domingo, 25 de novembro de 2007

Boas Vibrações

Nos anos setenta, enquanto em Portugal se publicava o Disco, música & moda, a Mundo da Canção e mais tarde, a Música & Som,na vizinha Espanha, onde a peseta custava menos de metade de um escudo, publicava-se uma revista de música popular a sério e comparável com as europeias e até americanas: a Vibraciones.


sábado, 24 de novembro de 2007

The Best

Entre as revistas de música popular, da década de setenta, publicadas em França, havia a referência Rock & Folk e ainda a Best. Esta, mais centrada em ilustrações de página inteira, ficava uns bons pontos abaixo daquela, no que respeitava à qualidade de escrita e no aspecto gráfico. Ainda assim, alguns artigos justificavam a compra. Por exemplo, destes números.

Um, com as imagens da tournée dos Rolling Stones, pelos USA, em 1975 e outro com um historial dos Led Zeppelin, de 1976, por altura da saída do LP Presence.






















Na Best de 1976, está publicada uma foto de Jimmy Page, a tocar viola acústica. Uma foto belíssima em que a viola parece soar ao vivo, adivinhando-se o som Martin dedilhado pelo músico. No número de Dezembro de 1975, a par de uma história de David Bowie, apareciam quatro páginas com letras de temas dos Van Der Graaf Generator, um dos grupos que então mais apreciava, o que se manteve ao longo destes anos, aliás. A primeira vez que li a letra de Man-Erg ( Killer, lives inside me...) foi nesse número e em francês. Segundo a tradução do crítico é um hino à esquizofrenia. Um hino, é um modo de dizer em francês...
A foto dos Van Der Graaf, a primeira que me era dado ver do grupo de rock, foi destacada para colecção. Voltou tempos depois, ao lugar original. Este que se mostra.





quinta-feira, 15 de novembro de 2007

A nova ordem da divisão da alegria

O primeiro disco que comprei, com dinheiro ganho por mim, foi escolhido literalmente a dedo. Foi em 1981 e entre as várias escolhas possíveis, foi o LP Movement, dos New Order o que começou a rodar no prato Dual, num som ainda longe da perfeição, mas muito melhor do que qualquer arremedo sonoro, de mp3 actual.

Os New Order de 1981, seguiam-se aos Joy Division, bem publicitados por cá, por um Miguel Esteves Cardoso que sobre eles escrevia, de Manchester, lugar original da banda de Ian Curtis, que se suicidou em Maio de 1980.

O lugar da escrítica era na altura O Jornal, onde na edição de 11.11.1980, foi publicada a crónica crítica sobre o disco Closer, o último da banda, depois de Unknown Pleasures, o primeiro, depois dos singles que marcaram a época, como Love will tear us apart, publicado já depois da morte de Ian Curtis, tal como o LP Closer, aliás.

Em Portugal, nessa época, os Joy Division eram um grupo conhecido, mas ainda pouco divulgado a não ser pelas crónicas ditirâmbicas de MEC. Em 23.10.1981, também no O Jornal, publicitava o álbum duplo, Still, uma recincidência do artigo publicado em 21.10.1981, no Sete, sobre o mesmo disco; em 30.9.1981, no Sete, escrevia sobre os New Order, de Everything is gone green, o primeiro single antes do primeiro álbum; em 11.12.1981, mais um artigo no O Jornal, sobre a música dos Joy Division e a indicação de que Ian Curtis, com 23 anos, gostava de Kafka e Herzog. Curiosamente, também na mesma época, o cineasta alemão era dos meus preferidos, depois de ter visto O Enigma de Kaspar Hauser.

Não há dúvida: se alguém, em Portugal, publicitou a banda de Manchester, foi precisamente Miguel Esteves Cardoso, na altura, emigrado em Manchester.

A sonoridade Joy Division, para dizer a verdade, nunca me passou nos carretos sonoros, com a mesma intensidade da escrita de MEC, na altura. Mesmo assim, o som seco da bateria, acompanhado pela guitarra em fuzz permanente, com a electrónica dos teclados e a voz grave e triste de Ian Curtis, era um eco que então se escutava com alguma atenção. Além do mais, as capas dos discos, eram talhadas ao milímetro por um artista do design, Peter Saville, que associava o novo ao antigo, o clássico à arte contemporânea.

A capa de Movement, o primeiro LP que comprei, foi uma escolha estética também por causa disso, porque o objecto sóbrio e de cores limpas, desenhava um traço já visto noutros lados, mas nunca em disco de música popular.

