segunda-feira, 16 de março de 2009

DVD-A


Em finais de 2000, apareceu no mercado um outro formato de reprodução musica: o dvd-a, DVD-Audio. Em corrida com um outro que se apresentava no mesmo sector: o SACD, Super-Audio cd.
Ambos prometiam fazer do cd normal, com amostragem de 44KhZ e 16 bits, um objecto do passado, baseados na sua superioridade natural de reprodução em 96KhZ ( ou até 192) e 24 bits. E em surround sound, com 5 ou 7 canais, mais o baixo.
Passados oito anos, já poucos discos DVD-Audio ou SACD se encontram à venda, tirando alguns do sector de música erudita.
Como é que isto aconteceu?
O DVD-Audio, a meu ver, suplantava o SACD em qualidade de reprodução, mas tal como aquele precisava de um leitor próprio e não havia muitos no mercado. O formato nunca se impôs e com a chegada do Blu-Ray, ficou definitivamente arredado. Aliás, ambos foram arredados. A diferença sonora para o cd normal, notória na maioria dos casos em que a gravação é boa ( Rumours de Fleetwood Mac, ou Hotel California, dos Eagles, por exemplo, ambos em dvd-a), fica prejudicada pela falta de ouvido atento, do comprador.
Um dos artistas musicais que se dedicou mais seriamente a colocar os seus discos em formato de qualidade sonora próxima do LP, tem sido Neil Young.
Em Fevereiro de 2001, a revista Sound& Vision, anunciava o DVD-Audio, como uma grande inovação técnica e com o apoio de...Neil Young que não jurava então por outra coisa, na reprodução sonora para o consumidor.
No entanto, passados estes anos, Neil Young, anunciou já que vai publicar uma caixa com dez cd´s em formato...blu-ray. Neil Young considera agora que é o melhor que há em matéria de reprodução tipo cd.

Mesmo assim, numa comparação auditiva com o disco charneira de Neil Young, Harvest, de 1972, ouvindo-o em cd, dvd-a e lp, pode concluir-se que a versão superiro, em termos sonoros, é o vinil do LP. No question about it, porque acabei de fazer a experiência.
O som do dvd-audio é mais robusto nos baixos, mais limpo em qualquer ruído de fundo. Mas o som do Lp é mais dinâmico, mais relaxado e mais detalhado. Os instrumentos ( pedal steel guitar) que no LP aparecem do lado direito no stereo, no dvd ouvem-se no lado contrário.



sexta-feira, 13 de março de 2009

Cd´s dourados

Em 1977, a companhia americana Mobile Fidelity, começou a produzir discos de qualidade refinada, através de prensagem directamente dos masters originais, com o objectivo de "conseguir uma reprodução musical o mais próxima possível das sessões de gravação".

Logo que apareceu o cd, o esquema actualizou-se, tendo passado a "remasterizar" os discos, com recurso aos mesmos masters da gravação original, prestanto uma maior atenção ao processo de produção e regravação em cd´s com banho dourado, na maioria dos casos.
Antes, como vinilo, tinha existido o mesmo cuidado com a produção dos discos, já editados originalmente e a sua embalagem e apresentação.
Alguns desses discos, em vinil e cd, tornaram-se peças de colecção, como estes dois que seguem:



















Em 1986, outro americano, Marshall Blondstein, fundou a companhia DCC Compact Classics, na mesma área da audiofilia cuidada, na prensagem e apresentação dos discos. Dois dos mais importantes do catálogo, são estes:










terça-feira, 10 de março de 2009

CD´s de qualidade

O som do cd, ao longo dos anos, também foi evoluindo, havendo alguns cd´s que pouco ou nada desmerecem a sua edição original em LP.

Alguns exemplos podem ser encontrados nos seguintes:





















Estes dois discos dos Gentle Giant, publicados originalmente em 1970 e 1971, têm nesta reedição da etiqueta Repertoire, uma perfeita reprodução das capas dos discos originais, com a embalagem em bom cartão e melhor impressão, em formato digi-pack. A qualidade sonora também é muito cuidada e de grande mestria.


