quinta-feira, 29 de outubro de 2009

A primeira Métal

O primeiro número da revista, tal como anunciado na contra-capa da Rock & Folk de Março de 1975. Ao lado o número de Fevereiro da mesma revista, onde se anunciava, num reclame desenhado por Moebius.

O primeiro número da Metal Hurlant, saído em Fevereiro de 1975, só mais de trinta anos depois, chegou à estante e por causa da ebay.
Mas valeu a pena, porque era um acontecimento que se prolongou durante esses anos.

As duas primeiras páginas:

domingo, 25 de outubro de 2009

Jornais e revistas de 1974 e 75. Música e outras.



Alguns jornais e revistas de música e entertainment de 1974-1975. A Playboy é de Novembro de 1974. Para além dos artigos, o sumário, com as fotos dos colaboradores e um anúncio a uma revista- AvantGarde-faziam parte das 250 páginas que continham nesse mês uma revisão fotográfica sobre o "sexo no cinema", em 1974. Filmes como "Deep Throat" o muito falado e que deu a alcunha à fonte do Washington Post, no caso Watergate e que nunca vi ( nem no You Tube...), mas também Serpico, O Exorcista, O Porteiro da Noite, ou Blazing Saddles, de Mel Brooks.
A entrevista de fundo é a Hunter Thompson, o arauto do novo jornalismo que dizia assim, sobre os políticos:

"Em Washington a verdade nunca se diz durante o dia ou à secretária. Se apanharem as pessoas quando estão cansadas ou bêbadas e fracas, podem arranjar-se algumas respostas. É preciso desgastar os bastardos primeiro."



Pilote-Metal, a transição

Antes de chegar à vista da Metal Hurlant, o que aconteceu apenas no Verão de 1976, já em Junho de 1974, na Bertrand de Lisboa, tinha comprado os volumes 65 e 66 de recolha da revista Pilote, encadernados e que traziam nove números da revista do ano de 1973. Pouco depois, arranjei o volume 70 da mesma revista.

Esses dois primeiros volumes traziam duas histórias célebres, das melhores que a bd jamais teve para mostrar: uma, traduzindo uma viagem onírica de Jean Giraud e família, intitulada La Déviation e que anuncia a transição do estilo do autor, do realismo de Blueberry, para a ficção científica; e outra de Tardi, com Adieu Brindavoine, em ambiente exótico e a prenunciar o advento da I guerra mundial. A par de ambas, a revista publicava ainda a história de Gir, de BLueberry, L´outlaw.
No volume 70, na continuidade destas duas histórias, os mesmos autores assinavam uma ,com o título L´homme est-il bon?, de Gir; e outra, de Tardi, com o título La Fleur au fusil.







Métal Hurlant

Anúncio na Rock & Folk de Maio 1976

Na transição das leituras da Pilote de 1974, para a Métal Hurlant do início do ano seguinte, um hiato se formou por um motivo prosaico: esta última revista não chegava cá, a Portugal, nessa altura. Possivelmente por causa da distribuição e por ser proveniente de uma editora "independente" das tradicionais da bd da época: a Humanöides Associés.
Assim, apenas podia entrever a revista através de outras revistas, designadamente a Rock & Folk e a Best, que a publicitavam nas páginas dedicadas à banda desenhada, as Comix e em publicidades dedicadas. Mas sempre a preto e branco.
Portanto, até ao Verão de 1976, não tive ocasião de ver a revista ao vivo e a cores, o que se tornou motivo de curiosidade acrescida, porque as apreciações críticas traziam sempre grandes encómios à qualidade gráfica e ao conteúdo.

Por ocasião do número 6, do segundo trimestre de 1976, a vista da capa, mesmo a preto e branco, deixou-me ainda mais ansioso por ler a revista: trazia um desenho de Moebius, no estilo de Gir.
E nesse Verão, pedi a um amigo que foi a Paris para me comprar esse número 6. Mas já não o encontrou à venda nos quiosques. Trouxe o número 7, com capa célebre de Robial, num estilo que seria copiado dali a alguns anos, pelo marca italiana Fiorucci...
























quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Pilote, nova fórmula.

