domingo, 6 de abril de 2008

Van der Graaf Generator


As duas imagens acima, estão separadas por trinta anos, pelo menos. É o tempo, a passar...

Os Van Der Graaf Generator, tinham concerto aprazado em Gouveia(!), neste fim de semana. O mítico grupo de Manchester ( começou na universidade local), foi sempre um dos meus preferidos, no chamado rock progressivo. A par dos Gentle Giant e dos King Crimson.

Mas os Van Der Graaf, além disso, tinham um nome mais apelativo e uma imagem fugidia que os remetia para a categoria de mito.

No início do ano de 1975, a revista francesa Rock & Folk, escrevia artigos curtos, mas de louvor intrigante, citando temas e discos anteriores que nunca ouvira e que apetecia encontrar. Em Abril de 1975, o crítico Jean Marc Bailleux, relatava que tinha ido até Nova York no encalço do primeiro disco do grupo, atrasado seis anos, em França, e publicado apenas nessa altura. Uma crónica destas, impressiona.

Em Junho do mesmo ano, uma outra crónica no jornal inglês New Musical Express, dava conta dos espectáculos do grupo em...Paris. A imagem associada ao artigo do jornal, foi talvez a primeira que me permitiu ver a cara dos músicos.

Em Dezembro de 1975, a revista francesa Best, publicava quatro páginas com letras de músicas antigas dos VDGG e ainda do novo disco, GodBluff. Com imagens que eram as primeiras a cores, que via, dos membros do grupo, como esta que segue.

Ouvi a música dos Van Der Graaf Generator, pela primeira vez, em meados dos anos setenta. Talvez no início de 1975, mas é possível que tenha sido no final. Por uma razão prática: foi nessa altura que saiu o LP, Godbluff. E foi nessa altura que os VDGG dram vários concertos em paris, na sala Wagram. Como documenta esta foto.

Embora o grupo tenha editado discos fundamentais, até essa altura, e que só ouvi anos mais tarde, por não estarem disponíveis no mercado corrente, foi em finais de 1975 que comecei a ouvir os acordes iniciais de Godbluff que recordo como se fosse hoje.

Na rádio desse tempo antigo e memorável, à noite, por vezes, começava a ouvir-se um som de sopro repetido, seguido durante segundos por um de teclados e uma voz que sussurava “here at the glass...”.

Depois de o escutar por várias vezes, apresentado por Jorge Lopes ou Fernando Balsinha, adeptos do progressivo passado em disco integral, no RCP, corria para o gravador para apanhar o máximo. E o máximo que consegui apanhar nesse tempo, foi o que se passava a seguir a “...farce”. Faltava sempre gravar as duas frases anteriores- “Here at the glass-all the usual problems, all the habitual...farce”. Embora a versão do disco seja superior, pode ouvir-se ao vivo no You Tube. Assim, doutro modo, era o Undercover man.

E a seguir, era o nirvana musical até ao fim do disco, com os Sleepwalkers. Esses temas, continuam a ser, ainda hoje, alguns dos que consigo cantar integralmente, com a letra decorada e tudo. Dezenas e dezenas de audições, nunca lhes subtraíram um átomo de maravilha.

Em finais de 1975, começava a aprender as primeiras noções do que era o Direito. Preferia, sem dúvida alguma, passar na montra das discotecas da baixa de Coimbra e mirar o LP. De capa preta e com um carimbo a vermelho, a dizer, “Godbluff”.

Como não tinha gira-discos, ouvia com gravador portátil. E chegava, nesse tempo. E pedi a uma amiga que comprara o disco para me deixar fotocopiar as letras, impressas na capa interior. Uma fotocópia que na altura ainda cheirava a um odor de fotocópia tipo xerox e que ainda guardo.

Poucos meses depois, na Primavera de 1976, porém, saía o melhor Lp do grupo. Still Life, captou a minha atenção, depois de ter lido na revista Best, alguns dos temas de discos anteriores, incluindo Killer e Man-erg, dois monumentos do rock progressivo britânico e que só ouvi alguns depois, já na década de oitenta e um ou outro, na de noventa.