Os dois primeiros discos dos Boston, de 1976 e 1978, são outros dois exemplos de grande qualidade na reprodução da arte original das capas antigas, também em formato digi-pack. Neste caso, provavelmente com melhorias, porque vêm acompanhadas de notas e fotos inéditas e não contidas nos LP´s originais. Quanto ao som, o mentor do grupo, Tom Scholz, multi-instrumentista, regravou e remisturou as fitas originais, tendo obtido uma sonoridade de grande qualidade, diferenciada da dos LP´s, mas ao nível dos mesmos ou mesmo superior.

Este disco dos King Crimson, Lizard, gravado em hdcd, é outra pequena maravilha de reprodução gráfica e também sonora. Editado em 2000, por ocasião dos 30 anos do Lp original, está remasterizado em 24 bits. A edição em digi-pack, contém ainda um pequeno livreto com reproduções de notícias de jornais musicais da época.

segunda-feira, 9 de março de 2009

O som do cd

Após o aparecimento do cd, no início dos anos oitenta, começaram também a surgir meios de melhorar o som reproduzido por esse meio.
Um dos primeiros esquemas, foi introduzido por companhias americanas como a Mobile Fidelity ou a DCC Compact Classic, com a gravação dos discos em cd´s dourados, supostamente melhores na fixação do sinal digital. No entanto, as duas usavam...os masters originais para deles extrairem o som que tratavam depois nos discos que produziam



Alguns cd´s da Mobile Fidelity ( Dark Side of the moon dos Pink Floyd; A night at the opera, dos Queen; Crime of the century, dos Supertramp; Aja dos Steely Dan; Goodbye yellow brick road, de Elton John) e da DCC ( Hotel California, dos Eagles; The Pretender, de Jackson Browne), e a Columbia Legacy ( 52nd Street de Billy Joel; Bridge over troubled water, de Simon & Garfunkel e Blonde on Blonde de Bob Dylan) soam de facto melhor do que os seus semelhantes em cd vulgar, devido ao cuidado na gravação e reprodução dos masters, mas continuam a soar a cd, comparando com o vinil original.
O som desses cd´s, ( por exemplo Hotel California dos Eagles), soa mais poderoso na dinâmica entre graves e agudos, mas menos subtil e equilibrado que o LP. Em audição prolongada é mais fatigante.

Além desse modo de melhorar o som do cd, originalmente a 16 bits e com uma amostragem de 44100 ciclos por segundo, com as sucessivas "remasterizações" que foram aparecendo, algumas em modo de promoção do disco, mais do que da música, apareceu uma melhoria real, nessa reprodução, nos anos noventa: os cd´s com conversão de gravação analógica para digital, em super bit mapping, de 20 bits...e com o banho dourado também. O exemplo mais flagrante são dois discos de Frank Zappa, editados pela Ryko disc: Apostrophe e One Size fits all. São também alguns discos de Roy Harper, em 20 bits.
E uma gravação comemorativa dos trinta anos do disco Abraxas, de 1970, de Santana, tem um sbm de 24 bits. Tal como os discos dos Creedence Clearwater Revival, também "remasterizados" em 24 bits, saídos em 2000. Ou os discos de David Bowie, da mesma altura.
Também se experimentou outra técnica: hdcd. Um modo de codificar 20 bits, de modo a aumentar a qualidade do cd, em leitores preparados para tal, compatibilizando os que o não estão. O exemplo, é Silver and Gold de Neil Young, de 1998.




















No início do séc XXI, em finais de 2000, apareceu então uma melhoria real, significativa e importante na reprodução musical em suporte em disco: o dvd-audio e o sacd e ultimamente o blu-ray.

domingo, 8 de março de 2009

Auto-rádios com leitores de cassetes

Nos anos oitenta, para ouvir música no carro, começaram a aparecer os auto-rádios de qualidade superior aos sintonizadores antigos em AM e depois FM. A junção de um leitor de cassetes, tornou-os, gradualmente, em meios de difusão musical de alta qualidade e o habitáculo, assessorado por colunas estrategicamente colocadas, davam por vezes um ambiente sonoro, de efeito superior ao caseiro.


