A música do Verão de 1969
O Vaticano de então difundiu uma nota sobre o assunto, segundo a Wiki.
coisas que me interessam
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josé
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30.8.09
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No Verão de 1969, um dos filmes em voga, em Portugal, era o alemão Helga, com o subtítulo O segredo da maternidade. Filme equívoco que suscitava a curiosidade de se poder ver a nudez do corpo da mulher, filmado integralmente...coisa rara no cinema de então.
O filme foi mencionado no número 18, de 15 de Agosto de 1969, na revista Mundo Moderno. A protagonista Ruth Grassman, foi entrevistada:
MM- Este seu filme e uma história de sexo ou amor?
RG- É antes do mais uma história de amor, um hino à mãe, à mulher.
No mesmo número da revista, refere-se ainda o concerto dos Rolling Stones no Hyde Park, ocorrido no mês anterior e transcreve-se a letra de Animais de estimação, da Filarmónica Fraude.
Assim:
Visons e leopardos
Sobem o Chiado
Criados de libré trincham faisões
Assentam-se arraiais em palacetes
Enfeitam-se uns e outros de brasões.
Com títulos de nobreza sem origem
E o mesmo diploma que a criada
Agarram-se a tudo o que não têm
P´la casa do Estoril hipotecada.
Madames enfeitadas de perucas
Gastam o seu tempo inutilmente
E em canastas p´la noite fora
Propõem causas nobres pelas gentes.
Coro:
Assim defino a vida de quem tem
Animais de estimação de vida sã
E em barracas com ar condicionado
Bichinhos que devoram croissants.
Cães com casaquinhos de cambraia
E gatos com golinhos de astracan.
A letra, presume-se, é de António Avelar Pinho, um dos melhores letristas de canções que a música popular já conheceu em Portugal. Na Banda do Casaco tem a sua obra-prima.
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josé
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30.8.09
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Estes dois anúncios de 1969, publicados na revista Vida Mundial no número de 29.8.1969 e 14.11.1969, mostram bem a apetência pelo consumo crescente, da classe média portuguesa de então.
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josé
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29.8.09
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Uma dos programas de desenhos animados do final dos anos sessenta que ficou na memória da minha infância, foi este, cujo teledisco aqui vai, com o tema de introdução: Gorilla Magilla.
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josé
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29.8.09
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A imagem de Woodstock , retirada do documentário de Michael Wadleigh( com montagem de M. Scorsese) ligada aos Santana, em soul sacrifice
Com a efeméride dos 40 anos do festival de Woodstock, advém ainda a memória do tempo e modo desse festival, no Portugal de 1969.
Durante três dias de “ música amor e paz” que começaram em 15 de Agosto desse ano, numa localidade próxima de Nova Iorque, decorreu o festival que na época reuniu o maior número de pessoas, desde o festival de Monterey, em 1967: mais de meio milhão .
David Crosby, um dos participantes , com o grupo CSN&Y ( no segundo concerto da banda), mencionou – na segunda–feira seguinte no programa de tv de Dick Cavett- que a multidão, vista do helicóptero onde vieram, dava a ideia do exército macedónio e Stephen Stills, durante o concerto confessou perante as centenas de milhar presentes que o evento os borrava de medo. Dizem agora que por trás deles, no palco ,estavam quase todos os artistas da época que compareceram, a ouvir a nova banda que se apresentava como a sensação do momento. E não desapontaram.
Não obstante a importância relativa do acontecimento, em Portugal e não só ( em França a revista Rock & Folk não escreveu quase nada sobre o festival), as notícias teriam sido as usuais, mas sem destaque especial pela simples razão de que não havia imprensa musical propícia a tal, nessa época. A Mundo da Canção surgiu em finais desse ano, o jornal Disco, música & moda saiu em Fevereiro do ano seguinte e a revista Mundo Moderno, sucedânea da Cine-Disco provavelmente deu conta do assunto, mas sem grande destaque. O Diário Popular da época, num dos seus suplementos terá dado conta de igual modo.
