quarta-feira, 9 de setembro de 2009

Os Beatles- como conheci a sua música
























As primeiras imagens sobre os Beatles que guardei, foram estas, por ordem da esquerda para a direita e de cima para baixo. Do jornal Diário Popular, da Flama, da revista Mundo Moderno e de uma brasileira, provavelmente a Cruzeiro. Em 1970 ou pouco tempo antes disso.

























A que segue foi tirada dum número de Agosto de 1972, da revista Observador, consagrado ao fenómeno da pop ( Indústria ou evasão?, perguntava a revista). Na imagem da direita Dinis de Abreu a dizer que não havia pop em Portugal ( pode ler-se clicando).

Esta é a capa da revista alemã Pop de Junho de 1974, uma revista em que as imagens e os posters ( farb) eram o apelativo principal. Além disso, o papel lustroso, alemão, era de qualidade superior o que conferia cor notável às fotos.

As duas imagens seguintes reportam as capas da revista Rock & Folk de Novembro de 1976 e de Janeiro de 1983. Foi com esse número de 1976 que fiquei a conhecer pela primeira vez a discografia integral dos Beatles...em versão francesa. Durante vários anos, a referência aos títulos avulsos dos discos dos Beatles foi esta.


























Não me lembro da primeira vez que ouvi música dos Beatles. Com o tempo, as memórias cruzam o espaço dos discos e dos sons no final dos anos sessenta para assentar numa confusão de temas da época em que os Beatles eram apenas um grupo musical, porventura o mais conhecido. Seria Penny Lane? All you need is love? Terei ouvido antes, I want to hold your hand?

Entre todas as ocasiões, a que surge naturalmente é a que se associa a Yellow Submarine, aparecida em Revolver, saído no Verão de 1966, depois retomada na banda sonora do filme com o mesmo nome, lançado no Verão de 1968. Talvez All you need is love, mereça igual distinção, por ter saído no intervalo de ambos, em 1967, através de um programa de tv retransmitido para o mundo, por satélite.

Tudo considerado, o LP Sgt Peppers, nessa altura, 1967, nada me dizia. Algumas canções do grupo, sim. Penny Lane, por exemplo e que também saiu em Magical Mystery Tour.

Quando o célebre álbum branco saiu em 1968, não tomei nota mental e nem me lembro de ouvir canções desse disco, a não ser o indefectível Ob la di, Ob la da, essa sim, bem presente na memória da época. Como ficou Hey Jude, lançado em single na mesma altura.

Portanto, foi apenas em 1969 que descobri os Beatles como grupo com álbuns de canções e não apenas singles. Quarenta anos depois, lembro-me de algumas canções de Abbey Road, como Come together e Oh Darling e ainda Something; sem esquecer Don´t let me down, saída em single na Primavera de 1969.

A audição de música, nessa época, relevava mais de singles do que de álbuns e mais do rádio do que do gira-discos. Só com a leitura da música através de jornais e revistas descobri o interesse em saber mais sobre os Beatles e no ano seguinte, por altura da separação do grupo, já se tornara importante ler artigos sobre os Beatles e a sua música.

Mesmo assim, o álbum Let it be, último a sair da discografia dos Beatles, valeu como ícone e como objecto de culto por causa da capa elaborada numa caixa, com um livro de luxo e imagens a condizer que me lembro de mirar e remirar numa discoteca da época, apresentado como um objecto de luxo e caro por isso mesmo.
A música, no entanto, nem por isso. Desse disco, recordo o óbvio Let it be, The long and winding road e talvez Across the universe, se a memória não me trai. No entanto, foi a partir desta altura que os Beatles começaram a representar algo mais do que a música: um modo de olhar para um mundo a mudar.

O tema Two of us, por exemplo, só muito mais tarde, vários anos depois, em meados da década de setenta, descobri, por audição numa rádio espanhola, a Radio Popular de Vigo, sítio onde sintonizei muitas canções e músicas nos anos setenta.

A audição dessa canção, revelou-se uma descoberta da outra música dos Beatles, publicada nos vários álbuns que nunca ouvira integralmente até então, ou seja quase todos.

Em meados dos anos setenta, em Coimbra, passou no cinema Gil Vicente o filme Yellow Submarine. Descoberta! Algumas das canções, por força das letras traduzidas tomaram outro sentido, como Hey Bulldog ou It´s all too much. Mesmo All you need is love assumiu toada diferente com esse filme.

Em 1976, a revista francesa Rock & Folk publicou uma extensa reportagem por ocasião dos 10º aniversário da revista.