Algumas marcas, japonesas na maior parte, começaram a produzir autênticas obras de arte de tecnologia miniaturizada, para uso em carros.

No final dos anos oitenta, a Blaupunkt alemã, a Alpine, Clarion e a Nakamichi, japonesas, davam cartas nestas jogadas de junção do rádio com a cassete gravada.

Nessa altura, ouvi um dos melhores sons que jamais ouvi em auto-rádio, com este aparelho, da Clarion, modelo E 980. Este:

Caro demais, acabei por arranjar depois o bom, em detrimento do óptimo, no modelo 950 HX. Este.


Lembro-me de ouvir alguns sons de música gravada que ainda retenho em memória: How the heart approaches what it yearns, do disco One trick Poney de Paul Simon ( 1980), por exemplo. A dinâmica que o auto rádio conseguia reproduzir, era uma pequena maravilha.
Nos anos seguintes, já em plena década de noventa, no entanto, experimentei o que considero ser o melhor auto-rádio com reprodutor de cassetes. Nakamichi.
Nem sequer um dos melhores modelos, mas como aparelho reprodutor de música gravada em cassete, não encontrei melhor. Estes:

domingo, 22 de fevereiro de 2009

O som hi-fi dos anos oitenta

A evolução dos sistemas de reprodução de música, para o consumidor, no final dos anos oitenta, pode exemplificar-se por estas imagens que seguem, retiradas das revistas da especialidade, de proveniência britânica. Os americanos também tinham as suas High Fidelity e os alemães, as suas, dedicadas aos produtos das respectivas casas.
No fim da década de oitenta, a tónica no som reproduzido, tinha-se deslocado do gira-discos para o cd. E entre estes aparelhos, para o consumidor comum, os japoneses davam cartas. Os britânicos vinham a seguir. A Sony e a Marantz, ligada à Phillips, trunfavam na qualidade média.
A revista What Hi-Fi, todos os anos, publicava uma espécie de best of do ano em que davam à estampa, os produtos de consumo mais apreciados pelos críticos da revista.






















Imagens da Hi-Fi Answers de Maio 88 e da What Hi-Fi, best of hi-fi, de finais de 1989.

Para além do universo normal e corrente da HI-Fi de consumo, havia outro mundo paralelo, com a alta fidelidade para o consumidor de grande exigência e de bolsa recheada. Neste segmento de mercado, os aparelhos, cabos, fichas e colunas, são de preço proibitivo para o comum das bolsas com menos de 1000 contos ( 5000 euros) para gastar. Ainda hoje assim é, com aparelhos de conversão de sinal digital para analógico, a custar perto desse valor e só para esse aparelho que transforma o som digital do cd em som de qualidade superior, por via de "upscaling", ultarpassando a limitação da frequência dos 44 KhZ, passando-a para 192 KhZ, com um ritmo de amostragem de 24 bits, o paradigma actual do blu-ray.




Imagem da revista Hi-Fi Choice, de Julho de 1989, mostrando um exemplo de aparelhagem de alto coturno, montada em casa de particular.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

O cd e o som digital


Imagens de publicidade ao primeiro aparelho reprodutor de cd´s da Sony e um artigo da revista americana Record de Agosto de 1983.