Os primeiros seis números da nova série, iniciada em Junho de 1974, da revista francesa Pilote.

Em pleno Verão de 1974, no mesmo local que anteriormente, a revista Pilote aparecia modificada. Mais pequena e com uma capa que prometia uma calçada de boas rubricas ( um pavé de bonnes rubriques).
Entre os desenhos dos paralelos, num deles, lá estava Giraud...e por isso lá voltou o desejo de ler outra vez a revista. Desta vez, ainda mais cara, a 45$00, numa época que em Portugal juntava a inflação à carência de divisas que tornava o escudo cada vez mais desvalorizado.
Porém, a periodicidade passara de semanal a mensal o que equilibrava.

Logo no primeiro número dessa nova série, e no seguinte, uma página inteira, mais duas, de desenhos de Gir-Jean Giraud, ainda com esse nome com que assinava os westerns, mas por pouco tempo. Dali a meses, surgiria o heterónimo Moebius e uma nova aventura- A Métal Hurlant, a melhor revista de banda desenhada franco-belga que jamais existiu depois da época dourada dessa expressão artística.

A Métal Hurlant, surgiu nos primeiros meses de 1975, nunca se vendeu em Portugal, pela distribuição normal, porque a revista também não era produzida de modo corrente. Era uma revista fundada por dois ou três desenhadores a que se juntou um empresário e um visionário e que fundaram ainda uma editora: a Humanoides Associés.
Entre os desenhadores, Moebius-Giraud, Druillet e o visionário Dionnet. Durou até final dos anos oitenta e marcou uma época artística na bd. Motto da revista: La machine à rêver.
E, de facto, on rêve, bien sur. Estamos já muito, muito longe das aventuras do Tintin ou mesmo da Pilote,da primeira fase. Veremos a seguir como foi a aventura do metal que grita.

Duas páginas de Gir, na Pilote nº 1 e 3, nova série, em transição para a temática de ficção científica que seria o prato forte da revista Métal Hurlant.


A Pilote de 1974


Depois de comprar o número 745, da Pilote, voltei a comprar o seguinte e...nada de Giraud ou dos artistas que esperava encontrar. Fiquei desiludido e ainda por cima a revista era demasiado cara para a época. Basta dizer que o Tintin português, na época, custava 10$00, quase três vezes menos!
No entanto, no número 749, de 14.3.1974, aparecia um número especial dedicado à ficção científica em que vinham duas páginas com desenhos de Jean Giraud, de temas até aí desconhecidos ao artista. Temas galácticos, de pura fantasia heróica, de naves espaciais e um personagem que mais tarde daria que falar em desenhos: o major Grubert. Tudo isso nas duas páginas que se podem ver na foto acima.
No número anterior, já aparecera pela primeira vez um autor desconhecido com desenhos fantásticos e de elevado teor artístico: Druillet, com um episódio da saga de ficção científica começada antes e que era revelada nesse número como uma continuação.
Começou aí, nesses mesmos números, uma nova fase de interesse na banda desenhada que ultrapassava as historietas realistas de cóbóis ou aventuras exóticas. A ficção científica e a latere, a chamada banda desenhada para adultos, com histórias de teor mais complexo e rebuscado, passaram a ser um motivo de interesse suplementar para a leitura. No n

Portanto, com o número 753, da semana do 25 de Abril de 1974, suspendi a compra da Pilote que era um luxo caro, numa época em que as revistas de interesse geral versavam sobre a política em Portugal, o que acontecia com os jornais, a revista Vida Mundial e até as revistas estrangeiras.
Mas a suspensão da Pilote não foi por muito tempo.

Jornais e revistas de 1974

Por ocasião do 25 de Abril de 1974, uma das coisas que mais me interessava era a banda desenhada, a par dos assuntos de política geral. Mais do que a música popular cujo interesse intensivo e alargado só começou meses depois.


