domingo, 28 de junho de 2009

Neil Young, Arquivos, vol. I



A caixa com os Archives Vol. I. de Neil Young já canta por aqui. Em Blu-ray, cuja musicalidade é mais perfeita, incluindo mais notas e transitórios que as versões em cd ou mesmo dvd "normal".
A caixa é uma espécie de arca de aliança com os admiradores de sempre de Neil Young: uma retrospectiva da carreira musical de Neil Young, desde os primórdios até 1972, com um livro encadernado num material plastificado que empresta um cheiro característico ao volume de 236 páginas.

O recheio do livro constituiu-se integralmente por fotos de Neil Young, desde a infância e adolescência escolares, até à idade da música, em grupos e a solo; por artigos de jornais em facsimile e fotos dos papéis onde escrevinhou uma boa parte das letras originais das canções dos discos, até 1972, data limite da recolha neste primeiro volume do arquivo sonoro de Neil Young. Fotos profusas dos grupos por onde passou, desde os primórdios até aos CSN&Y, com as capas dos discos e anúncios de um ou outro concerto.
Destaque para os acontecimentos na Universidade de Kent, em Maio de 1970 e que inspirou o tema Ohio, com a letra original escrita a marcador vermelho, num papel amarelecido pelo tempo. As últimas 50 páginas do livro são dedicadas ao elenco de todas as faixas musicais deste primeiro volume dos arquivos, com indicação da datra, título da canção, artista que a executa, local da sessão, produtor, original, mistura ( master, inédito não gravado, remistura, etc) e formato.

Os discos, 10 nesta versão Blu-ray, a que se acrescenta mais um, separado em caixa própria, com o concerto Sugar Mountain, já editado em cd e dvd (a caixa dentro da caixa é tipo cofre de jóias em cartão duro, contendo um cartão, com código de acesso à net para descarga de todas as canções em mp3 e actualização dos Archives; tem ainda um pequeno bloco de notas, verdadeiro e com logotipo do Whisky a Go Go) aparecem acondicionados em duas caixinhas ligadas entre si e que se dobram para se inserirem em ranhuras especialmente desenhadas para as introduzir no pequeno caixote, a par da ranhura onde se guarda o livro e ainda se anicha o desdobrável com mais de um metro de comprimento e onde se simula um arquivo clássico por fichas que aparecem reproduzidas depois no menu do monitor ( todas as canções são acompanhadas por pequenos filmes de animação muito bem engendrados, com a simulação de um gira-discos, a rodar o disco em caisa e em imagem quase hiper-realista que o Blu-ray lhe confere, de um gravador de bobines ou outros media ( cassete 8 ou cassete simples) que simulam a execução da canção parecendo que o som provém desses meios de reprodução em vez do leitor de Blu-ray. O efeito é fantástico de realismo e a cor ultra definida.
Num dos temas ( Music is love, pelos CSN&Y), sobre o disco em vinilo que roda no gira-discos em tamanho real, simulando em video a reprodução sonora que se ouve, pode ver-se nitidamente, algumas partículas de pó a dançar, por força da estática, por cima do vinil, num realismo que só uma iluminação cuidadosa confere, numa reprodução real. Hiper-realismo, portanto.

Quanto à qualidade sonora, tenho que reconhecer que ultrapassa a do vinil, pelo menos com os discos e aparelhagem de que disponho. É de uma suavidade e equilíbrio dinâmico que me reconduz à admiração desta nova maravilha técnica. Mesmo em simples stereo, sem uso da facilidade de som multi-canal, a qualidade é estonteante e evidente. Indiscutível e um passo em frente na reprodução sonora e facilidade de manusear o material.

A par dos discos em puro som, que se pode ouvir, acompanhados pelas imagens semi-estáticas alusivas ao meio de reprodução, as caixinhas guardam ainda registos de concertos já publicados noutros media ( DVD e cd), como sejam os de uma gravação ao vivo em Toronto, em 1969; o disco ao vivo no Fillmore East, em Nova Iorque, em 1970; o disco ao vivo no Massey Hall, em Toronto, 1971 e ainda um disco com o filme Journey Through the Past, inédito. O disco bónus, como disse, é o do concerto ao vivo Sugar Mountain Live at Conterbury House 1968, apresentado em cd audio e em dvd video "normal".

O caixote abre por cima, com uma tampa que descobre o conteúdo. As duas caixinhas dos discos Blu-ray, entram direitinhas na ranhura respectiva e desdobram-se para deixar tirar os dez discos que lá estão, com capas idênticas ás dos cd´s e dvd´s já publicados, em edição avulsa ao longo destes últimos tempos e com a referência a Archives.

Para além das canções conhecidas, os dez discos apresentam ainda uma série de 60 inéditos, entre canções, entrevistas e pequenos temas. Além disso, cerca de uma dúzia dessas canções estão "escondidas" ( mas sinalizadas...).

E pronto. Está apresentada a caixa do Vol. I dos Archives de Neil Young. Vale a pena e vale cada euro que custa.

quarta-feira, 3 de junho de 2009

A BD portuguesa

A banda desenhada portuguesa nunca foi algo que se visse, com vontade de rever, como é o caso da franco-belga.

Nos anos setenta, ainda se ouvia falar em Eduardo Teixeira Coelho ou Vítor Péon, no Jornal do Cuto.
Em 1975, surgiu então uma revista, intitulada Visão, dirigida por Vítor Mesquita. Esta. Não foi a pedrada no charco que se esperaria nem durou muito tempo. Mas foi a primeira tentativa por cá, de se fazer o que lá fora, pela Europa, se fazia já há muitos anos. Até em Espanha.