O aparecimento do cd, em finais de 1982, foi uma revelação na reprodução musical. Durante o ano de 1983 e seguintes, a novidade foi-se impondo aos ouvidos curiosos e apresentada como uma vantagem evidente sobre o LP. Vantagem na conveniência de transporte, na maior capacidade de informação e até maior precisão e fidelidade na reprodução sonora.
O argumento era o de o disco analógico, o LP, sofrer com a reprodução por agulha a passar nos sulcos de vinil, várias vezes e por isso acabar por gastar o suporte físico, distorcendo o som. O cd, afastaria esse espectro, através da reprodução de sinais digitalizados em 0 e 1, inscritos e descodificados integral e perfeitamente, sem gasto físico e distorção sonora. A existir problema, residiria na inscrição inicial, com a codificação digital.
O som, representado por uma onda oscilante com variações de frequência ( o número de vezes que essa onda muda de direcção) e de amplitude ( a variação em altura, dando a noção de volume), pode significar música, como uma série complexa de variações de frequências e amplitudes, como explica este artigo seminal, do jornal Record, de Agosto de 1983.
O cd tornou-se em pouco tempo o meio adequado à gravação e reprodução de sinais digitais, em discos anteriores, como o Bop Till you Drop, de Ry Cooder, de 1979, o primeiro disco de música popular a ser gravado digitalmente

No entanto, essa qualidade sonora, atribuida inicialmente, tornou-se uma miragem ao longo dos anos, perante o reconhecimento de que o som do cd, tem uma tonalidade metalizada, com forte impacto sonoro, mas com falta de leveza e doçura na reprodução, comparativamente ao LP. A subtileza musical, não passa tão bem no cd como no vinil. Não se ouve tão bem. A reprodução por amostragem de sons, no cd, não resulta tão em como a lavrada dos mesmos, pela agulha da cabeça de leitura que literalmente percorre os sulcos do vinil. Essa continuidade sem soluções, permite uma melhor reprodução dos harmónicos que conferem consistência equilibrada ao som musical.
Por outro lado, a regravação de cd´s depois de gravações em vinil, ou seja, a gravação em AAD, modifica a sonoridade original, trocando por vezes o som dos canais, a audição de pormenores subtis que no disco de vinil são evidentes e no cd, saem modificados, na passagem de analógico a digital. Mesmo em cd´s gravados a partir de matrizes originalmente digitais ( como o referido Bop till you drop), a diferença da reprodução de canais estéreo e instrumentos se nota.
No final de contas, o som do vinil não foi vencido pela facilidade de acesso e reprodução que o cd representou.


Artigo da revista americana High Fidelity, de Março de 1984 e publicidade às colunas Sony, da mesma época.

A primeira vez que ouvi um cd, em aparelhagem de qualidade, foi em Espanha, no Corte Inglés, logo que apareceu a novidade, à venda no retalho. Um rack protegido com vidro, todo da Sony e com o primeiro aparelho reprodutor, o CDP-01, com as colunas mostradas na figura acima. A aparelhagem estava protegida por vidro e era operada por um funcionário que demonstrava ali mesmo, a putativa qualidade superior do produto. Um dos primeiros cd´s que passava era o de Simon & Garfunkel, Bridge over troubled water.

A ideia repetida nos media, de que o som do cd era superior, ajudou a criar a ilusão de que assim era e nessa vez, a basbaquice da novidade não contrariou o que mais tarde se tornou evidente: o LP continuava a ser superior.
Nos EUA, a revista americana High Fidelity, reuniu um grupo de peritos e críticos para analisarem a sonoridade comparada do cd e do LP.
O resultado foi inconclusivo, na época, com a indicação de aspectos positivos no cd, relacionados com a facilidade de uso e o som, em alguns casos, a ficar por conta do LP. Ainda assim, uma emissora de rádio espanhola, Radio Popular de Vigo, começou a transmitir, em meados da década de oitenta, uma hora de "música digital" no programa FM Stereo. Ry Cooder, precisamente, tornou-se presença habitual, tal como Boston, Foreigner,Joni Mitchell e Toto, com Rossana, um dos títulos mais espectaculares do álbum IV e que dava uma noção do som digital, "larger than life".
A seguir apareceu o disco dos Dire Straits, Love over gold e o som digital passou à fase de marketing maciço.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Antes do cd

As aparelhagens de alta fidelidade, no início dos anos oitenta, começaram a aparecer em componentes juntos em móveis próprios. Quase todas de origem japonesa. Sony, Pioneer, Teac, Technics.

