo.
A Byte de Junho desse ano mostrava o produto concorrente, da Toshiba. Só alguns anos mais tarde troquei a Compaq pela Toshiba que foi na primeira década de 2000 o computador de eleição.

Anúncios de luxo

Em 1995 a Apple começou a mostrar estes anúncios em algumas revistas americanas, como a Wired. Este vinha na Premiere de Março desse ano e foca os novos Powerbook, portáteis de design excelente e que a Apple publicitava com figuras conhecidas e que mostravam o que supostamente guardavam no pequeno computador. Eficaz e anúncio de luxo.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Camel publicidade

No Verão de 1975 dei as primeiras passas num cigarro. O meu amigo Garrido, em pleno serviço cívico, fumava SG Gigante. Lembro-me bem, como se fosse hoje: no largo de Vila Nova de Cerveira, à tardinha, fumei, travei e tossi. Mas ficou-me o gosto e repeti. Dali a dias estava a comprar tabaco. Primeiro SG e depois Kart, marca que mantive até deixar o tabaco definitivamente e sem remorsos, em 1.1.1981 quando já fumava mais de um maço por dia. Foi num Domingo, de manhã e quado ia para a missa. Saí de casa, já atrasado como de costume e de caminho puxei pelo cigarro cujo maço guardei durante anos para me lembrar. Não o cheguei a fumar todo embora o caminho desse para tanto. Deitei-o fora e decidi que naquel dia não voltaria a fumar. E no dia seguinte fiz a mesma promessa, o que me custou um pouco. E por ali fora, semanas, meses e anos. No entanto sempre me lembrei do sabor e travo do fumo em certas altura, como de manhã ao acordar ( mas nunca em jejum, como o meu pai fazia) ou depois de tomar café. Por vezes sonhava com o facto de estar a fumar de novo.


Um dia de Ano Novo, em 1999, no fim do almoço em família alargada os meus cunhados apresentaram charutos cubanos, genuinos. E então pensei: charuto não é cigarro, uma vez não são vezes e cedi à tentação. Acendi um e depois de algumas baforadas travei o fumo inadvertidamente e depois propositadamente. A experiência afigurava-se promissora da retoma do fumo porque o prazer do travo era tentador e renovado. Evidentemente é esse o perigo para quem deixa de fumar e cede à experiência de "só um , desta vez". Mas tive sorte.


Apanhei um tão grande enjoo que me indispôs o dia todo e...foi remédio santo. Nunca mais fumei nada de espécie alguma e nunca mais voltei a pensar ou a sonhar com o fuminho.

Em 1976, em Coimbra, por força do anúncio publicitário supra ou outro parecido, publicado nas revistas americanas, procurei nas tabacarias este maço. Precisamente este maço- e não encontrei. Havia os de caixa dura mas este não. A estética da embalagem sempre me fascinou. E as dificuldades de importação que então havia ( crise económica em crescendo, já em 1976) restringiu o consumo deste tabaco estrangeiro, embora o contrabando prosperasse nessa época por causa disso.

Guitarra acústica e publicidade

Este anúncio à guitarra acústica Epiphone vinha publicado numa revista National Lampoon de 1975. Nessa altura andava à procura de uma "baratinha" e que fosse uma imagem daquelas que via aos músicos americanos: geralmente Martin ou Gibson, com preços proibitivos. Esta Epiphone, uma espécie de subproduto da Gibson, com a sua tampa clarinha e formato folk atraía-me a atenção. O anúncio esse, nunca mais o esqueci. Um grande anúncio. Quase se adivinha o som da guitarra e a suavidade das cordas a vibrarem no ar.
O som da guitarra acústica com cordas de aço ou bronze sempre foi dos que mais apreciei e é para mim um som sublime. As diferentes marcas de guitarra conferem sonoridades diferentes aos seus instrumentos e há quem distinga os mesmos só pelo ouvido. No you tube há quem se divirta com isso, com grande categoria.

Grateful Dead-National Lampoon

Sempre gostei da imagem deste LP dos Grateful Dead que só ouvi nos anos noventa. A imagem de publicidade ao disco, essa, saiu numa National Lampoon de 1975. O verde intenso e o contraste do restante desenho em relevo trompe l´oeil sempre me fascinaram.

sábado, 21 de maio de 2011

O processo criativo dos Beatles

[Beatles: gravação de Strawberry Fields Forever.]

Na Rock & Folk de Novembro de 1972 vem um artigo sobre os Beatles, extraído de um livro sobre os Beatles, de Alain Dister. Em dada altura, escreve o autor:

John e Paul trabalhavam muito as suas próprias canções. Escreveram então [logo no início do grupo] mais de uma centena, entre as quais poucas foram gravadas. "Love me do" que foi o primeiro sucesso e "One after 909" que apareceria no último album figuravam entre essas. A maior parte nunca foi conhecida porque Jane Asher, enquanto Paul ainda vivia com ela, ao arrumar a casa um dia, inadvertidamente, deitou-as ao lixo. As canções já eram assinadas Lennon-McCartney. Tinham uma técnica particular para escrever que mantiveram durante quase todo o tempo em que estiveram juntos. Logo que um tinha uma ideia, escrevia-a num papelinho. Depois, a partir daí, frase após frase construiam um pequeno texto, segundo o método chamado de "tentativa e erro" , lançando as palavras um pouco ao acaso, para verem se colava, reconstituindo pouco a pouco um puzzle minimamente apresentável. O espírito com que John redigia os caderninhos quando era mais jovem intervinha muito no processo de composição: humor um pouco maluco, jogo de palavras, deformação voluntária das sílabas para conferir à mesma palavra dois ou três sentidos diversos. Alguns anos mais tarde os críticos iriam arrancar os cabelos diante do "hermetismo" das canções de Lennon-McCartney, cada um com a sua explicação, para o maior divertimento dos dois compadres...

sexta-feira, 13 de maio de 2011

Nico e o poster

Esta imagem de Nico ( antiga cantora dos Velvet Undeground, já falecida e que na altura esteve em França num concerto a solo) foi publicada na Rock & Folk de Fevereiro de 1975 , como poster nas duas páginas centrais e por algum tempo esteve na parede do quarto por causa da beleza da imagem. A imagem da beleza feminina, então, para mim. Então inatingível e depois sublimada. Sem perdas. É uma satisfação interior sentir que se não sente nostalgia a não ser por um tempo que sendo de descoberta, conduziu a esse eldorado da beleza pura.

domingo, 8 de maio de 2011

The Lamb lies down on Broadway- Genesis

Há discos que fui ouvindo muito tempo depois de terem saído. Por vezes anos , como no caso dos discos do Grateful Dead, Little Feat ou até mesmo os dos Beatles. Discos que nunca ouvi, como o Silk Torpedo dos Pretty Things. Discos que ouvi na época em que saíram como foram quase todos os importantes na segunda metade da década de setenta. E discos que "ouvi" mesmo antes de terem saído, por ouvir falar deles e ler o que sobre eles se escrevia.