Esse artigo extenso, de 50 páginas, incluindo cronologia, com discografia crítica, capas dos discos ( edição francesa), indicação das canções de cada um bem como entrevistas com os músicos, constitui ao longo dos anos, a bíblia particular sobre as músicas dos Beatles.

Em Abril de 1970 o grupo separou-se e no ano seguinte, o jornal Disco, música & moda, publicava na sua primeira página um artigo sobre os Beatles a solo.

Nessa altura, a composição de George Harrison, My sweet lord, estava em primeiro lugar na listas de venda de discos. Mother, de John Lennon, seguia um pouco mais atrás e Beaucoup of blues, de Ringo Starr também arrajava lugar na lista. Apenas Another Day de Paul McCartney, não figurava em lugar explícito.


Ainda em Abril de 1970, a revista Mundo da Canção, no primeiro número que comprei, o 6, trazia a letra de Eleanor Rigby, Honey Pie e Octopus´s garden( de Revolver, do Branco e de Abbey Road). Nos números seguintes, a mesma revista, a única que valia a pena ler sobre música popular, na época ( o jornal Disco, música & moda só saiu em Fevereiro do ano seguinte), publicou as letras de Revolution 1 e Yesterday ( Branco e Help); Here comes the sun, One after 909 e Dig a Pony ( Abbey Road e Let it be, com imagem da capa deste último a preto e branco, apareceram no número 8 de Julho de 1970, imagem que se repetiu na capa do número seguinte em tom de amarelo e azul e no qual se publicaram as letras de The long and winding road e Two of us e ainda Yellow Submarine e Birthday, da banda sonora com o mesmo nome e do Branco; nesse número nem uma referência à separação dos Beatles. No número seguinte, as letras de Piggies e Help, For you Blue e I me mine ( Branco e banda sonora com o mesmo nome e ainda Let it be); no número 11, as letras de I want you ( she´s so heavy), You never gave your money, de Abbey road e Across the Universe e I got a feeling, de Let it be e no seguinte, She came through the bathroom window e Mean mr. Mustard, de Abbey Road. A primeira vez que aparece uma referência á separação dos Beatles é no número13, de 15.12.1970, num artigo interessante assinado por...José Cid que achava “ o desaparecimento dos Beatles uma lacuna que fica para sempre na Pop Music.”

Em 1973, com a publicação de duas recolhas antológicas ( a vermelha 1962-1966 e a azul 1967-1970) provavelmente retomaram-se nos rádios os temas já antigos, cuja audição não fixei nem me interessavam particularmente, mas não passaram despercebidas porque a notoriedade dos Beatles sempre se impôs nos media e dificilmente deixavam de se ouvir no rádio.

Os Beatles, enquanto grupo cuja discografia integral me interessou conhecer, apenas surgiu em finais dos anos setenta, precisamente com a publicação dos LP´s, em Portugal, pela Valentim de Carvalho, por ocasião do centenário da casa, que ocorreu em 1977 e cuja publicação se prolongou nos anos seguintes.

A canção que me despertou para a descoberta foi Two of us, de Let it Be, primeiro no rádio e depois, logo em 1981, com a audição dos discos LP em condições de fidelidade mais elevada. Depois, na mesma altura, voltei a redescobrir a beleza intemporal e mais antiga de For no one e You ve got to hide your love away ou In my life. For no one já fora uma canção que me impressionara durante o ano de 1977 ao ponto de a cantarolar frequentemente nessa altura, talvez porque era de uma tristeza premonitória.

Para além disso, nos anos setenta, a música dos Beatles confundia-se em certa medida com a música de cada um dos seus membros.

Primeiro, com George Harrison e John Lennon e depois com Paul McCartney, numa série de discos com destaque para London Town, de 1978.

Entre 1973 e 1978 mediaram cinco anos em que tomei conta da maior parte dos grandes discos da música rock, alguns deles em directo, no rádio e à medida que iam sendo publicados. A toada musical desses anos, a mais rica que jamais frequentei e experimentei, deram-me uma visão e audição relativa das músicas dos Beatles.

Por outro lado, durante essa primeira metade da década, os discos a solo de cada um dos Beatles, saíam a um ritmo impressionante, tal como a sua posição nas tabelas de charts anglo-saxónicos. A tal ponto que chegava a ler em jornais determinados singles que estavam em primeiro lugar nas vendas na Inglaterra e que ainda nem tinha ouvido por cá. O exemplo mais flagrante é Uncle Albert/Admiral Halsey, de Paul McCartney, saído em 1971 e que só escutei anos depois.