A par dessas aparelhagens para todos, havia o sector da alta, alta fidelidade, de origem inglesa principalmente, com alguns componentes japoneses. Nos gira-discos, os pratos, braços e cabeças de leitura, tinham nomes como Linn, Ittok, Kiseki, Koetsu, etc. Nos amplificadores, a Quad e depois a Krell, entre outros.
Para a mediania, a busca era pela melhor combinação possível, entre amplificadores, muitas vezes receptores com rádio incluído, os gira-discos de qualidade suficiente para se ouvir um estereo decente e uma dinãmica conforme à norma hi-fi, a DIN 45 500. Os gravadores de cassete, incluindo o sistema de redução de ruído da gravação, Dolby B e C.
Por fim, ou logo de início, a estética do produto.

Nos início dos anos oitenta, estes dois exemplos, um de origem alemã, fabricado em Portugal, eram correntes nas lojas de aparelhagens.
O da esquerda, Technics, apesar da maior sofisticação estética, equivaleria em termos sonoros, ao da Grundig, da mesma época. Este tinha ainda a vantagem de trazer acoplado um gira-discos de marca Dual, com um braço e cabeça de leitura aceitável, em termos sonoros. O gravador de cassetes já tinha Dolby B e o sintonizador era uma maravilha.
Antes da chegada do cd e do som digital, foi neste género de aparelhos que ouvi o que havia para ouvir na música. Foi no Grundig que gravei dezenas de cassetes e que ainda se mantém operacionais e foi no rádio que escutei as emissões dos melhores programas da época.
Foi também nesse gira-discos que ouvi pela primeira vez, muitos discos dos anos sessenta e setenta que nunca tinha ouvido: alguns discos dos Beatles, Little Feat, por exemplo. E o primeiro disco que comprei com dinheiro ganho por mim: Movement dos New Order, saído nessa altura e prensado em Portugal.




























sábado, 7 de fevereiro de 2009

Hi-Fi




















Os amplificadores Sansui, de meados dos setenta e o gravador da Nakamichi, dez anos mais tarde. Duas maravilhas da técnica japonesa.

Depois das primeiras experiências do sons agradáveis ao ouvido, comecei a apurar a atenção sonora, para as particularidades dos aparelhos de reprodução de música. Um rádio a pilhas ou de transístores amplificados, em FM, transmite apenas uma imagem sonora em espectro comprimido pelas capacidades de reprodução limitadas.
Ouvir um disco em aparelhagem de alta fidelidade, no início dos anos setenta, era tarefa difícil pela raridade das fontes.Geralmente, a melhor era a da própria discoteca que vendia os discos. Na altura já havia uma no sítio onde vivia e com duas cabines de som que permitiam escutar em bom recato o disco que se poderia comprar a seguir.
Moody Blues, de Seventh Sojourn, em 1972, lembro-me bem que foi um deles. Ou Machine Head dos Deep Purple. Ou ainda American Pie de Don Mclean. Uma maravilha de som que não tinha correspondência no que se ouvia no rádio. Um stereo bem separado; um baixo bem definido e distinto do som da bateria; uma voz e tons intermédios que não se encavalitavam nos demais.
Aprendi depois que a alta fidelidade, traduz a possíbilidade de se ouvir os sons bem definidos e tão próximos quanto possível da reprodução ao vivo. Um som de baixo deve ser distinto do bombo maior da bateria e a dinâmica entre agudos e graves, deve ser o mais ampla possível, embora o ouvido humano só capte uma parte das frequências disponíveis.
Uma das primeiras experiências sonoras gratificantes foi em juke boxes. Aparelhos de café, grandes de metro de altura e um leque de singles, para escolher a troco de moeda pequena. Todos os singles do Sticky Fingers, dos Stones, foram ouvidos em jukebox de café. Os Beatles,igual. Cat Stevens e outros.
Por muito espectacular que sejam as juke boxes, não são alta fidelidade. E essa ouve-se em gira-discos de qualidade suíça ( Thorens) ou inglesa ( Linn), ou mesmo Dual, com agulhas e cabeças de leitura japonesas ( Koetsu ou Audio Technica ou mesmo Ortofon, de outro lado).





















