domingo, 27 de janeiro de 2008

O country do rock ligeiro da América.

Alguns nomes da música rock com sonoridade country, na América dos anos setenta, merecem atenção de ouvintes esclarecidos, porque a música de hoje, não tem paralelo com algumas das suas produções.

Por exemplo, Don Williams. O crooner da country, de voz barítona, nos anos setenta, produziu alguns êxitos que lhe valeram um destaque no panteão country pop, com relevo para The Shelter of your eyes ( 1973) , aqui em versão You Tube; Ghost Story ( 74) , You´re my best friend (1975) e I Believe in you, em 1980.

Foi com esta última cançoneta, I Believe in you, aqui em versão do YouTube que comecei a procurar discos de Don Williams e encontrei este que é simplesmente uma compilação de êxitos, com uma capa de antologia.













Outro que segue na mesma senda de descoberta tardia, apenas nos setenta, embora com memórias antigas, é Hoyt Axton.

Na mesma um barítono na voz, o disco que me conquistou para a audição, foi ouvido pena primeira vez na rádio, na altura em que saiu. É um disco publicado em Portugal, em 1977, um dos melhores desse ano e chama-se Road Songs que contém pérolas sonoras como Boney Fingers, acompanhado a guitarra dobro e steel, de Jeff Baxter; Lion in the Winter, Lay Lady Lay ( versão YouTube) e No No Song e ainda a pequena maravilha, In a young girls mind. Isso para não citar a antiga Della and the Dealer, aqui em versão YouTube

Em 1978, o disco publicado em cd, Free Sailing, contém Honky Tonk Music e o título tema. Em 1998, um duplo cd recolhe as melhores gravações de Hoyt Axton para a A&M. Em 1990, um cd recolhe as gravações do espectáculo ao vivo Bread and Roses, de 1977, com intervenções ao vivo de Hoyt Axton e outros.
Ainda mais um, Michael Murphey. Agora conhecido como Michael Martin Murphey. O disco de 1974, homónimo, serve de referência básica e fundamental, por causa de uma única canção: Southwestern Pilgrimage, ouvida vezes sem conta, num vício sonoro raro e de poucos mais exemplos ( um deles, é Third World man, dos Steely Dan e outro ainda Roy Rogers de Elton John e outro ainda, Panam Red, dos New Riders of Purple Sage).

O disco de 74 não se encontra referenciado em foto, em lado algum na Rede, nem sequer no site oficial do cantor. Por isso, fica aqui a imagem possível, apanhada num scanner A4.














Estas canções pop, tingidas de country e com sabor a pradaria dos filmes de cowboys, podem bem ser uma belíssima banda sonora, de um romantismo de nostalgia segura. Outros nomes se lhes poderiam associar, como os New Riders of purple sage ou os da Pure Prairie League.

Daqueles da saga púrpura, a canção Teardrops in my eyes e destes, da Liga da Pradaria, algo dos seus discos patuscos com o cowboy dançante.

Ainda assim, para cantar à lua ou apresentar em serenata em tempo de paixão, retomaria como antológicas, em primeiro lugar, as de Don Williams, I Believe in you e In the shelter of your eyes. Logo de seguida, atacava com Lay Lady lay, como deve ser e In a young girls mind de Hoyt Axton. Para terminar a serenata romântica, Southwestern Pilgrimage, de Michael Murphey.

A sequência seria irresistível. Cinco canções. Cinco tiros directos ao âmago do romantismo, como eu gosto.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

Ilustrações

Três ilustrações fabulososa, à solta por aí, na Rede, da autoria dos americanos Norman Rockwell ( a primeira) e Frederic Remington .





domingo, 13 de janeiro de 2008

Rocking the jazz

Ouvir música no rádio, nos anos setenta e ainda em parte dos oitenta, trazia algumas vantagens. Uma delas, era a possibilidade de sermos surpreendidos por sons desconhecidos até ao momento. Pequenas passagens sonoras, frases musicadas em instrumentos particulares que atingiam o ouvido interno de modo perene.

Uma das descobertas mais interessantes dessa época, foi o jazz tocado em fusão com o ritmo de rock ou a atitude do rock n´roll.