Com o advento do cd, em meados da década de oitenta, eventualmente foram publicados os discos dos Beatles, em 1987. Numa caixa com portinhola de correr, de cor escura, vinham todos acondicionados na nova tecnologia. Comprei na altura Abbey Road, como experiência, por 2 800$00, preço de capa. E Let it be, o que contém Two of us que para mim é uma música do inicio dos anos oitenta.

Na contracapa do cd diz que o disco foi "digitally re-mastered", pela EMI. Segundo se anuncia agora, em 2009, a EMI anuncia que o foi, com deficiências inerentes à técnica da época...e agora é que é.

Será?

domingo, 30 de agosto de 2009

A música do Verão de 1969


Este disco single, cuja edição portuguesa era exactamente igual, mostra a grande canção do Verão de 1969, Je t´aime, moi non plus. Foi proibida de passar no rádio ( tal como acontecia na Itália, Inglaterra, Espanha e Polónia e parcialmente em França) porque tinha uma entoação escandalosa, perto do final.
O Vaticano de então difundiu uma nota sobre o assunto, segundo a Wiki.


Verão de 1969 em Portugal


No Verão de 1969, um dos filmes em voga, em Portugal, era o alemão Helga, com o subtítulo O segredo da maternidade. Filme equívoco que suscitava a curiosidade de se poder ver a nudez do corpo da mulher, filmado integralmente...coisa rara no cinema de então.

O filme foi mencionado no número 18, de 15 de Agosto de 1969, na revista Mundo Moderno. A protagonista Ruth Grassman, foi entrevistada:

MM- Este seu filme e uma história de sexo ou amor?
RG- É antes do mais uma história de amor, um hino à mãe, à mulher.

No mesmo número da revista, refere-se ainda o concerto dos Rolling Stones no Hyde Park, ocorrido no mês anterior e transcreve-se a letra de Animais de estimação, da Filarmónica Fraude.

Assim:

Visons e leopardos
Sobem o Chiado
Criados de libré trincham faisões
Assentam-se arraiais em palacetes
Enfeitam-se uns e outros de brasões.

Com títulos de nobreza sem origem
E o mesmo diploma que a criada
Agarram-se a tudo o que não têm
P´la casa do Estoril hipotecada.

Madames enfeitadas de perucas
Gastam o seu tempo inutilmente
E em canastas p´la noite fora
Propõem causas nobres pelas gentes.

Coro:

Assim defino a vida de quem tem
Animais de estimação de vida sã
E em barracas com ar condicionado
Bichinhos que devoram croissants.
Cães com casaquinhos de cambraia
E gatos com golinhos de astracan.

A letra, presume-se, é de António Avelar Pinho, um dos melhores letristas de canções que a música popular já conheceu em Portugal. Na Banda do Casaco tem a sua obra-prima.

sábado, 29 de agosto de 2009

TV 1969

E Skippy:

TV 1969

E Daktari.

Séries de tv 1969

Bonanza, claro.

Anúncios de 1969

Estes dois anúncios de 1969, publicados na revista Vida Mundial no número de 29.8.1969 e 14.11.1969, mostram bem a apetência pelo consumo crescente, da classe média portuguesa de então.
A Messa, uma marca portuguesa de máquinas de escrever, foi a minha primeira máquina de escrita, em 1972. Parecida com a da imagem, ainda escreve, se for preciso. Em teclado HCESAR.

1969 na tv

Uma dos programas de desenhos animados do final dos anos sessenta que ficou na memória da minha infância, foi este, cujo teledisco aqui vai, com o tema de introdução: Gorilla Magilla.

domingo, 16 de agosto de 2009

O maior ano do rock-1969!


A imagem de Woodstock , retirada do documentário de Michael Wadleigh( com montagem de M. Scorsese) ligada aos Santana, em soul sacrifice


Com a efeméride dos 40 anos do festival de Woodstock, advém ainda a memória do tempo e modo desse festival, no Portugal de 1969.

Durante três dias de “ música amor e paz” que começaram em 15 de Agosto desse ano, numa localidade próxima de Nova Iorque, decorreu o festival que na época reuniu o maior número de pessoas, desde o festival de Monterey, em 1967: mais de meio milhão .

David Crosby, um dos participantes , com o grupo CSN&Y ( no segundo concerto da banda), mencionou – na segunda–feira seguinte no programa de tv de Dick Cavett- que a multidão, vista do helicóptero onde vieram, dava a ideia do exército macedónio e Stephen Stills, durante o concerto confessou perante as centenas de milhar presentes que o evento os borrava de medo. Dizem agora que por trás deles, no palco ,estavam quase todos os artistas da época que compareceram, a ouvir a nova banda que se apresentava como a sensação do momento. E não desapontaram.