A revista Tintin, nas versões portuguesa e mesmo a original belga que me interessaram desde 1972, em 1974 ainda mantinha a qualidade original. Nessa altura publicava histórias de Clifton ( Degroot), Lucky Luke ( O caçador de Prémios, uma das melhores histórias da saga), Asterix ( O Adivinho, idem) Bernard Prince ( Hermann), mas estava já na fase terminal da época de ouro. No final do ano, perdia o interesse, porque entretanto, aconteceram coisas que modificaram o gosto de então. Em 1975 já não comprava a Tintin portuguesa. Nem a belga também. Depois disso, em 1976 e 1977, meia dúzia de números se tanto. E assim acabou o Tintin em revista, para mim.
Os autores franceses que me tinham levado a esse interesse acrescido, no início dos anos setenta,- Giraud, Hermann, William Vance, Jacques Martin, Godard, Morris, Uderzo,- entre outros, tinham deixado de apresentar com a regularidade de anos anteriores os seus trabalhos desenhados.
Particularmente Jean Giraud, o autor de Blueberry e cujas aventuras apareceram no Tintin português, por via de acordo de publicação com a Pilote francesa. Embora durante o ano de 1974 o Tintin português ainda publicasse A pista dos Sioux, a história era antiga, de 1971 e nessa altura, Giraud estava já noutra via que pouco depois se revelaria uma novidade de vulto.
Até então, o tipo de desenho, as aventuras de cóbois e a estrutura narrativa, com combóios, índios, paisagens do farwest do tempo da guerra de secessão e sucessivas querelas, despertaram a atenção para a leitura dessas histórias que já tinha aparecido anos antes e ainda voltariam a aparecer, precisamente no original Pilote, que por cá não se vendia como o Tintin.

O primeiro número dessa revista francesa que por cá apareceu à venda, através da distribuidora Bertrand, foi o 745, de 14.2.1974.
Logo que vi esse número no escaparate da porta de entrada da livraria ( que ainda existe com o mesmo nome e local), fiquei espantado de emoção.
Aquela revista que apenas entrevira em citações na revista Tintin portuguesa estava ali...e custava 27$50, uma pequena fortuna para uma revista de banda desenhada. Mas teve que ser e lá foram as poupanças da semana. E na semana seguinte, idem. E depois e ainda depois, até chegar ao nº 753 de 11.4.1974. Tendo em conta a décalage ( francesismo a preceito) na distribuição, é provável que esse número tenha sido comprado na semana do 25 de Abril de 1974.
Nessa altura, o meu interesse na revista cingia-se a voltar a ver histórias de Jean Giraud, de Blueberry.
Mas tal não aconteceu, por motivos que se contam a seguir.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

National Lampoon


A revista National Lampoon aparecia em Portugal em 1974 como uma das revistas americanas que mais apetecia ler. Por causa dos textos humorísticos, cáusticos e por causa do arranjo gráfico que combinava desenho, ilustração, mais algumas páginas centrais com "comics", de teor surrealista, delirante ou apenas cómico e realista.
A par disso, entremeava as páginas com publicidade a discos, aparelhagem de som e imagem, etc.
Só por causa desta publicidade valia a pena comprar a revista, porque não se via noutro lado, a não ser na Rolling Stone ou Crawdaddy e mesmo assim em modo mais comedido.

Nessa altura, as imagens desse tipo contavam. Ver a imagem de um disco novo de um grupo ou artista que interessavam era uma novidade que levava a comprar a revista. Os desenhos nas páginas centrais, em papel de jornal, a contrastar com a cor e textura do couché, também a tornava original.
O primeiro número que comprei, foi em Junho de 1974 e nesse ano e seguinte, estão aqui alguns números, alguns deles com capas politicamente incorrectas como já não se usa mais.

Capa dos Grateful Dead


O disco que fica em capa, só o conheci alguns anos depois de ter visto a publicidade numa revista americana, a National Lampoon de Outubro de 1975, uma época épica no Portugal de então, em PREC que soçobrou no mês seguinte, altura em que a revista por cá apareceu.

O grupo da capa é o Grateful Dead, cuja música nem conhecia, mas a publicidade de página inteira, com um disco de Blues for Allah, seria hoje manifestamente improvável na sociedade americana.

segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Nitty Gritty Dirt Band em triplo



Outro grupo americano que publicou discos nos anos setenta a merecerem atenção, incluindo nas capas, foi o Nitty Gritty Dirt Band de Jeff Hanna e John McEwen.
Em 1976, um triplo LP, com o título Dirt Silver and Gold, recolhendo o melhor do grupo até então, tinha esta capa estendida, desdobrável em três lados e que simulava um cofre antigo, decorado em fin de siècle. Grande disco, grande capa.