Os discos e música jazz, raramente me conduziam à atenção aos sons. O predomínio do sax ou de outros instrumentos de sopro, ondulado em frequência modulada, deixavam-me indiferente. Miles Davis ou Charlie Parker, nunca lograram mostrar-me sonoramente, paisagens de lirismo ou de embalo, suficientes para me convencerem a escutar os seus discos. Num ou noutro passo, prestei alguma atenção a marimbas ou vibrafones, instrumentos de percussão rápida e também com assento em alguns grupos de rock, por exemplo nos de Frank Zappa.

A fusão do ritmo jazzístico com as batidas de rock, tiveram em Zappa um dos seus cultores de vulto, com o disco Hot Rats, muito badalado, quando saiu em finais de 1969. Gravado em 16 pistas, quando o corrente eram as oito da praxe, Hot Rats tornou-se um clássico merecido, do rock fundido com as entoações jazzísticas. Outros que nunca se esqueceram de misturar sonoridades de metais soprados, com ritmos de bateria e guitarras, bem tocadas, foram os Chicago, logo no começo, no início da década de setenta.

Não obstante, foi apenas no final desses setenta que o interesse nesse tipo de sons, me conduziu a ouvir com atenção certos grupos e compositores.

Quando em 1975, apareceu o LP Journey to Love, de Stanley Clarke, um baixista que fraseava o trecho de abertura, Silly Putty, encadeando-o com solos de guitarra de Jeff Beck, a chama que alimenta paixões instalou-se. Antes, tinha havido lampejos de música de fusão, com os Mahavishnu de John McLaughlin, sempre incensados na revista francesa Rock & Folk, mas o clic, deu-se com Stanley Clarke, porque Journey to love, é um disco maior, principalmente ouvido em LP ( mesmo prensado pela Rádio Triunfo). E onde aliás, participa o mesmo McLaughlin, a tocar guitarra acústica, acompanhado ainda de outro ás do rock no jazz, Chick Corea, em piano acústico, numa composição belíssima de inteiro tacto acústico, intitulada precisamente Song to John, dedicada a John Coltrane.

Esta sonoridade subtil de Stanley Clarke, levou-me a querer entender mais do jazz declinado em atitude rock, o que me conduziu a Larry Coryell, de The restful Mind, com pérolas sonoras inclassificáveis; Terje Rypdal, com What Comes After e aos discos alemães da ECM, com destaque para os de Pat Metheny.











Antes, porém, fruto de audições de rádio espanhola, com indicativos musicados e sem palavras, ouvi três discos de Spyro Gyra, bem destacados da sonoridade etérea e de flautas e oboés, de Terje Rypdal.

Os discos da Spyro Gyra, todos batidos a instrumentais, em metais e ritmo funky, dos anos oitenta, ostentavam títulos como Sripes ( de Incognito, de 82) com harmónica tocada por Toots Thielman e baixo de Marcus Miller, com bateria de Steve Gadd ou Foxtrot, do LP Carnival de 1980.

Esses temas, serviam para separar músicas de outros modos e tocavam por vezes em contínuo em emissões totalmente instrumentais, como por exemplo, na Semana Santa, da Rádio Renascença que passava sempre continuadamente, música instrumental, muitas vezes de fusão e jazz rock.

Serviam ainda para experimentações de novos instrumentos como o Lyricon ( uma espécie de sintetizador de saxofone), utilizado no LP Incognito dos Spyro Gyra, pelo saxofonista Tom Scott, tendo sido usado pelos Weather Report, precisamente em Black Market, no tema Three Clowns.

O Weather Report, nos seus discos dos anos setenta e oitenta, dava sempre bom tempo. Com Wayne Shorter, a soprar saxofones ( e tem um disco de 1975, com Milton Nascimento, intitulado Native Dancer), Jaco Pastorius, no baixo sem trastes, sempre num jogo de brilhante deslize sonoro, os Weather Report, eram liderados pelo austríaco Zawinul, mestre dos teclados, falecido no ano passado.

O disco Black Market, seguia-se a Heavy Weather, tendo outros de valor idêntico. Jaco Pastorius, também já falecido, é autor de dois discos a solo, notáveis e colaborou depois com Pat Metheny e Joni Mitchell, num disco ao vivo ( Shadows and Light), após Hejira, dos anos setenta.