The Lamb lies down on Broadway, dos Genesis, é um deles. Saído em finais de 1974, antes da sua publicação já se falava no disco. E no rádio de então, num dia de inverno desse ano, num programa que já nem recordo mas com a participação de um dos entusiastas que animavam por vezes os programas, salvo o erro, João Filipe Barbosa ( julgo mesmo que não erro) apresentou um disco-mistério que incitava os ouvintes, logo nos primeiros compassos a adivinhar de quem se tratava...
Lembro-me que ao ouvir os primeiros sons do piano do tema inicial e que dá título ao disco, ocorreu-me que era o novo disco dos Genesis. E tendo acertado, ouvi religiosamente os restantes temas, comentados pelo convidado que apresentava o duplo LP que trouxera "lá de fora". Fiquei logo fascinado com o disco que tem alguns "hits" como "carpet crawlers" ou "counting out time".

Só algum tempo depois, na Rock & Folk de Janeiro de 1975 que chegava por cá semanas depois, li a crítica de François Ducray ao disco, mas nessa altura, ao contrário de outras já me considerava um expert na análise temática do disco que segundo aquele João Filipe Barbosa carecia de várias audições atentas para se extrair toda a essência semiótica dos temas.

A imagem supra é a do disco original, em LP. Há uns anos foi publicado em cd, rematrizado, mas a versão em sacd que nunca escutei e deve ser de muito boa feitura porque a do LP que se segue ( A trick of the tail, do início de 1976) em versão sacd é simplesmente espantosa e superior eventualmente à do LP que também tenho.

Depois desse Lp, no ano de 1975 no Verão quente da nossa democracia, os Genesis estiveram no pavilhão de Cascais para um concerto memorável a vários títulos. Na altura, o Expresso deu-lhe a suprema honra de uma pequena notícia, nas páginas de espectáculos, num artigo de algumas dezenas de palavras assinadas por Pedro Pyrrait. Tempos outros.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

The Who -Quadrophenia

Este disco que é duplo foi publicado em 1973 e foi um estouro musical no ambiente da época. Em duplo LP, o tema musical aludia às rivalidades entre jovens ingleses que se dividiam entre mods e rockers nos anos sessenta.
A música é o melhor que os The Who fizeram e este LP , na sua versão original, tem um som que lhe faz justiça. Mais que o cd rematrizado, publicado em 1996. A sonoridade do Lp relembra-me o que ouvia no rádio de então e que cheguei a gravar numa cassete especial da BASF que comprei de propósito para gravar LP´s inteiros e que então passavam no rádio desses anos.
Recentemente ouvi o disco no carro e em casa. E agora no LP original que gravei em 24bits/96KhZ. É uma maravilha de som que mostra um grande trabalho da secção rítmica ( John Entwistle e Keith Moon) em ligação perfeita com a guitarra de Pete Townshend.

Grande disco de que destaco The Punk and the Godfather. E obviamente 5:15. Aqui numa versão do Top of the Pops da época e provavelmente em play-back. Era esse o hit que se ouvia na época, no rádio. O video dá para ver como tocava Keith Moon. E o que Pete Townshend fazia aos instrumentos no fim dos concertos.

Um dos primeiros discos

Este disco de Graham Nash e David Crosby foi editado em 1972 e lembro-me de ouvir a primeira faixa- Southbound Train- que começa com uma harmónica e prolonga a música dos Crosby Stills Nash & Young.
Essa música que ouvira no rádio de então pela primeira vez, ficou-me no ouvido durante anos a fio, bem como a imagem da capa do disco numa discoteca cá da terra. É uma das imagens de capa de disco que me marcou o gosto e durante mais de vinte anos não a revi. Em 1998, a Atlantic, no âmbito da comemoração dos seus 50 anos, publicou o cd, em formato de cartão a imitar o LP.

Mas o LP era inimitável porque recortado na capa que se desdobrava em três, contendo ainda a capa interior as letras e os créditos musicais.

O LP é por isso mesmo um dos meus primeiros discos que só agora arranjei.

Os discos primeiros

Estes dois Lp´s em edição original são de 1970 e 1974. O da esquerda é o Abraxas de Santana e o da direita o Kimono my house, dos Sparks.
São dos primeiros discos que ouvi na época, em casa de um amigo meu- o José Gomes- que os comprara ( ao primeiro por 150$00) e passava com a frequência que só dantes havia em ouvir música: horas a fio e repetidas vezes.
De todas as vezes que lá entrava, o disco que tocava era frequentemente o dos Santana. Provavelmente o melhor disco do grupo e que encadeia todas as composições de um modo musicalmente coerente para o meu gosto. O dos Sparks tocava do mesmo modo e nessa altura ( 74-75) já o ouvira bastas vezes na Página Um da Rádio Renascença da época, apresentado por Luís Filipe Martins.
São dois dos primeiros discos originais que ouvi com a regularidade e que me fizeram gostar dessa música de sempre. Por isso mesmo os comprei agora, na sua versão original em prensagem inglesa.
E soam do mesmo modo que os ouvia na época. E de modo diferente dos cd´s. Mesmo o dos Santana cujo cd comemorativo dos 30 anos, rematrizado e acrescentado, não soa do mesmo modo, apesar de rematrizado e 24 bits numa edição cuidada e já com alguns anos ( é de 1998).
A capa dos discos originais, de prensagem inglesa não é da mesma qualidade que as prensagens americanas, com um cartão mais espesso e cuidado, mas é o que me lembro de ver e ouvir.

domingo, 3 de abril de 2011

Afinal havia outra Realidade


Afinal, a primeira Realidade que comprei foi a que figura em cima, à direita. Mas a primeira revista brasileira que comprei e talvez ainda antes das Selecções, foi a Cruzeiro cuja imagem está à esquerda com o sumário porque a capa se perdeu. É de 28 de Abril de 1970 e folheando a revista percebo a razão de a comprar: Zagalo, treinador da selecção de futebol do Brasil e as imagens a cores e em grande dimensão da exploração da lua, com fotos da Apollo 13 e dos astronautas. Em Abril de 1970 tinha 13 anos e esses eram os temas que me interessavam: espaço e futebol.
A primeira Realidade tem imagens de um tubarão branco, muitos anos antes do filme e com uma foto que me impressionava: a imagem de um indivíduo abocanhado por um desses esquálidos, na região do dorso e que sobreviveu. Mas tinha outra coisa que me levou a comprar: uma reportagem desenvolvida em oito páginas com diversos autores de banda desenhada que não aparecia então por cá: Tarzan de Burne Hogarth; Barbarella, de Jean-Claude Forest; Corto Maltese de Hugo Pratt e Lone Sloane de Druillet.
Só alguns anos mais tarde pude ver e ler algumas das histórias dessas bandas desenhadas mas a primeira vez que vi os desenhos a cores foi nessa Realidade, neste caso alternativa às revistas de bd da época.
Para além disso, havia muitas fotos em modo macro, do cérebro humano, dos neurónios e dendritos. Algo que nem hoje a internet consegue replicar porque as fotos impressas em papel couché ( como se dizia) eram brilhantes de de grande dimensão. Ainda trazia uma reportagem e entrevista extensas sobre Franz Stangl, um nazi que chefiou Treblinka e viveu muitos anos refugiado no Brasil ( onde chegou a ser chefe de departamento da Volkswagen) e depois de preso morreu de enfarte na cadeia ainda antes de terminar a entrevista publicada pelo Daily Telegraph Magazine.
As outras duas Realidades são de Outubro e Dezembro de 1972. Portanto, anteriores àquela que indiquei ter sido a primeira e que só agora descobri. Na de Dezembro vem a história dos Pentagon Papers em papel havana.
A de Outubro trazia uma reportagem alargada sobre a imprensa americana alternativa ou assim. Foi aí a primeira vez que reparei na revista National Lampoon de Doug Kenney, um pequeno génio da edição e que já morreu. E também foi aí que vi pela primeira vez o logotipo do Village Voice, para mim, graficamente, o melhor de sempre em todo o mundo.