Não obstante a importância relativa do acontecimento, em Portugal e não só ( em França a revista Rock & Folk não escreveu quase nada sobre o festival), as notícias teriam sido as usuais, mas sem destaque especial pela simples razão de que não havia imprensa musical propícia a tal, nessa época. A Mundo da Canção surgiu em finais desse ano, o jornal Disco, música & moda saiu em Fevereiro do ano seguinte e a revista Mundo Moderno, sucedânea da Cine-Disco provavelmente deu conta do assunto, mas sem grande destaque. O Diário Popular da época, num dos seus suplementos terá dado conta de igual modo.

Algumas revistas americanas que chegavam até cá, no entanto, deram o devido destaque ao acontecimento. A Life, algumas semanas depois, dedicou um número especial ao caso que assumiu as devidas proporções no ano seguinte, altura em que saiu o filme do festival, um documentário premiado, longo de mais de rês horas. Um triplo Lp reuniu uma boa parte das canções que os grupos e intérpretes tocaram ( não todas e nem sequer a maior parte, por isso pouco tempo depois surgiu outra edição em Lp, o Woodstock II. Ainda hoje se reunem colectâneas com os restos de material musical não publicado, como seja a interpretação dos Creedence Clearwater Revival, um dos grupos mais na berra no momento.

Foi apenas quando o filme saiu, nos primeiros meses de 1970, que a revista francesa Rock & Folk dedicou duas páginas ( e a capa, com o baterista Mike Shrieve dos Santana, então com 17 anos), num artigo assinado por Philippe Paringaux.

Em Portugal, o artigo sobre o festival surgiu nas páginas da Mundo da Canção, em 20.4.1972, estendendo-se por 4 números ( 28 a 31), com assinatura de Mário Correia em tonalidade escrita muito próxima da perspectiva estrangeira e de feição radicalmente crítica e politicamente já comprometida.

Portanto, o festival de Woodstock, para mim ( e muito boa gente) só passou a ter importância de acontecimento vivido, em diferido, aquando do filme que mostrava as imagens do concerto em vários planos, montados por Martin Scorsese.Esse filme-documentário passou ainda nos anos setenta, nos cinemas. Provavelmente tê-lo-ei visto já depois de 25 de Abril de 74 e as imagens permaneceram como a amostra do grande festival do final dos anos sessenta e que prenunciou o nosso festival de Vilar de Mouros em 1971, nas dimensões devidas a um pequeno país como o nosso e com o patrocínio privado e sem apoio público, como lá fora, aliás.

O jornal i de Sábado, 15.8.09, relata que o filme sobre Woodstock ( que a RTP2 passou nas primeiras horas de Domingo, 16 de Agosto), só foi divulgado em Portugal no ano de 1971 e depois de algumas vicissitudes com a censura da época.

Com as memórias da altura até aparece um José Cid a lembrar algo que não teria acontecido: que em Agosto de 1969 ouvia uma rádio pirata inglesa emitida a partir de um barco no canal da Mancha e teria sido aí que ouvira notícias sobre Woodstock. A famosa Radio Caroline, em 1969, já tinha sido calada... mas pode ser que fosse outra.

Enfim, uma coisa resulta desta aparente troca de recordações: que a liberdade de expressão não era um dado adquirido na Inglaterra, tal como o não era no Portugal pós-salazarista.

Antes de aparecer o filme, havia a música, num álbum triplo a que se seguiu, alguns meses depois mais um outro. Música que segundo os cronistas da época nem foi assim tão espectacular tecnicamente. O concerto de Altamont, quatro meses depois, será bem melhor nesse aspecto sonoro.

O artigo de Mário Correira, na Mundo da Canção 28, 29, 30 e 31 do ano de 1972, já com todos os elementos factuais, incluindo os do filme, reflecte todos os planos de apreciação crítica que poderiam ser lidos em publicações internacionais. Os jornalistas portugueses da época escreviam de cor e conheciam a música por ouvir dizer...principalmente nas revistas Rock & Folk e Rolling Stone.

É destas revistas que se publicam os artigos originais da época e ainda outros comemorativos da efeméride, em 1994 e 1999, bem como no presente ano, aos 40.

Do festival propriamente dito, conservo a memória do que o filme trouxe e a música deixa ouvir. Na época, fazia furor a prestação de Mike Shrieve, na bateria dos Santana e ainda com 17 anos. Tal como a performance de Alvin Lee dos Ten Years After ou a de Country Joe Macdonald com o panfleto "give me a f..."e principalmente a interpretação notável e inultrapassável que Joe Cocker emprestou à canção dos Beatles, With a little Help from my friends.