Algumas revistas americanas que chegavam até cá, no entanto, deram o devido destaque ao acontecimento. A Life, algumas semanas depois, dedicou um número especial ao caso que assumiu as devidas proporções no ano seguinte, altura em que saiu o filme do festival, um documentário premiado, longo de mais de rês horas. Um triplo Lp reuniu uma boa parte das canções que os grupos e intérpretes tocaram ( não todas e nem sequer a maior parte, por isso pouco tempo depois surgiu outra edição em Lp, o Woodstock II. Ainda hoje se reunem colectâneas com os restos de material musical não publicado, como seja a interpretação dos Creedence Clearwater Revival, um dos grupos mais na berra no momento.
Foi apenas quando o filme saiu, nos primeiros meses de 1970, que a revista francesa Rock & Folk dedicou duas páginas ( e a capa, com o baterista Mike Shrieve dos Santana, então com 17 anos), num artigo assinado por Philippe Paringaux.
Em Portugal, o artigo sobre o festival surgiu nas páginas da Mundo da Canção, em 20.4.1972, estendendo-se por 4 números ( 28 a 31), com assinatura de Mário Correia em tonalidade escrita muito próxima da perspectiva estrangeira e de feição radicalmente crítica e politicamente já comprometida.
Portanto, o festival de Woodstock, para mim ( e muito boa gente) só passou a ter importância de acontecimento vivido, em diferido, aquando do filme que mostrava as imagens do concerto em vários planos, montados por Martin Scorsese.Esse filme-documentário passou ainda nos anos setenta, nos cinemas. Provavelmente tê-lo-ei visto já depois de 25 de Abril de 74 e as imagens permaneceram como a amostra do grande festival do final dos anos sessenta e que prenunciou o nosso festival de Vilar de Mouros em 1971, nas dimensões devidas a um pequeno país como o nosso e com o patrocínio privado e sem apoio público, como lá fora, aliás.
O jornal i de Sábado, 15.8.09, relata que o filme sobre Woodstock ( que a RTP2 passou nas primeiras horas de Domingo, 16 de Agosto), só foi divulgado em Portugal no ano de 1971 e depois de algumas vicissitudes com a censura da época.
Com as memórias da altura até aparece um José Cid a lembrar algo que não teria acontecido: que em Agosto de 1969 ouvia uma rádio pirata inglesa emitida a partir de um barco no canal da Mancha e teria sido aí que ouvira notícias sobre Woodstock. A famosa Radio Caroline, em 1969, já tinha sido calada... mas pode ser que fosse outra.
Enfim, uma coisa resulta desta aparente troca de recordações: que a liberdade de expressão não era um dado adquirido na Inglaterra, tal como o não era no Portugal pós-salazarista.
Antes de aparecer o filme, havia a música, num álbum triplo a que se seguiu, alguns meses depois mais um outro. Música que segundo os cronistas da época nem foi assim tão espectacular tecnicamente. O concerto de Altamont, quatro meses depois, será bem melhor nesse aspecto sonoro.
O artigo de Mário Correira, na Mundo da Canção 28, 29, 30 e 31 do ano de 1972, já com todos os elementos factuais, incluindo os do filme, reflecte todos os planos de apreciação crítica que poderiam ser lidos em publicações internacionais. Os jornalistas portugueses da época escreviam de cor e conheciam a música por ouvir dizer...principalmente nas revistas Rock & Folk e Rolling Stone.
É destas revistas que se publicam os artigos originais da época e ainda outros comemorativos da efeméride, em 1994 e 1999, bem como no presente ano, aos 40.
Do festival propriamente dito, conservo a memória do que o filme trouxe e a música deixa ouvir. Na época, fazia furor a prestação de Mike Shrieve, na bateria dos Santana e ainda com 17 anos. Tal como a performance de Alvin Lee dos Ten Years After ou a de Country Joe Macdonald com o panfleto "give me a f..."e principalmente a interpretação notável e inultrapassável que Joe Cocker emprestou à canção dos Beatles, With a little Help from my friends.