Por esse tempo, os VDGG já tinham conquistado o interesse total, de modo que a visão do LP, no escaparate, foi como uma visão de um quadro modernista, de um pintor do início do século passado: um deslumbre. Nessa época, os LP´s de música de qualidade tinham lugar de culto nas discotecas especializadas e esse foi dos primeiros discos que me apeteceu comprar só para ter o guardar. Acabei por o arranhar, anos depois, em prensagem original.

A audição desse disco, no Outono de 1976, nas noites de auscultadores, suscitou desenhos, sonhos e lembranças sonoras de grande impressão. Os temas são todos de grande qualidade e o final, grandioso, concentra toda a temática das letras de Peter Hammil: a vida e a morte, com o transcendente por perto. A experiência de audição desses temas, nessa altura e nessas circunstâncias, será provavelmente a mais aproximada, ao transe experimentado pelos adeptos dos paraísos artificiais.

O começo, com órgão ondulante parte para um ritmo encantado, em poucos compassos. O tema My Room, apenas com secção rítmica, saxofone e voz, é uma pequena maravilha de concisão temática e de melodia inesquecível. Um tema de grande luxo sonoro, ouvido repetidas vezes, sempre com grande prazer auditivo.

A música dos VDGG, prescinde, na maior parte dos temas, da guitarra do rock, para dar preferência aos teclados de Hugh Banton e principalmente aos instrumentos de sopro de David Jackson, a grande figura do grupo, a par de Peter Hammil, autor das letras.

No mesmo ano de 1976, outro disco. World Record, alguns meses depois de Still Life, numa sucessão produtiva de qualidade impressionante, foi um disco escutado com o interesse redobrado pelas sensações anteriores de transe sonoro.

O tema final, grandioso, era um achado que nesse final de ano de 1976, soava como uma sinfonia ao novo mundo que em Portugal se prometia e que redundaria em fracasso a breve trecho.

No disco seguinte, de 1977, intitulado The Quiet Zone/ The Pleasure Dome, a experiência fantástica dos três discos anteriores, saía frustrada pela introdução da sonoridade de um violino. Apesar da expectativa, não consegui apreciar o disco , como apreciava os anteriores. O violinista, Graham Smith, do grupo String Driven Thing ( que chegou a vir a Portugal, salvo o erro), emprestava ao disco uma sonoridade não apetecida e por isso, espúria.

Os Van Der Graaf acabavam para o meu gosto, nesse disco.

Porém, faltava descobrir os anteriores. E que descobertas! Todos os discos anteriores, merecem a atenção particular do apreciador de música popular progressiva, a começar logo pelo primeiro.

Além disso, o líder Peter Hammil, entre 1971 e 1975, publicara discos a solo, tão ou mais importantes que os discos do grupo.

Em 1977, ouvia Nadir´s Big Chance. Uma descoberta que me satisfazia a sede de Van Der Graaf. Depois, nos anos oitenta e noventa ( o primeiro disco dos VDGG, The Aerosol Grey machine, foi publicado em cd, pela primeira vez, em 1997), foi a descoberta progressiva de toda a discografia anterior dos VDGG, um dos grupos que mais aprecio na música popular.

No mesmo ano de 1977, a revista Rock & Folk, no número de Agosto, publicava esta crónica de um disco sem referência de maior, a não ser o título The Long Hello e a menção a músicos dos Van Der Graaf.

O disco, ouvi-o uma vez, no rádio da época. Fiquei a lembrar-me de um dos temas, todo instrumental, aliás e com recortes jazzísticos.

Anos a fio, percorri discotecas, perguntei por referências, em vários lados do mundo. Graças á Rede e a este sítio de grande aficionado, descobri que o disco que vira a preto e branco na crítica da Rock & Folk, tinha afinal esta belíssima cor e era a versão francesa do disco que tem outras versões.

E este ano, graças ao ebay, comprei-o. Este mesmo, nesta versão e nesta capa. E ouvi-o, outra vez, tal como há mais de trinta anos tinha acontecido. E lembrava-me exactamente das notas do tema, tal como se as tivesse escutado ontem. Fantástico.



domingo, 30 de março de 2008

A Banda de Birmingham


I can´t get it out of my head. Esta música de 1974, dos Electric Light Orchestra, passava no rádio como uma sonoridade estranha, entre os êxitos da época.