Nas descobertas sonoras, porém, avultam os nomes de Arlo Guthrie que aparece a cantar no genérico do filme e sem imagem e ainda as prestações vocais de C.S. & N. e a aprte final com Jimi Hendrix a tocar o Star Spangled Banner.

No filme ( e no disco) não apareciam originalmente as actuações dos Creedence Clearwater Revival, embora actualmente seja já possível vê-las e ouvi-las em acrescentos por causa da efeméride que se tem comemorado ao longo dos anos.

Em 1979, com os dez anos depois do festival nenhuma revista de música se deu ao cuidado de lembrar o acontecimento passado. Porém, em 1989, já a Rolling Stone americana escrevia (David Fricke) um dos melhores artigos sobre o que foi o festival de Woodstock. De igual modo, em 1994, a revista Mojo inglesa publicou um artigo extenso, no número 8 de Julho desse ano em que lembra os músicos presentes no festival com declarações e recordações críticas do acontecimento.

Este ano em que se perfazem os 40 anos, praticamente não houve revista ou jornal de relevo que não tivessem escrito sobre a lembrança do festival.

Alguns dos melhores artigos foram publicado na revista Uncut, inglesa, de Maio de 2009; a revista francesa Rock & Folk, em número hors serie de Julho-Agosto de 2009, e principalmente a revista Guitar world, datada de Setembro de 2009, com o melhor artigo comemorativo, tal como já havia feito em Junho de 1999 quando dedicou um número especial ao que intitulava na capa como "the greatest year in rock-1969"!

Aqui ficam algumas imagens da imprensa sobre o festival de Woodstock de 15,16 e 17 de Agosto de 1969.


Estas duas primeiras são da revista Rock & Folk de Junho de 1970, em que Philippe Paringaux dedica duas páginas críticas ao filme do festival. A capa da revista, aliás, é uma imagem do filme e da prestação de Mike Shrieve o baterista dos Santana ( que vale o dvd). A imagem da direita, tirada da revista MOJO, edição especial sobre the story of 69, publicada em 2009.




















Estas duas imagens seguintes são a reprodução da primeira página do artigo da Rolling Stone da época- Setembro de 1969, sobre o festival, um excelente artigo, aliás e que inspirou diversos críticos, incluindo portugueses, porventura. Ao lado, a primeira página do artigo de Mário Correia, na Mundo da Canção de 1972 sobre o festival, já requentado pela imagen do filme e os sons do triplo Lp e do que se lhe seguiu.





















Esta imagem, tirada da Guitar World, de Setembro de 2009 oferece a perspectiva do festival vista do palco dos artistas.


Esta imagem reproduz o texto de David Fricke, na Rolling Stone de 24 de Agosto de 1989.


Para saber quase tudo sobre Woodstock, actualmente, a documentação é extensa e disponível na Rede. Entre os blogs, o incontornável ié-ié. Na documentação do origem, por exemplo, aqui.

sábado, 1 de agosto de 2009

Música de 1969 V

E a da francesa Frida Boccara, com Un jour, un enfant.
Juntamente com as outras duas e a holandesa Lenny Kuhr, com De troubadour, foram as vencedoras ex-aequo, do festival nesse ano de 1969.

Música de 1969 IV

E esta de Salomé, a espanhola que cantou Vivo cantando

Música de 1969 III

E esta de...Lulu, no festival da Eurovisão, acontecimento que se repetia ano após ano, nos sessenta e setenta, no mês de Maio.

Música de 1969 II

No rádio de 1969 soava muito este tipo de música que ficou como uma boa canção pop. Sugar, sugar, pelos Archies.

quarta-feira, 29 de julho de 2009

CS&N 1969

E os Crosby , Stills and Nash, há 40 anos. Mais ou menos a meio do vídeo, aparece Stephen Stills num programa de tv americana, vindo directamente de Woodstock, do festival que aí se realizou em Agosto de 1969 ( ainda mostra a lama seca, nas calças e botas).

Manassas

Stephen Stills no tempo de Manassas, em 1972.

segunda-feira, 20 de julho de 2009

1969-I




O grupo de música rock de 1969, para todos os efeitos de audição na altura, foi Creedence Clearwater Revival.

Em Janeiro publicou Bayou Country, com o êxito maior da sua carreira: Proud Mary. Em Agosto repetiu com Green River e outros sucessos como Bad Moon Rising/ Lodi.

Em Outubro saiu Willy and the Poor boys.

Sim...e os Beatles?