O álbum branco dos Chicago



Os Chicago, depois de terem publicado três LP´s duplos, entre 1969 e 1971, alugaram o Carnegie Hall em Nova York, durante uma semana a fio e gravaram um quádruplo LP, reunindo em duas horas de música continuada, o melhor que tinham para mostrar.

Os discos, em quatro LP´s, vinham acondicionados numa caixa que contém ainda um poster gigante do grupo em actuação, com 120x180, dobrado em sucessivas camadas para caber na caixa, mais um poster de 100x50, com imagens dos elementos do grupo e ainda mais outro da mesma dimensão que mostra o exterior do Carnegie Hall. Ainda tem um libreto com fotos e datas dos concertos da época.

O álbum foi gravado entre 5 e 10 de Abril de 1971 e apesar de alguma deficiência na captação do som pelos standards mais elevados ( particularmente nos metais e vozes, devido à má acustica da sala) a música é excelente e ouve-se com particular agrado.

quinta-feira, 15 de outubro de 2009

Capas e contra-capas



O disco Stand up, dos Jethro Tull, faz agora 40 anos. Em Outubro de 1969, a revista Rock & Folk publicou este anúncio ao disco, com recomendação acerca da sua natureza de revelação do ano, sendo avant-garde da música pop e underground!

O disco abria em álbum e no interior surgiam as figuras recortadas dos músicos que se levantavam em "stand up", conforme se verifica na imagem.


O papel das revistas




Nas revistas de banda desenhada franco-belga, em 1972, por altura da publicação do disco Exile on main street, dos Rolling Stones, havia o Tintin, edição portuguesa que publicava originais das revista Pilote, francesa e a original Tintin, belga.
Em Agosto de 1972, as edições portuguesa e belga eram estas que se apresentam e cuja diferença gráfica é de monta.
A revista portuguesa tinha um papel quase semelhante ao de jornal, poroso, um pouco pardo e com nenhum brilho. A edição belga, pelo contrário, brilhava no papel de revista lustroso e em cada nova edição parecia estar a sair das rotativas com a tinta ainda fresca. O efeito gráfico era fantástico por vezes, apresentando imagens de um grafismo que os álbuns, depois, não conseguiam repor na sua integralidade brilhante.

O exemplo que se apresenta da revista Tintin, edição belga, de Agosto de 1972, mostra duas páginas de uma aventura de Martin Milan, desenhado por Godard e cuja tonalidade do verde marinho aqui ligeiramente afinada na segunda página, através do scanner, mostra uma subtileza cromática que dificilmente se conseguiria no álbum cartonado.
Mesmo assin, a imagem que se publica não consegue captar toda o brilho daquela que está publicada na revista, por limitações deste meio informático em pixeis.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Joe Walsh em capa de disco

Este Lp de Joe Walsh, So What, de 1974, contém Turn to Stone, Help me through the night e outras com interesse.
Turn to stone, passava regularmente no programa Página Um, da Rádio Renascença de então.
A capa do disco, original da ABC records americana, releva o nome do músico e do álbum em prensagem tridimensional que se percorre com os dedos notando o efeito de relevo real do grafismo. Na foto não se nota, mas o efeito é...de relevo.

O som de Joe Walsh, que depois ( em 1976) integrou os Eagles, neste disco e principalmente num outro seguinte, But seriously folks, de 1978, é de guitarra eléctrica, misturada com tonalidades de guitarra acústica, gravados em luxo sonoro, por Bill Szymczyk, do Record Plant de Los Angeles. O som é exhilarating, como dizem em americano.

terça-feira, 13 de outubro de 2009

Mais capas de discos


Outro disco de prensagem americana e que apresenta as características típicas do cartão e do grafismo, é este, de Gene Parsons, Kindling, de 1973 e que contém um êxito da altura, Monument. O tema integralmente tocado por Gene Parsons, nos instrumentos usados, lembra o antigo grupo de Parsons, os Byrds. E projecta o que viria a seguir, nos Flying Burrito Brothers.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Capas de discos

Havia algo nos discos antigos, em LP, que os tornavam objectos de culto suplementar para além da música que continham. A imagem gráfica das capas era um elemento suplementar de interesse e que permitiam coleccionar os LP´s como obras de arte gráfica de formato suficientemente apelativo para se guardarem como tal.