Nas descobertas sonoras, porém, avultam os nomes de Arlo Guthrie que aparece a cantar no genérico do filme e sem imagem e ainda as prestações vocais de C.S. & N. e a aprte final com Jimi Hendrix a tocar o Star Spangled Banner.
No filme ( e no disco) não apareciam originalmente as actuações dos Creedence Clearwater Revival, embora actualmente seja já possível vê-las e ouvi-las em acrescentos por causa da efeméride que se tem comemorado ao longo dos anos.
Em 1979, com os dez anos depois do festival nenhuma revista de música se deu ao cuidado de lembrar o acontecimento passado. Porém, em 1989, já a Rolling Stone americana escrevia (David Fricke) um dos melhores artigos sobre o que foi o festival de Woodstock. De igual modo, em 1994, a revista Mojo inglesa publicou um artigo extenso, no número 8 de Julho desse ano em que lembra os músicos presentes no festival com declarações e recordações críticas do acontecimento.
Este ano em que se perfazem os 40 anos, praticamente não houve revista ou jornal de relevo que não tivessem escrito sobre a lembrança do festival.
Alguns dos melhores artigos foram publicado na revista Uncut, inglesa, de Maio de 2009; a revista francesa Rock & Folk, em número hors serie de Julho-Agosto de 2009, e principalmente a revista Guitar world, datada de Setembro de 2009, com o melhor artigo comemorativo, tal como já havia feito em Junho de 1999 quando dedicou um número especial ao que intitulava na capa como "the greatest year in rock-1969"!






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16.8.09
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E a da francesa Frida Boccara, com Un jour, un enfant.
Juntamente com as outras duas e a holandesa Lenny Kuhr, com De troubadour, foram as vencedoras ex-aequo, do festival nesse ano de 1969.
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1.8.09
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E esta de Salomé, a espanhola que cantou Vivo cantando
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1.8.09
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E esta de...Lulu, no festival da Eurovisão, acontecimento que se repetia ano após ano, nos sessenta e setenta, no mês de Maio.
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1.8.09
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No rádio de 1969 soava muito este tipo de música que ficou como uma boa canção pop. Sugar, sugar, pelos Archies.
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josé
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1.8.09
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E os Crosby , Stills and Nash, há 40 anos. Mais ou menos a meio do vídeo, aparece Stephen Stills num programa de tv americana, vindo directamente de Woodstock, do festival que aí se realizou em Agosto de 1969 ( ainda mostra a lama seca, nas calças e botas).
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29.7.09
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Stephen Stills no tempo de Manassas, em 1972.
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20.7.09
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28.6.09
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A banda desenhada portuguesa nunca foi algo que se visse, com vontade de rever, como é o caso da franco-belga.


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3.6.09
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Jornal Disco ( dirigido então por um certo A. de Carvalho que será Ruben de Carvalho) de 1.10. 1971
No início dos anos setenta comecei a ouvir falar dos Jethro Tull. Em data incerta de meados dos anos setenta a música dos Jethro Tull entrou em casa pelo som da flauta num tema de Bach. Bourrée. O tema já tinha sido ouvido noutras sonoridades, mas a flauta de Ian Anderson despertava uma atenção particular porque vinha acompanhada pela sonoridade esquisita do LP Aqualung, o mesmo que contém Locomotive Breath e Wondrin aloud, separados por três faixas.
Em finais de 1974, pelo Natal, no rádio de então, ouvia-se o LP War Child e temas como Bungle in the Jungle e principalpente Skating away on a thin ice.
Em finais de 1975 o disco seguinte, Minstrell in the Gallery de grande relevo acústico passou a ser ouvido em programas seleccionados do rádio que passavam discos inteiros que permitiam a gravação de interessados.
Os temas de Minstrell tornaram-se dos mais estimados de ouvir no rádio, por causa das melodias e sonoridades acústicas que o tornam um dos melhores disco de 1975.
Requiem, por exemplo, ou a sequência Baker Street Muse, ou ainda One White duck on the wall, são temas da mais elevada mestria na música popular que me agrada. Crash- Barrier waltzer idem, com esta passagem: “I have no time for Time magazine or Rolling Stone” que mencionava duas revistas que já apreciava.