Os ELO, criticamente, foram apresentados na época, como uma derivação directa da música dos Beatles, com exploração das variáveis abertas por I´m the Walrus. Tem alguma lógica, mas suplanta a comparação. Os ELO são ingleses e o núcleo fundamental, veio dos Move que tinha uma personagem interessante, que ficou de fora: Roy Wood.

Naquele tema e noutros que se seguiram, a secção de cordas, de uma orquestra clássica, misturada com os intrumentos eléctricos, emprestava um som esquisito a um grupo de rock. As sequências de acordes, levemente dissonantes, suscitavam a curiosidade ouvinte e puxavam a atenção a ouvir mais.

A abrir o disco, a Eldorado Overture, parecia uma banda sonora, de um filme de aventuras. Um Salteadores da Arca Perdida, antes do tempo.

A sequência em andante molto vivace, arrefecia o ímpeto, para dar o lugar sonoro, à voz que cantava logo...Midnight, on the water, em ondulações de vibrato.

A secção rítmica, misturada com os violinos e violoncelos, antes de Jeff Lynn cantar I can´t get out of my head, tornam esse tema musical, um dos mais apreciados da década de setenta e que ainda hoje perdura como interessante e sempre audível, como um clássico.

Os temas seguintes, confirmam o disco como um dos melhores de 1974. Logo no segundo título, Boy Blue, os metais que introduzem a música, conjugam com as cordas dos violinos, em pizzicato e retomando a atmosfera de banda sonora de filme de aventuras. Por altura do oitavo trecho, o rock n´roll, bem batido, lembra o ouvinte que se trata mesmo de um disco de rock.

Mesmo assim, no final, a impressão que fica do disco, é um pouco etérea e estranha, para uma obra de rock.

Quando o ouvi, em 1974, foi uma verdadeira surpresa e ficou estes anos todos, como um dos discos de referência de uma discoteca ideal.

Arranjei o LP, versão original, prensado em Portugal pela Rádio Triunfo, já nos anos oitenta. Depois disso, arranjei a versão em cd, dourado, da DCC Compact e ultimamente a versão remasterizada do cd.

A capa do LP é uma pequena maravilha de referências ao filme O feiticeiro de Oz, com os sapatos brilhantes, de Judy Garland, que remete para a estrada de tijolos amarelos, por sua vez remetendo para o disco de título homónimo , de Elton John, de 1973.

Dois anos depois, em 1976, já soavam novas melodias da Orquestra da luz eléctrica, com o disco New World Record. Do mesmo modo que o Eldorado, todos os temas, repetem as mesmas frases dissonantes, ao conjugarem os metais, as cordas e a sonoridade eléctrica da amplificação da guitarra. A versão do disco, em cd e comemorativa dos 30 anos, apresenta a versão instrumental dos temas que realçam a construção musical característica da banda.

Talvez por isso, Randy Newman, compositor americano, compôs em 1979, o disco Born Again, com o tema The Story of a rock n´roll band, dedicado precisamente, aos ELO e que começa assim:

They were six fine english boys; who knew each other in Birmingham"…acompanhado das variações harmónicas típicas, do grupo, inventando uma tonalidade menor, rebatuda na percussão, para o tema Telephone Line.

No final de 1977, com audição já em 1978, novo disco, duplo e de grande fôlego. Out of the blue, soava como os grandes discos duplos da época: uma sucessão de temas sonoros, com vários hits potenciais. O primeiro disco, ouve-se até ao fim, sem mudar de agulha ou trocar de faixa. O segundo, idem. É um disco que mantém, integrais, as qualidades dos dois anteriores. Com uma capa brilhante e apelativa.

Out of the blue, retoma o conceito gráfico do disco anterior, reformando a referência à decoração de juke box, num objecto voador não identificado, muito em voga na época.

Sucesso garantido. Audição deliciosa. No mesmo mês em que saía Never mind the bollocks, dos Sex Pistols e a compilação Decade, de Neil Young.

Em 1979, na senda do disco sound, um novo disco: Discovery. O ovni, transformado em lâmpada de aladino. Conceito de achado. A música, continua na maravilha, com vários temas de luxo, destacando-se Midnight Blue e Need her love.

Em 1981, o último disco com interesse da banda: Time, com dois temas de antologia: Rain is falling e The Lights go down.