Na sequência destas sonoridades híbridas, produzidas em estúdios de músicos seleccionados pela categoria profissional de nunca errarem nas notas das partituras que lhes colocam à frente ou com parâmetros pré-definidos, acabei por esbarrar num música de guitarra ligeira, com músicas cativantes ao ouvido: Earl Klugh. Primeiro, Um Lp de 1983, Low Ride, com o tema de abertura Back in Central Park, numa batida caribenha e depois noutros temas como Lp de 1984, Wishful Thinking é a quintessência deste estilo fusionista, inclinado para a ligeireza sonora. Sem grandes nomes ( o saxofonista David Sanborn, aparece num tema,e Eric Gale noutro), o disco baseia-se em temas de guitarra de recorte fácil mas eficaz na audição repetida. O tema Tropical Legs, vale quase, quase, um outro qualquer de Stanley Clarke, mesmo com John Mclaughlin. Ligeiro qb, conserva um lirismo único na sua simplicidade quase pimba. O tema The only one for me, tem quase o mesmo efeito e foi isso que me levou a procurar, em Espanha o disco que por cá nem havia, ainda com títulos traduzidos em espanhol, na rodela negra. Wishful Thinking torna-se assim num Pensamiento de deseo…







Em consonância com estes ritmos, aparece naturalmente, Larry Carlton, no LP de 1980, Strikes Twice. O tema Midnight Parade, com riffs de Gibson 335, é de paragem obrigatória.

Em 1985, Miles Davis, estava também na onda jazz rock, com You´re under arrest. O tema Human Nature, de S. Porcaro e J. Bettis, glosado em trompete, só se comparava ao Time after Time, de Cindy Lauper.












Nesta onda, foi fácil chegar a Bob James e a David Sanborn, em 1986, com o LP Double Vision. Com a dupla rítmica Marcus Miller e Steve Gadd, o disco contém algumas boas músicas do género, com uma gravação cuidada e permitiu ainda a introdução a…Al Jarreau. O LP homónimo de 1983, é uma obra prima do canto em jazz rock e fusão.












E foi nesta revoada de sons de fusão, ligeiros na sua maior parte que aportei a um porto seguro de qualidade sonora impressionante: Pat Metheny. O primeiro assomo, foi com As Falls Wichita, So falls Wichita Falls. Mas a história tem capítulo próprio. Contada um dia destes.

quarta-feira, 9 de janeiro de 2008

Banda desenhada portuguesa

A banda desenhada portuguesa, nas últimas décadas, teve uma expressão artisticamente pública, quase nula.

Depois dos anos de ouro do Cavaleiro Andante e do Mosquito, antes de 25 de Abril de 1974, havia dois artistas conhecidos, mas nem por isso com sucesso público suficiente: Vítor Péon e Eduardo Teixeira Coelho.

As suas obras foram publicadas em algumas revistas, uma delas o Jornal do Cuto, de início dos anos setenta.












Logo após o 25 de Abril, com a liberdade quase completa de publicação, surgiram algumas publicações de âmbito totalmente libertário e sem barreiras de censura.

Em primeiro lugar, uma revista clássica e de grande ambição: a Visão, da editora Edibanda, propunha-se retomar uma banda desenhada feita em português, com autores portugueses. No centro do primeiro número, saído em 1 de Abril de 1975, o autor e director da revista, Vítor Mesquita, com a obra Eternus 9, repetida anos mais tarde no Mosquito, em retoma. A Visão valia o que valia Vítor Mesquita. Acabou por isso mesmo.












No mesmo ano de 1975, surgiram duas revistas de âmbito libertário e anarca: O Estripador, em Janeiro de 1975 e Evaristo, em Março do mesmo ano. Os desenhadores de proa, do Estripador, dirigido por Duarte Boavida e Delfim Miranda, copiavam textos da Actuel francesa e chamavam-se Melo Relvas e Bruno Scoriels.














O Evaristo, tinha um pouco de mais fôlego artístico, com a colaboração de Carlos Zíngaro, ilustrador de capas de discos, como o primeiro da Banda do Casaco ( de finais de 1974) ou os de Júlio Pereira, Fernandinho vai ao vinho e Lisboémia ( de 1976 e 1978).




quarta-feira, 2 de janeiro de 2008

Cartazes de cinema


Este é um dos melhores cartazes de cinema que conheço. É dos anos setenta, de um filme de Werner Herzog. Lembro-me de ter visto este cartaz em formato A5, emoldurado, dentro de um carro estacionado, numa rua de Coimbra que dá para as escadas monumentais. Fiquei fascinado pela beleza da composição e das cores, com o branco a contrastar. Nunca mais esqueci a ilustração e agora nos tempos da Rede 2.0 torna-se mais fácil arranjar estas imagens. Há pouco tempo, vi um livro na FNAC, com posters de cinema dos anos setenta, e lá estava este também.