A música dos New Order, eminentemente electrónica, tornou-se cada vez mais pop e por alturas do Lp, Technique, de 1989, já nem se distinguia de outras aventuras electro pop. Não obstante, o LP Power, Corruption and lies, de 1983, ainda conserva o encanto das descobertas sonoras dos anos oitenta. Das poucas que ainda eram possíveis nessa época.



























Imagens: Capa e contra-capa do Lp Movement, original e prensagem portuguesa da Vimúsica, Lda, de 1981.; NME de 20.4.2002( cinquentenário do semanário inglês de música popular) e O Jornal de 11.11.1980.

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

O professor Xavier e outras histórias

A imagem do disco de Manuela Moura Guedes, no blog do Ié-Ié, lembrou-me a existência de um disco gravado em 1983, em duplo single, por um grupo efémero chamado Clube Naval, de uma mítica Fundação Atlântico, orientada por Miguel Esteves Cardoso, até aí escrítico de música no O Jornal, Sete e afins.
O disco é uma gracinha, glosando o tema equívoco das relações professor-aluna, numa época precisamente em que também dava aulas e me dava conta das subtilezas no trato que um professor deve assumir, para não cair em tentações escusadas.
A música é simples, o arranjo também, da autoria de Ricardo Camacho, mas é um tema pop com muita graça e leveza que faz um bom disco, porventura completamente esquecido. Foi gravado em Paço de Arcos, por Tó Pinheiro da Silva.
E serve às mil maravilhas para introduzir os anos oitenta, e as descobertas de então.























domingo, 4 de novembro de 2007

Etiquetas

A pequena história destas duas etiquetas de calças de ganga, do início dos anos setenta, pode ser lida nas Rapsódias do Mundo Moderno.

A roupa e a moda, sempre foram, a par da música popular, um dos motivos de interesse da malta nova. De agora, como dantes. Os símbolos da moda, em todo o lado, marcaram o sucesso efémero de marcas. Algumas continuam, outras acabaram. Outras ainda, apareceram de novo.
A roupa de ganga, particularmente as calças e blusões, foram adquirindo, nas décadas de sessenta e seguintes, do séc XX, um significado cultural que permitiu um nivelamento do gosto na moda do vestuário. A qualidade natural do algodão, aliada ao conforto de uso de vestuário casual, permite um uso generalizado e apetecido.





















Em função dessa generalização do gosto, a publicidade utilizou ainda esses símbolos para dar mensagens de outros produtos, como o tabaco. Este anúncio, dos anos setenta, simboliza o "Marlboro man", tão combatido nos anos noventa, na América de Clinton. Esta imagem, no entanto, mostra a cor da ganga já desbotada pela prè-lavagam industrial.


Os anúncios a tabaco, sempre disputaram a atenção do consumidor, com artifício variados. Para mim, o slogan "I´d walk a mile for a Camel", era perfeito. Em meados dos setenta, procurei este maço particular do tabaco americano, com gosto turco. O anúncio é da mesma época.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Musician para músicos e leigos

No início dos anos oitenta, a curiosidade a propósito de outras revistas de música, levou à descoberta de uma das melhores que nessa altura se publicavam: Musician-player & listener, surgiu em 1980 e acabou no fim do milénio, em 1999.
Ligada à editora da Billboard, órgão oficioso da indústria da música americana, a Musician, de Boulder, no Colorado, durante quase vinte anos, publicou o que a Rolling Stone já não publicava e a Crawdaddy já não podia: o ponto de vista dos músicos, de um modo associado à música, mais do que ao espectáculo. Talvez por isso, alguns escríticos da Rolling Stone, passaram a escrever na Musician. Casos de Timothy White, Charles M. Young e David Fricke.
O primeiro número que chamou à atenção foi o de Fevereiro de 1982, com esta capa e a entrevista com Ringo Starr. O seguinte, trazia Miles Davis, na capa e também Little Feat. Ninguém, nessa altura misturava assim os géneros. Nem a Guitar Player ou a Downbeat
























quarta-feira, 31 de outubro de 2007

Mais rapsódias

Foram reactivadas as Rapsódias do Mundo Moderno. São essencialmente histórias de revistas da infância e adolescência, para não ficarem esquecidas nos arquivos de papel. Cada revista é um mundo.