Para além disso, alguns discos ainda tinham um apelo particular no tipo de cartão que usavam, particularmente os de origem norte-americana. Um cartão mais grosso que os demais, de cor um pouco mais escura que o habitual e cheiro a papelão prensado, num odor particular que atestava a origem.

Para além disso, a impressão da imagem gráfica da capa, normalmente, nesses discos, tinha uma qualidade superior à de outras prensagens.

Há vários discos que juntam estas características. Um deles, é este, ainda com o celofane que o envolvia. É uma reedição americana, de 1977, da Liberty Records ( odisco original de 1976, é da United Artists) do disco Lonesome Road, de Doc Watson, comprado na FNAC francesa, em 1982:


Cavaleiro Andante



Clicar para ampliar.

A revista Cavaleiro Andante, em Dezembro de 1956 já ia no seu 258 número. Dirigida por Adolfo Simões Müller e editada por M. Nunes de Carvalho, era impressa nas oficinas gráficas do Anuário de Portugal, numa qualidade que aqui pode ser revista, nestas seis páginas desse mesmo número de 8.12.1956.

As duas páginas do meio revelam uma história de Blake & Mortimer, de Edgar-Pierre Jacobs. A outra é de Joseph Gillain, conhecido como Jijé e inspirador de vários autores franco-belgas de banda desenhada, como Jean Giraud, aliás, Moebius.

A tradução das filactérias revela ainda outra coisa: o cuidado e rigor no uso da linguagem em português. Para entender melhor o que quero dizer, basta comparar a mesma página, traduzida em 1956, com outra de um álbum da mesma aventura, de agora.

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Beatles: as novas matrizes dos discos



Na revista inglesa Sound on Sound deste mês, um artigo sobre as novas edições da discografia dos Beatles explica os detalhes técnicos da rematrização.

A equipa, sete elementos acima retratados, começou assim:

Em primeiro lugar experimentaram vários equipamentos para reprodução das fitas originais e escolheram um Studer A80. Nunca consideraram seriamente a utilização do gravador original, um aparelho EMI, o British Tape Recorder, acima retratado na imagem a preto e branco, e que não se encontra actualmente no melhor estado de uso. Segundo os técnicos, as fitas originais das gravações dos Beatles, encontram-se em muito bom estado, mesmo as fitas com a gravação em mono que não teriam sido usadas em 40 anos e que partiam com alguma frequência exigindo cuidado acrescido.
A transferência do som analógico da fita original, para o digital, fez-se com o cuidado exigido a cada uma das canções

Para transferirem o som analógico provindo da leitura da fita realizada pelo Studer A80, usaram um conversor analógico/digital, Prism, ADA-8XR, cuja imagem é esta, em baixo à direita e que permite gravar em formato digital com 16 canais e numa conversão de 24 bits, com frequência de amostragem de 192kHz.



















A interface digital para estas operações, foi o programa ProTools HD.
Para reduzir o ruído, equilibrando o som, usaram aparelhos da Cedar Cambridge, na imagem. abaixo , à esquerda. Para equalização e limitação do sinal analógico, usaram mesas de mistura EMI TG console, de 1972 ( semelhante à da imagem da direita em baixo e que serviu para tratar o som da Antologia dos mesmos Beatles) e utilizaram ainda limitadores/ compressores do sinal digital da marca Jünger DO2 e Maselec MEA-2
Só depois disso transferiram o som para o cd. Em 16 bits/44.1kHz, mesmo assim...o que deixa a desejar ouvir em 24/192, num futuro próximo em formato blu-ray.
Segundo indicam os técnicos - Guy Massey, em particular- tiveram acesso às notas de trabalho de realização dos LP´s originais e obviamente aos discos originais que lhes permitiram perceber a existência de cortes e limitação nas baixas frequências para "caberem" nos discos de vinil. Outro pormenor reside no intervalo das canções. Nos discos, tornou-se obrigatório nessa altura, manter intervalos de seis segundos, o que é uma eternidade nos tempos que correm. Assim, reduziram esse tempo nas rematrizes em estéreo ( reduziram ainda mais um pouco que as reduções já feitas nas regravações dos anos oitenta) e mantiveram na mesma, nas mono, os seus segundos.



quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Os posters psicadélicos de Avedon

Look


John Lennon, por Richard Avedon, na revista americana Look, de Janeiro de 1968.

quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os Beatles- como conheci a sua música
























As primeiras imagens sobre os Beatles que guardei, foram estas, por ordem da esquerda para a direita e de cima para baixo. Do jornal Diário Popular, da Flama, da revista Mundo Moderno e de uma brasileira, provavelmente a Cruzeiro. Em 1970 ou pouco tempo antes disso.

























A que segue foi tirada dum número de Agosto de 1972, da revista Observador, consagrado ao fenómeno da pop ( Indústria ou evasão?, perguntava a revista). Na imagem da direita Dinis de Abreu a dizer que não havia pop em Portugal ( pode ler-se clicando).

Esta é a capa da revista alemã Pop de Junho de 1974, uma revista em que as imagens e os posters ( farb) eram o apelativo principal. Além disso, o papel lustroso, alemão, era de qualidade superior o que conferia cor notável às fotos.

As duas imagens seguintes reportam as capas da revista Rock & Folk de Novembro de 1976 e de Janeiro de 1983. Foi com esse número de 1976 que fiquei a conhecer pela primeira vez a discografia integral dos Beatles...em versão francesa. Durante vários anos, a referência aos títulos avulsos dos discos dos Beatles foi esta.


























Não me lembro da primeira vez que ouvi música dos Beatles. Com o tempo, as memórias cruzam o espaço dos discos e dos sons no final dos anos sessenta para assentar numa confusão de temas da época em que os Beatles eram apenas um grupo musical, porventura o mais conhecido. Seria Penny Lane? All you need is love? Terei ouvido antes, I want to hold your hand?

Entre todas as ocasiões, a que surge naturalmente é a que se associa a Yellow Submarine, aparecida em Revolver, saído no Verão de 1966, depois retomada na banda sonora do filme com o mesmo nome, lançado no Verão de 1968. Talvez All you need is love, mereça igual distinção, por ter saído no intervalo de ambos, em 1967, através de um programa de tv retransmitido para o mundo, por satélite.

Tudo considerado, o LP Sgt Peppers, nessa altura, 1967, nada me dizia. Algumas canções do grupo, sim. Penny Lane, por exemplo e que também saiu em Magical Mystery Tour.

Quando o célebre álbum branco saiu em 1968, não tomei nota mental e nem me lembro de ouvir canções desse disco, a não ser o indefectível Ob la di, Ob la da, essa sim, bem presente na memória da época. Como ficou Hey Jude, lançado em single na mesma altura.

Portanto, foi apenas em 1969 que descobri os Beatles como grupo com álbuns de canções e não apenas singles. Quarenta anos depois, lembro-me de algumas canções de Abbey Road, como Come together e Oh Darling e ainda Something; sem esquecer Don´t let me down, saída em single na Primavera de 1969.

A audição de música, nessa época, relevava mais de singles do que de álbuns e mais do rádio do que do gira-discos. Só com a leitura da música através de jornais e revistas descobri o interesse em saber mais sobre os Beatles e no ano seguinte, por altura da separação do grupo, já se tornara importante ler artigos sobre os Beatles e a sua música.

Mesmo assim, o álbum Let it be, último a sair da discografia dos Beatles, valeu como ícone e como objecto de culto por causa da capa elaborada numa caixa, com um livro de luxo e imagens a condizer que me lembro de mirar e remirar numa discoteca da época, apresentado como um objecto de luxo e caro por isso mesmo.
A música, no entanto, nem por isso. Desse disco, recordo o óbvio Let it be, The long and winding road e talvez Across the universe, se a memória não me trai. No entanto, foi a partir desta altura que os Beatles começaram a representar algo mais do que a música: um modo de olhar para um mundo a mudar.