Os Beatles, em Setembro desse ano publicaram Abbey Road, provavelmente o maior disco de sempre da música pop/rock. Mas isso é agora. Na época, os Creedence eram os maiores no meu hit parade particular.

domingo, 28 de junho de 2009

Neil Young, Arquivos, vol. I



A caixa com os Archives Vol. I. de Neil Young já canta por aqui. Em Blu-ray, cuja musicalidade é mais perfeita, incluindo mais notas e transitórios que as versões em cd ou mesmo dvd "normal".
A caixa é uma espécie de arca de aliança com os admiradores de sempre de Neil Young: uma retrospectiva da carreira musical de Neil Young, desde os primórdios até 1972, com um livro encadernado num material plastificado que empresta um cheiro característico ao volume de 236 páginas.

O recheio do livro constituiu-se integralmente por fotos de Neil Young, desde a infância e adolescência escolares, até à idade da música, em grupos e a solo; por artigos de jornais em facsimile e fotos dos papéis onde escrevinhou uma boa parte das letras originais das canções dos discos, até 1972, data limite da recolha neste primeiro volume do arquivo sonoro de Neil Young. Fotos profusas dos grupos por onde passou, desde os primórdios até aos CSN&Y, com as capas dos discos e anúncios de um ou outro concerto.
Destaque para os acontecimentos na Universidade de Kent, em Maio de 1970 e que inspirou o tema Ohio, com a letra original escrita a marcador vermelho, num papel amarelecido pelo tempo. As últimas 50 páginas do livro são dedicadas ao elenco de todas as faixas musicais deste primeiro volume dos arquivos, com indicação da datra, título da canção, artista que a executa, local da sessão, produtor, original, mistura ( master, inédito não gravado, remistura, etc) e formato.

Os discos, 10 nesta versão Blu-ray, a que se acrescenta mais um, separado em caixa própria, com o concerto Sugar Mountain, já editado em cd e dvd (a caixa dentro da caixa é tipo cofre de jóias em cartão duro, contendo um cartão, com código de acesso à net para descarga de todas as canções em mp3 e actualização dos Archives; tem ainda um pequeno bloco de notas, verdadeiro e com logotipo do Whisky a Go Go) aparecem acondicionados em duas caixinhas ligadas entre si e que se dobram para se inserirem em ranhuras especialmente desenhadas para as introduzir no pequeno caixote, a par da ranhura onde se guarda o livro e ainda se anicha o desdobrável com mais de um metro de comprimento e onde se simula um arquivo clássico por fichas que aparecem reproduzidas depois no menu do monitor ( todas as canções são acompanhadas por pequenos filmes de animação muito bem engendrados, com a simulação de um gira-discos, a rodar o disco em caisa e em imagem quase hiper-realista que o Blu-ray lhe confere, de um gravador de bobines ou outros media ( cassete 8 ou cassete simples) que simulam a execução da canção parecendo que o som provém desses meios de reprodução em vez do leitor de Blu-ray. O efeito é fantástico de realismo e a cor ultra definida.
Num dos temas ( Music is love, pelos CSN&Y), sobre o disco em vinilo que roda no gira-discos em tamanho real, simulando em video a reprodução sonora que se ouve, pode ver-se nitidamente, algumas partículas de pó a dançar, por força da estática, por cima do vinil, num realismo que só uma iluminação cuidadosa confere, numa reprodução real. Hiper-realismo, portanto.

Quanto à qualidade sonora, tenho que reconhecer que ultrapassa a do vinil, pelo menos com os discos e aparelhagem de que disponho. É de uma suavidade e equilíbrio dinâmico que me reconduz à admiração desta nova maravilha técnica. Mesmo em simples stereo, sem uso da facilidade de som multi-canal, a qualidade é estonteante e evidente. Indiscutível e um passo em frente na reprodução sonora e facilidade de manusear o material.

A par dos discos em puro som, que se pode ouvir, acompanhados pelas imagens semi-estáticas alusivas ao meio de reprodução, as caixinhas guardam ainda registos de concertos já publicados noutros media ( DVD e cd), como sejam os de uma gravação ao vivo em Toronto, em 1969; o disco ao vivo no Fillmore East, em Nova Iorque, em 1970; o disco ao vivo no Massey Hall, em Toronto, 1971 e ainda um disco com o filme Journey Through the Past, inédito. O disco bónus, como disse, é o do concerto ao vivo Sugar Mountain Live at Conterbury House 1968, apresentado em cd audio e em dvd video "normal".