segunda-feira, 29 de outubro de 2007

O Record americano

No início dos anos oitenta, por volta de 1982, a revista Rolling Stone, dedicava as suas capas cada vez mais aos assuntos do cinema. Pelo menos metade delas, nesse ano, foram para filmes e artistas dos movies. Talvez por isso, paralelamente, formou-se um jornal, à moda antiga e dobrado na maneira inicial da revista que começou como jornal que se dobrava para mostrar a capa em meia página e a outra meia para a publicidade. O jornal novo, saído das edições Straight Arrow , a editora da RS, tomou o nome de Record.
Durante o ano de 1983 arranjei alguns números, por causa da escrita de Dave Marsh, numa coluna que trouxe da Rolling Stone: Americam Grandstand.
Os números de Junho e Agosto de 1983, tinham estas capas e desdobravam-se também naquele modo particular para assumirem o formato de jornal tablóide:
























domingo, 28 de outubro de 2007

A Crawdaddy

A revista Crawdaddy, americana, foi a primeira revista a sério, sobre a música popular de expressão anglo-saxónica, com incidência no rock e na contra-cultura dos anos sessenta. A indústria musical tinha a Billboard e a Cashbox. Na Inglaterra havia jornais, como o Melody maker e o NME. Nos EUA, a Crawdaddy, foi a primeira do género. Saída em 1966, o seu fundador foi um estudante, Paul Williams e a história foi recordada no número do décimo aniversário, em Março de 1976, quando já nem dirigia a revista. Ficam aqui as três páginas do artigo assinado por John Swenson. A primeira vez que comprei a revista, foi em Coimbra, em Fevereiro de 1976 e tinha a capa que segue, com Paul Simon e um artigo de sete páginas, com entrevista ao músico, então com 34 anos, a propósito do disco Still crazy after all these years.

A revista foi, durante dois anos, uma irmã gémea da Rolling Stone, nas minhas preferências e uma das referências em leituras sobre a música popular e não só. A provar, o artigo que se apresenta sobre política...portuguesa, na segunda metade dos setenta e no PREC em particular.
No número do décimo aniversário, o editorial de Peter Knobler, explicava o significado da música rock, de então.





























































No número de Junho de 77, duas páginas sobre o PREC português, escrito de um ponto de vista liberal, à americana.





















A Crawdaddy de Abril de 1977, trazia uma reportagem desenvolvida sobre os Eagles, na senda da divulgação do LP Hotel California. As fotos, essas, são de antologia.


sábado, 27 de outubro de 2007

As capas da Rolling Stone

Em 1974, a revista Rolling Stone, publicava-se a cores, desde o ano anterior. Segundo conta o seu fundador, Jann Wenner, no livro comemorativo dos 30 anos da revista, com a reprodução de todas as capas até então, o logotipo foi desenhado por Rick Griffin, um artista de cartazes psicadélicos de S. Francisco, lugar onde a revista nasceu, antes de se mudar para a costa leste dos EUA, mais tarde.

A primeira imagem que vi da revista, indicada na página da National Lampoon, foi precisamente o primeiro número em que a revista saiu com a capa em quadricomia, em 25.2.1973. Uma imagem de Bette Midler, a que se seguiu um número com Mick Jagger na capa, numa das melhores capas da revista, fotografada neste caso por Annie Leibowitz, autora de inúmeras fotos que fizeram a capa, incluindo a de 22 de Janeiro de 1981 que conseguiu o prémio de melhor capa de revista americana, dos últimos 40 anos, há um par de anos atrás. Annie Leibowitz, em dez anos e até 1983, altura em que deixou a revista, foi a autora de fotos em 142 capas.

O logotipo da revista foi graficamente aprimorado e mudou de forma ao longo dos anos, em três ocasiões. A primeira, com o número 180, de 13.2.1975, em que passou do efeito caleidoscópico, algo psicadélico do corpo das letras, para a cor opaca e sem debruados. Este formato mais simplificado, durou até ao décimo aniversário da revista. Em 15.12.1977, o logotipo simplificou-se ainda mais e cortou os rebites, mudando a forma das próprias letras. O logotipo, desenhado desta vez por Jim Parkinson, foi entendido, por Jann Wenner, como uma modernização. Nesse número, o design gráfico já entregue aos cuidados de Roger Black, tipógrafo de formação e que já vinha de Abril de 1976 ( e que ficou até 1983) , ganhou a colaboração de Bea Feitler que tinha vindo das revistas Harper´s Bazzar e Ms. ( uma revista feminista e com capas de grande qualidade artística). Foi nesse período, que em 26 de Janeiro de 1978, Bob Dylan apareceu na capa da revista, numa foto de Annie Leibowitz, com uma entrevista de Jonathan Cott que a revista portuguesa Música & Som publicou por cá, em dois números.