Imagem de Eldorado, retirada da Rede; de Out of the blue, retirada de publicidade, na Rock & Folk de Dezembro de 1977.

sexta-feira, 21 de março de 2008

Mais música inglesa

Barclay James Harvest é um dos grupos ingleses cuja primeira audição, em 1974, aconteceu no rádio e no programa Página Um da Rádio Renascença, para mim o programa farol, da divulgação das novidades da música popular, em 1974 e 1975.

O tema Child of the Universe, do LP Everyone is everybody else, passava constantemente, no início de 1975. Tal como Mill Boys e Poor boy blues ou Negative Earth.

A música dos BJH, assemelhava-se a uma versão mais singela e menos pomposa da dos Moody Blues. De tal modo que havia quem os considerasse os Moody Blues dos pobres...

Porém, em 1975, esses temas a que se juntavam os do disco ao vivo, Live, desse mesmo ano, eram um regalo auditivo para os apreciadores das melodias e harmonias simples.

Segundo o animador do programa, Luís Filipe Martins, o disco ao vivo, apareceu na altura, com uma versão em quadrifonia, numa percursão do actual surround sound em 5 ou sete canais.

Ao mesmo tempo que passavam temas de Everyone, repescavam-se outros de discos anteriores, como de Once Again, de 1971. Mocking Bird e Galadriel merecem um ouvido atento.

No final desse mesmo ano de 1975, saiu o LP, Time Honoured Ghosts. Um disco que se escuta do primeiro ao último tema, como alguns dos Moody Blues, não se escutam...

Em 1976, o disco seguinte, Octoberon, já não tinha grande interesse, tirando a última faixa.

Time Honoured Ghosts, foi o disco que recuperei agora, na sua versão original, numa das lojas de Londres.

Na época, o jornal Melody Maker, inglês até mais não poder, ( e já desaparecido de circulação) anunciava o disco do modo que segue.

O mesmo jornal, na contracapa publicava um anúncio que sujava as mãos, com a tinta do jornal, a um disco dos Man, Maximum Darkness. Nunca ouvi esse disco, mas só pelo anúncio, sempre tive vontade disso. Uma guitarra Gibson SG ( a mesma usada, por vezes, por Frank Zappa) e um lettering da capa, a fazer lembrar o ilustrador Rick Griffin, autor do logotipo da Rolling Stone. Para mim, costumava chegar para ouvir um disco. Mesmo que fosse apenas a ler...ou a ver, como é o caso.


quinta-feira, 20 de março de 2008

Música inglesa ( do lado da Escócia)



No Outono de 1978, lembro-me bem de ouvir a música do LP City to City, de Gerry Rafferty.
O disco, vale todo pelas excelentes melodias e produção esmerada. O primeiro lado, ouve-se de fio a pavio, porque todas as canções são memoráveis, como num antigo disco dos Beatles.

Em 1978, Right down the line, fazia o pleno, da melodia com o ritmo e voz açucarada em tom mascavado, de Gerry Rafferty. Baker Street, de saxofone rompante, marca o disco como bem inglês, mas com sonoridades americanas, audíveis na belíssima Island, penúltima do lado dois do LP.

Durante vários anos, andei à procura da versão original do LP saído há trinta anos. Encontrei-o agora nos discos usados de Londres, perto de Portobello e não muito longe de Baker Street. E estou a gravá-lo em cassete, para ouvir como deve ser, quando entender, sem gastar o LP que ficará para gerações a seguir.
Belíssimo disco. Trinta anos em cima, nada lhe retiraram ao prazer auditivo que convoca. Tal como a revisão de Baker Street, tipicamente londrina e que ainda faz lembrar o tema Baker Street Muse, do LP Minstrel in the gallery, de 1975, de outro grande disco inglês: Jethro Tull



As imagens acima, foram retiradas da Rede.