O caixote abre por cima, com uma tampa que descobre o conteúdo. As duas caixinhas dos discos Blu-ray, entram direitinhas na ranhura respectiva e desdobram-se para deixar tirar os dez discos que lá estão, com capas idênticas ás dos cd´s e dvd´s já publicados, em edição avulsa ao longo destes últimos tempos e com a referência a Archives.

Para além das canções conhecidas, os dez discos apresentam ainda uma série de 60 inéditos, entre canções, entrevistas e pequenos temas. Além disso, cerca de uma dúzia dessas canções estão "escondidas" ( mas sinalizadas...).

E pronto. Está apresentada a caixa do Vol. I dos Archives de Neil Young. Vale a pena e vale cada euro que custa.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A BD portuguesa

A banda desenhada portuguesa nunca foi algo que se visse, com vontade de rever, como é o caso da franco-belga.

Nos anos setenta, ainda se ouvia falar em Eduardo Teixeira Coelho ou Vítor Péon, no Jornal do Cuto.
Em 1975, surgiu então uma revista, intitulada Visão, dirigida por Vítor Mesquita. Esta. Não foi a pedrada no charco que se esperaria nem durou muito tempo. Mas foi a primeira tentativa por cá, de se fazer o que lá fora, pela Europa, se fazia já há muitos anos. Até em Espanha.




domingo, 10 de maio de 2009

Jethro Tull

Jornal Disco ( dirigido então por um certo A. de Carvalho que será Ruben de Carvalho) de 1.10. 1971

No início dos anos setenta comecei a ouvir falar dos Jethro Tull. Em data incerta de meados dos anos setenta a música dos Jethro Tull entrou em casa pelo som da flauta num tema de Bach. Bourrée. O tema já tinha sido ouvido noutras sonoridades, mas a flauta de Ian Anderson despertava uma atenção particular porque vinha acompanhada pela sonoridade esquisita do LP Aqualung, o mesmo que contém Locomotive Breath e Wondrin aloud, separados por três faixas.

Em finais de 1974, pelo Natal, no rádio de então, ouvia-se o LP War Child e temas como Bungle in the Jungle e principalpente Skating away on a thin ice.

Em finais de 1975 o disco seguinte, Minstrell in the Gallery de grande relevo acústico passou a ser ouvido em programas seleccionados do rádio que passavam discos inteiros que permitiam a gravação de interessados.

Os temas de Minstrell tornaram-se dos mais estimados de ouvir no rádio, por causa das melodias e sonoridades acústicas que o tornam um dos melhores disco de 1975.

Requiem, por exemplo, ou a sequência Baker Street Muse, ou ainda One White duck on the wall, são temas da mais elevada mestria na música popular que me agrada. Crash- Barrier waltzer idem, com esta passagem: “I have no time for Time magazine or Rolling Stone” que mencionava duas revistas que já apreciava.





















Rock & Folk de Outubro de 1975 e de Junho 1976


Durante o ano de 1976, esse disco foi dos mais escutados e apreciados, continuando hoje em dia como um dos meus discos de referência da música popular.

Por isso, em meados desse ano, ao sair o sucessor de Minstrel, a expectativa era grande e ao ouvir pela primeira vez Too old to rock n´roll too young to die, lendo a crítica na Rock & Folk, manteve-se a promessa, embora esbatida pela superior qualidade daquele.

O disco não está ao mesmo nível que o anterior e apenas o continua numa ou noutra composição ( Crazed institution, From a dead beat, Pied piper, to an old greaser ou o título tema, por exemplo). Ou mesmo o tema final que lembra o Mistrell.

Nesse ano de 1976, passou também no rádio o que havia no catálogo anterior de Jethro Tull: Aqualung mas também o grande Thick as a Brick, uma obra temática e cujo LP original inventava uma história, apresentada num exemplar de jornal, desdobrável e em tudo idêntico a um jornal convencional.

E também passaram A Passion Play e um tema disperso saído em separado dos LP`s: a pequena maravilha musical que é Life is a long song, de 1972. O LP Living in the past, também de 1972, era um apanhado dos melhores temas do grupo até então, desde os tempos dos primeiros discos, influenciados pelo blues até aos mais recentes, com fragrâncias sonoras acústicas.

Em 1976 gravei um tema de A Passion Play que anotei como “A passion play... ad(n)y date”. Descobri hoje mesmo, ao ler um livreto da caixa que comemorou os 25 anos de Jethro Tull, em Maio 1993 que o tema afinal era de um single- A passion play Edit #8. Como deveria ter sido óbvio, o tema do disco A Passion Play, reduzido ao formato de single.