Rock & Folk de Outubro de 1975 e de Junho 1976
Durante o ano de 1976, esse disco foi dos mais escutados e apreciados, continuando hoje em dia como um dos meus discos de referência da música popular.
Por isso, em meados desse ano, ao sair o sucessor de Minstrel, a expectativa era grande e ao ouvir pela primeira vez Too old to rock n´roll too young to die, lendo a crítica na Rock & Folk, manteve-se a promessa, embora esbatida pela superior qualidade daquele.
O disco não está ao mesmo nível que o anterior e apenas o continua numa ou noutra composição ( Crazed institution, From a dead beat, Pied piper, to an old greaser ou o título tema, por exemplo). Ou mesmo o tema final que lembra o Mistrell.
Nesse ano de 1976, passou também no rádio o que havia no catálogo anterior de Jethro Tull: Aqualung mas também o grande Thick as a Brick, uma obra temática e cujo LP original inventava uma história, apresentada num exemplar de jornal, desdobrável e em tudo idêntico a um jornal convencional.
E também passaram A Passion Play e um tema disperso saído em separado dos LP`s: a pequena maravilha musical que é Life is a long song, de 1972. O LP Living in the past, também de 1972, era um apanhado dos melhores temas do grupo até então, desde os tempos dos primeiros discos, influenciados pelo blues até aos mais recentes, com fragrâncias sonoras acústicas.
Em 1976 gravei um tema de A Passion Play que anotei como “A passion play... ad(n)y date”. Descobri hoje mesmo, ao ler um livreto da caixa que comemorou os 25 anos de Jethro Tull, em Maio 1993 que o tema afinal era de um single- A passion play Edit #8. Como deveria ter sido óbvio, o tema do disco A Passion Play, reduzido ao formato de single.
A seguir ao disco de 1976, os seguintes merecem atenção, como é o caso de Heavy Horses ou Songs from the Wood. Mas não são a mesma coisa que os anteriores. E por isso fica por aqui a história de Jethro Tull no que me diz respeito.
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10.5.09
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De todos os discos dos Doobie Brothers é difícil pegar num único e elegê-lo como preferido. No entanto, Toulouse Street, de 1972, está muito perto disso. Listen to the music:
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josé
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16.4.09
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Belissimo disco, este Stampede dos Doobie Brothers. Desde o primeiro tema, Sweet Maxine, com a introdução ao piano, seguida das guitarras em coro, até ao último, Double Dealin´, a música dos Doobie Brothers, é um catálogo do rock mais mexido e fresco. Mesmo em tonalidade acústica, na guitarra de Pat Simmons. Slat Key Soquel rag no Japão. E também em Nova Iorque. Cool. Tal como este tema acústico, Steamer lane breakdown, que serviu de indicativo a um programa de rádio- Dois Pontos- de Jaime Fernandes, nos anos setenta.

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josé
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14.4.09
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capa do sacd.
capa da cassete com músicas de cd, passados na rádio popular de Vigo, em meados dos oitenta.
da e abrangendo discos tão importantes como Highway 61 revisited, Blonde on Blonde ou Blood on the tracks e outros, ou a dos Rolling Stones dos antigos discos.
Igual sensação auditiva se experimenta com o disco em vinil dos Genesis, A trick of the tail, de 1976, na versão em vinil e em sacd. Torna-se difícil distinguir a qualidade sonora em termos qualitativos.
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josé
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22.3.09
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josé
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16.3.09
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josé
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13.3.09
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O som do cd, ao longo dos anos, também foi evoluindo, havendo alguns cd´s que pouco ou nada desmerecem a sua edição original em LP.
Alguns exemplos podem ser encontrados nos seguintes:



Este disco dos King Crimson, Lizard, gravado em hdcd, é outra pequena maravilha de reprodução gráfica e também sonora. Editado em 2000, por ocasião dos 30 anos do Lp original, está remasterizado em 24 bits. A edição em digi-pack, contém ainda um pequeno livreto com reproduções de notícias de jornais musicais da época.
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josé
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10.3.09
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