As que seguem, foram retiradas das revistas Crawdaddy e Rolling Stone, da época- Agosto de 1978, um grande mês, de maravilhas inesquecíveis. A publicidade ao disco e o artigo crítico, referem também os Stealer´s Wheel, grupo anterior que gravou três discos entre 1972 e 75, com sucessos como Stuck in the middle with you e formado por Gerry Rafferty e Joe Egan .


terça-feira, 18 de março de 2008

Livros e discos de Londres

O périplo de Londres, pelos locais de livros e discos, precisa de guia. O guia fornecido pelo "filhote" e pelo "ié-ié", foi de utilidade certa, para encontrar os lugares exactos. Tal como em Paris, os sítios de venda de discos usados e antigos, se concentram no Quartier Latin, assim em Londres, se concentram alguns dos mais interessantes, em Notting Hill, com descida para Portobello Road.
Ao sair do Tube, com milhentos turistas em busca do mercado ao ar livre, depara-se logo com a imagem desta pequena livraria:


Bem perto, uma série de lojas do género. Na Soul & Dance, arranjei o disco de Smokey Robinson, Smokey, de 1973;


No mesmo sítio, em loja ao lado, vários discos, vistos pela primeira vez: Maria Muldaur e o Waitress in a donut shop, de 74; Chris Hillman e Slippin away, de 1976; Clifford T. Ward e Mantle Pieces, de 1973. Possivelmente, o disco que contribuiu para a vinda do artista, já falecido, a Portugal, no ano de 1974.
Ainda um disco de 75, dos Barclay James Harvest, Time Honoured Ghosts que contém o tema Titles, todo ele em colagem de letras de canções dos Beatles.
Um outro de 1978, de Gerry Rafferty, City to City e que contém, Baker Street.

Este disco de Gerry Rafferty, a par do London Town, é um dos mais memoráveis desse ano de 1978. Música mainstream, é certo. Perto da pop. Mas sempre presente, quando me lembro da época. Tenho o disco em cd e Lp, numa prensagem posterior. Precisava por isso, da original...


As duas imagens que seguem, mostram os sítios onde me perco, com maior facilidade: só depois de passar a pente fino todos, mas todos, os exemplares à vista, é que abandono o local. E que ninguém fale comigo, nessas ocasiões. Costumam ser momentos de transe. Deliciosos, claro.

Esta imagem que segue, é da livraria Hatchard´s, em Picadilly. As estantes à vista, são todas consagradas à música popular. Organizada por ordem alfabética. Não conheço nada mais completo, em lado algum. E ainda assim, faltam coisas.
A Hatchard´s tem cinco ou seus pisos. Como a Hatchard´s, ou quase, há outras livrarias em Londres. Entrei em algumas. É um mundo que Portugal ainda não conhece.

Os pubs

Os pubs de Londres, segundo me foi dado ver, são locais de grande convívio, alguns em relativo sossego, outros em ruidoso ambiente. A cerveja e também o vinho, branco e tinto, servem-se a rodos. Os copos, por vezes, ficam meio-cheios...
Há vários pubs dignos de visita e que se vêem, à medida que se passeia nas ruas. Este, com imagens, fica em Knightsbridge e a figura de Paxton, lembra o cantor Tom Paxton, em Peace will come.

A cerveja é boa, para quem chega com sede, mas não excede a qualidade de outros lados. Parece que há vários tipos e para quem conhece, alguns lugares de culto. Um deles, será o Lamb, perto de Covent Garden. Procuramos a Rose st, mas não encontramos. Fica para a próxima que o tempo estava de forte cacimbo e convidava, antes, a recolha caseira.
Andar em Londres, a pé ou de autocarro, cansa. Como em todo o lado, aliás. Mas durante horas a fio, sempre a mirar os lugares, feito basbaque deslumbrado, cansa na mesma.




Londres à beira rio

A imagem que segue, tem um corvo no cimo da árvore. Os corvos da Torre de Londres, são célebres. Segundo reza a lenda escrita nos folhetos turísticos, quando saírem da Torre, esta cairá. Enfim, a imagem de um corvo no centro de uma cidade, depenicando na árvore, é algo que só em Londres se vê, parece-me.


No caminho da Tate Modern, com exposição tipo Beaubourg de Paris, encontra-se este lugar de recolha dos aguarelistas devotados. Vale a pena entrar.

Logo a seguir, o Globe Theatre de Shakespeare, com um portão curioso e turistas a monte.