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

A ilustração em caricatura

A par da música, a ilustração gráfica, é uma das maravilhas artísticas que nunca me cansam de ver, rever e guardar.

No início dos anos setenta, a ilustração em forma de caricatura, foi tomando lugar no interesse e em 1973, uma revista brasileira, Realidade, publicava um artigo com algumas reproduções de caricaturas realizadas por três artistas franceses, então a despertar para o mundo das publicações.
Jean-Claude Morchoisne, Patrice Ricord e Jean Mulatier, ao longo destes anos, repetiram capas de revistas de todo o mundo e o respectivo portfolio, deixava-se já adivinhar nesse ano distante, do começo da década que me marcou.


























Estas duas caricaturas de Jean-Claude Morchoisne, da diva Brigitte Bardot, estão separadas por mais de vinte anos ( uma, a da esquerda, é de 1996; a da direita, do início dos anos setenta). A melhor? Sem qualquer dúvida, a da direita...





















A caricatura de Hitler, a que Moschoisne se refere no texto da Realidade, é provavelmente esta, publicada no início de 1973, na revista francesa, de banda desenhada, Pilote.

Histórias de discos

Quase todos os meus discos têm uma história, particular e de que me lembro. A música tem uma história; as capas e letras também e o modo como aparecem a despertar o interesse de ouvinte, outra história tem.

Vou começar por contar a história dos discos que retiro ao acaso, da estante. Outros se seguirão, na mesma lógica de apresentar a música e a arte inerente, nos sons e no grafismo, tal como se me deparou, no contexto do tempo que já passou. A música e a arte, são para mim, aliás, um modo de parar o tempo numa ilusão perfeita que é a de prolongarem a beleza que as coisas um dia tiveram, continuando a ter, mesmo que apenas na recordação fugidia desses momentos de felicidade.

O primeiro disco da série, é praticamente uma imagem de uma capa, derivada de um anúncio e num contexto de palavras inseridas numa revista.

Já aqui escrevi várias vezes sobre essa revista, a Rolling Stone americana, e do prazer de ler, ver e apreciar tudo o que a mesma trazia, nos anos setenta, e boa parte dos oitenta.

No número de 1 de Julho de 1976, trazido de França por um amigo que lá fora ( e que também trouxe o número sete da revista Métal Hurlant e uns discos, como o dos Sparks, Kimono My House e o de Bob Dylan, Blood on the tracks, ainda com as anotações do crítico ( do NY Times) Paul Williams , na contracapa), é um dos mais emblemáticos da revista, porque contém, uma espécie de sampling de quase todas as matérias que sempre foram apanágio da revista nessa época: política, temas sociais, música, espectáculo e discos.

















Este disco de Andy Pratt, que apenas ouvi há poucos anos, tendo-o comprado numa loja de discos usados da Itália ( salvo erro, Pisa ou Lucca), vale apenas por essa imagem da Rolling Stone, com as cores da foto de Steinbecker and Houghton.

Aliás, a foto da capa do disco, dos mesmos autores e uma das mais interessantes capas da música popular, aparece, na revista, misturada na composição gráfica da imagem, arranjada pelo departamento gráfico da revista ( Roger Black como director, nessa altura). Essas imagens, conferem uma dimensão extra ao trabalho sonoro que agora me parece inferior a essas imagens. A música do disco é uma tremenda decepção, apesar da produção de luxo e dos músicos de sessão, sem falhas instrumentais.

A etiqueta Nemperor Records, distribuída pela Atlantic, também era uma curiosidade de época. Os músicos que participam, são de estúdio e da nata das sessões: Andy Newmark e Steve Gadd na bateria ; Tony Levin, nas guitarras e o próprio Arif Mardin, o produtor do disco, nas percussões, entre outros ( Mark Doyle, nas guitarras).

Imagens: arquivo próprio e a do disco, retirada da net.