O tema Two of us, por exemplo, só muito mais tarde, vários anos depois, em meados da década de setenta, descobri, por audição numa rádio espanhola, a Radio Popular de Vigo, sítio onde sintonizei muitas canções e músicas nos anos setenta.

A audição dessa canção, revelou-se uma descoberta da outra música dos Beatles, publicada nos vários álbuns que nunca ouvira integralmente até então, ou seja quase todos.

Em meados dos anos setenta, em Coimbra, passou no cinema Gil Vicente o filme Yellow Submarine. Descoberta! Algumas das canções, por força das letras traduzidas tomaram outro sentido, como Hey Bulldog ou It´s all too much. Mesmo All you need is love assumiu toada diferente com esse filme.

Em 1976, a revista francesa Rock & Folk publicou uma extensa reportagem por ocasião dos 10º aniversário da revista.

Esse artigo extenso, de 50 páginas, incluindo cronologia, com discografia crítica, capas dos discos ( edição francesa), indicação das canções de cada um bem como entrevistas com os músicos, constitui ao longo dos anos, a bíblia particular sobre as músicas dos Beatles.

Em Abril de 1970 o grupo separou-se e no ano seguinte, o jornal Disco, música & moda, publicava na sua primeira página um artigo sobre os Beatles a solo.

Nessa altura, a composição de George Harrison, My sweet lord, estava em primeiro lugar na listas de venda de discos. Mother, de John Lennon, seguia um pouco mais atrás e Beaucoup of blues, de Ringo Starr também arrajava lugar na lista. Apenas Another Day de Paul McCartney, não figurava em lugar explícito.


Ainda em Abril de 1970, a revista Mundo da Canção, no primeiro número que comprei, o 6, trazia a letra de Eleanor Rigby, Honey Pie e Octopus´s garden( de Revolver, do Branco e de Abbey Road). Nos números seguintes, a mesma revista, a única que valia a pena ler sobre música popular, na época ( o jornal Disco, música & moda só saiu em Fevereiro do ano seguinte), publicou as letras de Revolution 1 e Yesterday ( Branco e Help); Here comes the sun, One after 909 e Dig a Pony ( Abbey Road e Let it be, com imagem da capa deste último a preto e branco, apareceram no número 8 de Julho de 1970, imagem que se repetiu na capa do número seguinte em tom de amarelo e azul e no qual se publicaram as letras de The long and winding road e Two of us e ainda Yellow Submarine e Birthday, da banda sonora com o mesmo nome e do Branco; nesse número nem uma referência à separação dos Beatles. No número seguinte, as letras de Piggies e Help, For you Blue e I me mine ( Branco e banda sonora com o mesmo nome e ainda Let it be); no número 11, as letras de I want you ( she´s so heavy), You never gave your money, de Abbey road e Across the Universe e I got a feeling, de Let it be e no seguinte, She came through the bathroom window e Mean mr. Mustard, de Abbey Road. A primeira vez que aparece uma referência á separação dos Beatles é no número13, de 15.12.1970, num artigo interessante assinado por...José Cid que achava “ o desaparecimento dos Beatles uma lacuna que fica para sempre na Pop Music.”

Em 1973, com a publicação de duas recolhas antológicas ( a vermelha 1962-1966 e a azul 1967-1970) provavelmente retomaram-se nos rádios os temas já antigos, cuja audição não fixei nem me interessavam particularmente, mas não passaram despercebidas porque a notoriedade dos Beatles sempre se impôs nos media e dificilmente deixavam de se ouvir no rádio.

Os Beatles, enquanto grupo cuja discografia integral me interessou conhecer, apenas surgiu em finais dos anos setenta, precisamente com a publicação dos LP´s, em Portugal, pela Valentim de Carvalho, por ocasião do centenário da casa, que ocorreu em 1977 e cuja publicação se prolongou nos anos seguintes.

A canção que me despertou para a descoberta foi Two of us, de Let it Be, primeiro no rádio e depois, logo em 1981, com a audição dos discos LP em condições de fidelidade mais elevada. Depois, na mesma altura, voltei a redescobrir a beleza intemporal e mais antiga de For no one e You ve got to hide your love away ou In my life. For no one já fora uma canção que me impressionara durante o ano de 1977 ao ponto de a cantarolar frequentemente nessa altura, talvez porque era de uma tristeza premonitória.