Cidade de Londres



Uma primeira imagem da cidade de Londres, depois de sair do metro de Tower Hill, é da alameda que conduz à rua da ponte da Torre.
Esta torre, é celebrada em disco dos Wings, de Paul McCartney e de 1978, precisamente intitulado London Town e recheado de músicas de grande categoria que agora fazem trinta anos. Um disco de grande referência nas minhas memórias particulares e que serve de introdução a uma pequena série de apontamentos sobre a cidade de Londres, em poucos dias de visita, mas que me deixou embasbacado. Estava à espera de uma cidade com pouco para ver e deparo com um mundo por descobrir.
A minha primeira imagem de Londres, depois de sair do Tube, é esta, mas de noite:
A torre e a barbacã imaginada e a alameda que conduz à casa de onde se pode ver a paisagem que a próxima foto mostra: um dos canais de Londres e que desembocam em marinas pequenas, com barcos que parecem não caber no local nem de lá saírem. Descobrem-se depois as pequenas pontes levadiças que permitem a intersecção dos canais com as marinas. Belíssimo.



Esta imagem, é a primeira do dia, da casa onde ficamos. Mostra um dos canais que segue para as marinas e docas.
As docas, onde param dezenas e dezenas de barcos de grande luxo.



Esta imagem, cliché turístico, concentra o que de específico encontrei no local: o autocarro vermelho, símbolo dos transportes públicos, eficazes, na cidade; a torre do relógio que marca quase meio-dia; os edifícios do Parlamento; as ruas asseadas e os turistas presentes. A roda gigante do Olho de Londres, aparece por trás.


Minus Zero, em Londres

Duas imagens de Londres, do mesmo sítio e de Sábado passado: uma loja de discos antigos, chamada Minus Zero, dirigida por dois indivíduos, um deles chamado Bill Forsyth. O qual manda recomendações para um certo "filhote" que escreve comentários no blog do Ié-Ié.




segunda-feira, 10 de março de 2008

As vozes mais femininas no rock

Linda Rondstadt, é seguramente, outra das vozes femininas que mais aprecio, desde que a descobri, algures nos anos setenta, algumas canções como The Tracks of my tears, do LP Prisonner in Disguise, de 1975 ou The Tatler, do ano seguinte e do LP Hasten down the wind.


Em 1976, a revista Rolling Stone, mostrava-lhe as pernas, belíssimas aliás, em companhia de vários maduros do rock californiano, com sucesso garantido nessa época: Eagles e Jackson Browne.

Foi por isso que os discos seguintes, foram semore interessantes e com músicos de estúdio de grande valor. Living in the USA, foi Lp que comprei , com gosto de ouvir todas as canções, destacando White Rythm n´Blues e Moahmed radio.

Em 1982, o disco Get Closer, foi logo ouvido com todo o gosto porque é a continuação daquele, com músicos e gravações de alto gabarito. Talk to me of mendocino, The moon is a harsh mistress marcam o fim do estilo country rock da cantora. A seguir, música com grandes orquestras e produção de luxo asiático. Desisti, depois de Lush Life, em 1984. E voltei a interessar-me com o disco Trio, de 1987, em parceira com duas outras cantoras da música country- Dolly Parton e Emmylou Harris. Uma grande disco que retomou os temas de country em modo tradicional e em estilo country-pop.

Foi então que descobri que afinal ainda havia outra Linda Rondstadt. A dos tempos recuados dos finais dos anos sessenta. Meia dúzia de discos, com temas do mais alto interesse e de tonalidade completamente diferente dos discos vindouros. Como em long long time.

O Lp Different Drum, de 1974, é o exemplo e Some of Shelley´s blues, a sequência exacta para a canção anterior, Up to my neck in high muddy water. Duas grandes, enormes canções cantadas de modo único e irrepetível, na carreira de Linda Rondstadt. E os anos passaram...

As vozes femininas no rock


Em 1974, uma das canções que me faziam ouvir o programa de rádio Página Um, era Midnight at the oasis. A voz feminina, de Maria Muldaur, era uma delícia de timbre numa pequena maravilha de apresentação sonora.
O solo de guitarra, que dá ênfase ao tema do oasis à meia noite, com inflexões arabescas, tinha a marca de um guitarrista que desde então, está condenado a repetir o célebre solo, como se demonstra no You Tube, à simples menção de Amos Garrett.