O novo logotipo aguentou desta vez, mais 3 anos. No número de 22.1.1981, o tal com John Lennon fotografado dias antes de morrer, mudava para a concepção anterior dos debruados e redobras literais, numa alteração aprovada por Jann Wenner depois de ter ouvido as críticas de Mick Jagger a propósito da beleza do logotipo antigo por contraposição ao moderno.

Nesta altura, nos anos oitenta a revista tornara-se já uma instituição, conservadora de certos respeitos e leniente nas críticas, renegando o espírito inicial de alguma contra-cultura herdada do espírito dos sessenta.

Em 10 de Agosto de 1978, a revista publicava uma crítica ao disco dos Rolling Stones, Some Girls, assinada por Paul Nelson. Em três colunas, o crítico negligenciava a beleza artística do disco com considerações como esta: “ levou-me algum tempo a compreender que a chave para representar como actor, é a honestidade- contou um actor ao antropólogo Edmund Carpenter. Quando se descobre como falsificá-la, está feito”. Esta passagem referia-se à comparação entre o LP e o antigo Exile on Main Street, considerado como o paradigma da música dos Stones.

No número seguinte, assinado por Greil Marcus, um dos maiores críticos da música popular e autor de livros de referência nesta matéria, aparecia a apreciação do disco de Bob Dylan, Street Legal.Entristece-me dizer que não partilho da opinião do meu colega Dave Marsh, quando diz que o último disco de Dylan, é uma “piada”, ou de qualquer forma, uma boa piada. A maioria do material, aqui, é ar saturado ( dead air) ou perto disso. (…) Bob Dylan nunca soou tão a falso. Claro que Dylan já publicou maus discos, antes; mas Solf-Portrait tinha Copper kettle, New Morning, Sign on the window, Planet Waves, Wedding Song e Desire, Sara. O colapso do timing em Dylan assegura-nos que já não subsiste nenhuma dessas estranhas pérolas, por aqui”.

Estas duas críticas, mereceram de Jann Wenner uma atitude inédita, dois números a seguir: uma crítica aos críticos, em que se escrevia que as crónicas de Marcus e Marsh eram ataques “ad hominem”, refazendo a honra perdida dos dois músicos, justificando-a com esta observação judiciosa: Discussões críticas – históricas, sociais e morais- que acabam por andar à volta do ponto sobre as coisas já não serem o que foram, são inúteis. Dizer o contrário, é negar o envelhecimento do observador e do observado e ignorar o factor da mudança.”

A partir desta altura, mais ou menos, o interesse nas novidades da música rock começou a desaparecer.

























sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Um logotipo de sempre

Aí para baixo interrogava-me em que altura terei dado com uma imagem da revista Rolling Stone, pela primeira vez. Acho que foi aqui, nesta página tirada da revista National Lampoon, de Junho de 1974.
A revista Rolling Stone, ao longo da década de 70 e até meados da seguinte, foi sem dúvida, a revista mais importante sobre música popular anglo-saxónica que me foi dado ler. A imagem da direita, precisou de retoque no insert da revista, porque a recortei para fazer parte de uma colagem.


quinta-feira, 25 de outubro de 2007

As publicidades americanas nos anos setenta

As publicidades nas revistas americanas dos anos setenta, eram simplesmente de admirar. Fose a cigarros, carros, motas ou aparelhagens de som, as fotos texto e ilustrações de algumas delas marcaram esse tempo e deixaram recordações artísticas. A seguir, ficam algumas das que marcaram mais numa das revistas que comprava em 74, 75 e 76, quase, quase, só por causa da publicidade e das ilustrações: a National Lampoon.

A publicidade a discos, como a banda sonora do filme Nashville e o Lp de Bob Dylan, Before the Flodd, em finais de 1974, por exemplo.





















A publicidade aos sistemas de hi-fi, japoneses. Um gravador de cassetes, com indicação do preço em escudos, na época...





















E a publicidade às fitas magnéticas, em cassete e em cartucho ( formato interessante que desapareceu completamente e que permitia um acesso rápido às faixas, com uma melhor qualidade de som que as cassetes). As primeiras gravações que efectuei, num gravador um pouco melhor que o mostrado, usavam também as fitas Basf, alemãs, que ainda perduram e soam mais ou menos bem.

As publicidades nos sessentas e setentas

Luís: "catch me, if you can!"





















Imagens: Selecções do Reader´s Digest de Junho de 1966 e Fevereiro de 1971