quinta-feira, 31 de março de 2011

As revistas brasileiras


No início dos anos setenta, as revistas brasileiras que apareciam por cá eram muitas. E bem feitas, com papel de lustro, a cores e fundamentalmente imitações do que melhor se fazia nos EUA.

Em 1970, talvez em Setembro, comprei a minha primeira Selecções do Reader´s Digest, tradução brasileira da edição original, americana. ( imagem em baixo no meio). Porém, tal poderia ter acontecido antes, em Outubro de 1969, porque conservo um número dessa altura. Já não consigo lembrar a data exacta.

As Selecções eram uma maneira de aceder a diversas leituras em contos, crónicas e pequenos livros condensados na parte final da revista. Nesse primeiro número vinha a segunda parte do "espião que mudou de ideia", numa clara alusão ao tema dominante: a propaganda clara do modelo americano em contraposição ao modelo comunista que a revista desfazia sempre que se proporcionava oportunidade para tal e que era em todos os números.

A descoberta da revista, todos os meses no quiosque da rua de S. Vítor, em Braga ( ainda lá está e basicamente com o mesmo aspecto de há quarenta anos) era uma alegria. Isso e ver o novo número da Mundo da Canção ou da Flama.
A par dessas havia as outras brasileiras. As fotonovelas Capricho, por exemplo e com muita saída nas adolescentes e não só. E depois o resto: Manchete, Cruzeiro, Realidade, uma revista bem cuidada e semelhante à Look americana ou à Paris Match francesa. Ou à Stern alemã.
O primeiro número da Realidade que comprei, em Junho de 1973 e que custava 15$00 tratava de diversos assuntos. No entanto o que me levou a comprar foi uma espécie de encarte em papel havana, com uma história dos índios americanos escrita por Dee Brown. que na altura nem fazia ideia quem era mas agora é possível graças à internet. E trazia ainda um artigo desenvolvido e profusamente ilustrado sobre "o que há de novo na URSS?".

E o artigo de fundo era sobre...o pecado, hoje. E este número tem uma particularidade: tem o primeiro autógrafo que jamais pedi a alguém ( agora há um outro a quem pedi, José Almada): o de António Vitorino de Almeida. Logo depois de comprar a revista encontrei-o na rua e como era espectador atento dos seus magníficos programas de tv, abordei-o e pedi-lhe um autógrafo que o mesmo me deu ali mesmo na última página da revista, a esferográfica azul.

O número de Agosto tinha um artigo muito desenvolvido sobre Hitler, condensado de um livro escrito pelo biógrafo Werner Maser da Der Spiegel e que retrata um Hitler diferente do habitual ogre que era então apresentado a consumo público. Além disso e motivo da compra, um lote das melhores fotografias do século, recolhidas pela Associated Press em álbum com 135 fotos. A Realidade publicou 73. Lá vem a imolação de um budista, pelo fogo, em 1963; a morte em directo de Lee Harvey Osvald; o tiro na cabeça de um um vietcong, à queima-roupa, pelo chefe da polícia de Saigon; o primeiro passeio lunar e muitas outras.

Antes dessa, já conhecia a Cruzeiro e a Manchete, particularmente na época de Carnaval, altura em que a revista esgotava nos quiosques. As fotos eram demais e a espectaculiridade do evento justificava-se. Estes números que aqui ficam são de 1974 e um de 1975. O de Maio de 1974 é de antologia porque tem fotos que nunca apareceram na nossa imprensa, particularmente uma do Largo do Carmo na altura da rendição de Caetano, com pessoas a treparem para as pequenas árvores então existentes no local ( actualmente umas vetustas árvores) e incluindo uma, a preto e branco, de Sousa Tavares ( pai) de megafone em punho empoleirado numa guarita dos guardas a falar para a pequena multidão que ali se juntou e enchia por completo o pequeno largo. As fotos retratam o modo como os brasileiros viam a nossa Revolução de Abril e são de antologia. Lembro-me muito bem de ter querido comprar esta revista na época e já não ter conseguido porque no quiosque onde comprava estava já "reservada". Foi uma pequena frustração que passados muitos anos aliviei porque a comprei num alfarrabista que nem sabia o que estava ali. Há uma foto que nunca foi vista por cá, da rua das Gáveas em que uma camioneta de distribuição do jornal Época estava virada, bem como dois ou três carros de polícia.

E conhecia também a revista História cujo primeiro número saiu em Maio de 1973 ( em baixo e no meio) com um artigo sobre a infância de Stalin ("filho de sapateiro, aluno de padres, nunca confiou em ninguém") e outros sobre Dostoievski e mais outro sobre Richelieu.

A par dessa havia ainda outra revista que saía e se chamava Enciclopédia Bloch ( a editora, a mesma da Manchete. A editora da Realidade era a Abril). O número apresentado, de Fevereiro de 1972 e que custou 20$00, tinha uma reportagem fantástica sobre a Linha Maginot e outro extenso, sobre Israel, quatro mil anos de história.

A par dessas havia ainda a Planeta, da Editora Três e sobre assuntos mais esotéricos que então me interessavam por ter lido O despertar dos mágicos de Jacques Bergier. A Planeta tinha o mesmo formato gráfico que a original francesa, Planète que se publicara desde 1961 a 1968. O número apresentado é de Outubro de 1973 e tem um artigo sobre Gurdjieff, um grego da Arménia com fama de santo, mago e profeta.
Até 1974 e a par do Tintin, do Jornal do Cuto e das leituras da tira de Corrigan no JN, eram essas algumas das revistas, neste caso brasileiras, que me alentavam o espírito.

sexta-feira, 25 de março de 2011

Disc, NME e Melody Maker


Por vezes, ao longo dos anos e de reolhar para os jornais de música ingleses que comprei nos anos setenta, interrogava-me sobre o motivo de ter comprado em Julho de 1972 ( tinha então 15 anos) o jornal Disc que acima se mostra. E descobri porquê, porque me lembrei: foi por causa dos Deep Purple e do baterista que aparecia na capa, a cores que não eram usuais nos jornais de então.