O disco, todo ele, merece audição atenta, pela frescura dos temas, todos de empréstimo mas de grande qualidade. A seguir ao oasis, vinha no programa do rádio, o tema "don´t you feel my leg". Mesmo nesses tempos recuados, a voz feminina de Maria Muldaur e a menção à anatomia difusa, mostrava um aspecto importante das vozes femininas no rock: a sensualidade.


domingo, 9 de março de 2008

Canções como chave da vida


Yester me, Yester you, Yesterday, foi a música que me indicou que a voz da pop, também tinha tonalidades de negro. Em finais de 1969, a canção era notória, no rádio da época, bem como o nome que a trazia: Stevie Wonder, preto, cego e de voz inconfundível, atravessou o panorama da pop, saindo do ghetto. Tal como Otis Redding o tinha feito antes com Dock of he bay.

Antes desse ano, já outros negros de alma brilhante, tinham mostrado a verdadeira cor do som: universal. Os Milagres de Smokey Robinson, com The track of my tears e My Girl, tinham mostrado o firmamento perfeito da pop, em anos anteriores, mas não tinham deixado marca no interesse. Idem, para Aretha Franklim ou outras Supremas intérpretes que gravavam para a etiqueta Motown. Idem, aspas, para Percy Sledge, com o clássico When a man loves a woman, ou mesmo com Ray Charles e os seus clássicos das canções modernas de country and western, com uma das canções maiores de toda a música popular: I can´t stop loving you.

Al Green, surgiu depois. Como Marvin Gaye ( What´s going on e Midnight Love) , Curtis Mayfield( Jesus), Smokey Robinson ( Pure Smokey, Warm Thoughts e Being with you) . Prince ( Around the world in a day), Randy Crawford ( Nightline) Roberta Flack ( Feel like making love).

Praticamente, toda a atenção à luz para música pop marcada pela cor, surgiu depois de Yester me, yester you, yesterday, de Stevie Wonder, no início da década de 70.

Em 1973, com Innervisons, estalou polémica entre defensores de Stevie e de mister Brown, James.

Innervisons, é um dos LP´s dos setenta, perfeitos, na música, letra e ambiente. A canção Living for the city, é uma das canções do ano e passava no rádio, com a frequência já modulada pelos tempos novos que se aproximavam a passo de gigante. É uma canção de protesto suavizado pelos instrumentos de Stevie, todos tocados pelo músico, nessa canção.

Em He´s a misstra know-it-all, só baixo lhe falha, embora toda a música seja de grande luxo, com uma melodia bem achada.

A guitarra acústica de Dean Parks, faz jus a uma boa aparelhagem nas subtilezas de Visions.

Que tinha James Brown a propôr nessa época? Funk. Baixo e ritmo, em cadência dançante. Com força de voz e inflexões de sexo em modo maquinal.

A música de James Brown, seduziu-me uma vez e de modo curioso, já nos anos oitenta. Num acaso de rua, calhou ouvir Sex machine, a passar, num carro com as janelas abertas e o som de muitos watts, a saltar pelos forros e portas fechadas. O poder do baixo, alimentado a amplificadores de grande potência, fizeram-me estancar e ouvir por alguns momentos um dos sons mais poderosos que até então ouvira. E desde então, nunca mais ouvi igual e percebi nesse momento a magia do som de Brown.

Por isso, em 73, Innervisions era superior a Brown, nos meus ouvidos. Três anos depois, em 1976, Stevie Wonder publicava a sua obra prima absoluta: Songs in the key of life. Um opus magnum, em duplo Lp, com Ep junto e canções de luxo em repetição, desde a primeira faixa, Love´s in need of love today, até à última, Another Star. Não há uma única canção no duolo LP que seja de qualidade menor. 17 canções, mais quatro de bónus, de um disco único na discografia pop.

Songs in the key of life, de 1976, é um disco de um génio da música: Stevie Wonder.



sábado, 23 de fevereiro de 2008

Sangue, suor e lágrimas para chegar a Chicago

( imagem da contracapa do disco de 1968 dos B.S.& T, reduzida às dimensões de um scanner A4)

A introdução do primeiro tema do álbum B,S & T, de 1968, é uma variação sobre tema de Satie, começa com flautas e guitarra clássica e dura uns segundos, até se ouvirem os metais que conduzem a sonoridade de todo o disco, dominado ainda pela voz de David Clayton Thomas. Foi este o disco mais vendido do grupo, segundo consta.