Aparelhadas a amplifiadores de qualidade ( japoneses para o corrente de alta qualidade e ingleses para o esoterismo. Sansui, Akai ou Quad). E para se ouvir bem, umas colunas de duas ou três vias sonoras, para separar os graves os médios e os agudos. Neste campo, os americanos da JBL, da série 2100 ou os ingleses da Bowers & Wilkins série 801, ou as Rogers, são referência. Mas uns auscultadores Sennheiser série 600 fazem o mesmo efeito junto aos ouvidos.




















As colunas de som B&W 801 e as JBL dos anos setenta.

Essas referências, nos anos setenta eram apenas mitos de papel em publicidade lustrosa. Só ouvi essas maravilhas, bem entrado nos anos oitenta, porque em Portugal, a partir de meados da década de setenta, a importação livre estancou na falta de divisas que a Revolução provocou.
A alternativa eram as lojas de contrabando e havia várias, no Porto, Lisboa ou Coimbra. Tudo aparecia por lá, mesmo os aparelhos mais improváveis, como os gravadoes de cassetes da Nakamichi que vi em Coimbra em finais dos setenta. Ou umas colunas alemãs, Visonik David que me encantaram nos lados da rua Escura no Porto.
De resto, havia as revistas de alta fidelidade que mostravam o que não podíamos ter ou ouvir.
A primeira vez que fiquei impressionado com a qualidade sonora de um disco em alta fidelidade, foi com o Supertramp de Crisis? What Crisis? , de 1976. Um dia, Domingo de manhã, ouço os primeiros acordes de Easy soes it e nunca um disco tinha soado assim. A aparelhagem era de contrabando, marca Akai e nem sequer de altíssima qualidade, mas a suficiente para ter percebido que aquilo era escutar música como ela deveria ser escutada. A mesma experiência repeti pouco depois no mesmo sítio com um disco de Sonny Terry e Brownie Mcghee, de 73. Fantástico som e que me prendeu a atenção até hoje,

Parafrasenado Milton Nascimento ( "cerveja que tomo hoje é apenas em memória dos tempos da Pan Air"), música que ouço hoje é apenas em memória desses sons de qualidade original e de descoberta da maravilha da alta fidelidade. A impressão que deixou, replicou depois, várias vezes ao longo dos anos, mas é uma experiência que se sente poucas vezes e quando aparece, é única. É um pouco como a descoberta do nirvana sonoro, quando acontece.
Depois disso, lembro de ouvir o som de uma aparelhagem na discoteca Santo António no Porto, no final dos anos oitenta que me deixou de ouvidos atentos para sempre: umas colunas Bowers & Wilkins modelo 801 debitavam em baixo volume aquilo que me pareceu e continua a parecer a referência em alta fidelidade. Antes, em Coimbra, na discoteca Valentim de Carvalho, em 1979 ouvi o disco Octave dos Moody Blues e a canção Driftwood e ainda hoje recordo a beleza da aparelhagem sonora que a reproduzia, bem como a seguir ouvio no mesmo sítio Sleep Dirt de Frank Zappa e o jazz-rock nunca me pareceu tão bom.
No inicio dos anos oitenta comecei a trabalhar e a procurar a minha primeira aparelhagem de som que me permitisse ouvir em stereo decente o que já ouvia em mono há muitos anos.

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

A reprodução dos sons

Ouvir música nos anos setenta, era no rádio. Nos programas que passavam discos inteiros, por volta desta hora da madrugada. O programa Espaço 3P ( Boa noite em FM; Banda Sonora e Perspectiva). Toda a boa música da segunda metade dos anos setenta, foi ouvida em primeiro lugar no rádio. Neste rádio, da Grundig que ainda funciona como há trinta anos.