A seguir ao disco de 1976, os seguintes merecem atenção, como é o caso de Heavy Horses ou Songs from the Wood. Mas não são a mesma coisa que os anteriores. E por isso fica por aqui a história de Jethro Tull no que me diz respeito.



quinta-feira, 16 de abril de 2009

Doobies


De todos os discos dos Doobie Brothers é difícil pegar num único e elegê-lo como preferido. No entanto, Toulouse Street, de 1972, está muito perto disso. Listen to the music:


terça-feira, 14 de abril de 2009

Doobie Brothers

Belissimo disco, este Stampede dos Doobie Brothers. Desde o primeiro tema, Sweet Maxine, com a introdução ao piano, seguida das guitarras em coro, até ao último, Double Dealin´, a música dos Doobie Brothers, é um catálogo do rock mais mexido e fresco. Mesmo em tonalidade acústica, na guitarra de Pat Simmons. Slat Key Soquel rag no Japão. E também em Nova Iorque. Cool. Tal como este tema acústico, Steamer lane breakdown, que serviu de indicativo a um programa de rádio- Dois Pontos- de Jaime Fernandes, nos anos setenta.



domingo, 22 de março de 2009

SACD

capa do sacd.capa da cassete com músicas de cd, passados na rádio popular de Vigo, em meados dos oitenta.

A outra novidade para melhoria do som digital, aparecida no início dos 2000, foi o sacd. Com especificações técnicas diferentes do dvd-a, assentava essencialmente os pergaminhos na tecnologia dsd ( 1-bit com uma taxa de amostragem de 2,8224 Mhz. O dvd-a é de 24 bits a 192 kHz).

Vários discos têm sido editados no formato sacd, por exemplo a discografia de Bob Dylan, graficamente cuidaItálicoda e abrangendo discos tão importantes como Highway 61 revisited, Blonde on Blonde ou Blood on the tracks e outros, ou a dos Rolling Stones dos antigos discos.

Também alguns discos importantes de Elton John, como Goodbye Yellow Brick Road ou Honky Chateau; dos Steely Dan, Aja e Gaucho ( este também em dvd-a), Genesis, Peter Gabriel, Brian Eno, Billy Joel e também dos Moody Blues, para não falar na música erudita, por exemplo, na 9ª de Beethoven, interpretada por Herbert von Karajan, com a Filarmónica de Berlim, em 1977, numa gravação Deutsche Grammophon.

Um dos discos em sacd que me chamou a atenção, para efeitos comparativos, foi o Toto IV, de 1982, um sucesso de vendas de um grupo que integrava alguns músicos americanos de estúdio, como Jeff e Steve Porcaro ou Steve Lukather.

O disco, na sua versão cd, em meados de 84, era um dos habituais das emissões " em digital", do rádio Popular de Vigo, para demonstrar a categoria superior do som em cd.
Ainda mantenho uma gravação em cassete, de uma dessas emissões com o tema Rosanna que soava no rádio de então como uma maravilha dinâmica, nos sons da secção rítmica associados aos metais de Tom Scott, Jim Horn ou Jimmy Pankow ( Chicago) e teclados de David Paich e Steve Porcaro.

A sonoridade de Rosanna ou Africa ( primeiro e último temas do disco), é típica dos anos oitenta e uma pequena maravilha que no sacd aparece em grande, bigger than life, mas que em comparação ao som gravado em cassete ( de fraca qualidade, da Berec e com mais de vinte anos em cima), não se adianta de modo evidente, a não ser na limpeza comparativa que o som analógico da cassete, numa gravação de uma emissão de rádio em stereo, permite.
A dinâmica sonora do sacd empresta a este disco, uma lembrança do ambiente cheio de som que a emissão do rádio em FM estéreo faziam já adivinhar. Aliás, este disco dos Toto, tem variadíssimas versões, em vinil e cd.

Outro disco que se torna possível comparar, nas versões em cd, da Mobile Fidelity ( melhor que a versão normal), em sacd e em vinil ( edição da Movieplay portuguesa) , é o disco Honky Chateau, de 1972, de Elton John.

O disco da Mobile Fidelity, em cd, fica logo arredado, pelo som mais metalizado e artificial. O som do sacd ( que também reproduz parcialmente, a capa original do disco em LP) bate-se aos pontos com o vinil, embora este seja um pouco mais relaxado e suave, o que em longas audições pode suplantar o som analítico e também equilibrado do sacd.



Igual sensação auditiva se experimenta com o disco em vinil dos Genesis, A trick of the tail, de 1976, na versão em vinil e em sacd. Torna-se difícil distinguir a qualidade sonora em termos qualitativos.