O disco soa mais próximo do jazz, do que do rock, o que se torna evidente no tema seguinte, Smiling Phases, com grande partes instrumentais, envolvendo metais e teclados e umam secção rítmica omnipresente. A balada Sometimes in winter, com flauta misturada em metais, nem parece dos B, S & T.mas de uns Love. Mas o tema seguinte, More and More, reconduz ao suor do grupo, sem qualquer lágrima e com um solo de guitarra de Steve Katz. A harmónica de And when i die, introduz apenas um arremedo de gospel, bem arranjado que deu em single de sucesso. O último tema do lado A do disco, God Bless the Child, é Chicago Transit Authority, avant la lettre e soa a Ray Charles.

O lado dois, abre com a Spinning Wheel. O que sobe tem de de descer, por isso, sendo este um dos singles de êxito do grupo e que dá imediatamente lugar ao seguinte, no alinhamento do disco: You´ve made me so very happy. Uma balada soul, que atingiu os tops de vendas, mas sem a delicodoçura do tema dos Chicago dali a quase dez anos, If you leave me now. Um rebuçado de mentol e um bombom de chocolate belga, é essa a diferença de sabor entre os dois sons.

Depois desses três singles de sucesso, quase concentrados em sequência no disco, aparece um tema extenso, jazzístico e bluesy, que lembra por vezes James Brown, tendo depois, a rematar, um som de flautas que recordam a música folk, progressiva, dos ingleses de Cantuária.

Em seguida a esse disco grande do grupo do Sangue Suor e Lágrimas nada mais ouvi que me fizesse ansiar por mais, dessa música sofrida.

Prefiro por isso os primeiros onze álbuns dos Chicago. Todos, mesmo o quádruplo ao vivo( o IV), gravado no Japão e uma novidade para o mercado da época.

Em 1971, no entanto, quando já tinham saído três discos do grupo, os encómios eram de monta, em todo o lado. Até por cá, o jornal Disco , música & moda, da edição de 1 de Setembro desse ano, se pronunciou, pela pena de José Pessoa . Fazendo o paralelo entre os dois grupos, em relação aos quais, havia uma "certa guerra entre os apreciadores", escrevia que considerava os B,S,&T um grupo menos “comercial” do que os Chicago e acrescentava algumas considerações sobre o jazz da época, a transição para o rock e escrevia sobre Miles Davis e Tony Williams e o uso extenso das baterias como factor rítmico importante, nesse tipo de música (na imagem abaixo, vem parte do texto, onde se consegue ler o que José Pessoa pensava, do panorama musical português da época).

Provavelmente, no entanto, não lhe disseram quanto teria já vendido o segundo disco dos Sangue Suor e Lágrimas. Certamente muito mais, em comparação com o primeiro do Chicago Transit Authority, saído no ano seguinte.

Quem ouve este primeiro disco dos Chicago, produzido pelo mesmo indivíduo dos Blood Sweat an Tears, James William Guercio e com o mesmo engenheiro, Fred Catero, nota logo uma semelhança flagrante, no uso extenso dos metais, no ritmo batido e nas inflexões jazzísticas. O disco dos Chicago, porém, só tem um single de relevo: I´m a man. Mas tem Prologue, seguido da magnífica Someday. Com ruídos de rua. De manifestações. Em 1969...

Era esse o som dos Chicago, dos anos seguintes. Se o primeiro dos Chicago fica atrás do segundo dos B.S.& T., os dois álbuns seguintes dos Chicago, o II e o III, duplos, dão-lhe água pela barba, em todos os temas.

Esses dois discos dos Chicago, são de qualidade superior e nem precisam dos singles de sucesso que foram Make me smile, 25 or 6 to 4, ou ainda Colour my world ( embora esta seja das minhas preferidas de sempre, dos Chicago, no capítulo dos slows para baile de Sábado à noite...), do disco II. Deste, prefiro logo os dois primeiros temas e até o último, incluindo a suite que imita a imitação de Satie.

Do III, então, nem se fala: An Hour in the Shower, vale uma boa parte do primeiro lado do disco dos BS&T e What else can i say, a terceira do lado A, nos meus ouvidos, valem bem You´ve made me so very happy. Até tem pedal steel guitar...