Para guardar a música era preciso gravá-la. Em gravadores de cassetes. O gravador desses primeiros tempos, era qualquer coisa como isto, da Phillips.




Mas os objectos de desejo eram já os que apareciam nos anúncios das revistas americanas. Gravadores japoneses, de cassetes, como este, com preço em escudos, fruto da conversão do dólar da época. O preço era cerca de 50 euros actuais ( $ 429,95 na altura, com o dólar a 25$00)


Em 1974, o sonho mais alto, porém, era este; uma aparelhagem da Sony, tudo em um, com um design único, na época. A imagem da esquerda é do Expresso desse ano; a da direita, da revista francesa Pilote. A de cima, é da revista National Lampoon, também de 1974.





quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Walkman da Sony

Publicidade americana ao primeiro Walkman, da Sony, em 1979.

Este pequeno aparelho electrónico, inventado pela Sony, de Akio Morita, em 1979, foi desenvolvido até chegar ao topo, em 1984, com o Walkman, pro d6c que figura abaixo.
Este pequeno aparelho de gravação e reprodução de cassetes, tem um som fenomenal.

Lembro-me de ouvir um dos modelos originais, no início dos anos oitenta, trazido do estrangeiro.
Com uns pequenos auscultadores de grande qualidade sonora, o estéreo nunca me pareceu tão perfeito na alta fidelidade. E foi certamente uma das experiências sonoras mais marcantes e relevantes, de todas as que fui experimentando ao longo dos anos.
Para além disso, o design e apresentação não fica atrás da qualidade sonora, sendo uma autêntica obra de arte industrial.

















segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Andrew Wyeth, 1917-2009

Andrew Wyeth morreu na semana que passou, em 16 de Janeiro, com 91 anos.

Ainda há dias publiquei uma ilustração de Wyeth, belíssima no expressionismo abstracto que era a sua marca artística.

Ainda sem o saber, o meu primeiro contacto com a obra de Wyeth, ocorreu no final do ano de 1975, quando comprei a Rolling Stone, de 24.10.1975, a primeira com uma capa assim:


A ilustração, da autoria de Jamie Putnam, era acompanhada da referência explícita: "with apologies to Andrew Wyeth".

E compreende-se perfeitamente, porque é um plágio da obra do mestre, Christinas´s World, pintada a têmpera, em 1948 e exposta no Museu de Arte Moderna em Nova Iorque.




Posters

No início dos anos setenta o costume de coleccionar posters de grupos e artistas da música popular, e não só, era aproveitado pelas revistas para potenciar vendas.

Uma revista alemã, a POP, fazia disso o assunto principal, com posters desdobráveis que atingiam dimensão de metro.



Nunca tive esse hábito de coleccionar posters avulsos,mas há dois que ficaram na porta do quarto durante uns anos. Um deles, o dos Rolling Stones, estragou-se e outro, o dos Chicago, não teve melhor sorte. Foram os únicos que adornaram o local ( para além do clássico Che Guevara com uma luz indirecta e avermelhada, que incidia no brilho do mesmo. Esse, sobreviveu).

O dos Rolling Stones, publicita o LP Exile on main St, de 1972 e foi conseguido numa loja de discos da Sonolar; o dos Chicago, dá conta do disco VI, de 1973 e foi publicado como suplemente a um jornal, segundo suponho.


domingo, 18 de janeiro de 2009

Beatniks e Albatroz

No número 18 do jornal Disco-música & moda, publicado em 15.10.1971, fazia-se uma referência breve, na página 3, a "um novo grupo português": os Albatroz; ao mesmo tempo, na página 4, outra brevíssima nota, mencionava os Beatniks e a sua nova formação.

No mesmo número dá-se conta da entrevista com os Albatroz, a publicar no número 19. Que não tenho em arquivo.


A cópia legível, desses artigos do nº 18, é a seguinte,bastando clicar para ampliar a imagem: