terça-feira, 18 de março de 2008

Cidade de Londres



Uma primeira imagem da cidade de Londres, depois de sair do metro de Tower Hill, é da alameda que conduz à rua da ponte da Torre.
Esta torre, é celebrada em disco dos Wings, de Paul McCartney e de 1978, precisamente intitulado London Town e recheado de músicas de grande categoria que agora fazem trinta anos. Um disco de grande referência nas minhas memórias particulares e que serve de introdução a uma pequena série de apontamentos sobre a cidade de Londres, em poucos dias de visita, mas que me deixou embasbacado. Estava à espera de uma cidade com pouco para ver e deparo com um mundo por descobrir.
A minha primeira imagem de Londres, depois de sair do Tube, é esta, mas de noite:
A torre e a barbacã imaginada e a alameda que conduz à casa de onde se pode ver a paisagem que a próxima foto mostra: um dos canais de Londres e que desembocam em marinas pequenas, com barcos que parecem não caber no local nem de lá saírem. Descobrem-se depois as pequenas pontes levadiças que permitem a intersecção dos canais com as marinas. Belíssimo.



Esta imagem, é a primeira do dia, da casa onde ficamos. Mostra um dos canais que segue para as marinas e docas.
As docas, onde param dezenas e dezenas de barcos de grande luxo.



Esta imagem, cliché turístico, concentra o que de específico encontrei no local: o autocarro vermelho, símbolo dos transportes públicos, eficazes, na cidade; a torre do relógio que marca quase meio-dia; os edifícios do Parlamento; as ruas asseadas e os turistas presentes. A roda gigante do Olho de Londres, aparece por trás.


Minus Zero, em Londres

Duas imagens de Londres, do mesmo sítio e de Sábado passado: uma loja de discos antigos, chamada Minus Zero, dirigida por dois indivíduos, um deles chamado Bill Forsyth. O qual manda recomendações para um certo "filhote" que escreve comentários no blog do Ié-Ié.




segunda-feira, 10 de março de 2008

As vozes mais femininas no rock

Linda Rondstadt, é seguramente, outra das vozes femininas que mais aprecio, desde que a descobri, algures nos anos setenta, algumas canções como The Tracks of my tears, do LP Prisonner in Disguise, de 1975 ou The Tatler, do ano seguinte e do LP Hasten down the wind.


Em 1976, a revista Rolling Stone, mostrava-lhe as pernas, belíssimas aliás, em companhia de vários maduros do rock californiano, com sucesso garantido nessa época: Eagles e Jackson Browne.

Foi por isso que os discos seguintes, foram semore interessantes e com músicos de estúdio de grande valor. Living in the USA, foi Lp que comprei , com gosto de ouvir todas as canções, destacando White Rythm n´Blues e Moahmed radio.

Em 1982, o disco Get Closer, foi logo ouvido com todo o gosto porque é a continuação daquele, com músicos e gravações de alto gabarito. Talk to me of mendocino, The moon is a harsh mistress marcam o fim do estilo country rock da cantora. A seguir, música com grandes orquestras e produção de luxo asiático. Desisti, depois de Lush Life, em 1984. E voltei a interessar-me com o disco Trio, de 1987, em parceira com duas outras cantoras da música country- Dolly Parton e Emmylou Harris. Uma grande disco que retomou os temas de country em modo tradicional e em estilo country-pop.

Foi então que descobri que afinal ainda havia outra Linda Rondstadt. A dos tempos recuados dos finais dos anos sessenta. Meia dúzia de discos, com temas do mais alto interesse e de tonalidade completamente diferente dos discos vindouros. Como em long long time.

O Lp Different Drum, de 1974, é o exemplo e Some of Shelley´s blues, a sequência exacta para a canção anterior, Up to my neck in high muddy water. Duas grandes, enormes canções cantadas de modo único e irrepetível, na carreira de Linda Rondstadt. E os anos passaram...

As vozes femininas no rock


Em 1974, uma das canções que me faziam ouvir o programa de rádio Página Um, era Midnight at the oasis. A voz feminina, de Maria Muldaur, era uma delícia de timbre numa pequena maravilha de apresentação sonora.
O solo de guitarra, que dá ênfase ao tema do oasis à meia noite, com inflexões arabescas, tinha a marca de um guitarrista que desde então, está condenado a repetir o célebre solo, como se demonstra no You Tube, à simples menção de Amos Garrett.

O disco, todo ele, merece audição atenta, pela frescura dos temas, todos de empréstimo mas de grande qualidade. A seguir ao oasis, vinha no programa do rádio, o tema "don´t you feel my leg". Mesmo nesses tempos recuados, a voz feminina de Maria Muldaur e a menção à anatomia difusa, mostrava um aspecto importante das vozes femininas no rock: a sensualidade.


domingo, 9 de março de 2008

Canções como chave da vida


Yester me, Yester you, Yesterday, foi a música que me indicou que a voz da pop, também tinha tonalidades de negro. Em finais de 1969, a canção era notória, no rádio da época, bem como o nome que a trazia: Stevie Wonder, preto, cego e de voz inconfundível, atravessou o panorama da pop, saindo do ghetto. Tal como Otis Redding o tinha feito antes com Dock of he bay.

Antes desse ano, já outros negros de alma brilhante, tinham mostrado a verdadeira cor do som: universal. Os Milagres de Smokey Robinson, com The track of my tears e My Girl, tinham mostrado o firmamento perfeito da pop, em anos anteriores, mas não tinham deixado marca no interesse. Idem, para Aretha Franklim ou outras Supremas intérpretes que gravavam para a etiqueta Motown. Idem, aspas, para Percy Sledge, com o clássico When a man loves a woman, ou mesmo com Ray Charles e os seus clássicos das canções modernas de country and western, com uma das canções maiores de toda a música popular: I can´t stop loving you.

Al Green, surgiu depois. Como Marvin Gaye ( What´s going on e Midnight Love) , Curtis Mayfield( Jesus), Smokey Robinson ( Pure Smokey, Warm Thoughts e Being with you) . Prince ( Around the world in a day), Randy Crawford ( Nightline) Roberta Flack ( Feel like making love).

Praticamente, toda a atenção à luz para música pop marcada pela cor, surgiu depois de Yester me, yester you, yesterday, de Stevie Wonder, no início da década de 70.

Em 1973, com Innervisons, estalou polémica entre defensores de Stevie e de mister Brown, James.

Innervisons, é um dos LP´s dos setenta, perfeitos, na música, letra e ambiente. A canção Living for the city, é uma das canções do ano e passava no rádio, com a frequência já modulada pelos tempos novos que se aproximavam a passo de gigante. É uma canção de protesto suavizado pelos instrumentos de Stevie, todos tocados pelo músico, nessa canção.

Em He´s a misstra know-it-all, só baixo lhe falha, embora toda a música seja de grande luxo, com uma melodia bem achada.

A guitarra acústica de Dean Parks, faz jus a uma boa aparelhagem nas subtilezas de Visions.

Que tinha James Brown a propôr nessa época? Funk. Baixo e ritmo, em cadência dançante. Com força de voz e inflexões de sexo em modo maquinal.

A música de James Brown, seduziu-me uma vez e de modo curioso, já nos anos oitenta. Num acaso de rua, calhou ouvir Sex machine, a passar, num carro com as janelas abertas e o som de muitos watts, a saltar pelos forros e portas fechadas. O poder do baixo, alimentado a amplificadores de grande potência, fizeram-me estancar e ouvir por alguns momentos um dos sons mais poderosos que até então ouvira. E desde então, nunca mais ouvi igual e percebi nesse momento a magia do som de Brown.

Por isso, em 73, Innervisions era superior a Brown, nos meus ouvidos. Três anos depois, em 1976, Stevie Wonder publicava a sua obra prima absoluta: Songs in the key of life. Um opus magnum, em duplo Lp, com Ep junto e canções de luxo em repetição, desde a primeira faixa, Love´s in need of love today, até à última, Another Star. Não há uma única canção no duolo LP que seja de qualidade menor. 17 canções, mais quatro de bónus, de um disco único na discografia pop.

Songs in the key of life, de 1976, é um disco de um génio da música: Stevie Wonder.



sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sangue, suor e lágrimas para chegar a Chicago

( imagem da contracapa do disco de 1968 dos B.S.& T, reduzida às dimensões de um scanner A4)

A introdução do primeiro tema do álbum B,S & T, de 1968, é uma variação sobre tema de Satie, começa com flautas e guitarra clássica e dura uns segundos, até se ouvirem os metais que conduzem a sonoridade de todo o disco, dominado ainda pela voz de David Clayton Thomas. Foi este o disco mais vendido do grupo, segundo consta.

O disco soa mais próximo do jazz, do que do rock, o que se torna evidente no tema seguinte, Smiling Phases, com grande partes instrumentais, envolvendo metais e teclados e umam secção rítmica omnipresente. A balada Sometimes in winter, com flauta misturada em metais, nem parece dos B, S & T.mas de uns Love. Mas o tema seguinte, More and More, reconduz ao suor do grupo, sem qualquer lágrima e com um solo de guitarra de Steve Katz. A harmónica de And when i die, introduz apenas um arremedo de gospel, bem arranjado que deu em single de sucesso. O último tema do lado A do disco, God Bless the Child, é Chicago Transit Authority, avant la lettre e soa a Ray Charles.

O lado dois, abre com a Spinning Wheel. O que sobe tem de de descer, por isso, sendo este um dos singles de êxito do grupo e que dá imediatamente lugar ao seguinte, no alinhamento do disco: You´ve made me so very happy. Uma balada soul, que atingiu os tops de vendas, mas sem a delicodoçura do tema dos Chicago dali a quase dez anos, If you leave me now. Um rebuçado de mentol e um bombom de chocolate belga, é essa a diferença de sabor entre os dois sons.

Depois desses três singles de sucesso, quase concentrados em sequência no disco, aparece um tema extenso, jazzístico e bluesy, que lembra por vezes James Brown, tendo depois, a rematar, um som de flautas que recordam a música folk, progressiva, dos ingleses de Cantuária.

Em seguida a esse disco grande do grupo do Sangue Suor e Lágrimas nada mais ouvi que me fizesse ansiar por mais, dessa música sofrida.

Prefiro por isso os primeiros onze álbuns dos Chicago. Todos, mesmo o quádruplo ao vivo( o IV), gravado no Japão e uma novidade para o mercado da época.

Em 1971, no entanto, quando já tinham saído três discos do grupo, os encómios eram de monta, em todo o lado. Até por cá, o jornal Disco , música & moda, da edição de 1 de Setembro desse ano, se pronunciou, pela pena de José Pessoa . Fazendo o paralelo entre os dois grupos, em relação aos quais, havia uma "certa guerra entre os apreciadores", escrevia que considerava os B,S,&T um grupo menos “comercial” do que os Chicago e acrescentava algumas considerações sobre o jazz da época, a transição para o rock e escrevia sobre Miles Davis e Tony Williams e o uso extenso das baterias como factor rítmico importante, nesse tipo de música (na imagem abaixo, vem parte do texto, onde se consegue ler o que José Pessoa pensava, do panorama musical português da época).

Provavelmente, no entanto, não lhe disseram quanto teria já vendido o segundo disco dos Sangue Suor e Lágrimas. Certamente muito mais, em comparação com o primeiro do Chicago Transit Authority, saído no ano seguinte.

Quem ouve este primeiro disco dos Chicago, produzido pelo mesmo indivíduo dos Blood Sweat an Tears, James William Guercio e com o mesmo engenheiro, Fred Catero, nota logo uma semelhança flagrante, no uso extenso dos metais, no ritmo batido e nas inflexões jazzísticas. O disco dos Chicago, porém, só tem um single de relevo: I´m a man. Mas tem Prologue, seguido da magnífica Someday. Com ruídos de rua. De manifestações. Em 1969...

Era esse o som dos Chicago, dos anos seguintes. Se o primeiro dos Chicago fica atrás do segundo dos B.S.& T., os dois álbuns seguintes dos Chicago, o II e o III, duplos, dão-lhe água pela barba, em todos os temas.

Esses dois discos dos Chicago, são de qualidade superior e nem precisam dos singles de sucesso que foram Make me smile, 25 or 6 to 4, ou ainda Colour my world ( embora esta seja das minhas preferidas de sempre, dos Chicago, no capítulo dos slows para baile de Sábado à noite...), do disco II. Deste, prefiro logo os dois primeiros temas e até o último, incluindo a suite que imita a imitação de Satie.

Do III, então, nem se fala: An Hour in the Shower, vale uma boa parte do primeiro lado do disco dos BS&T e What else can i say, a terceira do lado A, nos meus ouvidos, valem bem You´ve made me so very happy. Até tem pedal steel guitar...


quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008

Um som de chocolate


Chicago. Um grupo de logotipo. A primeira vez que ouvi o grupo com toda a atenção, foi com o single Lowdown, num gira-discos sofrível. Na mesma ocasião, apreciei Janis Joplin, de Pearl. 1971, portanto.
Os metais dos Chicago, na altura, eram mais evidentes no lado b do single, Loneliness is just a word.
Lowdown, porém, introduz-se com arpejos de guitarra eléctrica e naipes de órgão. No meio, o solo de guitarra, em wha wha, dialoga com os metais, numa fusão típica da música do grupo. A voz, neste caso de é parte importante e foi assim que ficou na memória, desde essa altura. Lowdown ( aqui e nos outros a seguir, no You Tube), ficou como referência primeira, sendo porém do terceiro disco do grupo.

Logo a seguir, no ano de 1972, saiu o 5º disco do grupo, contendo Saturday in the Park, numa toada introduzida ao piano por Robert Lamm que a compôs e também a canta. Em 1972, todo o interesse em Chicago, ficou nessa cançoneta. Porém, o disco, merece a audição integral, porque é um dos melhores do grupo.
No ano seguinte, outra maré viva de Chicago, com o disco VI. Just you and me, tornou-se o aperitivo para ouvir a seguir, o último tema do disco, Feeling Stronger Everyday, com a sua progressão imparável de piano eléctrico, metais e a voz edulcorada de Peter Cetera, co-compositor, com James Pankow, do tema que varia a meio, passando a um ritmo acelerado na parte final e que fixa o ouvinte à sonoridade rock da guitarra de Terry Kath. O disco contém ainda outras pérolas, como In terms of two.
Este disco de 1972, é o começo da verdadeira paixão pelo grupo. Nessa altura, ainda na adolescência, o modo de apresentação dos membros, em foto de grupo, na publicidade ao disco, era interessante. Um poster, saíra entretanto numa revista de música ( Disco, música e moda) e serviu durante alguns anos de adorno da porta do quarto, pelo lado de dentro, por cima de outro, dos Stones, de Exile on main st.
No ano de 1974, saía o disco VII, outro com capacidades notáveis e cujo single notório era I`ve been searching so long , ainda que Life Saver, seja bem superior no interesse.
No ano seguinte, o disco VIII, apresentava um logotipo bordado e sem singles evidentes, como nos anteriores, destacam-se no entanto, e Old Days, Harry Truman.
Em 1976, sai o álbum que estende a fama dos Chicagos para o lado da estratosfera delicodoce das músicas de banda sonora. O single, If you leave me now, cantado por Peter Cetera, arrasa o coração mais empedernido, na música dos Chicago. O disco em que foi publicado, simula uma embalagem de chocolate, já aberta...e é ainda um dos melhores discos dos Chicago. A última canção, Hope for love, é um hino do guitarrista Terry Kath, desaparecido algum tempo depois, num acidente fatal com uma arma de fogo.
Depois desse disco, só o do ano seguinte, 1977, com o disco XI, conseguiu estar à altura da discografia anterior, contendo ainda assim o single de matador, com Baby, what a big surprise.
Para mim, os Chicago, acabaram aí. Depois disse, tornaram-se uma banda de reprodução de êxitos; todos antigos, porém. Já chegaram, entretanto, ao disco XXX. Eu, deixei-os no XI.

domingo, 10 de fevereiro de 2008

Jazz improvisado












A capa de Rejoicing, redescobri agora, tem a particularidade de um acrescento pessoal, no desenho.


Os primeiros sons de Pat Metheny que ouvi, foram na rádio. Em finais dos setenta. Nessa altura, um programa de rádio, apresentado por António Macedo, ( hoje na Antena1), apresentava-se com um tema de Pat Metheny que adorava ouvir. Em toada estugada, de guitarra acústica, seguida de outra eléctrica, a introdução do programa despertou-me para a música de Pat Metheny. O disco que me chamou a atenção, no entanto, não era aquele em que tal tema aparecia. Mas como não tinha meio de o saber, acabei por comprar, em 1981 ou 82, o disco As falls Wichita, So falls Wichita Falls que não afinal não tinha o tema, mas tinha outros que ainda me causaram maior admiração e um título que me recomendava o interior da paisagem americana, dos fios e postes de telefone, com estética alemã, incluindo as letras, da editora ECM de Manfred Eicher.

A segunda tentativa, também não surtiu efeito. Mandei vir de França, American Garage, um disco de 79, com outras composições, mas não a tal.

Só depois disso, descobri que o tema se chama New Chautauqua, do disco homónimo de 1979.

Nessa altura, já estava calhado para ouvir a música de Pat Metheny, dos discos seguintes, incluindo Rejoicing, de 1984 e que se inclui no jazz mais tradicional de improvisação, tal como Song X, de 1986. Ainda assim, fui atrás dos outros, da década de setenta: Bright size life, de 1976 e Watercolors de 1977. A discografia, confunde-se então, com os trabalhos a solo e os álbuns de grupo.

Em 1982, Offramp, igualava a beleza de As Falls Wichita e o disco Travels, de 1983, ao vivo, retomava os temas de valor, incluindo alguns não escutados, de discos de grupo ( com Lyle Mays, o teclista de relevo sonoro).

Na Páscoa de 1984, ofereci-me First Circle, um dos melhores discos que conheço e que me deu horas de prazer sonoro, do primeiro ao último tema. First Circle, ( aqui numa versão You Tube)
é uma pequena maravilha sonora, depois das palmas iniciais e com o contraponto do vibrafone à guitarra, a antecipar a percussão e a progressão harmónica que é marca de Metheny. Uma sonoridade única e que lembra o Brasil dos tempos melhores de Hermeto Pascoal.

Em 1986, Still Life (talking), incluía Last train home ( aqui numa versão próxima do disco, do You Tube) um dos temas de sempre de Metheny, a par de Are you going wit me ( Offramp). A guitarra estugada, com mistura de teclados de Lyle Mays, vibraphone pontual e percussão certa de Armando Marçal, incluindo as vocalizações deste último, são uma paisagem sonoro que nenhum cliché escrito conseguirá reproduzir.

Em 1992, com Secret Story, que inclui o belíssimo Facing West ( aqui numa versão You Tube e ainda noutra, mais limpa)já em cd, deixei de acompanhar a história musical de Pat Metheny. Parece que foi ontem, mas lá vão mais de 15 anos…

Entretanto comprei First Circle em cd, a pensar que ultrapassaria o som do LP, em qualidade técnica. Não ultrapassou.

domingo, 27 de janeiro de 2008

O country do rock ligeiro da América.

Alguns nomes da música rock com sonoridade country, na América dos anos setenta, merecem atenção de ouvintes esclarecidos, porque a música de hoje, não tem paralelo com algumas das suas produções.

Por exemplo, Don Williams. O crooner da country, de voz barítona, nos anos setenta, produziu alguns êxitos que lhe valeram um destaque no panteão country pop, com relevo para The Shelter of your eyes ( 1973) , aqui em versão You Tube; Ghost Story ( 74) , You´re my best friend (1975) e I Believe in you, em 1980.

Foi com esta última cançoneta, I Believe in you, aqui em versão do YouTube que comecei a procurar discos de Don Williams e encontrei este que é simplesmente uma compilação de êxitos, com uma capa de antologia.













Outro que segue na mesma senda de descoberta tardia, apenas nos setenta, embora com memórias antigas, é Hoyt Axton.

Na mesma um barítono na voz, o disco que me conquistou para a audição, foi ouvido pena primeira vez na rádio, na altura em que saiu. É um disco publicado em Portugal, em 1977, um dos melhores desse ano e chama-se Road Songs que contém pérolas sonoras como Boney Fingers, acompanhado a guitarra dobro e steel, de Jeff Baxter; Lion in the Winter, Lay Lady Lay ( versão YouTube) e No No Song e ainda a pequena maravilha, In a young girls mind. Isso para não citar a antiga Della and the Dealer, aqui em versão YouTube

Em 1978, o disco publicado em cd, Free Sailing, contém Honky Tonk Music e o título tema. Em 1998, um duplo cd recolhe as melhores gravações de Hoyt Axton para a A&M. Em 1990, um cd recolhe as gravações do espectáculo ao vivo Bread and Roses, de 1977, com intervenções ao vivo de Hoyt Axton e outros.
Ainda mais um, Michael Murphey. Agora conhecido como Michael Martin Murphey. O disco de 1974, homónimo, serve de referência básica e fundamental, por causa de uma única canção: Southwestern Pilgrimage, ouvida vezes sem conta, num vício sonoro raro e de poucos mais exemplos ( um deles, é Third World man, dos Steely Dan e outro ainda Roy Rogers de Elton John e outro ainda, Panam Red, dos New Riders of Purple Sage).

O disco de 74 não se encontra referenciado em foto, em lado algum na Rede, nem sequer no site oficial do cantor. Por isso, fica aqui a imagem possível, apanhada num scanner A4.














Estas canções pop, tingidas de country e com sabor a pradaria dos filmes de cowboys, podem bem ser uma belíssima banda sonora, de um romantismo de nostalgia segura. Outros nomes se lhes poderiam associar, como os New Riders of purple sage ou os da Pure Prairie League.

Daqueles da saga púrpura, a canção Teardrops in my eyes e destes, da Liga da Pradaria, algo dos seus discos patuscos com o cowboy dançante.

Ainda assim, para cantar à lua ou apresentar em serenata em tempo de paixão, retomaria como antológicas, em primeiro lugar, as de Don Williams, I Believe in you e In the shelter of your eyes. Logo de seguida, atacava com Lay Lady lay, como deve ser e In a young girls mind de Hoyt Axton. Para terminar a serenata romântica, Southwestern Pilgrimage, de Michael Murphey.

A sequência seria irresistível. Cinco canções. Cinco tiros directos ao âmago do romantismo, como eu gosto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Ilustrações

Três ilustrações fabulososa, à solta por aí, na Rede, da autoria dos americanos Norman Rockwell ( a primeira) e Frederic Remington .





domingo, 13 de janeiro de 2008

Rocking the jazz

Ouvir música no rádio, nos anos setenta e ainda em parte dos oitenta, trazia algumas vantagens. Uma delas, era a possibilidade de sermos surpreendidos por sons desconhecidos até ao momento. Pequenas passagens sonoras, frases musicadas em instrumentos particulares que atingiam o ouvido interno de modo perene.

Uma das descobertas mais interessantes dessa época, foi o jazz tocado em fusão com o ritmo de rock ou a atitude do rock n´roll.

Os discos e música jazz, raramente me conduziam à atenção aos sons. O predomínio do sax ou de outros instrumentos de sopro, ondulado em frequência modulada, deixavam-me indiferente. Miles Davis ou Charlie Parker, nunca lograram mostrar-me sonoramente, paisagens de lirismo ou de embalo, suficientes para me convencerem a escutar os seus discos. Num ou noutro passo, prestei alguma atenção a marimbas ou vibrafones, instrumentos de percussão rápida e também com assento em alguns grupos de rock, por exemplo nos de Frank Zappa.

A fusão do ritmo jazzístico com as batidas de rock, tiveram em Zappa um dos seus cultores de vulto, com o disco Hot Rats, muito badalado, quando saiu em finais de 1969. Gravado em 16 pistas, quando o corrente eram as oito da praxe, Hot Rats tornou-se um clássico merecido, do rock fundido com as entoações jazzísticas. Outros que nunca se esqueceram de misturar sonoridades de metais soprados, com ritmos de bateria e guitarras, bem tocadas, foram os Chicago, logo no começo, no início da década de setenta.

Não obstante, foi apenas no final desses setenta que o interesse nesse tipo de sons, me conduziu a ouvir com atenção certos grupos e compositores.

Quando em 1975, apareceu o LP Journey to Love, de Stanley Clarke, um baixista que fraseava o trecho de abertura, Silly Putty, encadeando-o com solos de guitarra de Jeff Beck, a chama que alimenta paixões instalou-se. Antes, tinha havido lampejos de música de fusão, com os Mahavishnu de John McLaughlin, sempre incensados na revista francesa Rock & Folk, mas o clic, deu-se com Stanley Clarke, porque Journey to love, é um disco maior, principalmente ouvido em LP ( mesmo prensado pela Rádio Triunfo). E onde aliás, participa o mesmo McLaughlin, a tocar guitarra acústica, acompanhado ainda de outro ás do rock no jazz, Chick Corea, em piano acústico, numa composição belíssima de inteiro tacto acústico, intitulada precisamente Song to John, dedicada a John Coltrane.

Esta sonoridade subtil de Stanley Clarke, levou-me a querer entender mais do jazz declinado em atitude rock, o que me conduziu a Larry Coryell, de The restful Mind, com pérolas sonoras inclassificáveis; Terje Rypdal, com What Comes After e aos discos alemães da ECM, com destaque para os de Pat Metheny.











Antes, porém, fruto de audições de rádio espanhola, com indicativos musicados e sem palavras, ouvi três discos de Spyro Gyra, bem destacados da sonoridade etérea e de flautas e oboés, de Terje Rypdal.

Os discos da Spyro Gyra, todos batidos a instrumentais, em metais e ritmo funky, dos anos oitenta, ostentavam títulos como Sripes ( de Incognito, de 82) com harmónica tocada por Toots Thielman e baixo de Marcus Miller, com bateria de Steve Gadd ou Foxtrot, do LP Carnival de 1980.

Esses temas, serviam para separar músicas de outros modos e tocavam por vezes em contínuo em emissões totalmente instrumentais, como por exemplo, na Semana Santa, da Rádio Renascença que passava sempre continuadamente, música instrumental, muitas vezes de fusão e jazz rock.

Serviam ainda para experimentações de novos instrumentos como o Lyricon ( uma espécie de sintetizador de saxofone), utilizado no LP Incognito dos Spyro Gyra, pelo saxofonista Tom Scott, tendo sido usado pelos Weather Report, precisamente em Black Market, no tema Three Clowns.

O Weather Report, nos seus discos dos anos setenta e oitenta, dava sempre bom tempo. Com Wayne Shorter, a soprar saxofones ( e tem um disco de 1975, com Milton Nascimento, intitulado Native Dancer), Jaco Pastorius, no baixo sem trastes, sempre num jogo de brilhante deslize sonoro, os Weather Report, eram liderados pelo austríaco Zawinul, mestre dos teclados, falecido no ano passado.

O disco Black Market, seguia-se a Heavy Weather, tendo outros de valor idêntico. Jaco Pastorius, também já falecido, é autor de dois discos a solo, notáveis e colaborou depois com Pat Metheny e Joni Mitchell, num disco ao vivo ( Shadows and Light), após Hejira, dos anos setenta.













Na sequência destas sonoridades híbridas, produzidas em estúdios de músicos seleccionados pela categoria profissional de nunca errarem nas notas das partituras que lhes colocam à frente ou com parâmetros pré-definidos, acabei por esbarrar num música de guitarra ligeira, com músicas cativantes ao ouvido: Earl Klugh. Primeiro, Um Lp de 1983, Low Ride, com o tema de abertura Back in Central Park, numa batida caribenha e depois noutros temas como Lp de 1984, Wishful Thinking é a quintessência deste estilo fusionista, inclinado para a ligeireza sonora. Sem grandes nomes ( o saxofonista David Sanborn, aparece num tema,e Eric Gale noutro), o disco baseia-se em temas de guitarra de recorte fácil mas eficaz na audição repetida. O tema Tropical Legs, vale quase, quase, um outro qualquer de Stanley Clarke, mesmo com John Mclaughlin. Ligeiro qb, conserva um lirismo único na sua simplicidade quase pimba. O tema The only one for me, tem quase o mesmo efeito e foi isso que me levou a procurar, em Espanha o disco que por cá nem havia, ainda com títulos traduzidos em espanhol, na rodela negra. Wishful Thinking torna-se assim num Pensamiento de deseo…







Em consonância com estes ritmos, aparece naturalmente, Larry Carlton, no LP de 1980, Strikes Twice. O tema Midnight Parade, com riffs de Gibson 335, é de paragem obrigatória.

Em 1985, Miles Davis, estava também na onda jazz rock, com You´re under arrest. O tema Human Nature, de S. Porcaro e J. Bettis, glosado em trompete, só se comparava ao Time after Time, de Cindy Lauper.












Nesta onda, foi fácil chegar a Bob James e a David Sanborn, em 1986, com o LP Double Vision. Com a dupla rítmica Marcus Miller e Steve Gadd, o disco contém algumas boas músicas do género, com uma gravação cuidada e permitiu ainda a introdução a…Al Jarreau. O LP homónimo de 1983, é uma obra prima do canto em jazz rock e fusão.












E foi nesta revoada de sons de fusão, ligeiros na sua maior parte que aportei a um porto seguro de qualidade sonora impressionante: Pat Metheny. O primeiro assomo, foi com As Falls Wichita, So falls Wichita Falls. Mas a história tem capítulo próprio. Contada um dia destes.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Banda desenhada portuguesa

A banda desenhada portuguesa, nas últimas décadas, teve uma expressão artisticamente pública, quase nula.

Depois dos anos de ouro do Cavaleiro Andante e do Mosquito, antes de 25 de Abril de 1974, havia dois artistas conhecidos, mas nem por isso com sucesso público suficiente: Vítor Péon e Eduardo Teixeira Coelho.

As suas obras foram publicadas em algumas revistas, uma delas o Jornal do Cuto, de início dos anos setenta.












Logo após o 25 de Abril, com a liberdade quase completa de publicação, surgiram algumas publicações de âmbito totalmente libertário e sem barreiras de censura.

Em primeiro lugar, uma revista clássica e de grande ambição: a Visão, da editora Edibanda, propunha-se retomar uma banda desenhada feita em português, com autores portugueses. No centro do primeiro número, saído em 1 de Abril de 1975, o autor e director da revista, Vítor Mesquita, com a obra Eternus 9, repetida anos mais tarde no Mosquito, em retoma. A Visão valia o que valia Vítor Mesquita. Acabou por isso mesmo.












No mesmo ano de 1975, surgiram duas revistas de âmbito libertário e anarca: O Estripador, em Janeiro de 1975 e Evaristo, em Março do mesmo ano. Os desenhadores de proa, do Estripador, dirigido por Duarte Boavida e Delfim Miranda, copiavam textos da Actuel francesa e chamavam-se Melo Relvas e Bruno Scoriels.














O Evaristo, tinha um pouco de mais fôlego artístico, com a colaboração de Carlos Zíngaro, ilustrador de capas de discos, como o primeiro da Banda do Casaco ( de finais de 1974) ou os de Júlio Pereira, Fernandinho vai ao vinho e Lisboémia ( de 1976 e 1978).




quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Cartazes de cinema


Este é um dos melhores cartazes de cinema que conheço. É dos anos setenta, de um filme de Werner Herzog. Lembro-me de ter visto este cartaz em formato A5, emoldurado, dentro de um carro estacionado, numa rua de Coimbra que dá para as escadas monumentais. Fiquei fascinado pela beleza da composição e das cores, com o branco a contrastar. Nunca mais esqueci a ilustração e agora nos tempos da Rede 2.0 torna-se mais fácil arranjar estas imagens. Há pouco tempo, vi um livro na FNAC, com posters de cinema dos anos setenta, e lá estava este também.