Revendo o jornal, nada mais interessava. Nem sequer a recensão do LP de John Lennon, Sometime in New York City, na altura ainda nem sequer publicado na Inglaterra, devido a "publishing problems", segundo o jornal.
Sobre Ian Paice, baterista dos Deep Purple, uma página, a fls. 13.
Na última página, porém, outro motivo para compra ( 9$00, na altura): a reprodução de posters da cultura popular de então: Zappa, Che, Jimi Hendrix, Osibisa e também Midnight Cowboy e I want you for U.S. Army!

Só em Julho de 74 comprei pela primeira vez o NME, New Musical Express. Folheando, também não descortino razões imediatas para tal, na época ( e já custava 12$50). Na recensão de discos talvez esteja a resposta: o LP dos The Who, Quadrophenia. E um anúncio ao Live dos Fairport Convention que na época ouvia muito, particularmente Sloth e Rosie. E a fls. 41... uma imagem do International Nude Show. Oh Shit! Tu queres ver que? Oh no. Tem o Neil Young a fls. 14 e uma entrevista de Peter Townshend a fls. 27. Uff!

Em 1974, reincidi em Dezembro ( última imagem em baixo à esquerda) e paguei ainda os mesmos 12$50, mas não tem mistério neste caso: podia ser Led Zeppelin, com o Lp Physical Grafitti, com uma recensão tema a tema e portanto imperdível porque o disco era então imprescindível. Mas a primeira vez que ouvi o disco foi em 8 de Abril na Página Um. ( o programa esteve interrompido devido ao PREC, desde meados de Fevereiro até 5 de Abril e lembro-me que todos os dias sintonizava a Rádio Renascença, às 7 e meia da tarde para ouvir o solo de bateria do Page One, dos Pop Five) .
Portanto o motivo da compra foi o artigo sobre os Bad Company que se ouvia muitas vezes nesse programa de rádio, com observações ditirâmbicas do actual responsável pela LPM ( agência de imagem que presta assessoria ao actual governo), Luís Filipe Martins e já se ouvia na Página Um, na altura. Dizia que era um supergrupo que congregava elementos dos Free e dos King Crimson, o que sendo verdade pouco significava. No entanto, o primeiro disco trazia I can´t get enough e o segundo, Straight Shooter ainda era melhor. Foi essa a razão da compra, certamente.
E trazia a fls 24-35 um anúncio de duplo fim de página com o The Lamb lies down on Broadway, dos Genesis, o que podia ser outro motivo de gastar 12$50. Mas talvez a entrevista com Brian Eno de dupla página, a fls. 42-43 também o justificasse. Ou o anúncio a Slow Motion dos Man.

Em 1975 o interesse aumentou e expandiu-se por causa da música que ouvia no rádio, particularmente o Página Um.
Em Julho de 1975 também não tem segredo algum o motivo porque comprei o NME com imagem acima à esquerda: Neil Young, sem margem para dúvida. E por causa do Lp Tonight´s the night, até hoje um dos melhores de Neil Young.
Nas quatro páginas centrais um artigo desenvolvido sobre os Beach Boys que na altura me deixou indiferente ( não me lembrava de Holland e de California Saga...uma das canções que me ficou sempre na memória).

Ainda em 1975 comprei pela primeira vez o Melody Maker, por causa, obviamente de Roy Harper que Jaime Fernandes passava insistentemente no programa 4 da Rádio Comercial, salvo o erro Dois Pontos ou o que o precedeu.

Jaime Fernandes é um dos grandes divulgadores de música popular dessa época e de Roy harper em particular. Ou Leo Kottke. Ou os Nitty Gritty Dirt Band. Se hoje gosto desses músicos e dessa música a ele se deve, inteiramente.
Sobre Roy Harper, passava então Valentine, de 74 ou Lifemask de 73 ou mesmo Flat Baroque and berserk, de 70. Talvez passasse então uma colectânea que reunia temas de todos eles. E ainda mais o que viria em 75: HQ, um dos melhores.
No mesmo MM, na pagina 11, inteira, uma imagem de Bob Marley e os dreadlocks de Natty Dread. O anúncio dizia respeito aos concertos desse Verão no Lyceum e que originaram o célebre Live? Talvez. Este disco, Natty Dread, só o ouvi muitos anos depois, mas a imagem era fortíssima e o reggae fazia as suas primeiras aparições no mercado discográfico de grande audiência ocidental, através da Island Records de Chris Blackwell. O reeggae em finais de 74 já era tema do Página Um, com tema de Jimmy Cliff, Don´t let it die. E Ken Boothe também. Mas não era a mesma coisa que Bob Marley.
A pág. 27 uma recensão de One size fits all de Frank Zappa que o programa Espaço 3p ( Boa noite em FM, Banda Sonora e Perspectiva) um deles de Fernando Balsinha ( já falecido) passava muito e que me levou a apreciar a música de Zappa como nenhum outro disco. Quem diz Zappa diz King Crimson, Van der Graaf Generator, Camel, ou Magna Carta. E os Wings de Venus and Mars, também. E Jethro Tull. E Gentle Giant. Curved Air. Focus. Yes. Kraftwerk. Stanley Clark e outros mais. Triumvirat que passava muito Illusions on a double dimple.
Nas páginas centrais um artigo desenvolvido sobre o grafismo das capas de discos, o que me levou a comprar mais depressa o jornal, certamente.
A fls. 40-41 outro motivo de grande interesse: guitarras acústicas e um artigo sobre "eight of the best". Entre eles, Doc Watson. E duas referências em guitarras acústicas: a Epiphone 145 que tinha visto em publicidade maravilhosa, na revista National Lampoon e a Gibson 200 FG. Cada uma custava então £49. Cerca de 3000$00, na época. Uma fortuna, para mim. Um sonho adiado, por isso mesmo.
Durante todo esse ano e o seguinte sonhei com uma guitarra acústica, folk. Daquelas com a protecção em plástico preto por baixo da abertura.

Quanto aos jornais, continuei a comprar o NME e o MM sempre que os achava interessantes e o dinheiro chegava. Em Abril de 75 descobri a Rolling Stone como motivo de interesse e a Rock & Folk já vinha do ano anterior.
E em Setembro de 75, claro, It´s Zeppelin. Physical Grafitti oblige.
A seguir veio Bob Dylan com Blood on the tracks e depois o Punk, já em 1977. Com Elvis Costello na capa do MM.
Entre essas datas, porém, fiquei a conhecer os nomes dos grupos que mais me interessavam e ainda hoje interessam.

domingo, 20 de março de 2011

1975-1976: as revistas de música


Uma das coisas que me dá maior gozo intelectual, é recordar o modo como descobri as revistas que escreviam sobre música popular, em meados dos anos setenta.