Para além disso, nos anos setenta, a música dos Beatles confundia-se em certa medida com a música de cada um dos seus membros.

Primeiro, com George Harrison e John Lennon e depois com Paul McCartney, numa série de discos com destaque para London Town, de 1978.

Entre 1973 e 1978 mediaram cinco anos em que tomei conta da maior parte dos grandes discos da música rock, alguns deles em directo, no rádio e à medida que iam sendo publicados. A toada musical desses anos, a mais rica que jamais frequentei e experimentei, deram-me uma visão e audição relativa das músicas dos Beatles.

Por outro lado, durante essa primeira metade da década, os discos a solo de cada um dos Beatles, saíam a um ritmo impressionante, tal como a sua posição nas tabelas de charts anglo-saxónicos. A tal ponto que chegava a ler em jornais determinados singles que estavam em primeiro lugar nas vendas na Inglaterra e que ainda nem tinha ouvido por cá. O exemplo mais flagrante é Uncle Albert/Admiral Halsey, de Paul McCartney, saído em 1971 e que só escutei anos depois.

Com o advento do cd, em meados da década de oitenta, eventualmente foram publicados os discos dos Beatles, em 1987. Numa caixa com portinhola de correr, de cor escura, vinham todos acondicionados na nova tecnologia. Comprei na altura Abbey Road, como experiência, por 2 800$00, preço de capa. E Let it be, o que contém Two of us que para mim é uma música do inicio dos anos oitenta.

Na contracapa do cd diz que o disco foi "digitally re-mastered", pela EMI. Segundo se anuncia agora, em 2009, a EMI anuncia que o foi, com deficiências inerentes à técnica da época...e agora é que é.

Será?

domingo, 30 de agosto de 2009

A música do Verão de 1969


Este disco single, cuja edição portuguesa era exactamente igual, mostra a grande canção do Verão de 1969, Je t´aime, moi non plus. Foi proibida de passar no rádio ( tal como acontecia na Itália, Inglaterra, Espanha e Polónia e parcialmente em França) porque tinha uma entoação escandalosa, perto do final.
O Vaticano de então difundiu uma nota sobre o assunto, segundo a Wiki.


Verão de 1969 em Portugal


No Verão de 1969, um dos filmes em voga, em Portugal, era o alemão Helga, com o subtítulo O segredo da maternidade. Filme equívoco que suscitava a curiosidade de se poder ver a nudez do corpo da mulher, filmado integralmente...coisa rara no cinema de então.

O filme foi mencionado no número 18, de 15 de Agosto de 1969, na revista Mundo Moderno. A protagonista Ruth Grassman, foi entrevistada:

MM- Este seu filme e uma história de sexo ou amor?
RG- É antes do mais uma história de amor, um hino à mãe, à mulher.

No mesmo número da revista, refere-se ainda o concerto dos Rolling Stones no Hyde Park, ocorrido no mês anterior e transcreve-se a letra de Animais de estimação, da Filarmónica Fraude.

Assim:

Visons e leopardos
Sobem o Chiado
Criados de libré trincham faisões
Assentam-se arraiais em palacetes
Enfeitam-se uns e outros de brasões.

Com títulos de nobreza sem origem
E o mesmo diploma que a criada
Agarram-se a tudo o que não têm
P´la casa do Estoril hipotecada.

Madames enfeitadas de perucas
Gastam o seu tempo inutilmente
E em canastas p´la noite fora
Propõem causas nobres pelas gentes.

Coro:

Assim defino a vida de quem tem
Animais de estimação de vida sã
E em barracas com ar condicionado
Bichinhos que devoram croissants.
Cães com casaquinhos de cambraia
E gatos com golinhos de astracan.

A letra, presume-se, é de António Avelar Pinho, um dos melhores letristas de canções que a música popular já conheceu em Portugal. Na Banda do Casaco tem a sua obra-prima.

sábado, 29 de agosto de 2009

TV 1969

E Skippy:

TV 1969

E Daktari.