Ao passar a ouvir música popular de um modo contínuo e numa época em que as novidades mensais eram de vulto e muitas delas ficaram na história da música como obras inultrapassáveis, as revistas que mostravam imagens dos discos, dos artistas e recenseavam os lançamentos, tornaram-se obrigatórias.
Depois de no início dos anos setenta ter passado a ler o jornal Disco, musica & moda e a Mundo da Canção, onde se escrevia sobre o assunto, copiando muitas vezes os artigos das revistas estrangeiras e se publicavam letras das músicas, o interesse alargou-se para os originais, escritos em francês ou inglês.
A Rock & Folk, saída em França em 66-67, aparecia por cá e vendia-se nos quiosques ao lado daqueloutras.
Entre os primeiros números que me lembro de ver dependurados dos fios de jornais e revistas, presos com molas de pôr roupa a secar, há um que não esquece: aquele de 1973 em que aparecia a foto de Bob Dylan, no filme Pat Garrett and Billy the Kid. Apareceu no final do Verão, em Setembro de 73 e nessa altura como andava também interessado na banda desenhada franco-belga, tendo descoberto o Pilote, a ficção científica e as obras de Moebius, não comprei logo. Além disso, os músicos que apareciam na capa, nesses meses a seguir não eram suficientemente apelativos para tal.
Só em Novwmbro de 1974, quando andava numa onda de Crosby Stills Nash & Young, muito por causa dos álbuns a solo de Neil Young, Graham Nash e Steve Stills, dei comigo a comprar o primeiro número da Rock & Folk, à venda na livraria Bertrand e exposta na porta de vidro. O número anterior, ( com Jerry Garcia na capa) ainda se encontrava à venda e depois de ter comprado aquele, dei mais 47$50 pelo outro.
Muitas vezes me pergunto como arranjava dinheiro para essas revistas que apesar de mensais importavam numa maquia considerável para um pobre estudante que era. Muito tenho que agradecer ao meu pai que nunca se furtou a esmolar esse gasto.

Por causa da Rock & Folk, descobri a Rolling Stone que era mensalmente citada numa página da revista intitulada Boogie Woogie e que partes das entrevistas ou a notícia da mesmas.
Por causa disso, a Rolling Stone passou a ser outra das revistas ( em forma de jornal A3 e papel do género, com um cheiro característico que não desapareceu com o tempo) que folheava, também na Bertrand desse tempo.
Só em Abril de 1975 o número exposto me chamou a atenção por trazer o actor Peter Falk na capa, na altura um sucesso de tv a preto e branco com a série Colombo, um detective singular e que precisávamos de ter por cá para resolver certos imbroglios.

Nesse número vinha ainda uma reportagem sobre a reabertura do processo da morte de Kennedy em Dallas, por ter sido descoberto na época algo inédito nos filmes que então se fizeram. Os fotogramas de um desses filmes ( Zapruder) vinham alinhados de modo interessante o que me despertou para o grafismo da revista, muito inovador para a época. Ainda assim, passei e não comprei. Lembro-me de ter hesitado muito, mas o preço era demais, a juntar às outras.
Mas foi por causa desse número que não comprei que se formou uma obsessão, meses depois, em arranjar a revista na altura em que a mesma já não aparecia na Bertrand por motivos que me ultrapassavam. Talvez a política económica da época, de restrição de importações, por força da bancarrota ( a primeira) em que estávamos prestes a entrar, tenha sido a causa. Não sei ao certo porque a vinda da revista era muito irregular e assim foi durante vários anos.

Porém, a partir do Verão de 75 andava obcecado em arranjar um número da mesma. Porém, só em Outubro de 1975, já em Coimbra par aonde fui estudar, consegui encontrar o primeiro número da revista. Uma capa com o caso Patty Hearst, com uma ilustração plagiada voluntariamente a Wyeth.
Desde então passei a comprar a revista mas por pouco tempo. Como a periodicidade era quinzenal, os 37$50 que então custava representava um custo significativo ao fim do mês. E logo a seguir ao segundo número que comprei, desapareceu dos quiosques.
Durante meses, perguntei todas semanas pela revista. Nada de nada. Em Julho pedi a um amigo que foi a Paris, para me trazer de lá um número - o que tem a figura de Paul Simon na capa. Uma maravilha quando a recebi, conjuntamente com o número 7 da revista Métal Hurlant que então saía em França e não aparecia por cá.
Folheei tantas vezes esses números dessas revistas que me apetece por vezes publicá-las e comentar cada página, porque assim poderia fazê-lo.

Por cá, só em Novembro de 1976 apareceu outra vez, com um número que aparece na foto em baixo, à esquerda. E já com o preço de 47$50, por obra e graça da inflação.
Como a Rolling Stone não aparecia, havia outra que se expunha nos quiosques e tinha conteúdo semelhante: Crawdaddy. Desde Fevereiro de 1976, com o primeiro número dedicado a Paul Simon ( na ocasião de Still crazy after all these years) que passei a comprar o gato Crawdaddy em vez do cão Stone.
E fiquei adepto das duas e por isso as publico aqui.

sábado, 19 de março de 2011

Os LP´s dos Chicago

A música do grupo americano Chicago entrou nos meus ouvidos aí no início dos anos setenta, na época do single Lowdown, saído na primavera de 1971 e tirado do terceiro LP do grupo. Um amigo tinha o single e passava-o constantemente. No lado dois, Loneliness is just a word, não entusiasmava muito.


O Lp original é um dos grandes discos do grupo mas também o anterior, II, saído em 1970 o tinha sido e apenas 25 or 6 to 4 captava a atenção do rádio e dos singles que na altura valiam a audição de um disco.
O IV Lp já aqui foi citado como o álbum branco dos Chicago, em LP quádruplo, gravação ao vivo, no Carnegie Hall, com uma capa graficamente soberbamas um som que deixa algo a desejar, por causa das condições ambientais da gravação original.

O V, saído em 1972, já tinha o single engatilhado para não se deixar esquecer e Saturday in the Park passava então no rádio e lembra-me disso.

Portanto, só com o VI, saído em 1973 se deu a revelação, para mim, de um grupo excepcional, também por causa de dois singles do LP: Just you and me e principalmente Feelin´stronger everyday, um hit do verão de 73 que o rádio passava e me deixava com vontade de ter o disco.

Até recentemente esse VI foi o disco que mais apreciei do grupo. Há uns anos arranjei toda a discografia ( é um modo de dizer porque há um disco ao vivo no Japão, de 1972 que não se arranja em LP, nem na ebay...) e voltei a ouvir tudo o que não ouvira então.
E o gosto mudou porque os primeiros são os melhores. E a partir do X ou do XI, este saído em 1977, a produção é simplesmente para esquecer.

Em 1975 uma revista alemã, Pop, publicou um anúncio em que reproduzia as capas de todos os LP´s dos Chicado até então saídos. Para mim, terá sido a primeira vez que vi tais capas dos primeiros LP´s. E a preto e branco.
Em Fevereiro de 1977, a revista Rock & Folk publicou um extenso artigo sobre os Chicago, assinado por François Ducray, um dos responsáveis da revista, no qual analisava a biografia de cada um dos músicos e recenseava cada um dos álbuns. O melhor, para Ducray, era o V. Como se pode ler clicando na imagem acima e que também apresenta o recorte da publicidade da Pop. Por trás da imagem dos discos está um poster da época de saída do VI, publicado salvo o erro no jornal Disco. Reproduz a parte interior da capa ( em duofold) do disco.

Recentemente comprei o VI e o VII ( um disco duplo) na sua verão original em LP de prensagem americana. São simplesmente fabulosos, graficamente. Incomparavelmente superiores às versões europeias que se venderam por cá, na altura.
O cartão é especial, a cor especial e o VII até apresenta relevo da prensagem do lettering que o tornam um objecto especial de colecção. Fabuloso!

sábado, 5 de março de 2011

Júlio Pereira- Fernandinho vai ó vinho


Outro disco que encontrei recentemente é o primeiro a solo de Júlio Pereira ( que anda muito esquecido dos rádios e dos media portugueses mas continua a compor como sempre e faz espectáculos de uma qualidade rara), de 1976, Fernandinho vai ó vinho.

O disco foi editado em cd há uns anos mas encontra-se esgotado. O LP, esse ainda há por aí. A gravação e prensagem não é famosa, segundo pude agora ouvir, mas os temas musicais e as letras são deliciosas de uma esquerda que teima em não desaparecer.
O LP tem um encarte com as letras e todos os participantes: Zeca Afonso, Paulo de Carvalho, Sérgio Godinho, Fernando Tordo, Herman José, Carlos Mendes, José Jorge Letria, Francisco Fanhais e outros da mesma época e feitio.
Provavelmente é o LP onde se concentra maior número de cantores "progressistas" da extrema-esquerda e outros que abandonaram o barco e apostataram ( José Jorge Letria, hoje a Sociedade Portuguesa de Autores).

Musicalmente é outra maravilha e só é pena que Júlio Pereira não o inclua no repertório dos espectáculos actuais e prefira mostrar o virtuosismo estéril de alguns temas de bandolim.

O mesmo vale para o LP seguinte, Lisboémia, também na imagem e de 1978.
Com o mesmo cuidado gráfico na capa, ilustrações desenhadas por Carlos Zíngaro ( o mesmo que ilustrou o primeiro LP da Banda do Casaco, Dos benefícios de um vendido no reino dos bonifácios, que se vende a preços proibitivos, actualmente) e músicas no mesmo estilo pop e ligeiro mas de grande qualidade e que apetece ouvir.

Taiguara Imyra Tayra Ipy


Este disco em formato LP nunca foi passado a cd ( talvez o tenha sido no Japão há uns anos) e é dos discos de mpb que mais aprecio.

Ouvi-o logo na altura em que saiu, em 1976; cheguei a gravar algumas músicas tiradas do rádio de então e andei anos atrás do mesmo. A revista Música & Som da época em que o disco saiu fez uma recensão crítica alargada, que se pode ver na imagem.
Em 1987 ou 88 cheguei a pedir a pessoas que estavam no Brasil para mo mandarem e tive que me contentar com uma cassete BASF CR-E-II, de crómio em dióxido, gravada numa emissora de rádio local porque o LP já estava esgotado nessa altura.
Na mesma cassete vinham gravadas músicas de Milton Nascimento de um disco ainda mais raro: a banda sonora do filme Tostão, de 1970.

Finalmente consegui-o encontrar em boas condições e bom preço. O disco é uma pequena maravilha da música popular brasileira e um dos que mais buscava.

Chama-se Imyra Tayra Ipy e é de Taiguara.

Tem uma canção que se intitula Terra das Palmeiras que se desenvolve em crescendo e que em mais de trinta anos nunca deixei de cantar.

segunda-feira, 28 de fevereiro de 2011

O Minas original, de 1975

Estes dois discos, em formato LP, são idênticos na música que contém. A diferença está apenas na apresentação e talvez na sonoridade. O da esquerda é uma edição de 1985, portanto uma reedição do disco original que está à direita, na imagem. Já foi referido aqui. A capa da direita é brilhante e o título Minas é prateado, tal como o envólucro interior que no original é em papel havana, com inscrições violeta e prata e o outro em papel normal.
Porquê este preciosismo coleccionista? Por causa de um artigo na revista Rock & Folk de 1976, em recensão crítica ao disco que saiu na altura em França ( em 1975, no Brasil) e teve uma crítica espectacular .
Durante estes anos todos, praticamente desde meados dos anos oitenta, procurei o LP original por causa dessa crónica que aludia ao papel ( com as letras das músicas) e à capa. Acabei por o encontrar no outro dia, por acaso, numa loja de Lisboa que vende discos usados.
E fiquei satisfeito.

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Os discos de 1980

Faltam alguns: Van Morrison e Common one; Little Feat e Down on the farm; J. Geils Band e Love Stinks;Joni Mitchell e Shadows and Light; Stevie Wonder e Hotter than July e Rolling Stones com Emotional Rescue.

Entre todos, o que resiste mais à prova do tempo em audição agradável é Hold Out, de Jackson Browne. E One trick Pony, de Paul Simon também. Borderline de Ry Cooder é também um disco de audição impecável.

sábado, 5 de fevereiro de 2011

As revistas de 1980

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Hot Tuna

Nas últimas semanas ouvi vezes sem conta o disco Quah, de Jorma Kaukonen e Tom Hobson. O disco, em LP, é de finais de 1974 e é uma pequena maravilha que congrega vários géneros musicais, em que o antigo membro dos Jefferson Airplane se excede musicalmente. Jorma Kaukonen, depois de sair dos Jefferson formou o grupo Hot Tuna em parceria com Jack Casady, um baixista que mostra o que vale no disco Burgers, considerado pela revista Rock & Folk, em 1976, como um dos marcos do country rock.
Entre as melhores composições do disco que comprei nos anos oitenta, numa reedição da Relix Records, numa discoteca do "drugstore" Apolo 70, em Lisboa, conta-se por exemplo Genesis, abaixo mostrado numa gravação de época do you tube.
O disco Burgers, esse veio de França, também no início dos anos oitenta, por encomenda que incluía os New Order ou os primeiros Pat Metheny. Ou os Little Feat. Ou Doc Watson. Ou ainda outros.

A minha descoberta da música dos Hot Tuna, provavelmente virá de meados das década de setenta. Lembro-me perfeitamente do radialista António Sérgio, já falecido, anunciar no rádio, o disco ao vivo, Double Dose, em 1978-79, em plena explosão do punk/new wave. Lembro-me inclusivamente da voz do radialista a apresentar o disco, com a introdução do primeiro tema, Winin boy blues e a explicação de que os Hot Tuna costumavam aquecer o ambiente dos concertos com uma primeira parte acústica.
Esse disco, além disso, a par do Irish Tour´74 de Rory Gallagher é dos melhores ao vivo que conheço.
O disco Quah, nessa altura, ( 1974) não era escutado porque não apareceu por cá e não passou no rádio, com certeza, a não ser posteriormente. O mesmo acontecia com composições como Third Week in Chelsea que lia na Rock & Folk como maravilhas do autor e não conhecia, porque não tinha acesso aos discos dos Jefferson Airplane.
Estes discos do rock californiano eram raros por cá, segundo penso, uma vez que apenas passavam no rádio quando algum curioso voluntarista como João Filipe Barbosa ou um João Afonso, o levavam para certos programas em que se anunciava a passagem das raridades, em alturas especiais. Eram programas de rádio que esperava sempre ouvir e descobri assim os Grateful Dead, por exemplo. E outros, como os Little Feat.
Já não recordo as circunstâncias precisas em que o ouvi a primeira vez, mas no início da década de oitenta era um disco que ouvia em cassete gravada do rádio e que então me parecia uma perfeita maravilha acústica. Até hoje, é um dos meus discos preferidos. Nas viagens que em meados da década de oitenta fazia para trabalhar, levava nos ouvidos a música de Quah. Muitas vezes. Tantas que o disco me recorda esse tempo .





domingo, 24 de outubro de 2010

Auscultadores Sennheiser


Auscultadores. Sempre foram o modo de ouvir música mais intimista e de forma mais envolvente do que as colunas de som normais.
Como o ambiente se reduz ao pavilhão auricular, não há interferências das dimensões e decoração das salas, o que normalmente modifica o som que se ouve através das colunas.
E no entanto nem todos são iguais, como se percebe...ouvindo.

Desde cedo que ouvia no silêncio da noite, o rádio que passava álbuns inteiros. Lembro-me de ouvir em transe quase religioso o disco dos Van der Graaf Generator, Still Life, em 1976, um dos meus discos preferidos de sempre. Experiência única com uns auscultadores mono e de fraca qualidade, mas ainda assim reveladores de pormenores sonoros que de outra forma escapam ao ouvido.
Nos anos oitenta, experimentei a sonoridade de uns Sennheiser, alemães e com uma qualidade sonora espantosa.
Não me lembro do porquê da preferência, mas a cor amarela da espuma de protecção talvez tenha algo a ver e a estética do produto, sempre interessante.

Os primeiros que experimentei julgo terem sido os HD 414 , na foto, os do meio do lado direito. Mas já tinha ouvido falar dos HD 40, (atrás daqueles e com foto da respectiva caixa) como tendo um som fantástico. E confirma-se completamente porque arranjei uns há uns meses. E eram os mais simples e mais baratos da firma alemã, nos anos 80.
Depois dos HD 414, experimentei uns HD 430 ( foto de baixo, a meio) e realmente eram bem melhores.
Não satisfeito, tentei depois disso os HD 58o Ovation que comprei em Braga, na Valentim de Carvalho ( atrás do lado esquerdo), já no dealbar dos anos noventa e que me acompanharam muitos anos até ficarem subitamente silenciosos e sem arranjo possível.
Para os substituir, há uns anos dei uma conta calada pelos melhores da firma, com excepção de uns esotéricos com preço proibitivo. Os HD 600 com imagem à esquerda restituem a fidelidade sonora em altíssima qualidade se a fonte lhes fizer justiça.
Ultimamente, com curiosidade arranjei o modelo HD 424, ( na foto de cima, do lado direito, em baixo) ainda dos anos setenta, mas não me convenceram muito. São bastante inferiores aos Hd40 que são realmente espantosos e quase pedem meças aos HD 600, que custam várias vezes o preço deles. A mim, custaram-me qualquer coisa como 10 euros, ou coisa que o valha. E andei meses à procura de uns, na ebay.


sábado, 16 de outubro de 2010

Mais cassetes e leitores

Antes do advento dos aparelhos de gravar digitais, baratos, o modo mais prático de conservar e ouvir música de discos LP eram as gravações da música em casssetes.

Nos anos oitenta, surgiu um boom na produção de cassetes para aparelhos portáteis e não só, após o aparecimento do primeiro Walkman da Sony, em 1979 ( o primeiro da esquerda na imagem abaixo)
Em finais da década de oitenta, no entanto, o aperfeiçoamento técnico das cassetes e respetivos leitores permitiam pequenas maravilhas, cujo monumento máximo é este: o gravador/leitor Dragon, da Nakamichi.

Não obstante, nas cassetes propriamente ditas, o aparecimento das fitas com cobertura de partículas metálicas para melhor fixar o sinal sonoro, permitiu que gravasse LP´s como os dos Steely Dan, numa Maxell Metaxial, ( atrás junto ao Sony) cujo sinal sonoro ainda hoje é uma maravilha e que pouco deixa a desejar ao som original dos LP´s. Eram cassetes caras e por isso utilizadas uma única vez, para gravar em primeira mão os discos que assim ficavam ouvidos e depois eram reproduzidos na cassete.
Nessa altura apareceu também um pequeno leitor da Aiwa, marca japonesa que competia com a Sony nesse mercado. Pode ver-se acima e por cima das cassetes porque serviu durante alguns anos para ouvir em trânsito as cassetes gravadas em casa.
No entanto deitado e no meio das ditas cassetes de muita estimação, jaz um gravador/leitor da Sony que é um portento sonoro: o Walkman Pro, com possibilidade de gravação com redução de ruído Dolby C ( o Aiwa também tem mas só em modo de leitura).
Foi comprado há poucos anos porque na altura em que saiu o preço era proibitivo e semelhante ao que custava um bom aparelho de mesa.
No entanto, é uma delícia ouvir cassetes, ainda hoje nesse pequeno aparelho da Sony. Principalmente através dos pequenos auscultadores da Sennheiser modelo HD 40, da mesma época ( na imagem atrás do Sony).

Este tempo das cassetes reporta-me logo a uma música dos Steely Dan, gravada na dita cassete e do álbum Gaucho: Third World Man. Perdi a conta a quantas vezes já ouvi esta música. Provavelmente centenas. E esta é mais uma porque enquanto escrevo a estou a ouvir. Na dita cassete.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Cassetes


Nos anos setenta, oitenta e até ao advento das técnicas digitais de gravação de sons, o modo mais prático de gravar e guardar música era este: cassetes. Baratas ( relativamente porque algumas em metal eram bem caras), práticas e que podiam ser reproduzidas no carro, com a ajuda de um bom aparelho de auto-rádio, o que resultava por vezes em sonoridades surpreendentes por causa do ambiente acústico, fechado e concentrado.
As primeiras gravações que fiz, seriam para aquém de meados da década de setenta. A cassete Basf de cor verde que se apresenta na imagem foi gravada em 79 e contém Comuniqué dos Dire Straits, gravado inteiramente do rádio que então passava álbuns inteiros sem interrupção durante os cerca de 40 minutos de duração.
A cassete cinza serviu para gravar inicialmente o Quadrophenia dos The Who, pelo mesmo métoco e posteriormente foi apagada e regravada com os Nitty Gritty Dirt Band e outros grupos.
A maior parte das cassetes expostas foi gravada já no final dos anos oitenta e à medida que os discos apareciam eram imediatamente gravados com a preocupação da maior qualidade sonora possível. Ainda hoje, passados mais de vinte anos, se ouvem todas com a qualidade original.
As marcas das cassetes variavam mas não muito. A melhor provavelmente, era a TDK em crómio ou metal.
Ainda hoje gravo cassetes para ouvir no Sony Walkman Pro. Uma pequena maravilha técnica. E um som fantástico que nenhum aparelho iPod logrará alguma vez imitar ou sequer assemelhar-se em qualidade pura.

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Milton Nascimento

Não me lembro bem de quando ouvi pela primeira vez a música de Milton Nascimento. Talvez logo a seguir ao 25 de Abril de 74, por causa de um álbum ao vivo, publicado nesse ano e chamado Milagre dos Peixes ao vivo, para se distinguir do disco em estúdio com o mesmo nome e do ano anterior. Lembro-me porém de considerar desde essa altura Milton Nascimento como um dos maiores músicos e cantores que conheço e admiro. Com uma voz única e de timbre fabuloso.

Não obstante, durante a década de setenta tomei conhecimento com alguns temas dispersos dos discos que foram saindo e eram divulgados no rádio, tal como aconteceu com o Milagre dos Peixes, cujo tema San Vicente ( aqui numa versão impressionante) sempre me encantou.
Tal como aconteceu com outras músicas de outros autores, antes de as escutar tinha-as lido e relido na revista Rock & Folk.
Numa recensão de discos do número de Junho de 1976, aparecia o disco Minas e o que o crítico dizia do mesmo era simplesmente fantástico para se perder a audição. "Cette voix qui est- je pèse mes mots-la plus fantastique voix d´homme que l´on peut entendre aujourd´hui." E "Minas como Minas Geraes d´où est issue le plus grand génie de la musique du Brésil ( seul Egberto Gismonti saurait lui être comparé). Au point de vue chant pur, Nascimento ne saurait trouver de concurrents que chez les plus parfaits vocalistes indiens."
E mais: " Pas besoin de vous dire que les textes- pour ceux qui ont la chance de comprendre la plus belle langue du monde, chance que je leur envie- ont la réputation d´être des sommets de poésie contemporaine."
Com estas críticas, fervia sempre de impaciência durante anos, sempre que me lembrava e ouvia no rádio, para encontrar os discos onde vinham estas maravilhas que lia. Por cá, na altura não havia importação que me lembre e só mais tarde, já em finais dos oitenta passou a ser possível ver e ouvir os discos,

Nessa altura, em 1976 saiu também o LP Geraes que tinha várias pérolas musicais, incluindo uma canção religiosa fantástica- Cálix Bento- que ouvi provavelmente num programa de José Nuno Martins, sobre música brasileira, Os cantores do rádio, segundo julgo e que foi um espaço radiofónico de grande divulgação da mpb, passando todos os géneros e discos da altura. Quem os ouviu nunca mais esqueceu, pela certa, tal como nunca mais esqueceu certas músicas e discos.
Por isso, em Janeiro de 1978, foi com grande curiosidade que li a crónica de duas páginas da revista R&F e que fazia o apanhado da discografia do músico brasileiro até essa data, com considerações sempre ditirâmbicas a propósito da qualidade dos discos, com destaque particular para Clube da Esquina e Milagre dos Peixes. Discos que só alguns anos mais tarde ouvi integralmente ( na verdade, Milagre dos Peixes, só ouvi em cd há pouco tempo).
Mas do LP Minas que comprei ainda na discoteca Tubitek no Porto, nos anos noventa, depois de ter conseguido anteriormente a gravação em cassete vinda do Brasil. Desse LP, em prensagem brasileira de 1985 ( a versão original segundo aquela revista conserva um encarte em papel de luxo, com as letras) saiu a canção emblemática de Milton: Saudade dos aviões da Pan Air. E do LP Clube da Esquina nº 2 que saiu em 1978, foi com grande satisfação que ouvi pela primeira vez, no rádio, o tema Cancion por la unidade latino-americana, com a participação de Chico Buarque, a cantar em espanhol. É uma canção fabulosa, tocada num ritmo misturado de percussão brasileira e que confere uma beleza que sempre me impressionou.
Foi assim que em 1980 apareceu Sentinela, talvez o melhor disco de Milton Nascimento e em LP que já comprei na devida altura, numa prensagem excelente, portuguesa, da Polygram. Mais recentemente comprei o primeiro disco de Milton, Travessia, um original de 1967 e que foi publicado em Portugal, pela mão de José Nuno Martins que escreveu a apresentação na contra-capa, em 1979.




segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Rory Gallagher

Um dos álbuns que em 1975 faziam parte da lista dos mais desejáveis, era este Irish Tour´74 de Rory Gallagher.

É um dos melhores discos ao vivo que conheço, com uma energia em dose dupla, nas quatro faixas dos LP. Blues, country-blues, guitarra acústica, dobro e um domínio do fraseado bluesesco na guitarra Gibson...ehh...Fender Stratocaster. E também na Telecaster.

O Página Um dos primeiros meses de 1975 passava este disco vezes sem conta e habituei-me de tal modo ao som da guitarra em consonância com os teclados de Lou Martin que o som do LP ainda hoje é a referência que guardo na memória.

O dvd com o título do concerto saiu em 2000, sendo uma mostra do espectáculo e dos bastidores do concerto em modo de documentário, com a sonoridade excelente e com o bónus de se poder ver Rory Gallagher a dedilhar a Martin acústica como poucos que conheço, mostrando como se toca em pickin e slide, na dobro National, o tema As the crow flies baby.

Rock & Folk, 14, rue Chaptal

Em Maio de 1975, com maior probabilidade já em Junho, comprei a Rock & Folk com capa que abaixo se mostra. Era o nº 100 da revista que comprava desde o Outono do ano anterior e na capa aparecia uma figura menor do rock, Alice Cooper que então ( e agora) pouco me interessava musicalmente.

Mas o recheio da revista prometia, com artigos sobre o "rock alemão", Nova Iorque e Deep Purple e as recensões críticas de discos- ChicagoVIII, Rick Wakeman ou Bad Company. E uma reportagem fotográfica sobre os bastidores da redacção da revista.
Ao longo dos meses, habituara-me já a ler alguns dos melhores críticos de rock que conhecia e foi com curiosidade que descobri o aspecto de um François Ducray, ou os directores Philippe Paringaux e Philippe Koechlin, para além do enfant-terrible Philippe Manoeuvre, num autêntico reinado filipino porque este já dava cartas na escrita da revista e actualmente a dirige.

Na página de apresentação, uma foto com a legenda 14, rue Chaptal, em Paris. Uma rua mítica conforme se pode ler agora.

Na página 43, uma lista de discos que se vendiam por correspondência. Alguns dos melhores discos de sempre, da música rock aí figuram, porque o rock, no dizer de um dos directores da revista ( Paringaux) teve a sua idade de ouro, entre 1965 e 1975.

Na altura passava longas horas a reler estas revistas e a sublinhar os discos que gostaria de ouvir repetidamente, em LP´s que gostaria de ter. Nesse mês, qualquer coisa como 309 francos já me tornaria um ouvinte satisfeito. Com o franco a cerca de 5$00, daria 1 545$00...mais portes. No ano seguinte, no Outono, compraria uma guitarra acústica, parecida com as que via na revista, por 3 600 pesetas. Qualquer coisa como 1 500$00...




Estas férias tive oportunidade de visitar a cidade e fui à descoberta da Rue Chaptal e do seu número 14. Não existe já, o número enquanto morada. Porque era um pequeno pavilhão interior ao edifício que se vê do lado direito a meio da rua, antes do arvoredo. No mesmo local, no nº 16, funciona ainda uma dependência administrativa, segundo julgo, da firma Gibson. De guitarras, claro.